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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Os estudos sobre o desporto australiano

O alto rendimento português tem dificuldades e devia atentar o que fazem os países que se classificam em primeiro lugar.

A Austália fez agora um estudo sobre a sua participação na Natação e chegou aos resultados indicados no artigo do Público, aqui.

Deixo a sugesstão ao novo inquilino do COP olhar para o que fazem os países com maior sucesso desportivo para copiar os seus bons hábitos de governança do sector.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Ainda os prémios do Estado aos campeões desportivos

I
Os prémios dados aos campeões não são do IPDJ.

Alguma comunicação social diz que são os prémios do IPDJ e não são.

Os prémios são atribuídos pelo Estado e representam o reconhecimento da população portuguesa, da nacionalidade, pelo exemplo de excelência protagonizado pelos campeões desportivos.

Não sei qual outro nome mais adequado, apenas o nome IPDJ parece-me inadequado.

Um jurista esclarecerá este desiderato.


II
Os prémios deveriam ser entregues mal acabam os Jogos Olímpicos.

O desporto tem de capitalizar ao máximo os seus feitos e o reconhecimento de Portugal aos feitos dos jovens campeões são um momento que é maximizado 'no dia seguinte ao encerramento dos jogos olímpicos'.

Meio ano depois é demasiado tempo e o COP, mesmo que não dependa dele, deveria estar atento a estes pormenores.


III
Eu não quero falar, agora, sobre a problemática económica do alto rendimento.

Uma das dificuldades do alto rendimento português é o esmagamento dos benefícios dos atletas que não se resolve com exposições nos órgãos de comunicação social.

A matéria é vasta e de efeitos por vezes contraditórios como se observa em múltiplas ineficiências nacionais.

Eu não tenho dados que me permitam dizer que a dupla da Canoagem esteja a receber o preço justo.

Até me parece que não é isso que está em causa.

O que me pareceu que estava em causa era receber o bolo todo por atleta e não o equacionar de uma estrutura de percepção para a remuneração de actos de excepção praticados por atletas extraordinários.

Outra situação ainda é a aferição dessa remuneração simultaneamente simbólica, extraordinária e bastante segundo padrões de singularidade, justeza e equidade bem definidos.


IV
É uma matéria aliciante e deixaria aqui um apelo ao Emanuel Silva e ao Fernando Pimenta para que contribuam para um desporto português mais estimulante e justo para os que como eles dão tudo de todo o seu ser.

O que vocês sentem como uma injustiça poderá ser melhorado e com o Vosso alerta vocês tornaram-se agentes de melhoria.

A Associação dos Atletas Olímpicos deveriam ter actuado e chamado à atenção para a Vossa interpretação há muito tempo e com a actuação da Vossa federação e de outras federações talvez se pudesse ter dado passos positivos com resultados distintos dos actuais.

Pareceu tardia a Vossa actuação.

Mas foi muito importante o que fizeram, porque foi por vocês aberta a hipótese de ir mais longe ainda na concepção de um melhor modelo para o alto rendimento nacional.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os prémios do alto rendimento

A dimensão económica do alto rendimento está insuficientemente trabalhada em Portugal.

Acresce a 'facilidade' de certa ineficácia das leis que demasiadas vezes surge, quer por via das interpretações da lei, quer por lacunas da feitura da lei.

O desporto sempre preferiu resolver as questões casuisticamente e à míngua de resultados de topo chega-se a 2013 com a dúvida se determinado prémio é para o lugar ou por atleta.

Este não é certamente o único problema neste domínio como se observa na frágil colheita de resultados desportivos variados.

Abundam pequenos problemas aqui e ali que sempre tolhem a actuação dos atletas e das suas organizações.

As queixas da canoagem sugerem que os prémios são a retribuição para o esforço de uma vida.

Naturalmente que estes prémios são comuns desde a antiguidade clássica e são o reconhecimento público do feito conseguido.

Há um valor que o desporto cumpre, mesmo quando o atleta ou a equipa nada ganham relacionado com toda a metodologia de trabalho, o brio no cumprimento das exigentes funções do alto rendimento e que parece estar a ser insuficientemente considerado pelo associativismo.

O tratamento da matéria da economia do desporto no passado não foi feliz sendo que a tristeza da situação se relaciona com uma equação desequilibrada face a outros comportamentos europeus que os atletas tantas vezes reconhecem nos seus contactos mundiais.

Sendo relevante o esclarecimento solicitado por Mário Santos seria útil escalpelizar o alto rendimento português mais profundamente.

Sendo que ambos são relevantes, será um trabalho que parece estar para além do actual esclarecimento solicitado pela canoagem.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

VANESSA

Junta-se o artigo de António Bagão Félix sobre Vanessa Fernandes, publicado na Bola de Fevereiro de 2011, na perspectiva de uma Ética que se quereria suprema quando trabalhamos com a juventude e das ameaças de um alto rendimento ilusório e predador aos mais precoces.
O artigo tem mais de um ano e a sua actualidade mantém-se ao celebrarmos os cem anos de Francisco Lázaro.

A notícia surpreendente chegou-nos há dias. Vanessa Fernandes, a campeã de triatlo, resolveu interromper a sua actividade desportiva. Pelo que li, tal deve-se a circunstâncias pessoais, físicas e anímicas, absolutamente respeitáveis.
Vanessa sempre foi uma admirável atleta. Deu sempre um gostoso ar de menina descontraída, às vezes até traquina, desfrutando o prazer do que fazia, bem apoiada familiarmente até pelo exemplo do seu pai.
Mas esta notícia fez-me voltar a reflectir sobre o mundo duro, predatório e impiedoso com que os mais novos se defrontam no desporto e não só.
Hoje vive-se com a obsessão fulminante do sucesso, da vitória, da fama, do dinheiro. Quase sempre fugazes e ilusórios. Este falso cânone de felicidade contagiou perigosamente o mundo infantil e juvenil. Suprimem-se ou atrofiam-se etapas necessárias de crescimento físico, intelectual, emocional e psíquico por que deve passar necessariamente uma criança ou jovem, o que, mais tarde, deixa as suas marcas nocivas.
Vemos isso estimulado pateticamente em concursos televisivos feitos à medida dessa exploração de precoces talentos de meninos e meninas, sob a observação de pais babados. Hipocritamente, nestes casos, a sociedade não censura o trabalho infantil que bem condena em outras actividades laborais…
Todos temos presente, ainda, a exploração ignóbil de ginastas e atletas do leste em prol da propaganda de um regime, de tenistas mais tarde confrontados com a solidão da derrota ou o desespero da desistência, e de indefesos jovens ícones que não estão preparados para o esquecimento do dia seguinte e para os embates do mundo.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Celebrar Francisco Lázaro e Vanessa Fernandes




Francisco Lázaro e Vanessa Fernandes estão entre os maiores atletas olímpicos de Portugal. A 100 anos de distância os dois atletas tiveram resultados perversos da prática de alto rendimento. Francisco Lázaro morreu de inanição, um dos poucos casos em toda a história dos Jogos Olímpicos, em Estocolmo no ano de 1912. Um caso triste que o Comité Olímpico Internacional se recusa a celebrar segundo as palavras de Vicente Moura o presidente do Comité Olímpico de Portugal. Vanessa Fernandes depois de ganhar a prata colapsou deixando de competir, após os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008 com vinte e poucos anos na altura, quando a carreira do triatlo permite períodos de competição longos ao mais alto nível desportivo para além dos trinta anos.

A estes dois casos extremos, um nos primórdios do olimpismo no século XX e outro, passados cem anos, no início do século XXI, junte-se a imagem da acumulação de medalhas olímpicas, por países equivalentes a Portugal, para aferir o nível olímpico do país. Os três grupos formados demonstram que a nossa situação olímpica é frágil.

Fonte: Distribuição de medalhas do Comité Olímpico Internacional de 1896 a 2008.

O primeiro grupo de países tem três países que conquistaram entre 250 e 500 medalhas e que são a Hungria, Finlândia e Holanda. O segundo grupo tem oito países a Suíça, Dinamarca, República Checa, Noruega, Grécia, Bélgica, Iugoslávia e Áustria variando de 90 a 170 medalhas. O terceiro grupo tem dois países periféricos e católicos a Irlanda e, por fim, Portugal com menos de 25 medalhas. Numa palavra, Portugal tem um problema de eficácia na conquista de medalhas olímpicas e um desafio de eficiência face a países com igual demografia e produto económico questões não resolvidas em cem anos.

O caso de Vanessa Fernandes é alarmante e torna-se indigno pela forma como Portugal lida com a tragédia de uma das atletas olímpicas mais queridas dos portugueses. Portugal como que usou a talentosa jovem e já se esqueceu dela. Dizem que lhe foi dado dinheiro do Estado para se curar!

Recapitulemos: Vanessa Fernandes desde a sua meninice correu, nadou, andou de bicicleta como os seus maiores lhe diziam para fazer e aprendeu a sofrer ‘como muita gente grande’ não está para aí voltada. Disse que não queria estudar e o Estado português, as empresas patrocinadoras e as organizações desportivas de topo aceitaram pronta e negligentemente. Algo correu muitíssimo mal porque a carreira desportiva da jovem talento que deveria durar 5 ou 6 Jogos Olímpicos gripou ao segundo e a jovem está sem sucesso na carreira desportiva, sem uma profissão e doente porque o Estado, as empresas e as federações não assumiram o erro e dar-lhe o melhor dos tratamentos possível a nível mundial.

Potencialmente, numa carreira desportiva sustentada, quantos euros valeriam Vanessa Fernandes? Para os empresários atentos, há quatro ou cinco anos a Vanessa fazia capas e anúncios de página inteira. Esse potencial foi o activo cerceado, ou seja, o percurso de sucesso desportivo de uma década. Dizer que a Vanessa tinha um potencial económico directo de alguns milhões de euros dependeria da mestria nacional em valorizar esse capital humano raro, sem o matar à nascença. Indirectamente o exemplo de Vanessa Fernandes para as gerações mais novas e o impacto de um pós-carreira de um campeão bem formado escolar e profissionalmente geraria outros milhões tangíveis e intangíveis.

Recentemente Gustavo Pires publicou um livro sobre Francisco Lázaro e houve um debate no Museu Nacional do Desporto sobre as causas da morte do campeão. Portugal a cem anos de distância procura saber porque morreu um atleta e não audita a destruição da atleta desportiva mais talentosa da última década. Desportivamente coloquemos a fasquia alta e concluamos que o desafio do desporto português deve começar por compreender muito bem o que correu mal com Vanessa Fernandes. Primeiro porque há que saber o que correu mal segundo porque há muitos atletas jovens a quem pode acontecer o mesmo havendo desconhecimento do que correu mal com Vanessa Fernandes. Fazer esse inquérito público é uma dívida de cem anos com Francisco Lázaro e um dever de Portugal para com Vanessa Fernandes face ao esbulho, mesmo que inadvertido, da sua juventude e do seu imenso talento desportivo. Não está em causa levar alguém a tribunal ou o que quer que seja relacionado com a Justiça que nunca se faz em Portugal. O desporto português não pode ser uma ‘smoking gun’ que dispara e ninguém tem a coragem de ir à origem do que correu mal. Justifica-se que Portugal faça duas coisas: primeiro, reconstrua a atleta com os melhores meios que o país tenha ou contrate internacionalmente quem tenha o perfil para o realizar; segundo, contrate os melhores especialistas para fazerem o trabalho de saber tudo o que aconteceu, ‘preto no branco’.

Portugal não pode continuar a tratar o seu capital humano e social como vulgares bens transacionáveis da negociata mais à mão. Helena Garrido, a 17jul12, no Jornal de Negócios, alertou para o mal que nos aflige de termos perdido valores que dávamos por adquiridos mas a questão talvez seja da dificuldade, que também temos, de assumir aquilo que nunca soubemos, como competir no âmago de uma civilização extraordinária como a europeia.

O desporto não é uma caridade é um acto de sobrevivência global, de valorização e de especialização do capital humano nacional, de competitividade e produtividade económica. Os países que ganham centenas de medalhas olímpicas e não brincam às presenças honrosas nos Jogos Olímpicos, todos os quatro anos, são os valores civilizacionais e de sobrevivência enquanto nação que os norteia. A nossa crise de valores civilizacionais estará na base das crises económicas que nos atormentam há anos.

domingo, 22 de julho de 2012

O diagnóstico assertivo de Moniz Pereira

Pouco se fala e debate sobre a politica desportiva portuguesa e as palavras de Moniz Pereira ao Público de hoje, na pg. 12/13, tem vários momentos de realce:

  • 'podia haver mais medalhas se houvesse condições, as lesões de Naide e Évora são fruto da falta de uma pista coberta'. Ou também se podem encontrar outras causas como as falhas técnicas que sabendo que não existe pista coberta, deveriam actuar para evitar o sacrifício dos atletas e não tiveram a capacidade de o fazer!
  • sobre Mamede 'começava a queixar-se com dores e a dizer que não era capaz... Estava mais preparado que o Lopes, mas o dia chegava e fraquejava. Ao fim da primeira volta já era o último. No final, perguntaram-me se ele tinha acabado como atleta e eu disse para esperarem pelo próximo meeting da Suíça. Chegou lá e ganhou. Era a cabeça.' Há um problema profundo com a questão dos psicólogos no alto rendimento português. Não quero de momento avançar mais.
  • 'Não... é muito difícil. (os atletas viverem só do atletismo) Só para alguns e muito poucos. Também não têm condições. Não temos mais medalhas por causa disso.' Esta é uma realidade conhecida e agora na voz de um conhecedor.
  • 'O atletismo deu mais títulos e nome ao clube (Sporting) e, no entanto, só pensam no futebol.' O problema é nacional não apenas do clube.
  • sobre Zatopec: 'e o treino dele era à chuva, ao sol, manhã tarde ou à noite, quando desse.' A contradição em relação a outras palavras de falhas nacionais. 
As soluções não são simples e é útil ouvir pessoas atentamente como o professor Moniz Pereira.

sábado, 30 de junho de 2012

Campeonatos da Europa de Atletismo de 2012



Também o Atletismo marca resultados na Europa.

Patrícia Mamona ganha medalha de prata no triplo salto.

Marco Fortes ficou em quinto no peso.

Sara Moreira ganhou bronze nos 5000 metros.