segunda-feira, 24 de setembro de 2012

A DOENÇA LUSITANA DA REGULAÇÃO DOS FERIADOS


Ainda sobre a regulação dos feriados nacionais civis, patrióticos e religiosos, reduzidos a meia dúzia, trata-se indubitavelmente de uma virose epidémica exclusiva do domínio lusitano, personalizado e fechado dentro das suas fronteiras.

E para o ridículo não morrer de vergonha, além da regulação deste governo com ideias fixas, aferradas e írritas, de que da meia dúzia de feriados mandados hibernar sairíamos incólumes desta crise espalhada, disseminada e colada a todos os lusitanos, chegou-se à já vergonhosa conclusão de que, dos feriados enviados para férias, a crise afinal tem crescido paulatinamente, esquecida dos poderes mágicos da expulsão dos referidos feriados.

O Dr. Ribeiro e Castro já pode reclamar o seu 1.º de Dezembro com a alegação de que os feriados eliminados estão a lançar bruxedos para que a crise cresça, e concluir que está a ser a causa desse desenvolvimento já com aspecto cancerígeno. Ou a crise cresce porque não se podem escolher causas aleatoriamente? como este governo anda - de operação em operação, de adivinha em adivinha - a bispar onde estará a génese dela !!!??? 

A emigração em massa que se vem operando e diminuindo a mão-de-obra lusitana não assusta o governo, mas assustou os míseros feriados que aferravam os seus dentes nas finanças e na economia. Depois viu-se que permitiu aumentar a crise e as dívidas.

Finalmente, falta provar cientificamente (?) por que razões ou por quais fundamentos, se prova que esta virose é tipicamente lusitana. Se remontarmos aos tempos da Monarquia Constitucional, o que é que observamos ? Esta preciosa pérola lusitana 100%, e que vale a pena mostrarmos aos nossos filhos e netos, e para que também a posteridade saiba, como trabalha a brilhante elite lusitana desde o tempo do vintismo:

Decreto de 04.09.1821 - Considerando que o grande número de feriados nas Relações causa grande embaraço na Administração da Justiça, e expedientes dos Negócios, ficam abolidos nas Relações de Lisboa, e Porto todos os feriados, exceptuadas somente as férias ordinárias, os Domingos, e Dias Santos de guarda, os Aniversários de Suas Majestades, e os faustos dias de 24 de Agosto, 15 de Setembro, 1.º de Outubro, 26 de Janeiro, 26 de Fevereiro, e 4 de Julho, em comemoração dos gloriosos acontecimentos que neles tiveram lugar. (DG n.º 223, 20.09.1821).

Falta saber - mas aí falham as nossas pesquisas - quais foram de facto os efeitos benéficos que resultaram do direito, se aplicado. Ou se o "embaraço na Administração da Justiça, e os expedientes dos Negócios" não terão piorado.

Previsão não científica - esta virose reaparece de dois em dois séculos. Mas se ela reaparecer em 2212, já é uma aproximação quase-cientificada.



O combate dos chefes vem aí

Um deles vai ganhar o posto de Presidente dos presidentes.

Era bom que o outro não fosse colocado na posição de humilhado.

Há muito por / para fazer e outras instituições e projectos aliciantes para demonstrar a capacidade de concretizar com eficiência no desporto português!

Seven Weels: um conceito diferente

Ver no Público aqui

Project by Noca

O alfaiate de bicicletas de Ílhavo é apresentado pelo Público aqui

domingo, 23 de setembro de 2012

O desporto e a crise da T'ZU

A crise da T'ZU passa ao lado do desporto ou o desporto vive à margem de tudo inclusive das transformações profundas que o país passa.

Os erros são patentes com o desporto já não pela primeira vez, ou seja, pela enésima vez a andar em contra-ciclo com o todo nacional.

Queria só dizer isto.

E acrescentar mais o seguinte:

Os carros topo de gama é uma realidade que me constrange.

Pessoas que nunca pagariam do seu bolso tais objectos, mantêm a ostentação com a crise nas ruas.

Há falta de bom senso.

No 25 de Abril chamar-se-iam fascistas a pessoas com estes comportamentos, apesar de nesse tempo as viaturas terem sido instantaneamente guardadas a recato.

Haverá um relacionamento entre a ostentação de alguns e a cegueira ou estado invisual que se vive no desporto?

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Palavras de Obama que se aplicarão ao desporto português

 “O facto de não termos mudado o tom em Washington é decepcionante.” Obama 2012 reflectiu sobre Obama 2008: “Aprendi algumas lições. A mais importante é que não se pode mudar Washington a partir do interior. Só se pode mudar estando de fora.”

Ver público aqui

Está por demonstrar que o desporto português se reforma por dentro.

Aliás o próprio país não o faz, porque faria o desporto a reforma a partir dos seus líderes e instituições?

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O Rio de Janeiro 2016 vem aí

Eis uma das formas dos brasileiros começarem a formalizarem os Seus Jogos.

Recentemente Stefan Szymanski um economista britânico referiu que era a população britânica que pagava o espectáculo dos Jogos Olímpicos para benefício da população mundial.

Esta uma visão irrepreensível do economista mas que os políticos de muitos países dirão que a sua população está disposta a pagar.

É caro e excessivo mas eles fazem-nos com gosto.

Isto acontece há mais de cem anos e no passado de 3 mil anos também o faziam.

Os Jogos Olímpicos serem excessivos é uma constante que as populações de sempre estão dispostas a pagar.

domingo, 16 de setembro de 2012

Meio Milhão na Rua

Mais concretamente 669 mil diz o Expresso.

A dignidade anónima e a presença de pessoas que duvidosamente votariam à esquerda dá uma genuinidade às reivindicações de ontem que demonstram o que por palavras e expressões indirectas procurámos caracterizar o que se passava no Desporto.

Não estamos na estaca zero porque recuámos e divergimos do que toda a Europa faz.

O estilo gémeo dos dois últimos primeiros-ministros eleitos e o modo de funcionamento dos partidos e dos seus lugares-tenente mostra-nos como quem governa vive soluções umbilicais num só sentido de benefícios para uns e prejuízo para outros que num caso e no outro têm sido sempre os mesmos.

Não tenho soluções neste sentido senão acompanhar o afundamento nacional e procurar pensar sugerindo soluções e acompanhando o que social e democraticamente se vai colocando.

Mais uma vez observei que a entrega aos detentores do poder de propostas de soluções tem resultados perversos e contrários à racionalidade e ao óptimo face ao autismo e ao 'bem da nação' peculiar que assumem, não tendo a capacidade de socialmente criarem e elegerem um modelo inovador para o país.

Os resultados materiais são claros e é por eles que nos devemos orientar para criar um futuro diferente.

A crise do desporto é sistémica e o desporto de Portugal é diferente do desporto do resto da Europa.

Ontem perdemos em hóquei o título europeu com a Espanha a 6 segundos do fim.

A transformação dos comportamentos e o poder de passar a ganhar é aquilo que temos de procurar em todas as modalidades.

Há quem diga que temos de escolher.

Talvez a questão não seja a escolha de quem recebe.

A questão estará em que cada um deverá receber segundo as suas capacidades de realização e não cheques em branco para coisas que se sabe que a estrutura criada não tem unhas para tocar.

Mas esta não é senão uma ínfima parte do que há para fazer.

sábado, 15 de setembro de 2012

Há complexidades que importa reter do desporto moderno

Acompanho algumas características do comportamento de instituições do desporto europeu e mundial por dentro como sócio e como consultor de fóruns de especialistas.

Não me quero gabar, sou-o há muitos anos e o renovar dos contactos e a abertura de fronteiras sugere que é possível haver coisas a correrem bem apesar de tudo.

Alguns dados mostram certezas que importa reter e vir a debater para encontrar soluções.

A procura de soluções se as coisas não correm bem é uma preocupação fundamental.

O principal líder desportivo nacional, sem ser um dos presidentes do futebol, nesta altura diz que faltou dinheiro ao projecto olímpico. Ele está ligeiramente equivocado. O dinheiro não faltou porque o dinheiro que foi dado foi o pedido. Onde estão os documentos em que foram pedidos 30 milhões de euros, sou eu a especular, e onde está a resposta ou as respostas a negarem essa pretensão? O desporto tem de ter líderes capazes de colocar no papel o que pretendem fazer e assumir as suas palavras. os 14 milhões pedidos foram dados e os resultados estão produzidos. Era bom que as instituições que convidam determinadas personalidades para falarem do desporto tivessem o mínimo de interesse em convidar pessoas que baralham o panorama do desporto português.

A falência da Escolinha do Manchester United em Portugal é um exemplo da ausência de estudos económicos mínimos que nem a AGAP, o futebol, o associativismo desportivo fazem. As autarquias avançam para estes projectos e depois ficam entaladas porque o liberalismo de querer lucrar fácil e ter benefícios de rendas públicas é um conceito que apenas existe em Portugal. A situação das escolinhas privadas está a par da colocação dos grandes clubes portugueses em bolsa, ideia que pululou nos anos 90 pelas secretarias de estado a fora e regabofe dos 'históricos' dos grandes clubes. Há outros exemplos deste tipo de comportamentos liberais e cujo resultado é a situação actual do desporto português.

A talhe de foice está a questão da 'bolha do direito do desporto'. Eu comecei por dizê-lo a algumas pessoas e a ideia era discutir, aprofundar para encontrar soluções. O desporto português para passar de 1,4 mil milhões de euros para o dobro, três mil milhões de euros, necessita de tudo e todos e o valor alcança-se com a mudança de procedimentos, a racionalização dos critérios e a inserção de competitividade e democracia. Quando sou despedido da faculdade, sem uma explicação olhos nos olhos, compreendi como há pessoas que estão encurraladas e aterrorizadas usarão métodos de trabalho anquilosados. Mas mais, não existe uma convicção social ampla e interiorizada entre os agentes do desporto de que é possível fazer mais, muito mais.

Isto são algumas notas e para dizer que há quem ande a meter água abundantemente e perdoe-se-me o desbragar faz mal ao nosso desporto, ao partido e à profissão deles, ao nosso país e à nossa população.


Nem tudo são más notícias.
Em Novembro conto ir a Loulé falar sobre a situação actual do desporto português por convite para o seminário organizado pela respectiva Câmara Municipal, onde vão estar também o Augusto Baganha, Abel Santos, Amadeu Portilha, Gastão Sousa, Joaquim Viegas, Seruca Emídio.
Uma boa sessão de trabalho em perspectiva nos mares do sul, em Novembro.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

As palavras de Manuela Ferreira Leite

Estão aqui.

Ou tomamos 'o touro pelos cornos' ou continuamos de mal a pior

Não podemos actuar como se o problema real não existisse.

Mas é isso que se faz em Portugal.

Quem pega pela cauda diz que é um burro, quem percebe a tromba concebe um dinossauro, a perna sugere um hipopótamo e falta a compreensão do animal por inteiro que poderá ser um soberbo elefante.

Face a esta observação parcelar a decisão varia com o eminência sendo na sua essência legislativa parcelar e perniciosa.

Sendo um elefante não percepcionado que especialistas contratar?

Esta parece ser a impreparação absoluta dos partidos do poder ao longo das legislaturas em Portugal.

A incapacidade de eleição de um líder associativo consensualmente reconhecido facultou a permanência de inimputabilidades que destroem o todo, o futuro e garantem a genes perniciosos contaminarem novas gerações ou aniquilando estas últimas pela eternização das não valências de modernidade.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Fui despedido e nem sequer houve o chá de uma justificação olhos nos olhos

Isto está difícil para todos e perante situações semelhantes há um diálogo e há uma ausência de 'chá'.

Depois quando começamos a fazer contas verificamos que dissemos que havia 'uma bolha do direito do desporto' e as coisas fazem sentido.

As soluções não são consensuais e a profundidade das abordagens é curta.

Pesca-se à linha e não havendo 'cão' caça-se com uma 'gataria' abundante.

Isto são erros acumulados porque não havendo a capacidade do diálogo e da capacidade do maior investimento sobre o melhor desporto a consequência é que há agentes mais activos cujo cartão de visita está à melhor mão de semear e 'aqui vai disto' uma e outra vez.

O resultado é conhecido 3,2,1 nos olímpicos e nos paralímpicos 14,7,3 sem tugir nem mugir porque o desporto não tem uma voz.

Gustavo Pires chegou ao paradoxo do Basquetebol a mais intelectual das modalidades desportivas nacionais e que nunca se 'pôs' na Europa ou no mundo. O artigo do Gustavo Pires está no Primeiro de Janeiro de 11SET12.

O caso do Basquetebol é um, como o Andebol outro, ou a Natação, há sessenta casos, e a questão que se coloca é conseguir fazer estudos e análises perseguindo resultados.

Fiz análises no Andebol mas o problema é que não chegou a haver um diálogo com outros técnicos e eventualmente havia outras áreas para estudar paralelamente. Depois não se tiraram conclusões das análises.

A questão mais simples é que o desporto português está em queda livre e as pessoas estão sem capacidade de diálogo com excepção dos 'líderes de sempre' que já sabem tudo e não necessitam de estudos e análises.

São os primeiros a gastarem dezenas de milhares de euros numa multinacional que no dia seguinte ao receberem 'qualquer coisa' dizem-se conhecedoras do 'desporto português'.

Entretanto cada um na sua faculdadezinha mantém as coisas a funcionar e ficamos todos contentes.

A situação actual mói e as pessoas não compreendem as críticas e a necessidade de um sentido a partir do zero absoluto se necessário for.

Não tenho tido muita vontade de desabafar mas o pior não é a situação em si, mas antes a falta de capacidade de criar e construir que o passado e o presente criam.

Estamos sozinhos cada um a criar futuro nenhum.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Pergunta-se na comunicação social sobre o desporto

"Um retrocesso? Uma resposta a alguma forma de pressão? Um fechar de portas aos jovens que saem das escolas superiores? Porventura de tudo um pouco."

Parece haver ignorância de onde menos se espera.

Porventura o desconhecimento de como se está a mexer o mercado europeu e que condições estão verdadeiramente a falhar.

Que solução para este tipo de conflitos e lacunas?

Compreender a complexidade do desporto moderno, estabelecer comportamentos adequados, abrir as catedrais dos saberes que se pensam únicas e dar-lhes competitividade, democracia e o oxigénio das ideias que se querem livres e rigorosas para o realização da média europeia.

Coisa de menos a relevância do diálogo

Os vários actores do desporto português trabalham sozinhos e pouco ou nada dialogam.

Entretanto a falta de diálogo e de transparência dos conteúdos e dos propósitos faz o seu caminho corroendo por vezes actos que sendo correctos não deixam de ser afectados pelo enclausuramento do modelo de comportamento.

Falo por exemplo da complexificação dos graus profissionais dos técnicos de desporto e da tentativa de acompanhamento dessa realidade europeia pelo IPDJ.

Como e onde há falta de diálogo neste caso?

Este processo de formalização da formação é feito em Portugal por pessoas ligadas à formação de técnicos de desporto os quais trabalham sozinhos e entregam o produto do seu trabalho aos juristas para fazerem as leis.

Os juristas a quem eles entregam o seu trabalho também trabalham sozinhos e as leis e outros desenvolvimentos legislativos aparecem como se feitos pelo espírito santo legislativo e há outros legisladores e juristas que se sentem afectados e protestam na comunicação social a sua indignação por estes processos de trabalho sem sequer compreenderem o que se passou em primeiro lugar.

Tendo-me apercebido como economista de alguns elementos, que seria útil acompanhar com a economia, dei conta dessas minhas preocupações tendo sido tomado como metediço, complicado e enviesado estar a meter a economia e ser pessoalmente inoportuno para uma coisa que estava absolutamente correcta na perspectiva dos deuses.

A ignorância que nos levou a uma medalha em Londres não é de hoje, nem tem um único protagonista e é feita de muitas teimosias individuais e colectivas, profissionais e de cátedra.

Aliás as pinceladas de laranja ou rosa poderão ser justificadas porque o tempo passa e passa.

Passar de 3 medalhas em Atenas para 1 medalha em Londres são 12 anos completos e não nos apercebemos e o tempo corre justificando alguma adequação que a técnica justifica e a realidade obriga.

O problema está para além das pinceladas.

Nós somos uns artistas em justificar o rodriguinho e a finta pequena capaz de sentar o Ronaldo que é o melhor do mundo e somos incapazes, profundamente incapazes de conceber o ouro e marcar o trilho até lá chegar, assumindo a responsabilidade pela sua realização e pelo seu fracasso caso este sobrevenha.

Compreende-se como o poder político no desporto usa o direito do desporto e tem medo das suas consequências.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O direito do desporto e o bem-estar

No Colectividade Desportiva José Manuel Meirim identifica 3 actos legislativos e sugere que o uso político do direito desportivo no caso gerará resultados abaixo do óptimo social e que existirão limites éticos a esta aplicação do direito do desporto pelo poder político no desporto.

As palavras não são estas mas a ideia económica a retirar rondará a interpretação do parágrafo anterior.

Considerando que a interpretação e as sugestões são objectivas o que aqui está em causa é o uso que determinados oficiais fizeram do instrumento que é o direito do desporto.

É pouco provável que quem decide tenha entregue a elaboração de legislação a médicos, engenheiros, gestores ou psicólogos, ou ainda ao motorista do presidente ou à sua secretária.

Há todo o poder de uma classe de profissionais que no caso do desporto é o do direito, ou já terá sido por exemplo, da arquitectura, em projectar níveis de ineficácia e de ineficiência na produção desportiva portuguesa e cujos resultados 3, 2 e 1 medalhas em JJOO é patente.

Quando se valoriza a presença de profissionais do direito para além da racionalidade e do óptimo desportivo e social não é de estranhar que o 3, 2 e 1 se concretize.

Obviamente, que se o caso da sobre-utilização for de gestores de desporto isso também contribuiria para resultados negativos e nesse caso haveria de distinguir o mérito do direito e da gestão nos resultados 3, 2 e 1.

Conviria aprofundar a análise questionando se, por exemplo, o comportamento destas corporações deve-se a que tipo de fracassos de mercado ou do Estado?

A resposta fica para além da fulanização de ciências do desporto e centra-se na racionalidade do modelo do desporto português.

O poste de José Manuel Meirim no Colectividade Desportiva não chegou aqui.

Em tese é possível sustentar que são as falhas do modelo do desporto português que incentiva ao comportamento político tanto o público quanto o privado e que prejudica o bem-estar social nacional criado através do desporto.

Este é o ponto a que o debate das ideias para a modernização do desporto deveria ser colocado e deveria ter como protagonistas tanto a universidade, quanto o parlamento, como o associativismo desportivo, entre outros.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

COP SALVA MAUSOLÉU DE LÁZARO



VIDAS PARALELAS

Francisco Lázaro (Benfica, 21 de Janeiro de 1888 - Estocolmo, 15 de Julho de 1912) foi um atleta português. Fez parte da primeira equipa olímpica portuguesa nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, Suécia, onde participou na prova da maratona. Lázaro desfaleceu durante a prova e veio a morrer poucas horas depois.

Francisco Lázaro, foi um ilustre desconhecido nos clubes em que se inscreveu, e na Federação Portuguesa de Atletismo, mas, no dia 15.07.2012, a Associação de Atletismo de Lisboa, em colaboração com a Xistarca, realizou a corrida “Memorial Francisco Lázaro”.

 Em seguida, efectuou-se uma romagem até ao Cemitério de Benfica, onde, junto do mausoléu de Francisco Lázaro (recuperado pelo Comité Olímpico Português) se realizou uma pequena cerimónia de homenagem.

Francisco Amorós (Valência, 19 de Fevereiro de 1770 – Paris, 8 de Agosto de 1848), considerado o pai da ginástica francesa, mandou gravar no seu túmulo o seguinte epitáfio:

“Fundador da ginástica em França, morreu com o desgosto de não ter feito mais por ela, por causa dos obstáculos que sempre lhe levantaram.”

Carl Diem, no 2.º vol. da História de los Deportes (ed. Luís de Caralt, Barcelona, 1966), escreveu, a pp. 208:

A su muerte, acaecida a los 79 años fue enterrado en el cementerio de Montparnasse, siendo su sepulcro cuidado hasta hoy por la federación francesa de gimnasia.


Embora abandonado ao longo de um centenário, o mausoléu de Francisco Lázaro, graças à intervenção do Comité Olímpico Português, apareceu com as suas cores de origem, pelo que se afigura de justiça louvar a única instituição que se disponibilizou para honrar a morte de quem apenas tinha merecido ser homenageado em palestras e publicações de in memoriam, para esquecer o estado miserabilista em que se encontrava o mausoléu.


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O debate sobre o futuro do desporto português é fundamental

Tenho procurado evitar os debates no Colectividade Desportiva.

As transformações necessárias ao desporto português são profundas e só se conquistarão em plenitude com alguma capacidade de diálogo.

Enquanto as questões não se esclarecerem há um inquinar de relações de difícil resolução.

O modelo de debate nos blogues desportivos está dificultado pelas estruturas e valores actuais.

Apenas uma capacidade de transformação comportamental poderá gerar resultados positivos.

Os agentes e parceiros estão a comportar-se de acordo com valores já conhecidos.

Observou-se no Colectividade Desportiva como houve aspectos e contributos positivos e que estes foram apropriados pela má moeda que sem olhar a limites avança imparável com protagonistas de que se esperaria atitudes exemplares.

O stress do todo conflitual afecta-nos e apenas a compreensão das nossas limitações pode colocar-nos em igualdade.

Londres 2012 foi na sua máxima abrangência uma lição de que a generalidade dos protagonistas nacionais não quer tirar lições.

Também não vale a pena anunciar o que quer que seja, restando apenas a realização de factos e projectos bem concebidos e com o máximo de alcance.

No almoço que tive hoje com um conjunto de pessoas o diálogo foi frutuoso, criativo e brincalhão sugerindo como é possível encontrar elos de futuro mesmo em pessoas que não se encontram há muito.

O potencial do nosso desporto está por realizar.

A sua realização deve ser o objectivo a alcançar.

Saiu o último n.º da revista "SB" da IAKS

IAKS specialist magazine “sb”: issue 4/2012 out now



Recreation facilities
"Transformation" is the overriding theme of "sb" 4/2012 - Recreation facilities (see index). In China a velodrome is being built on the roof of a café, and in the Czech Republic there's an equestrian hall that looks like an oversized stork's nest. In Austria a prison yard has become a very special football pitch, and in Denmark a funeral hall has been converted into a dance studio.
All these are unusual projects whose realisation is owed to the creative powers of the architects, the enterprise of the clients and the innovative capacity of the companies involved.

Obtainable as
subscription or single copy: www.sb.iaks.info

IAKS members receive the specialist magazine for free

Começam hoje os Jogos Paralímpicos mais competitivos de sempre

Segundo o Chefe de Missão, a Londres 2012, Carlos Lopes na Antena Um estes são os Jogos mais competitivos de sempre com a China, Estados Unidos, Brasil e Leste à procura de medalhas como nunca.

É questão para incentivar com um 'Vamos a eles'!

terça-feira, 28 de agosto de 2012

As palavras de um jovem campeão português, as certezas da juventude


Vasco Ribeiro: “É sempre um orgulho ser apontado como o sucessor do Saca”

Nascido no seio de uma família de surfistas, desde cedo Vasco Ribeiro criou laços com o mar e aos 17 anos já é uma promessa no mundo do surf.

Com o talento e a capacidade de trabalho de Vasco Ribeiro, não tardou a que o jovem da praia da Poça, S. João do Estoril, se tornasse a mais recente esperança no mundo do surf. Com um vasto currículo desportivo, Vasquinho, como é conhecido no meio, foi campeão nacional de surf e lidera, neste momento, a Liga MEO Pro Surf 2012, tendo também conquistado o 5.º lugar numa etapa realizada na África do Sul para o circuito mundial. Vasco conta ao i como foi que a sua carreira começou e revela- -nos as suas ambições para o futuro.

Como é que o surf começou?

Tudo começou mais ou menos aos seis, sete anos, aqui mesmo na praia da Poça, com o meu pai. Na altura ele fazia surf, hoje em dia ainda faz, e eu decidi experimentar. Desde aí comecei a fazer surf aqui. Ia para a escola e, quando voltava, praticava. Fui começando a gostar mais e mais. Desde aí, nunca mais parei.

Quando é que se apercebeu de que queria seguir carreira nesta modalidade?

Quando comecei a participar em alguns campeonatos e a viajar. Do que mais gostei, e ainda gosto, foi de viajar para os campeonatos, de ir lá para fora, competir e conhecer outros sítios. Acho que foi nessa altura que me apercebi de que era isso que queria fazer e fiz tudo por tudo para o conseguir.

As viagens começaram a ser feitas com a família?

Não. Apesar de ter começado a competir fora do país por volta dos 12 anos, sempre que fui para fora foram os meus treinadores que me acompanharam; aliás, é com eles que vou quase sempre. No entanto, a minha família, agora, também já começa a acompanhar-me.

O que é que os seus pais acharam da opção? Apoiaram?

Apoiaram-me. Eles apoiam-me em todas as decisões. Os meus pais percebem porque sempre fizeram surf. Embora a minha mãe tenha deixado, continua a adorar. Por isso, sempre tive o apoio da família.

Estuda?

Não, parei no 11.º ano.

Os estudos são para continuar?

Por agora, não. Vou parar dois ou três anos para pensar no que posso fazer, porque se for para seguir carreira no surf tem de ser agora. Claro que a escola é uma prioridade e quero acabar.

Gostaria de ingressar no ensino superior?

Sim, não sei bem como, mas quando acabar o liceu vou querer ir para a universidade. Gostaria de ir para Desporto.

Acha que vai dar para conciliar a exigência da sua carreira com o curso universitário?

Não sei, mas sei que não vai ser fácil. Quem sabe se não vou deixar de surfar. Oxalá que não (risos).

Como vê a carreira de surfista profissional face à crise, uma vez que as marcas também foram afectadas? É algo que o preocupa?

As marcas, de facto, começaram a sentir isso, claro. Mas a Quiksilver está bem no meio desta crise toda. Sou patrocinado pela Quiksilver Portugal e tenho o seu apoio, mas grande parte vem lá de fora, o que acaba por ser mais fácil. Mesmo assim, acho que as marcas de surf até estão a conseguir superar bem. As pessoas continuam a comprar fatos e acessórios de surf e, pelo que sei – que também gosto de manter informado –, acho que está a correr bem.

Quais são as características que um surfista profissional deve ter para alcançar o sucesso?

Deve treinar muito, surfar, ter cuidado com a alimentação, não sair à noite… e muita força de vontade.

Não sair à noite?

Sim, uma saída à noite pode estragar uma semana inteira de treinos.

Por falar em treino, como se prepara?

Depende. Nesta altura que tenho muitos campeonatos, é só mais mar, mas sempre que tenho intervalos entre as competições faço natação, ginásio, corrida. No início do ano faço mais ginásio.

Há alguma manobra favorita?

Tubos.

E onda?

Onda… não sei. Ondas há bastantes. Já surfei ondas bastantes boas, mas acho que a minha preferida continua ser aqui [praia da Poça], porque é onde me sinto melhor, estou com a minha família e com os meus amigos. Pode não ser a melhor onda, mas é o sítio mais giro.

Qual foi a sensação de fazer um 10 no Billabong J-Bay numa etapa que ainda no ano passado fazia parte do World Tour?

Foi muito bom. Já lá tinha surfado naquela onda e o campeonato teve seis dias de ondas perfeitas. É muito difícil apanhar ondas boas porque têm sempre imensa gente. Foi, sem dúvida, o melhor campeonato da minha vida. Quando apanhei aquela onda – naquela altura não houve tempo para pensar –, surfei e as coisas correram bem. Não sabia que ia ser 10, mas sabia que ia ter uma nota muito alta.

Foi a primeira vez que recebeu um 10 directamente?

Não, já tinha recebido alguns 10, mas num campeonato assim foi a primeira vez.

O que é que o inspira?

Ver os outros a surfar… ver os que surfam melhor do que eu, ir lá para dentro e tentar superar o meu nível, dar o meu melhor e fazer coisas novas.

Como é estar dentro de água?

Sinto que me esqueço de tudo, das coisas todas cá de fora. É como se estivesse só em harmonia com o mar.

Alcança o que se chama paz de espírito…

Exactamente.

E tubarões?

É sempre uma coisa complicada. Na África do Sul há imensos, também na Austrália. Uma pessoa tenta não pensar.

O que aconteceria se aparecesse um?

Já vi duas vezes. Uma pessoa não tem reacção. Estamos dentro de água e tudo pode acontecer. É preciso manter a calma e tentar surfar. Mas às vezes é complicado, certos sítios são complicados, mas não vou deixar de surfar por isso.

Como é surfar entre os melhores do mundo?

É muito bom, uma pessoa está sempre a aprender. Vejo o que eles fazem, tento fazer como eles e tento evoluir.

Há algum surfista que admire em particular?

Não sei… Se calhar acabo por admirar mais o Kelly Slater por ser mais velho, consegue habituar-se a todas as gerações. Considero que é o surfista mais completo e acaba por surpreender tudo e todos. Mas a nível dos mais novos, tenho vários: Julian Wilson, o Medina. São surfistas que olho para eles e penso fazer como eles, porque são os melhores.

Houve algum adversário que foi o mais difícil ou são todos difíceis à sua maneira?

São todos difíceis à sua maneira. Uns numas condições mais do que outros.

Como é a relação com o Frederico Morais?

Somos os melhores amigos. Sempre que viajo para fora acabo por viajar com ele, moramos quase um ao lado do outro, portanto é uma boa relação.

Como é competir directamente contra ele?

Às vezes é complicado, é com quem gosto menos de competir. Não gosto de competir com amigos, mas é o nosso trabalho e conseguimos separar bem isso.

No ano passado esteve quase a alcançar o título europeu Pro Júnior e este ano foi vice-campeão. O que faltou para alcançar o título?

Acho que foi ter faltado àquela etapa durante o Billabong J-Bay, mas sinceramente não me arrependo nada de não ter ganho. Prefiro de longe ter ido a J-Bay e ter feito aquele 10 e fazer aquele campeonato do que propriamente ganhar o título de campeão europeu.

E isso agora é uma coisa que o preocupa ou está mais concentrado em renovar o título de campeão nacional?

Não. Agora acho que é para continuar a treinar e começar a fazer o WQS (World Qualifying Series). O título nacional é sempre uma coisa boa, gostaria de revalidar, mas neste momento ficou para segundo plano.

Os meios de comunicação já o consideram o sucessor do Saca. É algo que o preocupa?

Não. Claro que é sempre uma pressão, mais nos campeonatos nacionais, mas consigo viver bem com isso. É sempre um orgulho ser apontado como o sucessor do Saca, já que é o melhor surfista nacional. Tento dar o meu melhor.

Gostava de competir com ele no World Tour?

Claro que era sempre bom competir contra o melhor surfista português, um grande orgulho e uma oportunidade. Há-de chegar esse dia.

Gostaria de receber um wildcard (convite) para competir no Rip Curl Pro Peniche?

Era, sem dúvida, quase um sonho realizado. Seria muito bom fazer uma etapa de WCT (World Championship Tour) em Portugal, era óptimo. Mas é muito difícil porque é um campeonato da Rip Curl, por isso tenho de refazer os trials (provas de acesso), tentar ganhar e ter oportunidade de entrar.

Há uns anos, o surfista era identificado como aquela pessoa que vestia roupas de marca de surf, usava cabelo louro, etc. Identifica-se com este estereótipo?

Não, porque a roupa de marca que uso tem de ser da Quiksilver. Se for nesse aspecto, até me identifico, porque é quase uma obrigação. Mas, de resto, acho que já passou um bocado a moda. Hoje até é mais normal usar o cabelo mais curto para não fazer tanta confusão.

Ainda existe a moda do parecer surfista ou isso já deixou de existir? Quem é surfista é porque realmente gosta?

Temos as duas coisas. Há sempre aquelas pessoas que querem mesmo ser surfistas e dão o seu melhor. E depois também há aquelas pessoas que levam a prancha para a praia só para mostrar às miúdas e acham que é giro ser surfista. Acho que vai sempre continuar a haver, mas dá para diferenciar bem.

O reggae está muito associado ao surf. Concorda?

Concordo. Pessoalmente não gosto, mas acho que está bastante ligado. Há cantores de reggae que são bons surfistas.

Sobre a polémica do Ericeira Surf Camp (espaço expropriado pela autarquia), qual é a sua posição sobre o assunto?

Acho que é uma pena, porque adoro aquele espaço. É um espaço que faz parte da Ribeira D’Ilhas. Sinceramente não sei muito bem o que se está a passar. As pizas são óptimas, o bar bom, e as pessoas adoram aquele espaço que faz parte da Ribeira D’Ilhas.

Muitos surfistas fazem outras actividades. O Kelly Slater, por exemplo, joga golfe. Como se entretém nos tempos livres?

Nada de especial. Costumo ler, principalmente em viagem, corro de vez em quando (risos), estou com os meus amigos, vou ao cinema.

Qual é a próxima paragem?

Vou para Espanha, depois sigo para os Açores, depois França, Bali, etc.

DARDO ATINGE MORTALMENTE JUIZ ALEMÃO


Já aqui foi abordado este tema noutro  post, a propósito da morte do atleta sueco Bo Larsson que, numa corrida de estafetas realizada no Estádio Johanneshov de Estocolmo, foi atingido acidentalmente por um dardo, em 29.08.1959.

Agora somos surpreendidos pelo mesmo acidente, também em Agosto, decorridos 54 anos, mas o atingido foi um juiz alemão de atletismo, no decorrer de provas, em Dusseldorf.

Parece, pelas Tetralogias de Antifão, que casos idênticos não teriam ocorrido nas provas atléticas gregas, mas não deixa de surpreender ter Antifão antecipado, nas aulas de direito desportivo, como virtualmente possíveis, para um pleito litigioso entre, por exemplo, os pais de um lançador infeliz, e os pais do atleta supostamente atingido mortalmente.

A quem o tema interessar remete-se para o post indicado na primeira linh do primeiro parágrafo.



domingo, 26 de agosto de 2012

O que diz uma dupla medalhada da natação espanhola


Está no site do Conselho Superior do Desporto de Espanha.

Mireia Belmonte disse: ‘disfrutar de lo que haces, trabajar duro y nunca poner-se limites’

A ideia que ficou de muitas participações portuguesas foi o existirem limites!

sábado, 25 de agosto de 2012

Para compreender como funciona a economia financeira, segundo Juan José Millás

O artigo saiu no El Pays e foi republicado no Dinheiro Vivo de ontem

Hoje o  Dinheiro Vivo publica uma entrevista ao autor do texto

Há outros artigos com interesse sobre esta matéria no Dinheiro Vivo como o editorial.

O cano de uma pistola pelo cu

Se percebemos bem - e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.

Se o preço baixar demasiado, talvez não te compense semear, mas ficarás endividado sem ter o que comer ou beber para o resto da tua vida e podes até ser preso ou condenado à forca por isso, dependendo da região geográfica em que estejas - e não há nenhuma segura. É disso que trata a economia financeira.

Para exemplificar, estamos a falar da colheita de um indivíduo, mas o que o porco filho da puta compra geralmente é um país inteiro e ao preço da chuva, um país com todos os cidadãos dentro, digamos que com gente real que se levanta realmente às seis da manhã e se deita à meia-noite. Um país que, da perspetiva do terrorista financeiro, não é mais do que um jogo de tabuleiro no qual um conjunto de bonecos Playmobil andam de um lado para o outro como se movem os peões no Jogo da Glória.

A primeira operação do terrorista financeiro sobre a sua vítima é a do terrorista convencional: o tiro na nuca. Ou seja, retira-lhe todo o caráter de pessoa, coisifica-a. Uma vez convertida em coisa, pouco importa se tem filhos ou pais, se acordou com febre, se está a divorciar-se ou se não dormiu porque está a preparar-se para uma competição. Nada disso conta para a economia financeira ou para o terrorista económico que acaba de pôr o dedo sobre o mapa, sobre um país - este, por acaso -, e diz "compro" ou "vendo" com a impunidade com que se joga Monopólio e se compra ou vende propriedades imobiliárias a fingir.

Quando o terrorista financeiro compra ou vende, converte em irreal o trabalho genuíno dos milhares ou milhões de pessoas que antes de irem trabalhar deixaram na creche pública - onde estas ainda existem - os filhos, também eles produto de consumo desse exército de cabrões protegidos pelos governos de meio mundo mas sobreprotegidos, desde logo, por essa coisa a que chamamos Europa ou União Europeia ou, mais simplesmente, Alemanha, para cujos cofres estão a ser desviados neste preciso momento, enquanto lê estas linhas, milhares de milhões de euros que estavam nos nossos cofres.
E não são desviados num movimento racional, justo ou legítimo, são-no num movimento especulativo promovido por Merkel com a cumplicidade de todos os governos da chamada zona euro.

Tu e eu, com a nossa febre, os nossos filhos sem creche ou sem trabalho, o nosso pai doente e sem ajudas, com os nossos sofrimentos morais ou as nossas alegrias sentimentais, tu e eu já fomos coisificados por Draghi, por Lagarde, por Merkel, já não temos as qualidades humanas que nos tornam dignos da empatia dos nossos semelhantes. Somos simples mercadoria que pode ser expulsa do lar de idosos, do hospital, da escola pública, tornámo-nos algo desprezível, como esse pobre tipo a quem o terrorista, por antonomásia, está prestes a dar um tiro na nuca em nome de Deus ou da pátria.

A ti e a mim, estão a pôr nos carris do comboio uma bomba diária chamada prémio de risco, por exemplo, ou juros a sete anos, em nome da economia financeira. Avançamos com ruturas diárias, massacres diários, e há autores materiais desses atentados e responsáveis intelectuais dessas ações terroristas que passam impunes entre outras razões porque os terroristas vão a eleições e até ganham, e porque há atrás deles importantes grupos mediáticos que legitimam os movimentos especulativos de que somos vítimas.

A economia financeira, se começamos a perceber, significa que quem te comprou aquela colheita inexistente era um cabrão com os documentos certos. Terias tu liberdade para não vender? De forma alguma. Tê-la-ia comprado ao teu vizinho ou ao vizinho deste. A atividade principal da economia financeira consiste em alterar o preço das coisas, crime proibido quando acontece em pequena escala, mas encorajado pelas autoridades quando os valores são tamanhos que transbordam dos gráficos.

Aqui se modifica o preço das nossas vidas todos os dias sem que ninguém resolva o problema, ou mais, enviando as autoridades para cima de quem tenta fazê-lo. E, por Deus, as autoridades empenham-se a fundo para proteger esse filho da puta que te vendeu, recorrendo a um esquema legalmente permitido, um produto financeiro, ou seja, um objeto irreal no qual tu investiste, na melhor das hipóteses, toda a poupança real da tua vida. Vendeu fumaça, o grande porco, apoiado pelas leis do Estado que são as leis da economia financeira, já que estão ao seu serviço.

Na economia real, para que uma alface nasça, há que semeá-la e cuidar dela e dar-lhe o tempo necessário para se desenvolver. Depois, há que a colher, claro, e embalar e distribuir e faturar a 30, 60 ou 90 dias. Uma quantidade imensa de tempo e de energia para obter uns cêntimos que terás de dividir com o Estado, através dos impostos, para pagar os serviços comuns que agora nos são retirados porque a economia financeira tropeçou e há que tirá-la do buraco. A economia financeira não se contenta com a mais-valia do capitalismo clássico, precisa também do nosso sangue e está nele, por isso brinca com a nossa saúde pública e com a nossa educação e com a nossa justiça da mesma forma que um terrorista doentio, passo a redundância, brinca enfiando o cano da sua pistola no rabo do sequestrado.

Há já quatro anos que nos metem esse cano pelo rabo. E com a cumplicidade dos nossos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Euforia olímpica em Tóquio


Retirado do jornal Público
Cerca de 500 mil pessoas juntaram-se nas ruas de Tóquio para homenagear os medalhados olímpicos do Japão, que teve em Londres a sua melhor participação olímpica de sempre: sete medalhas de ouro, 14 de prata e 17 de bronze. Foto: Kyodo/Reuters


sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Disse-o o principal líder do associativismo desportivo português

O sistema desportivo português é obsoleto.

Foi das frases, senão a mais importante, mas das mais importantes que foram ditas por um líder do associativismo desportivo.

Será que o associativismo desportivo português vai conseguir retirar as completas ilações desta afirmação tão importante?

Ou talvez se possa colocar de outra forma mais tentativa: Que ilações tira o associativismo desportivo português desta afirmação?

O desporto escolar tem sido injustamente avaliado

O desporto escolar actual tem resultados que não tendo sido desenvolvidos e sistematizados técnica, económica e socialmente deixam uma imagem que não parece verdadeira.

O desporto escolar é uma parte da solução dos desafios do desporto português.

Há uma imagem a reconsiderar em diferentes latitudes.

O produto do DE tem sido aproveitado?

O benefício desse bom trabalho por pouco que seja tem sido internalizado?

Que instituições beneficiam do bom trabalho do DE?

Quais os parceiros que deveriam fomentar a disseminação das boas práticas?

Não creio que estas perguntas atinjam a honra de ninguém e elas sugerem outras formas de fomento do desporto escolar.

Há certamente outras boas perguntas para serem respondidas! Vamos a elas?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A análise económica de Londres 2012

Stefan Szymanski é um dos melhores economistas europeus de desporto e faz aqui com Mogens Kirkeby uma análise económica rápida à problemática dos Jogos Olímpicos e de Londres e da política britânica em particular.

Participei em sessões de trabalho e conferências com Stefan Szymanski ao longo dos últimos 20 anos e é patente o seu posicionamento crítico dos Jogos Olímpicos mesmo para um país como o Reino Unido.

Se uma questão se pode dizer sobre o seu posicionamento é que Szymanski se coloca do lado do mercado privado, da iniciativa dos parceiros privados e tem uma enorme relutância na aceitação da intervenção do Estado.

Estamos portanto com um economista acima de qualquer suspeita de fazer uma crítica 'de esquerda' aos Jogos Olímpicos de Londres 2012.

Aqui fica o texto e o link, que mão amiga me fez chegar, para consideração de tantas pessoas que em Portugal promovem eventos e mega-eventos com motivos equivalentes àqueles que foram dados aos governantes britânicos para a realização dos seus Jogos.