sábado, 4 de agosto de 2012

Clarisse Cruz a nossa heroína dos Jogos Olímpicos de Londres 2012

A praticante de 3000 metros obstáculos, uma disciplina do Atletismo, atacou a frente da corrida numa das eliminatórias, tropeçou numa barreira e estatelou-se para fora da pista.

Seguidamente levantou-se e entrou de novo na corrida antes da passagem da totalidade das concorrentes.

Clarisse Cruz bateu-se até ao fim resistindo aos ataques sempre atrás das três primeiras atletas e apenas foi ultrapassada na recta da meta por uma atleta espanhola.

Clarisse Cruz retirou 10 segundos ao seu recorde nacional na distância.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

DE COMO UM DOS "DEUSES DO DARDO"...

Post de João Boaventura publicado no blog “De Rerum Natura”, em 31.07.2012

DE COMO UM DOS "DEUSES DO DARDO”, DO SÉC. XXI, DE CARLOS FIOLHAIS, ATINGIU MORTALMENTE UM ATLETA NO SÉC. XX, E DE COMO NO SÉC. V a.C., ANTIFÃO NOS ESCLARECE, NAS SUAS TETRALOGIAS, AS CONSEQUÊNCIAS FILOSÓFICO-JURÍDICAS



Após a leitura do memorável trabalho, em epígrafe, do Professor Carlos Fiolhais, de imediato o associei a um acontecimento raro, o da morte do atleta sueco Bo Larsson, no Estádio Johanneshov de Estocolmo, quando participava numa corrida de estafetas, por ter sido atingido acidentalmente por um dardo lançado por outro atleta, durante um torneio de atletismo nocturno, segundo informava então o “Diário Popular”, de 29.08.1959.

E nesta sequência, sem vislumbre de qualquer consequência filosófica ou jurídica, resultante de tão infausto acontecimento, no século XX, o único recurso foi o de recorrer a um texto de debate fictício, do séc. V a.C., da autoria de Antifão, professor de eloquência e de direito, autor das referências, “Da verdade”, “Da concórdia”, e das “Tetralogias”, onde os seus discursos judiciários, constituíam modelos de argumentação, para factos que poderiam ocorrer, e serem pleiteados. Os três títulos eram os textos através dos quais Antifão transmitia os seus ensinamentos aos alunos, e assim se formariam os homens do direito desportivo.

Nas “Tetralogias”, esquematicamente, agrupam-se 4 discursos, cabendo dois ao advogado de acusação e dois ao de defesa:

  1. Exposição da acusação
  2. Argumentação da defesa
  3. Resposta
  4. Réplica
No caso presente os acusadores e os defensores são: o pai do filho atingido pelo dardo e do do lançador do dardo mortífero, e cujos pleitos se reproduzem:



In "Anthologie des Textes Sportifs de l'Antiquité",
Recueillis par Marcel Berger et Émile Moussat
Grasset, 3 ème Édition, Paris, 1927, pp 92-95

 

OS DEUSES DO DARDO

Crónica do Professor Carlos Fiolhais publicada no “Sol” e no blog “De Rerum Natura”, em 27.07.2012

OS DEUSES DO DARDO



Agora que estão a começar, em Londres, os XXX Olímpiadas da era moderna, surge nos media uma avalanche de dados sobre as várias modalidades: os atletas, as marcas, a história. Venho aumentá-la um bocadinho fornecendo alguns dados sobre o dardo.

Porquê o dardo? Trata-se de uma modalidade olímpica onde os recordes tiveram uma queda, em vez de terem sempre aumentado. O actual recorde mundial é de 98,48 m, obtido em 1986 pelo checo Jan Zelezný, um lançador fenomenal, detentor das cinco melhores marcas mundiais de sempre, mas o recorde mundial anterior era de 104,80 m, marca conseguida pelo alemão de Leste Uwe Hohn, o único atleta a lançar o dardo além de 100 m. O actual recorde olímpico, de posse do norueguês Andreas Thorkildsen (90,57 m, em 2008, nos Jogos de Pequim), o grande favorito para Londres, é também menor do que já foi. Como é isso possível? Acontece que em 1986 os regulamentos do dardo foram alterados: com a pulverização dos recordes, corria-se o risco de o dardo acertar nalgum espectador. Não se alterou nem a dimensão do dardo (para homens, entre 2,6 e 2,7 m) nem o seu peso (máximo de 800 gramas), mas deslocou-se o centro de gravidade escassos 4 cm mais para a frente. Essa simples mudança fez com que o dardo, em vez de planar no ar durante muito tempo, tivesse tendência para se inclinar, caindo mais cedo e mais virado para o solo. A física do movimento real do dardo é bem mais complexa do que a física dos projécteis que se aprende na escola secundária, mas os lançamentos feitos pelos melhores atletas podem ser simulados na perfeição com base nas leis de Newton. Assim, conseguimos, por exemplo, perceber porque é que eles, para obter os seus recordes, lançam o dardo com um ângulo de cerca de 40 graus relativamente à horizontal (o ângulo óptimo depende um pouco do vento).

Já nas Olimpíadas da era antiga, na Grécia, se praticava o lançamento do dardo, imitando certamente o arremesso pelos guerreiros de uma lança. Curioso é que os Lusitanos, que povoaram o território português na época dos Romanos, adoravam um deus, de seu nome Runesocesius, a quem atribuíam a posse de um dardo. Era o “deus do dardo”. Já não há deuses como antigamente. Mas atletas como Zelezný, Hohn  e Thorkildsen são os modernos deuses do dardo.


Perguntas Olímpicas, 13

13 - E agora que a competição olímpica do Judo acabou numa nulidade, o que vai fazer o Judo? Vai reformar-se sozinho, porque ele é que sabe? E as dificuldades estruturais e de contexto do modelo desportivo nacional, como as vai resolver, as dificuldades impostas pelo modelo nacional?

Vela. É onde está o melhor e o pior de Portugal

Artigo do jornal i com detalhes das realizações da Vela aqui.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Meditações de Diógenes

Enquanto decorre a participação portuguesa nos Jogos Olímpico de Londres e a imprensa vai dando conta das actuações, com as observações a propósito dos resultados esperados, inesperados, ansiados, falhados, inoportunos ou controversos, causas e efeitos, que foi, é e será, o pão nosso de cada Jogo Olímpico, oferecem-se à leitura as Meditações de Diógenes, que constituem, embora em fundamentações comparativas forçadas, o que ao autor se lhe permitiu concluir após os Jogos Ístmicos.

In "Discours Isthmique ou Diogène", de
Dion Chrysostome
 

terça-feira, 31 de julho de 2012

A PROPÓSITO DAS ATRIBULAÇÕES DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Meu post publicado no blog De Rerum Natura, em 02.07.2012

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Texto recebido de João Boaventura (na imagem tese de doutoramento sobre exercício físico defendida na Faculdade de Medicina em Paris em 1834 do português G. Centazzi, que estudou em Coimbre e foi o autor do primeiro romance português):

A sociedade lusitana, não satisfeita com o andar da carruagem nacional, ficou agora surpreendida com os ataques contra a educação física por parte do governo, o que significa assistirmos a um ataque que dura desde a fundação de Portugal até aos dias de hoje, pelo que espanta alimentar-se alguma incredulidade sobre o que debaixo dos nossos olhos espantados o Ministro da Educação consegue patentear, ou seja, considerar que a matemática, a menina dos seus olhos, é matéria fundamental no ensino, o que não se discute, mas a educação física – que oxigena o cérebro para lhe permitir fazer os cálculos matemáticos – lhe merece o desprezo, por manifesta ignorância, quando um matemático, embora não seja obrigado a saber tudo, deveria ao menos respeitar o que desconhece, ou procurar esclarecer-se. Razão tinha Helena Roseta quando proclamou que é muito fácil perder a alma quando se está no poder. (O JORNAL, de 18.5.1981)

Admite-se que haja uma hierarquia de valores nas cadeiras curriculares, mas todas elas em paridade na formação dos jovens. Mas como é isso possível se os políticos europeus já falam em países de primeira e países de segunda classe, abotoados com aldrabas de solidariedade, quando esta palavra já os pressupõe? Mas como é isso possível, quando o governo suprime subsídios de férias e Natal a todos os funcionários, mas aplica abonos suplementares de férias e Natal a alguns eleitos, infringindo um direito e violando um dever?

Quem se der ao trabalho de fazer uma análise panorâmica à progressiva regressão da educação física nacional verificará que é concomitante com a progressiva regressão política, económica e social, o que significa haver uma perfeita conjugação entre governo e súbditos porque, soçobrando o primeiro, é matematicamente impossível não se afundarem também os outros por arrastamento.

È muito provável que algumas culpas caibam aos professores de educação física, mas elas resultam do desequilíbrio imposto, entre dominante e dominados, que os obriga a lobrigar novos horizontes para estancar o derrame que os governos sucessiva, teimosa e agressivamente decretam, promulgam e acentuam.

A conquista obtida, em 2004, pela classe para se equiparar a disciplina aos das cadeiras intelectuais e científicas, com as classificações, e pontos escritos, apresentava-se como um recurso demonstrativo de que todas as cadeiras seriam iguais em importância e valia, mas depararam com um imprevisto e inesperado impasse que obliterou o que parecia ter alguma lógica.

Chegados ao final do ano lectivo as expectativas dos alunos para ingressarem na Universidade saíram goradas, porque as classificações (médias, altas ou baixas, mas insuficientes) vinham coarctar-lhes a escolha da carreira, transformando a educação física numa cadeira destinada a obstruir o futuro dos jovens, independentemente de alguma animosidade já prevalecente contra a disciplina.

A celeuma gerada parece não ter tido qualquer reacção positiva, no sentido de encontrar uma saída para um problema gerado pela própria classe. Colocada mentalmente entre duas situações – ou aumentar a nota, ou mantê-la – optou eticamente pela segunda, tomando uma posição de força que o Estado não lhe reconhecia, tanto mais que nas reuniões em que as notas definitivas eram atribuídas, alguns docentes das restantes disciplinas, e face ao currículo de alguns alunos, não tinham qualquer objecção em levantarem a nota, para facilitar a entrada nos cursos superiores.

Perante este quadro, o Ministério tomou a única decisão possível que foi a de decidir que a disciplina de educação física não entrará no apuramento da média final para acesso à universidade, no próximo ano lectivo, mantendo-se o sistema para os que pretenderem ingressar nas universidades de âmbito desportivo, onde aí a classificação já tem um peso valorativo específico.

O sonho realizado da igualizar a educação física com as outras disciplinas desfez-se em espuma, já que classificar ou não classificar têm o mesmo valor. E, se a animosidade do Governo para com a educação física escolar, no caso vertente, e para com o desporto, em geral, se vem patenteando com manifesto desassombro, ao longo de todas as legislaturas, a classe acabou por fornecer ao Governo mais uma oportunidade para ir agonizando a disciplina.

Donde se pode concluir que a educação física, como “instrumento” de trabalho se transformou numa “instituição”, no que sela encerra de preocupações outras, como foram as classificações para se equipararem às restantes disciplinas, com os resultados contraproducentes.

Mas a classe limitou-se a seguir o lema de Hannah Arendt, ou seja, “a luta contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento”
 João Boaventura

Atenção ao Atletismo

Mais importante do que os resultados, quanto ao Atletismo é fundamental estar atento à estrutura de competição e de resultados.

A questão é que o atletismo está à procura de um novo modelo e a preparar o futuro.

Esta procura vai trazer outro nível competitivo.

O leque de actuação da modalidade é mais amplo e poderá assistir-se à quebra de produtividade ao nível das medalhas. Será possível que neste jogos a modalidade saia sem medalhas.

Há processos de fundo a acontecerem no Atletismo e isso ficará para falar mais tarde.

Observemos os jogos e os valores actuais do Atletismo português.

Noutras modalidades as dificuldades são anteriores à competição olímpica.

No Atletismo a conversa das medalhas coloca-se no terreno das possibilidades não das virtualidades e dos sonhos.

Tem sido assim: as outras modalidades sonham e dizem muitas coisas e o Atletismo conquista medalhas.

O futebol português não é olímpico.

Perguntas Olímpicas, 6 a 12

6 - Existe uma Escola do Judo português?

7 - Se o topo é a Telma Monteiro e o João Pina, quem são os novos valores do Judo português que começam a despontar e a serem capazes de não ficar pela primeira eliminatória?

8 - Os atletas do Judo tiveram o acompanhamento de psicólogos ou de outras especialidades que solidificassem a sua capacidade de competição olímpica?

9 - Qual é a estrutura de liderança da produção de alto rendimento do Judo?

10 - Porque é que a natação nunca conquistou uma medalha olímpica?

11 - Porque é que o Basquetebol, a mais intelectual pelos seus treinadores das modalidades olímpicas, nunca produziu uma equipa olímpica?

12 - Porque é que a comunicação social cai em cima dos atletas quando perdem enchendo com isso páginas de sites e jornais com o real sofrimento de quem deu tudo o que tinha para dar e não é responsável pela estrutura de competição nacional? Isto não é mau jornalismo ou pelo menos medíocre não indo à causa das derrotas e dos insucessos?

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Perguntas Olímpicas, 5

Porque é que a maior parte dos atletas portugueses, quer sejam novatos ou estrelas consagradas, caem todos ao primeiro confronto em Londres 2012?

VANESSA

Junta-se o artigo de António Bagão Félix sobre Vanessa Fernandes, publicado na Bola de Fevereiro de 2011, na perspectiva de uma Ética que se quereria suprema quando trabalhamos com a juventude e das ameaças de um alto rendimento ilusório e predador aos mais precoces.
O artigo tem mais de um ano e a sua actualidade mantém-se ao celebrarmos os cem anos de Francisco Lázaro.

A notícia surpreendente chegou-nos há dias. Vanessa Fernandes, a campeã de triatlo, resolveu interromper a sua actividade desportiva. Pelo que li, tal deve-se a circunstâncias pessoais, físicas e anímicas, absolutamente respeitáveis.
Vanessa sempre foi uma admirável atleta. Deu sempre um gostoso ar de menina descontraída, às vezes até traquina, desfrutando o prazer do que fazia, bem apoiada familiarmente até pelo exemplo do seu pai.
Mas esta notícia fez-me voltar a reflectir sobre o mundo duro, predatório e impiedoso com que os mais novos se defrontam no desporto e não só.
Hoje vive-se com a obsessão fulminante do sucesso, da vitória, da fama, do dinheiro. Quase sempre fugazes e ilusórios. Este falso cânone de felicidade contagiou perigosamente o mundo infantil e juvenil. Suprimem-se ou atrofiam-se etapas necessárias de crescimento físico, intelectual, emocional e psíquico por que deve passar necessariamente uma criança ou jovem, o que, mais tarde, deixa as suas marcas nocivas.
Vemos isso estimulado pateticamente em concursos televisivos feitos à medida dessa exploração de precoces talentos de meninos e meninas, sob a observação de pais babados. Hipocritamente, nestes casos, a sociedade não censura o trabalho infantil que bem condena em outras actividades laborais…
Todos temos presente, ainda, a exploração ignóbil de ginastas e atletas do leste em prol da propaganda de um regime, de tenistas mais tarde confrontados com a solidão da derrota ou o desespero da desistência, e de indefesos jovens ícones que não estão preparados para o esquecimento do dia seguinte e para os embates do mundo.

domingo, 29 de julho de 2012

No Brasil as Forças Armadas estão com o Desporto

Ver o blogue De Rerum Natura conforme sugere João Boaventura

A medalha de ouro do judo Sara Menezes pertence às forças armadas brasileiras.

Perguntas Olímpicas, de 1 a 4


  1. Porque é que Portugal não investiu no campeão de tiro João Costa, juntamente com as Forças Armadas para lhe permitir um output de profissional equivalente aos seus competidores olímpicos?
  2. O Ministério da Defesa Nacional e o da Administração Interna porque é que não apoiam decisivamente os atletas que têm nos seus quadros a fim de se integrarem no esforço nacional olímpico, como fazem todos os grandes países do mundo?
  3. Qual foi a evolução do financiamento pelos patrocinadores privados aos atletas olímpicos do ano de 2000 até à actualidade, para se compreender o decréscimo monetário real do impacto da liderança do COP no comportamento dos patrocinadores nos últimos anos?
  4. O editorial do Diário de Notícias, de hoje, na página 14 fala do orgulho e da competição pela conquista de medalhas de países como o Reino Unido, Estados Unidos e China. O facto do editorial não referir o atraso das medalhas conquistadas por Portugal sugere que o jornal mesmo que inadvertidamente estará vacinado e usa dois pesos e duas medidas quanto à conquista de medalhas olímpicas, uma medida para os campeões tradicionais e outra medida para Portugal?

4-11, 3-11, 11-6, 12-14, 11-8, 11-2 e 12-10

Há modalidades em que é muito difícil observar que o aspecto psicológico é decisivo.

Os resultados da eliminação de Lei Mendes são claros. Ganhou dois jogos, perdeu o terceiro, ganhou o quarto depois de uma recuperação para não-cardíacos e perde três jogos de seguida. A descrição do Diário de Notícias descreve o que lá se passou.

As perguntas simples são: 

  • A selecção olímpica portuguesa nos últimos 4 anos trabalhou com psicólogos? 
  • Em particular, sendo a primeira vez que competia nos Jogos Olímpicos Lei Mendes que equipa de treinadores e especialistas teve?

Depois de Mamede e Vanessa parece que o programa olímpico português não conhece uma especialidade que se chama psicologia ou os especialistas contratados são maus, o que parece inverosímil, ou a estrutura de liderança faz mal a contratação e a afectação destes especialistas.

Neste primeiro dia, dos Jogos Olímpicos de Londres, o quadro de uma liderança olímpica frágil, que prevalece como sistémica, começa a delinear-se com Diogo Carvalho em duas disciplinas, Carlos Almeida e Sara Oliveira todos com resultados abaixo das expectativas e não tendo sido capazes de suplantar os seus próprios resultados anteriores.


João Costa garantiu um diploma de 7.º e confirmou que com a sua idade é um valor certo, insuficientemente acompanhado pelo Comité Olímpico, pela Federação e pelo Governo português, nos ministérios do Desporto e das Forças Armadas desde 2009 e eventualmente em Jogos Olímpicos anteriores.


Poste actualizado às 10,43 horas.

Lisboa Estádio Universitário deve 200 mil euros a professores



Texto da agência Lusa publicado por Paula Mourato no Diário de Notícias
O Estádio Universitário de Lisboa (EUL) deve aos professores entre 180 a 200 mil euros, correspondentes parte dos salários de maio, de junho e de julho, segundo o diretor técnico de uma das empresas empregadoras.
Alguns professores concentraram-se hoje no complexo de piscinas do EUL para denunciarem a situação e esclarecerem os utentes das instalações.
Aos jornalistas, Paulo Matos, diretor técnico da empresa Fuga à Rotina disse que o contrato entre o EUL e a sua empresa terminou em maio por "défice de horas".
Segundo o responsável, as horas contratualizadas têm diminuído ao longo dos anos e esgotam-se antes do calendário das atividades terminar.
Paulo Matos indicou que entretanto foi contratada outra empresa para disponibilizar professores, através de um concurso público, cujo "único critério era o preço mais baixo".
"Há professores que não vão aceitar oito euros à hora", anteviu o responsável, indicando que atualmente o valor pago varia entre nove a 13,5 euros.
Citando o presidente do EUL, Paulo Matos referiu que a situação dos pagamentos poderá ainda "demorar meses".
Paulo Matos admitiu a diminuição de utentes, mas garantiu que as atividades no EUL são "autossustentáveis".

sábado, 28 de julho de 2012

O artigo de um ex-presidente do Instituto do Desporto

José Manuel Constantino publica hoje no jornal Público, na página 53, um artigo sobre a Educação Física e o Desporto Escolar.

Este facto é relevante por se tratar de um ex-presidente de uma instituição pública central, por apresentar um discurso sobre a realidade e os comportamentos de forma independente e que se observa não pretender agradar a quaisquer partes envolvidas.

É igualmente relevante que o artigo não se baseia no apoio ou benefício institucional visando ganhos ou processos políticos ou outros de curto prazo.

Esta é uma massa crítica que falta à liderança desportiva portuguesa.

Gustavo Pires é um outro ex-director da administração central, em concreto do desporto escolar, que escreve em jornais do norte, pela sua própria cabeça.

Outros haverá.

A exposição e o desafio de mexer com a sociedade portuguesa para tornar o desporto maior e melhor é infelizmente um projecto pouco remunerado em Portugal, com os frágeis resultados que se conhecem no produto desportivo.

Muitas pessoas são nomeadas e não é de admirar a sua incapacidade para honrarem com uma voz própria as funções públicas que uma vez juraram cumprir.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Celebrar Francisco Lázaro e Vanessa Fernandes




Francisco Lázaro e Vanessa Fernandes estão entre os maiores atletas olímpicos de Portugal. A 100 anos de distância os dois atletas tiveram resultados perversos da prática de alto rendimento. Francisco Lázaro morreu de inanição, um dos poucos casos em toda a história dos Jogos Olímpicos, em Estocolmo no ano de 1912. Um caso triste que o Comité Olímpico Internacional se recusa a celebrar segundo as palavras de Vicente Moura o presidente do Comité Olímpico de Portugal. Vanessa Fernandes depois de ganhar a prata colapsou deixando de competir, após os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 com vinte e poucos anos na altura, quando a carreira do triatlo permite períodos de competição longos ao mais alto nível desportivo para além dos trinta anos.

A estes dois casos extremos, um nos primórdios do olimpismo no século XX e outro, passados cem anos, no início do século XXI, junte-se a imagem da acumulação de medalhas olímpicas, por países equivalentes a Portugal, para aferir o nível olímpico do país. Os três grupos formados demonstram que a nossa situação olímpica é frágil.

Fonte: Distribuição de medalhas do Comité Olímpico Internacional de 1896 a 2008.

O primeiro grupo de países tem três países que conquistaram entre 250 e 500 medalhas e que são a Hungria, Finlândia e Holanda. O segundo grupo tem oito países a Suíça, Dinamarca, República Checa, Noruega, Grécia, Bélgica, Iugoslávia e Áustria variando de 90 a 170 medalhas. O terceiro grupo tem dois países periféricos e católicos a Irlanda e, por fim, Portugal com menos de 25 medalhas. Numa palavra, Portugal tem um problema de eficácia na conquista de medalhas olímpicas e um desafio de eficiência face a países com igual demografia e produto económico questões não resolvidas em cem anos.

O caso de Vanessa Fernandes é alarmante e torna-se indigno pela forma como Portugal lida com a tragédia de uma das atletas olímpicas mais queridas dos portugueses. Portugal como que usou a talentosa jovem e já se esqueceu dela. Dizem que lhe foi dado dinheiro do Estado para se curar!

Recapitulemos: Vanessa Fernandes desde a sua meninice correu, nadou, andou de bicicleta como os seus maiores lhe diziam para fazer e aprendeu a sofrer ‘como muita gente grande’ não está para aí voltada. Disse que não queria estudar e o Estado português, as empresas patrocinadoras e as organizações desportivas de topo aceitaram pronta e negligentemente. Algo correu muitíssimo mal porque a carreira desportiva da jovem talento que deveria durar 5 ou 6 Jogos Olímpicos gripou ao segundo e a jovem está sem sucesso na carreira desportiva, sem uma profissão e doente porque o Estado, as empresas e as federações não assumiram o erro e dar-lhe o melhor dos tratamentos possível a nível mundial.

Potencialmente, numa carreira desportiva sustentada, quantos euros valeriam Vanessa Fernandes? Para os empresários atentos, há quatro ou cinco anos a Vanessa fazia capas e anúncios de página inteira. Esse potencial foi o activo cerceado, ou seja, o percurso de sucesso desportivo de uma década. Dizer que a Vanessa tinha um potencial económico directo de alguns milhões de euros dependeria da mestria nacional em valorizar esse capital humano raro, sem o matar à nascença. Indirectamente o exemplo de Vanessa Fernandes para as gerações mais novas e o impacto de um pós-carreira de um campeão bem formado escolar e profissionalmente geraria outros milhões tangíveis e intangíveis.

Recentemente Gustavo Pires publicou um livro sobre Francisco Lázaro e houve um debate no Museu Nacional do Desporto sobre as causas da morte do campeão. Portugal a cem anos de distância procura saber porque morreu um atleta e não audita a destruição da atleta desportiva mais talentosa da última década. Desportivamente coloquemos a fasquia alta e concluamos que o desafio do desporto português deve começar por compreender muito bem o que correu mal com Vanessa Fernandes. Primeiro porque há que saber o que correu mal segundo porque há muitos atletas jovens a quem pode acontecer o mesmo havendo desconhecimento do que correu mal com Vanessa Fernandes. Fazer esse inquérito público é uma dívida de cem anos com Francisco Lázaro e um dever de Portugal para com Vanessa Fernandes face ao esbulho, mesmo que inadvertido, da sua juventude e do seu imenso talento desportivo. Não está em causa levar alguém a tribunal ou o que quer que seja relacionado com a Justiça que nunca se faz em Portugal. O desporto português não pode ser uma ‘smoking gun’ que dispara e ninguém tem a coragem de ir à origem do que correu mal. Justifica-se que Portugal faça duas coisas: primeiro, reconstrua a atleta com os melhores meios que o país tenha ou contrate internacionalmente quem tenha o perfil para o realizar; segundo, contrate os melhores especialistas para fazerem o trabalho de saber tudo o que aconteceu, ‘preto no branco’.

Portugal não pode continuar a tratar o seu capital humano e social como vulgares bens transacionáveis da negociata mais à mão. Helena Garrido, a 17jul12, no Jornal de Negócios, alertou para o mal que nos aflige de termos perdido valores que dávamos por adquiridos mas a questão talvez seja da dificuldade, que também temos, de assumir aquilo que nunca soubemos, como competir no âmago de uma civilização extraordinária como a europeia.

O desporto não é uma caridade é um acto de sobrevivência global, de valorização e de especialização do capital humano nacional, de competitividade e produtividade económica. Os países que ganham centenas de medalhas olímpicas e não brincam às presenças honrosas nos Jogos Olímpicos, todos os quatro anos, são os valores civilizacionais e de sobrevivência enquanto nação que os norteia. A nossa crise de valores civilizacionais estará na base das crises económicas que nos atormentam há anos.

Há duas ou três questões a realçar sobre o modelo apresentado

I
É interessante observar que o governo PS terá tido uma preocupação inicial de conceptualização da política desportiva para a sua primeira legislatura em 2005.

A visualização gráfica da síntese surge como um elemento adicional de interesse para a sua divulgação e debate.

A sugestão de retirar parte do financiamento público e da existência de uma agência são os elementos centrais do documento.

A acompanhar estão um conjunto de elementos que passariama transformar a actuação do Estado.

O elemento crítico desta proposta de política desportiva é a necessidade de aprofundamento de vectores e de insuficiências conceptuais eventualmente por ser realizado por uma equipa não especializada nas matérias que propõe.

II
Noutro nível de análise conclui-se que o documento não foi operacionalizado e que conviria saber o que realmente se passou.

Seria útil saber se chegou ao CND Conselho Nacional do Desporto e qual a sua reacção.

Acrescente-se igualmente o seu foco apenas sobre o Estado, sem evidenciar uma capacidade de intervenção sobre o associativismo desportivo.

III
Este modelo não terá sido aberto à sociedade desportiva e é apresentado mais de meia década depois da sua elaboração o que sugere a dificuldade política de dialogar sobre a Governance do desporto português, particularmente sobre as transformações que se pretenderiam fazer numa área tão importante para o futuro.

Em síntese, foi um esforço meritório que também terá morrido pela profundidade da crise do desporto nacional e dos próprios actores públicos que os mesmo quereriam transformar.

Considero esta área fundamental e a ela voltarei noutro local que darei conhecimento oportunamente.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Modelo de Desenvolvimento Desportivo elaborado por Pedro Manuel Cardoso

Pedro Manuel Cardoso terá sido o autor do Contributo para o Modelo de Desenvolvimento do Desporto Português que se passa a apresentar.

A apresentação deste documento corresponde à razão deste blogue de apresentar e debater o desporto português.

Segundo afirmações indirectas de Pedro Cardoso este documento foi o elemento fulcral de orientação nas legislaturas de 2007 a 2011.

O documento encontra-se no Museu do Desporto e foi imediatamente enviado ao Professor João Boaventura a seu pedido.

A partir deste momento abre-se a possibilidade de debater este documento e outros que entretanto surjam.

Pode questionar-se se haverá outra informação como o espólio do trabalho da Secretaria de Estado do Desporto, do Conselho Nacional do Desporto e também do Instituto do Desporto de Portugal durante o período de 2007 a 2011.

Noutros países esta informação não se perde, guarda-se para memória e análise futura, caso não tenham sido oportunamente disponibilizados e dando transparência à política desportiva.

Aqui fica o convite para a análise e o debate dos fundamentos das políticas do desenvolvimento do  desporto português, não só neste blogue mas igualmente noutros espaços.

Contributo para o Modelo de Desenvolvimento do Desporto Português de Pedro Manuel Cardoso


 Premissas
·         A intervenção do Estado no Desenvolvimento do Desporto nas últimas décadas (por exemplo, no financiamento das federações desportivas e de outras instituições) não tem provocado a desejada competitividade. As federações e as instituições desportivas habituaram-se a uma excessiva subsidiodependência, perdendo habilidades e capacidades para competirem. E produziram uma oferta desportiva desajustada da procura real. As estruturas administrativas e o peso dessas instituições foi crescendo à sombra desse conforto do dinheiro dos contribuintes.
·         A mudança deveria ser gradual, e deveria congregar uma responsabilidade partilhada de todos os atores e instituições que fazem parte do dito “Sistema Desportivo”.

Objetivo
·         Gradual Des-Estatização do Desporto Português com início num primeiro ciclo de 12 anos (3 olímpiadas).
·         Reduzir a comparticipação do Estado até 60% em doze anos.
·         Substituir a centralidade da ação do Estado no sistema desportivo pela da Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD).

Conteúdo da Proposta
·         Esboço/Esquema para visualizar o conjunto da reforma proposta.
·         O Esquema utiliza as seguintes seis variáveis:
o    Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD).
o    Plano Estratégico de Desenvolvimento do Desporto para Portugal (PEDDP).
o    Plano Operacional e de Ação do PEDDP (POA).
o    Responsabilidade do Estado e dos Governos no Desporto (RED).
o    Administração Pública responsável pelo Desporto (APD).
o    Sistema Desportivo (SD).

Algoritmo da Gradual Des-Estatização do Desporto Português


 Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD)
Composta pelos Acionistas; concebida como a instituição central do sistema desportivo; concebida como um INTERFACE entre o Estado, a Sociedade, e o Associativismo Desportivo. Permitiria explicitar os Objetivos para os „Acionistas‟; Permitiria definir a % do PIB que o Estado afeta ao Desporto; Permitiria congregar mais Parceiros e Parcerias; Permitiria captar melhor os Recursos financeiros e outros; Permitiria adequar melhor a relação oferta/procura.
Plano Estratégico de Desenvolvimento do Desporto para Portugal (PEDDP)
O Plano explicita o “objeto e o conteúdo” onde recaem os esforços de todos os intervenientes no Desenvolvimento do Desporto. Serve, ainda, para tornar consciente e transparente a “Conta do Estado” e o esforço dos contribuintes. O PEDDP permite definir os objetivos prioritários, os programas operacionais e os principais resultados a alcançar. O PEDDP é submetido aos „Acionistas‟ da Agência (ADD).
Plano Operacional e de Ação do PEDDP (POA)
(Não mais do que 12 Programas/ Projetos de Ação)
Responsabilidade do Estado e dos Governos no Desporto (RED)
A orientação “sufragada” pelos eleitores (Programas dos Governos). Tutelas e instituições comparticipadas pelo Estado e Administração Pública (IDJ, Inatel, Militar, Saúde, Inserção Social, Diálogo Intercultural, etc.). Autarquias e Municípios (âmbito local e regional). Desporto sob jurisdição do Sistema Educativo („escolar‟ e superior). Outras instituições financiadas pelo Estado.
Seria útil uma «Comissão Interministerial para o Desporto» como órgão de aconselhamento? Com a tarefa de coordenar e articular globalmente os contributos dos diferentes Ministérios, e a responsabilidade da acção governativa geral? E de definir a “Conta do Desporto” (em % do PIB, e nos Orçamentos de Estado)?
Administração Pública responsável pelo Desporto (APD)
Avaliar e Controlar” / Regular e Fiscalizar.
Sistema Desportivo (SD)
Sistema Desportivo enquanto relação quádrupla entre:
i) Movimento associativo das modalidades, e Federações, incluídas no programa regular dos J.O, (Ex. Jogos Olímpicos. Ênfase no alto-rendimento e nos resultados de nível internacional);
ii) Movimento associativo das modalidades, e ou Federações, não incluídas no programa regular do alto-rendimento e dos J.O. (Ex. Confederação do Desporto de Portugal, Movimento dos Jogos Mundiais. Desporto para Todos, Coletividades de Cultura e Recreio);
iii) Iniciativa Privada que pretende investir no Desporto;
iv) Zona de intersecção e de sobreposição, onde ocorre a dinâmica de mudança no movimento associativo, e as modalidades e realidades desportivas emergentes.






Congresso da Educação Física

Estão a seguir os dois documentos aprovados pelo Congresso Extraordinário da Educação Fisica

Titula a capa do jornal que 'Caminha de Marco Fortes ficou em Pequim'

Se fosse apenas a ânsia de vender papel e ganhar dinheiro, mesmo que nesta difícil crise nacional, isso colocaria este tipo de iniciativa fora do jornalismo ético para com o desporto.

Que tal deixar este tipo de comentários que perseguem os atletas e são materialmente um logro do que efectivamente foi dito e que um jornalismo responsável teria há muito esclarecido e colocado um pedregulho de soberbas proporções sobre o assunto?

O comportamento da imprensa cor-de-rosa e da sensacionalista quando é desportiva é distinta da outra 'socialite'?

O que pensar mais, quando há jornais que fazem entrevistas de encomenda a responsáveis que olimpicamente se recusam a assumir as suas responsabilidades perante os jovens e atletas por quem deveriam comprometer a sua palavra imperativamente?

domingo, 22 de julho de 2012

O diagnóstico assertivo de Moniz Pereira

Pouco se fala e debate sobre a politica desportiva portuguesa e as palavras de Moniz Pereira ao Público de hoje, na pg. 12/13, tem vários momentos de realce:

  • 'podia haver mais medalhas se houvesse condições, as lesões de Naide e Évora são fruto da falta de uma pista coberta'. Ou também se podem encontrar outras causas como as falhas técnicas que sabendo que não existe pista coberta, deveriam actuar para evitar o sacrifício dos atletas e não tiveram a capacidade de o fazer!
  • sobre Mamede 'começava a queixar-se com dores e a dizer que não era capaz... Estava mais preparado que o Lopes, mas o dia chegava e fraquejava. Ao fim da primeira volta já era o último. No final, perguntaram-me se ele tinha acabado como atleta e eu disse para esperarem pelo próximo meeting da Suíça. Chegou lá e ganhou. Era a cabeça.' Há um problema profundo com a questão dos psicólogos no alto rendimento português. Não quero de momento avançar mais.
  • 'Não... é muito difícil. (os atletas viverem só do atletismo) Só para alguns e muito poucos. Também não têm condições. Não temos mais medalhas por causa disso.' Esta é uma realidade conhecida e agora na voz de um conhecedor.
  • 'O atletismo deu mais títulos e nome ao clube (Sporting) e, no entanto, só pensam no futebol.' O problema é nacional não apenas do clube.
  • sobre Zatopec: 'e o treino dele era à chuva, ao sol, manhã tarde ou à noite, quando desse.' A contradição em relação a outras palavras de falhas nacionais. 
As soluções não são simples e é útil ouvir pessoas atentamente como o professor Moniz Pereira.

Cliff Diving dos Açores: Imagens

Algumas boas imagens do Cliff Diving nos Açores na revista Visão

sábado, 21 de julho de 2012

Sobre Francisco Lázaro

Armando Inocentes tem aqui outra descrição do que se passou no Museu do Desporto

O jornal i entrevista Greg Louganis nos Açores

Eis algumas frases deste campeão olímpico:
...


O seu percurso foi muito influenciado pelo seu treinador, o Ron O’Brien. Em 1988, em Seúl, depois de se ter magoado, ele teve uma forma muito curiosa de o motivar, não foi?
[Risos.] Sim, ele a brincar disse-me: “Os jogadores de hóquei magoam-se, levam uns 20 pontos e voltam para o jogo, isto não é nada!” O Ron O’Brien… [Suspira.] Sou um verdadeiro crente em que não se alcança a grandeza sozinho e que há sempre alguém connosco. Para mim, nos saltos, foi o Ron O’Brien.
...
O facto de as suas pernas serem ligeiramente afastadas tornou-se uma vantagem competitiva, certo?
Sim, os chineses agora fazem isto [exemplifica esticando as pernas e afastando-as ligeiramente]. Juntam os dedos dos pés e afastam as pernas, para poder ver ao saltar. Parte-me todo! A primeira vez que vi, fartei-me de rir e disse: “Eles copiaram isso de mim!”. Eu nasci assim, mas eles copiaram, encontraram o caminho [risos.]
Os chineses admiram muito a forma como Greg se movimenta, chamam-lhe “felino”. Será por isso que o actor Michael Fassbender diz que se inspirou nos seus movimentos para o papel no filme “Prometheus”?
Eu sei, adorei isso! Fiquei muito lisonjeado… Pensei logo: “Michael Fassbender, és gay?” [risos.] É que ele entende-me! É isso que eu tento transmitir aos miúdos que ensino, a economia da fisicalidade. Não pode haver desperdício de movimento. É isso que distingue as grandes exibições, o tudo parecer sem esforço. No talento encontramos o trabalho, mas quando pomos o trabalho de lado, surge a arte. Era esse o meu objectivo.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Governo angolano elege Espanha como principal parceiro no desenvolvimento desportivo

Artigo de Oliveira Campos do jornal A Bola, refere:

"A estratégia e os pilares para o desenvolvimento do desporto em Angola pela cooperação com Espanha, eleito com o principal parceiro de Angola.
A revelação foi feita por Gonçalves Muandumba, ministro da Juventude e Desportos de Angola, no âmbito da audiência que concedeu, em Luanda, à equipa de hóquei em patins do Barcelona, que se deslocou ao país para ações de promoção do Campeonato do Mundo de 2013, que Angola organizará.
O modelo de organização do desporto espanhol e os resultados obtidos nas mais variadas modalidades, foram razões apontadas para justificar esta aposta de Angola, sendo que está a ser tratada com a embaixada de Espanha em Luanda uma visita oficial de Muandumba a este país ibérico, onde irá encetar inúmeros contactos.
A colocação de jovens angolanos em equipas espanholas de diversas modalidades, regressando no início da idade sénior, é uma das políticas que o ministério dos Desportos de Angola quer levar a cabo.

Refira-se que o Barcelona regressa hoje a Espanha, depois de uma semana em Luanda e Benguela, onde realizou diversos jogos de confraternização e participou em inúmeras ações de solidariedade."

Preservar a Memória do Desporto: o conceito e o seu debate

No Panathlon Clube de Lisboa sob a presidência de Maria Emília Azinhais debateu-se antes de 2008 a Memória do Desporto e a sua preservação.

Na altura eram correntes a posição de Pedro Cardoso, assessor do gabinete de Laurentino Dias, à altura secretário de Estado, incidindo na história do desporto como a celebração do homem (segundo compreendi) e que foi apresentado ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa. Este conceito aplicado ao Museu tinha o objectivo de concentrar em Lisboa o espólio desportivo nacional, apontando-se o Pavilhão Carlos Lopes como local do Museu.

No Panathlon formou-se um outro conceito que preocupando-se com a perda do espólio por esse país fora propunha formar uma corrente de literacia desportiva para que a nível local a memória do desporto fosse assumida, conhecida e preservada.

Ontem o Secretário de Estado do Desporto e Juventude Alexandre Mestre voltou a falar da preservação da memória referindo-a a Francisco Lázaro.

O Museu do Desporto começa a ter um conceito de um espaço digno central na cidade de Lisboa e de um conteúdo com uma Tertúlia Francisco Lázaro.

O conceito de preservação da memória do desporto pode tomar a dimensão que se quiser dar.

Gostaria de polemizar dizendo que o caso Francisco Lázaro permite uma abordagem tímida ou outra de maior pertinência.

Ontem no debate, veja-se o seu resumo em dois postes anteriores a este, foi dado o exemplo que o Comité Olímpico Internacional não quer celebrar Francisco Lázaro porque não quer celebrar coisas más enquanto a câmara de Estocolmo celebrou a maratona e associou-se aos portugueses na celebração de FL.

Nós temos uma situação que em alguns aspectos tem desafios muito grandes e que urgem, a história, os atletas actuais e o nosso futuro, por respostas corajosas, abertas e consensuais.

É este o desafio dos agentes desportivos actuais já não na mera celebração da memória do passado mas na preservação do futuro do desporto português que nalguns aspectos parece tão enredado em desafios e complexidades que o continuar empurrar os problemas com a barriga ou o debate do não essencial é a maneira de muito nada preservar nem o passado e muito menos o futuro.

Expresso edita revista com os atletas para Londres 2012


















A comunicação social aproveita estes momentos olímpicos para vender mais alguns produtos.

Esta é a característica de produtor de conteúdos que o desporto tem e que modernamente largos sectores aproveitam para gerar rendas legítimas do produto desportivo.

O Expresso faz agora a segunda revista tendo a primeira sido sobre as glórias do passado e a de amanhã sobre as esperanças.

Houve também o acompanhamento do Euro2012 o que corresponde a um envolvimento que não é casuístico ou esporádico.

Na verdade o Expresso cujo proprietário é uma sociedade cotada em bolsa poderia maximizar o seu produto económico procurando contribuir para a reforma e a maximização do produto económico do desporto.

Actualizado às 9,13 horas.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Decorreu a partir das 19 horas a Tertúlia Francisco Lázaro

Foi interessante assistir à apresentação dos diferentes especialistas história, psicologia, medicina e treino, penso eu de que...

Algum contraditório mostrou que as novas provas da morte são possíveis e que a matéria debatida por especialistas trás novas vertentes.

Espero que os organizadores publiquem as intervenções ou as disponibilizem na Internet.

Foi prometido haver no futuro do Museu do Desporto, no Palácio Foz, uma Tertúlia Francisco Lázaro que segundo o modelo de defrontar especialistas de diferentes áreas aparece como uma solução agradável.

O debate estando marcado para as 19 horas terminou já perto das 22 horas o que merecerá uma reapreciação.

Ver a revista The Lancet sobre actividade física

Como especialista em economia do desporto estou aberto aos elementos que a ciência coloca à disposição para melhor compreender esta realidade tão global, controversa e dinâmica.

Na definição de desporto que uso na análise económica a actividade física é o núcleo do bem produzido e consumido, seguindo-se-lhe a competição como segunda componente fundamental desse mesmo bem.

A The Lancet enquanto revista de saúde trata da actividade física enquanto elemento gerador de benefícios para a boa saúde física e mental e que reconhece que vão para além da saúde física e mental e chegam aos benefícios tangíveis e intangíveis para a população, a economia e a sociedade mundial.

O Público chama aqui a atenção para o trabalho da The Lancet.

O link da ravista The Lancet dedicado à actividade física está neste local.