sábado, 12 de maio de 2012

É prejudicial à saúde fazer as perguntas correctas

A TVCN1 passou esta tarde o filme Fair Game com Naomi Watts e Sean Penn. O filme está explicado aqui.

A história verídica conta o trajecto da agente da CIA Valerie Plame e do seu marido ex-diplomata e que este último ao denunciar como fraudes, os relatórios em que se baseava George Bush para declarar guerra ao Iraque.

Esta é uma situação recorrente em muitas partes do mundo, mesmo o desenvolvido, em que as pessoas que denunciam os erros políticos muitas vezes vêem-se atacadas e vilipendiadas tendo prejuízos nas suas vidas.

O filme tem o exemplo dos Estados Unidos e da capacidade deste país conseguir com relativa rapidez reagir aos fracassos políticos e erros e com vitalidade manter princípios e comportamentos éticos e de governance social que Portugal por exemplo tem muita dificuldade em responder com igual rapidez e acerto.

No domínio do desporto, então, Portugal é o oposto.

Que critério de decisão para a viabilidade da I e da II liga

Mário Figueiredo o presidente da Liga de Clubes meteu-se num beco:

  • Por um lado, comprometeu-se em aumentar a liga.
  • Por outro, como jurista, trabalha com juristas e contrata especialistas juristas para definirem regras jurídicas que sustentem a sua decisão política de aumento da liga.

Está fechado e sem saída e não é um beco em que se encontra ou então poderia voltar para trás, é um poço muito fundo e ele está longe da superfície.

O desafio de Mário de Figueiredo é encontrar o seu critério de decisão que lhe permita satisfazer aqueles que o elegeram e simultaneamente dê benefícios àqueles que ele ignorou e derrotou em eleições.

A viabilidade económica é um critério alternativo a usar.

Tem duas hipóteses:

  1. usar o estudo da Faculdade de Economia do Porto e da Deloitte e eventualmente aprofundá-lo, colocando-lhe as suas novas questões políticas
  2. procurar outros especialistas económicos procurando equacionar aspectos inovadores
Será extremamente difícil que o futebol português tenha viabilidade jurídica, sem um suporte eficiente economicamente.

O patrocínio ao futebol que elogia o atletismo

Pinto da Costa é divertidíssimo e quando fala é interessante constatar que a estrutura do seu pensamento é de fino recorte e fala para ser compreendido pelo mais simples dos adeptos.

O anúncio do BES de homenagem à selecção de futebol deveria pôr os sinos todos a tocar nos quartéis generais do futebol e naturalmente a Pinto da Costa.

O que está em causa são as rendas que se obtêm em promover as actividades desportivas e que pela proposta do BES são colocadas no regaço de Fernando Mota, presidente do Atletismo.


Um amigo falou com alguém do gabinete do SEDJ e verificou como ele estava contente consigo próprio e tudo o que tinha sido feito no último ano. Segundo parece o importante assessor não conseguiu compreender o horror do que ele dizia no dirigente federativo que estava com 'os cabelos em pé'.

Também em 2006 um funcionário da ex-SED estava felicíssimo e dizia que a ex-SED era unanimemente elogiada pelo bom trabalho realizado até esse momento.


Acontece que o futebol tem alguns desafios que se observam nesta 'deslocação da retina' que o BES tem ao usar o atletismo para elogiar o futebol.

No caso do aumento do campeonato o caso toma outra feição mais catastrófica.

As organizações desportivas que já possuem líderes e corpos jurisdicionais ainda contratam juristas para conseguir pareceres jurídicos que lhes garantam a legalidade das decisões.

Ora, as decisões são de política e arriscam não dar aos parceiros a melhor decisão quando olham apenas para a legalidade do acto.

O problema da legalidade é relevante se o líder desportivo tiver na mão os elementos técnicos que o ajudem a tomar a decisão correcta.

Se e quando o líder olha apenas através das lentes jurídicas para as dificuldades e os desafios dos seus parceiros ficam de fora então a situação torna-se mais complexa necessariamente.

A actual SEDJ é toda ela jurídica, de alto a baixo, e de futebol para a frente, apesar da tremenda crise nacional e ainda mais que tremenda crise do desporto nacional.

O presidente da Liga diz coisas interessantes como quando fala de monopólios e depois já diz coisas menos certas quando fala dos salários em atraso ou então tenta descalçar a bota do alargamento com argumentos jurídicos usando pareceres de especialistas.

À questão do alargamento, ao ser tratada apenas com o casaco jurídico, há que desejar a maior das felicidades e esperar que os patrocinadores tentem estar de bem com Deus e o Diabo para obterem um máximo de rendas para aos seus produtos.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Acção Preparatória Parceria Europeia para o Desporto

Candidatura a programa comunitário ou nacional

Vigência a 2012-07-31

Descrição:

O presente convite à apresentação de candidaturas destina-se a pôr em prática a Acção Preparatória «Parceria Europeia para o Desporto», em conformidade com a Decisão da Comissão relativa à adopção do programa de trabalho anual de 2012 em matéria de subvenções e contratos relacionados com a Acção Preparatória - Parceria Europeia para o Desporto e com o Projecto-Piloto - Parcerias do Conhecimento.
O presente convite à apresentação de candidaturas apoiará os projectos transnacionais que venham a ser apresentados por entidades públicas ou organismos sem fins lucrativos com o objectivo de identificar e testar redes apropriadas e boas práticas no domínio do desporto, nas seguintes áreas:


- Luta contra a viciação de resultados

- Promoção do exercício físico para um envelhecimento activo

- Divulgação de modos eficazes de promover o desporto a nível municipal

- Organização conjunta de competições transfronteiriças de desporto de base em regiões e Estados-Membros vizinhos

 

Objectivos

 

Preparar a realização das futuras acções da UE no campo do desporto, enquadradas pelo capítulo «Desporto» da proposta de Programa da União para o Ensino, a Formação, a Juventude e o Desporto para 2014-2020 «Erasmus para Todos», com base nas prioridades enunciadas no Livro Branco sobre o Desporto, de 2007, e na Comunicação «Desenvolver a Dimensão Europeia do Desporto», de 2011.

 

Público Alvo

 

- Entidades públicas

- Organizações sem fins lucrativos

 

Contactos

 

Comissão Europeia

Direcção-Geral da Educação e da Cultura - Unidade D3

MADO 20/73

1049 Bruxelles/Brussel

Belgique
E-mail:
EAC-SPORT-PREPARATORY-ACTION@ec.europa.eu

 

Ler mais

 

Fonte: Centro de Informação Europeia Jacques Delors

Filosofia versus Desporto. Encontro à melhor de cinco partidas


No âmbito do Doutoramento em Filosofia da Universidade de Évora e em parceria com o NICPRI (Núcleo de Investigação em Ciência Política e Relações Internacionais) irá realizar-se no próximo dia 12 de Maio uma aula aberta subordinada ao tema "Filosofia versus Desporto. Encontro à melhor de cinco partidas".

A coordenação científica está a cargo do Professor João Tiago Lima, sendo convidado o Professor Francisco Pinheiro (CEIS 20 da Universidade de Coimbra) que realizou o seu Doutoramento na área da História do Desporto.
A Acção decorrerá no Colégio do Espírito Santo (na sala 208) a partir das 9h, com a abordagem aos seguintes tópicos:
1. A importância do Desporto: o problema da definição
2. Desporto e História: alguns conceitos fundamentais
3. Ética, fair-play e dopagem: o caso Wayne Arthurs
4. Redesenhando novos caminhos da História com o Desporto
5. Desporto e Estética: a percepção competitiva.
Com vista a preparar a sessão a organização solicita que os interessados em participar na acção enviem um email para:
Fonte: AOP 04/05/2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O cinema não faz como o desporto

Três realizadores de cinema deslocaram-se / foram recebidos no Parlamento onde apresentaram as razões das suas preocupações sobre o sector.

Ver a notícia do DN.

Ultimamente o Secretário de Estado Alexandre Mestre tem aparecido numa série de iniciativas tanto da juventude como do desporto mostrando a actuação do governo.

Estas presenças não eliminam a acção dos parceiros privados visando a opinião pública.

São como o sal que as federações deveriam usar para mostrar a sua estratégia e as suas expectativas face ao futuro.

Porém, o associativismo permanece mudo e quedo como antes.

Os realizadores de cinema como outros actores demonstram que a sociedade se move.

Sem o sal das federações e de outros agentes e parceiros desportivos o secretário de Estado fica perdido.

O que faz os grandes homens de Estado e líderes governamentais de sectores que a sociedade reconhece é a presença dos parceiros privados com voz própria e assertividade.

No desporto esse não foi o hábito das legislaturas anteriores e daí se observe que enquanto Gabriela Canavilhas por exemplo continue a aparecer e a dar a voz da Cultura pelo PS há outros secretários de Estado que desapareceram como os seus constituintes de antes de 2011.

Quando é que as boas das federações desportivas portuguesas decidem arriscar e exigir condições de trabalho para alcançar objectivos europeus e assim ajudar os secretários de Estado portugueses a vingarem no desporto?

Não fazer nada ou ter uma opinião pública activa

Poder-se-ia dizer que no caso do Complexo Desportivo da Lapa não havia necessidade de fazer nada e tudo correu bem.

Levado ao extremo este pensamento aceita que o regime de antes do 25 de Abril acabou por acabar e nada mais havia para fazer.

No caso da Lapa o que se passa é que desde início a administração pública do desporto não conseguiu ter uma orientação política clara.

Efectivamente vendeu património desportivo, o que é um erro tremendo.

A falta de uma orientação de política desportiva substancial impediu o amadurecimento do projecto Lapa desde antes de 2008 e fez perder tempo às federações e aos praticantes locais, para além da destruição institucional do ex-IDP.

Portanto, a venda foi um fracasso perpetrado em 2008 e a incapacidade de criar um complexo plural numa zona histórica da capital é um desafio que se arrasta e que poderia ser projectado beneficamente a outras cidades e a outros complexos desportivos nacionais.

O exemplo do que se fez na Lapa é o que se deve evitar.

As soluções encontradas pela autarquia de Lisboa são úteis por preservarem valores intangíveis e que deveriam/poderiam contar com inputs institucionais adicionais e inovadores por parte do capital de conhecimento e saber-fazer desportivo.

O debate público contra o fracasso e pela criação de soluções inovadoras é uma virtude da democracia política que há partidos que se negam a pôr em prática.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A Lapa em bom caminho

A peça de Carlos Filipe no Público de hoje sobre a união da cultura e do desporto no ex-Complexo Desportivo da Lapa trás ao desporto magníficas notícias.

A Lapa vai ser respeitada na sua integridade cultural e desportiva o que muitas pessoas de bom senso defenderam desde 2008.

Pela minha parte escrevi vários textos.

O texto que se segue foi proposto por mim ao blogue Colectividade Desportiva que o publicasse como anónimo.

Tal foi recusado dado o estilo do texto que me identificava e na altura concordo que era um risco muito grande ter uma posição tão frontal face ao poder político do governo PS.

O texto aqui segue tal como foi escrito em 2008:


A venda do Complexo Desportivo da Lapa à empresa Estamo

1. A venda das infra-estruturas desportivas do centro das cidades é proibida pela legislação dos países europeus mais avançados. As razões relacionam-se com:
a.       As instalações desportivas são espaços de serviço público que geram benefícios para as populações locais e para as organizações e empresas aí sedeadas.
b.      A venda dos espaços em áreas urbanas valorizadas gera mais-valias financeiras instantâneas que beneficiam os agentes privados que as adquirem.
c.       Esta apropriação privada de benefícios públicos é imoral para as populações carenciadas, como parte das que vivem na Lapa e bairros limítrofes. Alguns moradores da Lapa terão meios para pagar os ginásios privados e o usufruto de espaços desportivos noutros locais da cidade o que não acontece com as populações com restrições à sua mobilidade para a prática desportiva.

2. O silêncio da opinião pública face à venda do Complexo Desportivo da Lapa (CDL) mostra a pouca distância que estamos do Burkina Fasso.

3. Não vale a pena chamar nomes aos protagonistas porque a sociedade é que está a errar:
a.       O desporto já se apercebeu que há equipas e projectos que o prejudicam.
b.      Este Governo e as Finanças ou outros quaisquer decidiram vender património público e o desporto foi incapaz de propor vias de benefício alternativo ao Estado.

4. Grosso modo, como se processou a venda do património público desportivo?
a.       Após a desafectação do património público, a venda do CDL à empresa pública Estamo rendeu 8,5 milhões de euros, dizem que parte do qual já entrado no Instituto do Desporto de Portugal.
b.      Seguidamente a Estamo valoriza este espaço em termos imobiliários permitindo-lhe realizar uma mais-valia, de milhões de euros adicionais, como simples intermediário da valorização do velho património desportivo em activo imobiliário.
c.       Não se sabe se os termos deste negócio foram propostos pelo desporto ao Governo ou se foi este a determinar os termos da decisão.
d.      O ministro do Desporto não explicou a razão do seu acto em conjunto com os da Cultura e Finanças.
e.      Existem dúvidas sobre os direitos dos herdeiros dos donos iniciais do CDL os quais terão doado ao Estado para uso desportivo.
                                                               i.      Se for esse o caso, os herdeiros não se importarão de um ressarcimento financeiro, o que descansa o Ministro das Finanças mas não acalma os princípios éticos desportivos a que deveriam estar atentos os ministros do Desporto e da Cultura.
                                                             ii.      A venda fazendo-se a 100 metros da residência oficial do Primeiro-Ministro não se poderá afiançar que se ignora o que se passa.

5. O que é o CDL? A dimensão imaterial do património do complexo Desportivo da Lapa é superior à soma das suas partes. Inúmeras dimensões vitais podem ser consideradas:
a.       A dimensão de alta competição: O CDL tem servido os atletas da alta competição do judo e da esgrima, nomeadamente, o que uma análise fina e complexa das necessidades da alta competição nacional permitirá encontrar uma nova relação de eficiência.
b.      A dimensão de serviço público local: localizado no seio dos bairros dos bairros carenciados da Madragoa, Lapa, Santos e da Estrela o CDL é a oportunidade de serviço público local a potenciar pelas Juntas de Freguesia locais. As populações de maiores rendimentos usam a instalação assiduamente e se por um lado podem deslocar-se a outras instalações limítrofes já as escolas infantis, universitárias e outros serviços da zona serão prejudicados pela opção economicista da administração central. Desconhece-se até ao momento a posição da Câmara Municipal de Lisboa sobre este acto que afecta a qualidade de vida das suas populações da zona da Lapa.
c.       A dimensão cultural e patrimonial da Lapa como um dos bairros carismáticos de Lisboa e do país: Enquanto sede do Museu e da Biblioteca do Desporto, facultando dimensões culturais e científicas, o CDL extravasa a utilidade dos serviços desportivos e administrativos que a espaços têm sido potenciados. Os serviços do CDL são adequados à Lapa compaginando os serviços de liderança pública do desporto, a excelência desportiva e o usufruto da população local.
d.      A dimensão política: O CDL pode ser a sede da Secretaria de Estado do Desporto junto à Assembleia da República e perto da Presidência do Conselho de Ministros. Por tradição os Secretários de Estado do Desporto são deputados o que mais realça a desatenção do pessoal político para um activo como o CDL. A maximização do espaço permite ter acesso para três ruas distintas e a reconfiguração arquitectónica do complexo permitiria a salvaguarda do ruído e movimento público das instalações desportivas e da qualidade necessária à sede de uma Secretaria de Estado.
e.      A dimensão patrimonial e arquitectónica: O complexo necessita de um projecto ambicioso e socialmente mobilizador. Portugal possui arquitectos de qualidade e empresas capazes de face a um programa definido com rigor em resposta aos princípios europeus de desenvolvimento criar um centro notável para o bairro da Lapa.
f.        A dimensão autárquica: O diálogo com a Câmara Municipal de Lisboa é fundamental em múltiplos factores quando toca a mexer numa peça capital como o CDL.
g.       A dimensão legislativa: o regime jurídico das instalações desportivas têm lacunas não resolvidas como seja o caso do abate das instalações que servindo populações, por vezes carenciadas, assistem à apropriação de benefícios financeiros privados e que são inaceitáveis eticamente do ponto de vista da ética do Governo e do Desporto.
h.      A dimensão económica: Eventualmente o destino do CDL ficou traçado com a pobreza da economia aplicada ao desporto a qual enfraquece os principais projectos desportivos nacionais. O desporto, o CDL e a Lapa possuem uma equação de eficiência complexa que é necessário assegurar. Existem custos e existem benefícios que não foram avaliados com o projecto de abate do CDL. Estão em causa princípios de comportamento público e de governance da coisa pública que têm sido defraudados ao desporto português. Retirar o CDL tem custos para a população local, para a cultura e o património da Lapa e para a alta competição. São custos intangíveis que a administração pública portuguesa não trata e que no caso do desporto assume dimensões éticas que noutros sectores poderão ser desprezíveis. Do lado das receitas, a resposta aos benefícios potenciais gerará benefícios monetarizáveis os quais valorizarão o investimento realizado pelo Estado e libertará espaço para algum aproveitamento lucrativo adicional a ser explorado pública ou empresarialmente.

6. Opções possíveis:
a.       Abandonar à voracidade economicista do orçamento nacional desequilibrado, deste ou doutro governo, uma peça essencial da qualidade de vida de um dos bairros carismáticos dos portugueses.
b.      Reconceber o CDL numa visão inovadora e moderna, do século XXI, para o espaço que pode ser tomado como um exemplo nacional sobre o que fazer das instalações desportivas situadas nos centros da cidades portuguesas.

7. Qual a falha fundamental deste projecto de abate do CDL?
a.       A inexistência de um conceito nacional de desporto e do seu desenvolvimento em benefício da população.
b.      O abate da infra-estrutura dividindo os benefícios entre o IDP, que ganha os trocos, 8,5 milhões, as Finanças, que ganha duas, três ou quatro vezes mais pela venda directa aos privados, e os privados é uma solução menor e preguiçosa na perspectiva financeira e eticamente reprovável na óptica do desporto.

8. Poderá o Colectividade Desportiva assumir uma função pública de debate e sensibilização da opinião pública para este possível atentado interesse do desportivo nacional e mobilizar a sociedade para uma solução alternativa?

Lisboa, 20 de Outubro de 2008

segunda-feira, 7 de maio de 2012

3. A TRADIÇÃO INGLESA NAS TENTATIVAS FALHADAS DOS JOGOS OLÍMPICOS ?

Nas últimas 3 décadas do século XIX, começam a surgir frequentes movimentações desportivas, especialmente o atletismo, com competições locais e campeonatos a organizarem-se por todo o lado. Esta difusão que Pierre de Coubertin observa e anota nas deslocações que faz a Inglaterra e à América, a pedido e a expensas do governo francês, também interessado na projecção da França como impulsionadora da renovação dos Jogos Olímpicos da Antiguidade, são fortes motivações que inculcam nele a ideia de que a implantação dos Jogos Olímpicos é uma subjectivação alicerçada pelo apoio do Governo e até pelas diversas entidades particulares e oficiais estrangeiras com as quais contactou pessoalmente, e lhe transmitiram a convicção de que a concretização do sonho era uma realidade a apagar aos poucos o que de início pareceria uma utopia.

Estes viagens e contactos frequentes contam, além do suporte económico do Estado, com a fortuna pessoal de Coubertin, herdeiro de uma cadeia de hotéis em França, que esbanjará para a realização de todo o trabalho de organização e realização do olimpismo, desde a criação do Comité Internacional Olímpico até à organização dos Jogos Olímpicos quadrienais, que o arrastou até à pobreza.

Nos seus contactos com as instâncias universitárias inglesas, apostadas na divulgação das práticas desportivas, é de considerar que Coubertin teria conhecimento dos arremedos de tentativas de organização de jogos olímpicos, nas ilhas britânicas, que se tornam notadas apenas pela magia da palavra “olímpics”. No início dos anos 1800, excepcionalmente,  os escoceses também foram influenciados pela difusão das actividades desportivas e criaram os “Highland Games”, omitindo o “olimpics” que considerarão termo britânico, e como manifestação de indepenedentismo da coroa inglesa contra a qual sempre lutaram, substituindo-o por “Highland”. Estes Jogos escoceses fizeram uma demonstração na Feira Internacional de Paris, em 1900, onde se realizaram os apagados II Jogos Olímpicos, e consta que Coubertin terá assistido à mesma, composta de provas de força (lançamentos do peso e do martelo) , velocidade, e saltos em comprimento, e  terá provavelmente pensado que, paralelamente, às actividades desportivas dos Jogos, os organizadores da Feira as terão aproveitado como espectáculos circenses.

Coubertin não deixou nenhum registo ou notação sobre a participação destas actividades dos “Highland Games” juntamente com os II Jogos Olímpicos, parecendo tomar parte destes, porque a organização foi totalmente apagada pelo domínio da Feira Internacional de Paris, nada interessada no relevo pretendido pelo Comité Internacional Olímpico. Constituiu uma experiência tão amarga que Coubertin teve de aceitar que os Jogos acabaram por serem designados de Concurso Internacional de Exercícios Físicos e de Desportos, e verá o exemplo repetido nos III Jogos Olímpicos, em 1904, incluídos na “Exposição Internacional de Saint Louis”, embora os Jogos estivessem marcados para Chicago, mas o Presidente Roosevelt insistiu junto do CIO para serem incluídos na Exposição, e Coubertin, bem a contra gosto, teve de anuir, mas recusou comparecer à abertura da Olimpíada, porque ficaria totalmente fora dos parâmetros do CIO..

Daqui terá certamente concluído Coubertin que os II e III Jogos Olímpicos, porque diluídos, um na Feira e outro na Exposição, nunca foram organizados pelo CIO, nem pelas cidades organizadoras, mas os estádios, as piscinas e as pistas artificiais desportivas, estavam limitadas às que a natureza fornecia: os bosques, os rios, os lagos, o mar, as estradas. Mas abria-se o caminho para a arquitectura e engenharia desportivas, para a formação das federações nacionais e internacionais desportivas, para os Comités Nacionais Olímpicos, que as práticas desportivas iriam impondo, ao longo do seu crescimento e do seu desenvolvimento. A força anímica de Coubertin seria contagiosa.

Algumas notas sobre o IPDJ

Alguns anónimos estão há algumas semanas muito activos, no blogue Colectividade Desportiva, contra a política da actual secretaria de estado e quanto às decisões do governo PSD no desporto.

Juntemos alguns elementos para compreender o que se passa:

  1. o ex-IDP foi destruído principalmente a partir de 2005.
  2. bons processos de gestão da coisa pública do desporto, criados por José Constantino e José Cordovil desapareceram instantaneamente com a primeira equipa nomeada.
  3. as facturas eram um desastre à espera de acontecer e foi uma prenda colocada arrumadinha no regaço do novo governo.
  4. coisas como as facturas são processos que se desenvolvem e agravam durante anos e anos e só não vê quem acredita em coisas estranhas.
  5. a junção do IDP com outras instituições públicas pecou por 'timidez'.
  6. apanhou-se a ideia dos blogues e vai daí: 'está feito'.
  7. o INATEL e a Cultura ficaram de fora.
  8. faltou um grande fôlego ao novel governo para trabalhar com assertividade o 'core' do bem público cultural e desportivo.
  9. essa seria a grande revolução que perduraria para o século XXI.
  10. quem não estava preparada para ela é o associativismo que do instituto público quer um multibanco como referiu Manuel Brito, em seu tempo.
  11. o associativismo não exigiu de 2005 a 2011 um instituto competitivo, racional e com outras características.
  12. a colocação do fiscal das finanças iniciada pelo PS, é preciso não esquecer, foi para limitar o financiamento para as federações.
  13. não teve outro objectivo.
  14. é para isso que eles servem. Como não podia deixar de ser tenho amigos fiscais das finanças e converso com eles ao longo dos anos e compreendo o que acaba por ser um fiscal das finanças e quais os objectivos de política de governo para governo.
  15. até há formas de um fiscal das finanças promover o bem do desporto mas esse percurso está ausente há muito. 
  16. a questão fundamental é que o desporto tem de ter um processo de trabalho dentro de parâmetros mais claros que até hoje não tem tido incluindo a norma das finanças públicas.
  17. ou seja, o que vai faltando desde 2005 é o resto.
  18. isto tudo não se refere a pessoas mas a estruturas culturais e comportamentais profundas.

Congresso Iberoamericano de Economia do Desporto, Valência

Realiza-se em Valência o III Congresso Iberoamericano de Economia do Desporto em 7 e 8 de Junho de 2012.

É uma consequência das iniciativas de investigação da economia do desporto de Gijon já aqui referida.

Justiça é vulnerável à corrupção

O diagnóstico é de Luís Sousa, investigador do Instituto de Ciências Sociais e politólogo e aparece na comunicação social como no Jornal de Negócios e no Expresso.


A relevância para o desporto é a qualidade da regulação e da feitura de leis que Nuno Garoupa outro investigador e professor universitário tem desenvolvido sobre Portugal.


A investigação científica é uma área insuficientemente desenvolvida no desporto e os estudos que apontam soluções face à realidade devem ser promovidos.


No desporto a corrupção não pode deixar de ser realçada como fenómeno influenciador das políticas e do seu desenvolvimento.


Não é minha preocupação trabalhar a questão da corrupção mas não posso deixar de olhar para ela como fenómeno influenciador da qualidade de cisão económica dos agentes privados e públicos que actuam no sector.

domingo, 6 de maio de 2012

Uma hipótese de renovação da política desportiva

Desde sempre se conhece a predisposição do CDS, enquanto pequeno partido, de se afirmar em feiras e mercados e atribuir ao mundo rural uma primazia na construção do seu imaginário político.

Mais valeria ao desporto em vez de se dar tanto ao centro, escolher ou incentivar, as pequenas forças políticas a apresentarem resultados de política visando a melhoria do seu bem-estar em benefício da população.

Alguma da incompetência tradicional usa uma regra do menor esforço de colocar os ovos todos no cesto do político nomeado para o sector sem questionar minimamente alternativas dentro do quadro partidário e mesmo dentro do partido dominante na altura.

A venda da predisposição a comprar ao monopolista sem colocar em leilão a entrega do desporto ao melhor pagador político é prejudicial ao desporto.

As margens obtidas são menores o que é possível determinar economicamente.

A colocação como fiscal alguém das finanças é apenas uma flor de estilo sem substância política e sem benefícios materiais para o sector como em legislaturas anteriores se descobriu e depois tão mal se aplicou.

As dificuldades do desporto português são demasiado grandes para se resolverem com medidas parcelares e justifica-se tanto criar um quadro de conjunto sólido e consensual entre diferentes parceiros, tanto públicos como privados, como assumir um quadro de actuação de longo prazo.

As opções da política no desporto são frágeis

O país está em convulsão com os agentes mais activos, os do costume, a lutarem pelas suas margens de lucro, assim como, a posição dos seus representantes no governo a não deixarem os créditos por mãos alheias.

A ministra do CDS Assunção Cristas defende os produtores contra os grandes distribuidores.

A ASAE tem um desafio claro frente à iniciativa do Pingo Doce que promete tornar interessante a competição no mercado da distribuição.

O BES prefere livrar-se da dependência financeira do Estado e prefere criar condições para ir ao mercado mais cedo e a taxas competitivas.

Não há do lado da governação do desporto nada de novo nem uma actuação por parte dos agentes privados interessante se bem que os fracassos, a começar pelo futebol, sejam conhecidos.

O presidente do Leiria sugere ao presidente da federação que lhe pague as dívidas e não há nada que lhe evite as dificuldades que arrasta há anos depois da gestão autárquica do estádio ter ajudado ao divórcio com a população local e agora até estar a jogar num estádio de outra cidade sem que nenhuma instituição ou organização da modalidade se queixe da falência do modelo vigente.

Há ministros que defendem os seus constituintes e há outros que o não fazem e contribuem para dificuldades crescentes do usufruto das boas políticas pela população.

O desporto infelizmente está no lado errado. Há muitos anos.

Basta ir a uma região litoral de Espanha, tão afastada como Lisboa de Madrid, para observar como as coisas se fazem de outra forma.

O problema não é a distância do centro da Europa mas de uma forma diferente de fazer e de se comportar para benefício social.

sábado, 5 de maio de 2012

Faz-se boa economia do desporto na Faculdade de Comércio, Turismo e Ciências Sociais Jovellanos de Gijon

Plácido Rodrigues é a alma de um projecto que alcançou este fim de semana a 7ª edição.

As conferências reúnem usualmente os melhores economistas do desporto do mundo como Stefan Szymanski, Robert Simmons, Bernd Frick, Brad Humphreys, John Vrooman, Roger Noll, ou David Forest, entre outros que por lá passam ao longo dos anos, que durante dois dias debatem a matéria proposta para aquele ano.

O tema deste ano foi Sports and Competition.

A Conferência é coordenada por Plácido Rodrigues, Stefan Késenne e Jaume Garcia.

De cada conferência resulta uma publicação com os papers e daqui dou nota das 5 seguintes:

  • Rodrigues, P., Késenne, S., Garcia, J., editors, 2006, Sports Economics after 50 years: Essays in Honnor of Simon Rottenberg, Universidade Oviedo
  • Rodrigues, P., Késenne, S., Garcia, J., editors, 2007, Governance and Competition in Professional Sports Leagues, Universidade Oviedo
  • Rodrigues, P., Késenne, S., Garcia, J., editors, 2008, Threats to Sports and Sports Participation, Universidade Oviedo
  • Rodrigues, P., Késenne, S., Dietl, H., editors, 2009 Social Responsibility and Sustainability in Sports, Universidade Oviedo
  • Rodrigues, P., Késenne, S., Garcia, B.R.., editors, 2011, The Economics o Sport, Health and Happiness: The Promotion of Well-being Thourgh Sporting Activities, Edward Elgar

Este significativo esforço contando com o envolvimento de instituições privadas e públicas das Astúrias e do desporto espanhol como a Fundação do Futebol e o Conselho Suparior do Desporto, para além da Universidade tem um impacto significativo no conhecimento económico do seu desporto.

Aferir os trabalhos realizados pelos professores e investigadores espanhóis pela presença e apreciação dos melhores economistas mundiais está a fazer surgir jovens economistas não só na Universidade de Oviedo com Carlos Varela, como Universidade Internacional da Catalunha com Pedro Garcia-del-Barrio, e da Universidade de Navarra com Francesc Pujol, entre muitos outros jovens economistas espanhóis presentes no evento.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Contributos para o Livro Branco da Juventude

Workshop

«Conhecer para agir: Contributos para o Livro Branco da Juventude»
17 de maio - 9h30 - Lisboa
Auditório Sedas Nunes do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa

O séc. XXI, será celebrado pela produção seriada de trabalhos sobre o Livro Branco da Juventude, porque, quando não se sabe o que fazer com a juventude, inventam-se estes manuscritos para ir empatando o tempo e dando a impressão de que, nada se terá feito até agora, e que chegou a hora da verdade: os políticos finalmente vão dar atenção à juventude, e resolver os seus problemas, mas que é preciso “conhecer para agir”.

Os contributos para o Livro Branco da Juventude estão aí:

- a nossa juventude não tem meios económicos para estudar
- a nossa juventude não tem meios económicos para permanecer na terra onde nasceu
- a nossa juventude vive no desemprego e num país que paralisou a vida
- a nossa juventude, perante o panorama que o país lhe oferece, fica estupefacta como é possível tanta preocupação política sobre a manutenção ou supressão de feriados, como se eles fossem a causa de todos os males de que enferma o país, e que da sua solução ficará resolvido todos os problemas da juventude
- a nossa juventude está preocupada com as infantilidades dos políticos, e de como é possível viverem em autofagia
- a nossa juventude pergunta quais os resultados obtidos com a publicação de todos os anteriores "Livros Brancos da Juventude" e que benefícios resultaram das respectivas publicações.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

2. A TRADIÇÃO INGLESA NAS TENTATIVAS FALHADAS DOS JOGOS OLÍMPICOS ?

 Quando Henrique VIII assumiu o poder em 1509, rompeu com a Igreja Católica Romana e fundou a Igreja de Inglaterra ou Igreja Anglicana, em 1534, esta simples mudança de fé teve fortes repercussões nas universidades, e em especial nos professores de grego, de Oxford e Cambridge, a partir de 1540, e cujas traduções dos clássicos gregos terão aguçado o interesse pela história dos antigos Jogos Olímpicos.
Tem-se posto a hipótese de que teria havido um elo de influência da Universidade de Cambridge nos “Cotswold Olimpicks”, considerando os seguintes factores:

1. O criador dos “Cotswold Olimpicks”, Robert Dover, ter ingressado na Universidade de Cambridge, em 1595, e sido induzido a introduzir o signo “Olimpicks”, por o termo ser usual, dado constituir o centro de interesse de então, mas pouco preciso, transformando um arremedo de jogos olímpicos num jogo rural tradicional, ou festival anual, ou, mais precisamente, como se vê na capa amarelada do livro, ínsita no anterior post, denominando-os de “Robert Dover’s Cotswold Olimpicks”, ou seja, “Olímpicos de Cotswold de Robert Dover”, para não haver dúvidas quanto ao seu criador que aparece, na parte inferior, montado a cavalo a dirigir os jogos;
2. A localização geográfica, tanto dos jogos como da Universidade de Cambridge, em Gloucestershire;
3. A abertura ao conhecimento histórico dos jogos olímpicos da antiguidade se terem iniciado em 1540, na Universidade de Cambridge, e os primeiros “Cotswold Olimpicks”, iniciado em 1612, uma separação temporal de 72 anos;
4. A prática do futebol a partir de 1570, entre os estudantes do Trinity College e os da Cambridge Town, constituiria uma base para despertar interesse pelo conhecimento do mundo lúdico-agonístico grego.

Outro aluno da Universidade de Cambridge, Symonds D’Ewes, teria escrito, no seu diário, em 1620, sobre “Mog Magog Olympic Games”, mas desconhecem-se pormenores, e é provável que tenha sido fruto de uma imaginação fértil, sem qualquer ligação com a realidade. Matéria similar vamos encontrar nos falados Jogos Olímpicos de Hampton Court, que teriam sido realizados em 1679, mas as fontes são desconhecidas.

A difusão da palavra Olímpico insinua-se, sem o conhecimento preciso da matéria, porque na Universidade de Oxford, em 1681, os estudantes interpretavam os desportos folclóricos como sendo “Olympic”, e porque a realização de jogos se processava em Cowley , em 1712,  o evento foi baptizado de “Olympiad of the country”. A própria imprensa da época já se entusiasmava de tal maneira com os Olímpicos, julgando-os próximos, que considerou a realização de qualquer jogo de cricket como qualquer dos jogos da antiguidade grega: ou Ístmico, ou Pítico, ou Olímpico. Mal comparado, relembra o aparecimento da bicicleta que levou o médico francês Tissié a considerar que ela era “um bom instrumento de ginástica”, o que equivaleria a considerar todas as modalidades desportivas como bons instrumentos de ginástica. Com o senão de Tissié nunca ter concordado com os Jogos Olímpicos, nem com as ideias de Coubertin.

Proteger o nosso futebol

Gilberto Madail encheu o cofre da FPF e isso também António Salazar fez no país.

Ambos beneficiaram e cultivaram rendas que acumularam e não investiram no país e na sua população.

Sectores específicos beneficiaram da actuação de um e de outro e com isso criámos alguns resultados mundiais sobre pés de barro.

A factura da irracionalidade do modelo de desenvolvimento aí está para ser paga: a generalidade dos clubes da I liga apresentam problemas grandes, os da II liga querem ir para a I liga para 'terem direito' a não pagar aos jogadores e beneficiarem de outras liberdades que a I tem e a II não, os amadores não têm dias bons há décadas, apenas para falar em termos de campeonatos.

O futebol necessita de um projecto profundo e não de pequenas coisas.

Era bom que houvesse pessoas com coragem para tomarem o nosso futebol por inteiro.

Era preciso que alguém tivesse a coragem de o fazer.

terça-feira, 1 de maio de 2012

A TRADIÇÃO INGLESA NAS TENTATIVAS FALHADAS DOS JOGOS OLÍMPICOS ?

Antes de Coubertin, muitas foram as tentativas falhadas para o renascimento dos Jogos Olímpicos da antiga Hélade, ou apenas atracção pelo encantamento que os lendários olímpicos do passado lúdico-agónico avivavam e a memória pretendia comemorar, reviver ou simplesmente registar, mesmo que os programas festivos divergissem dos originais Jogos Olímpicos. A força da palavra Olímpia, ou Olímpicos, seria a impulsionadora da vontade de transpor para o terreno o que a imaginação germinava, mesmo sem as reminiscências legadas por Homero, Píndaro, Platão, Plutarco ou Pausânias, sobre os lendários Jogos Olímpicos.
Porque a velha Albion parecia pródiga em permanentes tentativas para fazer renascer os Jogos Olímpicos, esta matéria do historial olímpico inglês terá provavelmente motivado e entusiasmado Coubertin a concretizar o que parecia não passar de tentativas falhadas.


 
Se vamos assistir ao 116º aniversário, dos Jogos Olímpicos Modernos, em Londres, no próximo mês de Julho, em compensação, na Dover’s Cotswold (Vila de Chipping Campden, no Gloucestershire), no dia 1 de Junho, celebrar-se-ão os 400 anos dos “Cotswold Olimpicks”, com o seguinte programa:

- Caça (cães, falcões)
- Corrida 5 milhas
- Dança de Morris
- Esgrima
- Hipismo
- Lançamento do martelo
- Lançamento da barra
- Saltos
- Tiro

E para não desmerecerem da sua realização anual, e para memória do futuro, também consagraram, como os clássicos gregos, os “Cotswold Olimpicks” conforme atestam os “Annalia Dubrensia” e outros poemas, de Francis Burns, e ditados em 1636, ou seja no 24.º aniversário.


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Não é preciso ser-se vidente

As decisões de politica desportiva demonstraram antes de 2011 e depois continuaram a aparecer dados de que a situação do nosso desporto ia de mal em mal.

O ror de medidas de política fracassadas cresceu e seguiu-se o silêncio e a actuação a pedido.

O Estado actua se lhe pedirem para ser Estado.

Líderes desportivos de valia equivalente empalidecem de assombro!

Dirão: "Como não me lembrei!"

Sem dados, sem princípios e sem instrumentos eficazes e eficientes de política o mercado deslaçasse e aos pedaços cai com estrépito no colo das colunas sociais do desporto.

Antes e depois líderes desportivos com experiência política na área da governação foram e são ignorados partidariamente enquanto os erros e a ausência de querer e determinação são praticados por ignorantes de desporto e do mal que fazem à população, à sociedade e à economia.

Salta-lhes o "por determinação superior", "agora vai ser assim" ...

Se o futebol parece um caco será um erro pensar no seu isolamento.

Académica vai jogar de luto pela “morte” da verdade desportiva

Notícia do Público

Texto de um grupo de Federações Desportivas

Desconhecendo a finalidade e âmbito de criação e promoção apresento o texto que mão amiga me fez chegar:

"Na actual conjuntura económica e financeira que Portugal atravessa, reconhece-se como certo que o Desporto tem sofrido as inevitáveis consequências da mesma, com cortes sucessivos no financiamento público que já atingiram valores médios bem dentro da casa dos 2 dígitos.

Neste contexto e em face do actual cenário, um grupo de Federações Desportivas, representando modalidades colectivas e individuais, entendeu ser seu dever refletir sobre as questões que as afectam transversalmente, na procura de soluções que minimizem os efeitos negativos da actual conjuntura.

Estas Federações entenderam debruçar-se, inicialmente, sobre o modelo de gestão e financiamento dos Centros de Alto Rendimento e em especial, o Centro Desportivo Nacional do Jamor, alargando esta preocupação aos outros Centros de Treino Especializados. Basicamente, a ideia foi procurar respostas aos problemas comuns existentes na utilização daquelas Instalações Desportivas, na vertente do apoio às Seleções Nacionais e do Alto Rendimento, com um enfoque especial na preparação e participação nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Este grupo integra no presente as seguintes Federações Desportivas: Atletismo, Basebol, Canoagem, Futebol, Golfe, Hóquei, Motociclismo, Natação, Râguebi, Ténis, Triatlo e Voleibol.

Não sendo um tema que mereça a nossa preocupação, no presente, não podemos de deixar de manifestar a nossa perplexidade pela apresentação extemporânea de candidaturas e disponibilidades para a liderança do Comité Olímpico de Portugal quando as eleições para o próximo mandato apenas irão ocorrer em 2013.

Pelo contrário, preocupação séria é a que nos causa a implementação do Plano Nacional de Formação de Treinadores (PNFT). De facto, a implementação deste plano merece sérias dúvidas quanto à sua exequibilidade, podendo a sua aplicação conduzir à paralisação da actividade desportiva na grande maioria dos Clubes e Associações Desportivas.

Desde 2010 que várias Federações Desportivas, no decurso de sucessivos contactos e reuniões com a Administração Publica Desportiva, expressaram as suas apreensões, dúvidas e reservas quanto à inadequação do modelo proposto à realidade desportiva nacional.

Não tendo tais preocupações merecido acolhimento favorável por parte das respectivas Administrações, considera este Grupo, como absolutamente necessário, promover-se a curto prazo um debate envolvendo todas as Federações desportivas interessadas, anunciando-se, em tempo, a data, local e o programa desta iniciativa.

Objectivamente, em matéria de Formação de Treinadores – sem questionar a necessidade de uma contínua aquisição de conhecimentos, valores e princípios em ordem a uma competente, exigente e educativa intervenção - impõe-se a adopção de medidas que sejam adequadas à realidade concreta do meio desportivo e que contribuam para a sua evolução."

O futebol em cacos

Diz o presidente da Liga de Clubes "a meio da partida, descrevendo os oito atletas da União de Leiria como "uns bravos, que estão a tentar fazer por não perder o jogo, ainda com algumas jogadas de contra-ataque. São profissionais a sério". "

domingo, 29 de abril de 2012

VII Gijon Conference on Sports Economics "Sports and Competition"

Ver o programa no link seguinte: 4 e 5 de Maio de 2012, Gijon, Espanha


Há pedaços de desporto a cair das fracturas formadas e que não se sabe como emendar ou construir novo

Talvez o mais espantoso da actualidade desportiva seja o suicidio de um partido pela destruição de uma oportunidade que teve ao conquistar o poder.

Existem inúmeros líderes desportivos da área do PSD que desapareceram e foram ignorados por pessoas com um nível de auto-convencimento imenso.

A sua incapacidade observa-se na destruição de tecido desportivo em múltiplos níveis e que a realidade económica envolvente faz acelerar os aspectos duros e principais contradições da produção desportiva.

O PSD está cego e impotente e vai pagar por esta incompetência.

Espantosamente o PSD é incapaz de compreender o que aconteceu ao PS,perspectivar que lhe pode ou está a fazer o mesmo, e retirar ilações enquanto o interesse do desporto no sentido que politicamente o pode beneficiar.

Parece que vai haver mil milhões de euros para o desemprego jovem o que mimetiza os coelhos que Sócrates tirava da cartola às 8 horas da noite todos os dias.

Há problemas técnicos e científicos do nosso desporto e é neste domínio que o PSD, copiando o PS, soçobra, mesmo que vilipendiando o opositor e a sua obra.

A falta de humildade, a incapacidade de ouvir e conversar e a promoção do debate democrático e científica e tecnicamente elevado é marca do nosso desporto há algumas décadas.

Euro2012: Cavaco deseja sucesso à seleção nacional


Segundo a TSF


"O Presidente da República, Cavaco Silva, desejou hoje o maior sucesso à seleção portuguesa de futebol para o Europeu de 2012, que se disputa na Polónia e na Ucrânia, entre 8 de junho e 1 de julho.

«Quero, daqui, desejar o maior sucesso à nossa seleção para o Europeu», disse Cavaco Silva, durante o discurso no jantar do centenário do Olhanense, que juntou cerca de 500 pessoas na cidade algarvia, entre as quais os presidentes da Liga Profissional e da Federação Portuguesa de Futebol.

Segundo o Presidente da República, os portugueses «confiam na seleção nacional e esperam de todos os jogadores o maior empenho, o maior desportivismo e o maior esforço, para colocarem bem alto o nome de Portugal».

Na sua intervenção, Cavaco Silva recordou a sua «ligação afetiva» de mais de 50 anos ao Olhanense, clube que começou a gostar ainda no tempo de estudante na Escola Comercial e Industrial de Faro.

«Não foi só no futebol que o Olhanense se destacou», disse o Chefe de Estado, recordando as vitórias do clube algarvio em modalidades como o basquetebol e o ciclismo.

A concluir, Cavaco Silva disse ainda: «O Olhanense tem-se revelado um clube aberto à sociedade, aberto à prática desportiva e ao associativismo a milhares de jovens, o que me enche de orgulho»."


Isto está uma açorda, nós a pensar na falência do modelo desportivo e há pessoas que necessitam de se pôr em bicos dos pés sobre a crise do desporto para beneficiarem as suas vidas!

sábado, 28 de abril de 2012

As ilhas afundam no desporto

Maria José Carvalho comenta o 'descalabro' no Colectividade Desportiva

Rescisão dos jogadores do Leiria é "caso de polícia"

Diz João Bartolomeu no Diário de Notícias

Palavras de Eduardo Lourenço

No Diário de Notícias


"O ensaísta Eduardo Lourenço mostrou-se hoje preocupado com a nova vaga de emigração, que atinge particularmente os jovens, considerando que "defraudam, sem querer" o país onde se formaram.

O pensador disse estar preocupado com o fenómeno "porque as pessoas formam-se" em Portugal e "em vez de contribuírem para a criatividade do país, nas diversas áreas, vão lá para fora, para países mais ricos e vão a ajudar ainda a riqueza desses países".

Em declarações à Lusa, na Guarda, à margem do lançamento do livro "Obras Completas de Eduardo Lourenço: I - Heterodoxias", também reconheceu que aqueles que emigram "defraudam, sem querer, a energia cultural e a energia criadora" do país.

No entanto, Eduardo Lourenço que também vive no estrangeiro, em Vince (França), reconhece que "essas coisas são imperativas, não é culpa deles [dos que emigram]".

Apontou que "uma pessoa quando está num país onde o mínimo de condições não lhes é assegurado vai procurar qualquer outra coisa longe" da pátria."