O Seminário de Loulé deu a imagem de uma autarquia ou de autarquias de uma região que procuram uma solução para os seus desafios desportivos e que para isso organizam um debate aberto a terceiros a quem pedem intervenções específicas e bem articuladas e dão tempo de exposição e debate.
Já o congresso da APOGESD deu outra imagem distinta de uma instituição que gere o seu sucesso com preocupações nacionais e que pelo menos necessitaria de uma acutilância e clarificação de conceitos.
Corro o risco de desagradar mas o debate democrático não se faz de palavras gentis ou de inverdades ou de verdades escondidas.
Gostei do respirar do Congresso da APOGESD o que me permitiu ver o que me parecem facturas e desafios.
Da conversa com o Abel Figueiredo, creio, conversámos sobre o indivíduo que tem uma constipação e que para não piorar para uma pneumonia necessita de se curar e identificar a constipação e estar dispostos a tratá-la e fazê-lo com eficácia.
Esconder que o desporto tem um corpo ou um modelo de funcionamento e recusar ver a falência são desafios do desporto português.
Inviabilizar uma teoria económica dizendo que o problema é da educação física e não olhar para os da gestão é um comportamento que foi suscitado no congresso.
Ora a SPEF e a CNAPEF reuniram-se em congresso e procuram encontrar uma solução face às reformas actuais e isso quer dizer que a educação física se mexe e isso é positivo.
Quando apresento uma teoria económica isso significa que fiz uma proposta para debate.
Se o desporto não a discute há várias hipóteses: desde a teoria não serve até aos interlocutores que não querem ouvir e participar em tal discussão.
Quando o investigador de gestão desportiva acena com a direita que a educação física está mal e com a esquerda diz que a economia não é relevante enquanto a direita não fizer o que está mal há 100 anos estamos num beco sem saída.
A questão para a gestão é talvez que ela talvez não saiba o que fazer e então procura parar o mundo e as suas voltas.
Obviamente que este resultado do debate foi permitido pelo facto da APOGESD ter feito o congresso e isso é um facto positivo e por tal deve ser incentivada a continuar nesse processo.
Os meus parabéns à equipa liderada pelo Amadeu Portilha.
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terça-feira, 20 de novembro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
A explicação do desastre económico é simples
Portugal tem níveis de despesa desportiva muito baixos.
Estamos em 2012 e há alguns anos o desporto português sofre diminuições de receitas por via das limitações económicas demonstradas.
A ilegalização da actuação em Portugal da Betandwin aumenta a pressão sobre as fontes de receitas do desporto de todas as actividades desportivas amadoras e profissionais.
São conhecidas organizações desportivas falidas ou que se queixam publicamente da dificuldade de acederem a fontes alternativas de financiamento.
Não há estrelas de desporto capazes de motivar os agentes privados a patrocinarem como acontecia há 4 anos.
Nelson Évora é um exemplo desta situação e que agora se lesionou.
Os desafios do desporto são diversos e estão cruzados exigindo soluções bem concebidas e direccionadas para os problemas reais.
O problema é que as decisões de política desportiva nem sempre se orientam para o âmago das dificuldades económicas.
Creio que utilizei em postes recentes termos fortes ao falar de cancro e desastre.
Ignorar a situação e actuar como se nenhum problema houvesse, que é o que tem sido feito sem estruturar soluções credíveis é um erro que parece 'colossal'.
Estou aberto a que alguém demonstre que toda esta perspectiva está errada ou exagerada.
Estamos em 2012 e há alguns anos o desporto português sofre diminuições de receitas por via das limitações económicas demonstradas.
A ilegalização da actuação em Portugal da Betandwin aumenta a pressão sobre as fontes de receitas do desporto de todas as actividades desportivas amadoras e profissionais.
São conhecidas organizações desportivas falidas ou que se queixam publicamente da dificuldade de acederem a fontes alternativas de financiamento.
Não há estrelas de desporto capazes de motivar os agentes privados a patrocinarem como acontecia há 4 anos.
Nelson Évora é um exemplo desta situação e que agora se lesionou.
Os desafios do desporto são diversos e estão cruzados exigindo soluções bem concebidas e direccionadas para os problemas reais.
O problema é que as decisões de política desportiva nem sempre se orientam para o âmago das dificuldades económicas.
Creio que utilizei em postes recentes termos fortes ao falar de cancro e desastre.
Ignorar a situação e actuar como se nenhum problema houvesse, que é o que tem sido feito sem estruturar soluções credíveis é um erro que parece 'colossal'.
Estou aberto a que alguém demonstre que toda esta perspectiva está errada ou exagerada.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Reino Unido e Portugal diferentes desporto e economia
Um óptimo poste do economista José Pinto Correia apresenta resultados do estudo britânico que está aqui.
O poste no blogue Colectividade Desportiva, aqui, levanta duas questões que procurarei responder:
Respondendo à primeira questão:
Respondendo à segunda questão:
O poste no blogue Colectividade Desportiva, aqui, levanta duas questões que procurarei responder:
- Quais são os dados do crescimento da economia do desporto português no longo prazo equivalentes aos britânicos?
- Terá o governo português trabalhado no passado sem os estudos económicos que os britânicos realizam com regularidade?
Respondendo à primeira questão:
- Duas notas cautelares
- A fim de evitar comparar vários conceitos económicos na comparação portuguesa usa-se apenas o Produto Interno Bruto a preços de mercado, PIBpm
- Os valores não foram corrigidos da inflação porque os dados comparados são influenciados da mesma forma
- Dados de 1987
- O PIBpm do desporto português em 1987 foi de 281 milhões de euros, fazendo uma conversão simples de esculos em euros à taxa de 200,482 escudos por euro
- Sendo o PIBpm nacional de 26 mil milhões de euros
- A importância do produto desportivo no nacional foi de 1,08%
- Dados de 2007
- O PIBpm em 2007 é de 1,5 mil milhões de euros
- Sendo o PIBpm nacional de 169 mil milhões de euros
- A importância do produto desportivo no nacional baixou para 0,86%
- Enquanto o desporto cresceu no período de 1987 a 2007 520%, o produto nacional cresceu 650%
Respondendo à segunda questão:
- É pouco provável que os governos nacionais tenham trabalhado sem fundamentos económicos.
- O que se poderá sugerir desde já é que os fundamentos económicos das políticas desportivas portuguesas foram insuficientes para gerarem um produto superior como aconteceu no Reino Unido.
- Apenas os governos podem indicar quais foram ou talvez um dia do Conselho Nacional do Desporto se venha a conhecer quem fez o quê.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Desporto e Economia
Estas duas frases são para concordar em discordar do poste de José Pinto Correia no Colectividade Desportiva de 21 de Outubro:
O que diz a teoria económica:
Discussão:
Catedrais no deserto:
A realidade económica é mais complexa do que a mera afirmação de que não existe economia deixa antever:
A culpa dos economistas e dos engenheiros:
- Durante as legislaturas passadas houve estudos e análises económicas e houve pensamentos económicos por parte dos decisores de política desportiva.
- Há e houve actos económicos mas faltou o qualificativo da eficiência económica.
O que diz a teoria económica:
- A economia aceita e propõe que o agente é soberano na sua actuação no mercado actuando com eficiência o que beneficia o seu próprio interesse, desde Adam Smith.
- Mas a economia também diz que os agentes privados que actuam no mercado falham decisões e são irracionais e que para isso devem existir políticas públicas para as corrigir, segundo Pigou.
- Num terceiro momento, Coase refere que os decisores e as políticas públicas também falham e que há possibilidades de racionalidade que o Estado deve deixar ao mercado resolver, definindo bem os direitos de propriedade.
Discussão:
- A afirmação de José Pinto Correia de que não existe uma economia do desporto compreende-se mas o que efectivamente acontece é que a economia sempre existiu no desporto português apesar dos seus erros e fracassos.
- São estes erros e fracassos privados e públicos em que se fundamenta José Pinto Correia para a sua afirmação.
Catedrais no deserto:
- O caso particular do atletismo comentado por anónimos no mesmo poste é um caso típico da teoria económica tipificado pelo investimento em "catedrais no deserto" as quais após o momento inicial geram impactos nulos no desenvolvimento das regiões e das populações.
- O decisor de política desportiva português aceita enterrar milhões de euros em infra-estruturas cuja fundamentação é o curto prazo e o benefício eleitoral de decisores públicos centrais e locais.
A realidade económica é mais complexa do que a mera afirmação de que não existe economia deixa antever:
- Muitos investimentos em desporto são sustentados por estudos económicos que nem sempre acertam bem nas propostas de eficiência que fazem.
- As causas podem ser muitas, desde a carência de estudos e informação anterior com qualidade, as quais podem induzir em erros de decisão pública e privada.
- Outros problemas relacionam-se com a captura dos economistas que se predispõem a satisfazer o interesse do decisor, não lhes sendo garantida a independência para realizar um estudo ou análise competente.
- Estes problemas sugerem que no passado os erros poderão ter existido por parte dos decisores e também por parte dos economistas, eles próprios capazes de cometer erros.
- Estas dificuldades são patentes na situação do país.
- Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa falava da culpa dos economistas e dos engenheiros.
- Tudo bem se não se pensar que entre a profissão e o exercício da função de político vai uma distância grande que, por exemplo, os exemplos de inúmeros juristas com grandes contas na Justiça ou de incompetência nos cargos assumidos lança a dúvida sobre os princípios que regem a profissão.
- Estamos no último lugar desportivo europeu porque a economia e o direito e outras matérias do conhecimento que se fazem no desporto são de fraca qualidade.
- E todas essas matérias existem no desporto português mesmo que os seus melhores profissionais sejam afastados da decisão de política desportiva.
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