Mostrar mensagens com a etiqueta ps. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ps. Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que diz Ferro Rodrigues poderá adequar-se ao desporto?

O desporto tem perdido espaço e capacidade de actuação na sociedade portuguesa com o aquartelamento de posições inamovíveis nas organizações sem conseguir e sem partilhar o reconhecimento de um líder capaz de definir um objectivo, metas e uma estratégia única.

Elege-se quem o poder indica e ouve-se toda a gente dividindo o fraco pecúlio por todos, respeitando as preponderâncias.

Ferro Rodrigues que já foi secretário-geral do PS já sugeriu algumas coisas a António Costa e José Seguro e algumas das suas palavras para o PS no Jornal Sol são:

  1. "Os partidos são formados por pessoas, têm também que ver com os gostos, com a afectividade. O que vejo como negativo é que se esgrima como argumento político argumentos que são da ordem das lealdades e deslealdades. Todos os secretários-gerais do PS, de Mário Soares a António Guterres, tiveram pela frente internamente oposições muito fortes, muito organizadas, e com uma expressão no Parlamento. E o que fizeram ao fim de certo tempo foi enquadrar essas tendências e essas pessoas, pelo trabalho e pela participação activa. Espera que seja isso que vai acontecer. 
  2. ... Para se partir para uma viagem política tão importante como é a de dar ao país esperança, com um governo amplo e que não seja meramente de partido, a unidade interna do PS com base em ideias concretas é indispensável. E o trabalho conjunto de toda a gente é indispensável. O ‘como’ depende sobretudo do secretário-geral."

Estas palavras são para o PS e podendo ser tomadas com distanciamento, também poderão servir ao desporto.

O trabalho de Fernando Mota poderá ter pecado por não se abrir suficientemente à sociedade, se bem que o calendário curto das eleições levasse à captura da insatisfação latente, face ao sucesso do atletismo e à repartição do bolo que se teria de fazer. Fernando Mota foi vítima de um modelo que criminaliza os outsiders e remunera a captura de benefícios, entre outras limitações. Não terá bastado criar alternativas institucionais como a criação de um grupo de presidentes que pensam a realidade desportiva que conhecem tão bem. Se os presidentes das federações é que 'sabem' eles não se aperceberam que a diferença para o caos estava aos seus pés. Se soubessem teriam assumido outras posições e defendido melhor as suas damas, pelo menos alguns desses presidentes. A abertura à sociedade é importante para ter uma pluralidade de posições que fortaleçam a decisão. Dá a ideia que ter formado o grupo de trabalho deveria ter ido mais longe, equacionando uma nova realidade do desporto nacional. O grupo de trabalho foi identificado com o seu promotor e menorizado não conseguindo subir a um patamar superior de questionamento e equacionamento do todo de uma realidade desportiva complexa. Falhado o grupo essa realidade poderá voltar a acontecer com cores diferentes dado que o peso do passado é muito grande.

Olhando o futuro os argumentos esgrimidos são importantes, as opiniões e posições divergentes também, e a viagem que agora se inicia no desporto é a de dar uma esperança, com uma liderança que não seja meramente de um partido ou grupo e o assumir a competência de trabalho de toda a gente é indispensável.

Ferro Rodrigues refere o seguinte: "O ‘como’ depende sobretudo do secretário-geral."

Parafraseando Ferro Rodrigues podemos dizer: O ‘como’ depende sobretudo do presidente do COP.

Eleger o bom presidente do COP está na mão das federações.

Bom domingo!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Há duas ou três questões a realçar sobre o modelo apresentado

I
É interessante observar que o governo PS terá tido uma preocupação inicial de conceptualização da política desportiva para a sua primeira legislatura em 2005.

A visualização gráfica da síntese surge como um elemento adicional de interesse para a sua divulgação e debate.

A sugestão de retirar parte do financiamento público e da existência de uma agência são os elementos centrais do documento.

A acompanhar estão um conjunto de elementos que passariama transformar a actuação do Estado.

O elemento crítico desta proposta de política desportiva é a necessidade de aprofundamento de vectores e de insuficiências conceptuais eventualmente por ser realizado por uma equipa não especializada nas matérias que propõe.

II
Noutro nível de análise conclui-se que o documento não foi operacionalizado e que conviria saber o que realmente se passou.

Seria útil saber se chegou ao CND Conselho Nacional do Desporto e qual a sua reacção.

Acrescente-se igualmente o seu foco apenas sobre o Estado, sem evidenciar uma capacidade de intervenção sobre o associativismo desportivo.

III
Este modelo não terá sido aberto à sociedade desportiva e é apresentado mais de meia década depois da sua elaboração o que sugere a dificuldade política de dialogar sobre a Governance do desporto português, particularmente sobre as transformações que se pretenderiam fazer numa área tão importante para o futuro.

Em síntese, foi um esforço meritório que também terá morrido pela profundidade da crise do desporto nacional e dos próprios actores públicos que os mesmo quereriam transformar.

Considero esta área fundamental e a ela voltarei noutro local que darei conhecimento oportunamente.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Modelo de Desenvolvimento Desportivo elaborado por Pedro Manuel Cardoso

Pedro Manuel Cardoso terá sido o autor do Contributo para o Modelo de Desenvolvimento do Desporto Português que se passa a apresentar.

A apresentação deste documento corresponde à razão deste blogue de apresentar e debater o desporto português.

Segundo afirmações indirectas de Pedro Cardoso este documento foi o elemento fulcral de orientação nas legislaturas de 2007 a 2011.

O documento encontra-se no Museu do Desporto e foi imediatamente enviado ao Professor João Boaventura a seu pedido.

A partir deste momento abre-se a possibilidade de debater este documento e outros que entretanto surjam.

Pode questionar-se se haverá outra informação como o espólio do trabalho da Secretaria de Estado do Desporto, do Conselho Nacional do Desporto e também do Instituto do Desporto de Portugal durante o período de 2007 a 2011.

Noutros países esta informação não se perde, guarda-se para memória e análise futura, caso não tenham sido oportunamente disponibilizados e dando transparência à política desportiva.

Aqui fica o convite para a análise e o debate dos fundamentos das políticas do desenvolvimento do  desporto português, não só neste blogue mas igualmente noutros espaços.

Contributo para o Modelo de Desenvolvimento do Desporto Português de Pedro Manuel Cardoso


 Premissas
·         A intervenção do Estado no Desenvolvimento do Desporto nas últimas décadas (por exemplo, no financiamento das federações desportivas e de outras instituições) não tem provocado a desejada competitividade. As federações e as instituições desportivas habituaram-se a uma excessiva subsidiodependência, perdendo habilidades e capacidades para competirem. E produziram uma oferta desportiva desajustada da procura real. As estruturas administrativas e o peso dessas instituições foi crescendo à sombra desse conforto do dinheiro dos contribuintes.
·         A mudança deveria ser gradual, e deveria congregar uma responsabilidade partilhada de todos os atores e instituições que fazem parte do dito “Sistema Desportivo”.

Objetivo
·         Gradual Des-Estatização do Desporto Português com início num primeiro ciclo de 12 anos (3 olímpiadas).
·         Reduzir a comparticipação do Estado até 60% em doze anos.
·         Substituir a centralidade da ação do Estado no sistema desportivo pela da Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD).

Conteúdo da Proposta
·         Esboço/Esquema para visualizar o conjunto da reforma proposta.
·         O Esquema utiliza as seguintes seis variáveis:
o    Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD).
o    Plano Estratégico de Desenvolvimento do Desporto para Portugal (PEDDP).
o    Plano Operacional e de Ação do PEDDP (POA).
o    Responsabilidade do Estado e dos Governos no Desporto (RED).
o    Administração Pública responsável pelo Desporto (APD).
o    Sistema Desportivo (SD).

Algoritmo da Gradual Des-Estatização do Desporto Português


 Agência para o Desenvolvimento do Desporto (ADD)
Composta pelos Acionistas; concebida como a instituição central do sistema desportivo; concebida como um INTERFACE entre o Estado, a Sociedade, e o Associativismo Desportivo. Permitiria explicitar os Objetivos para os „Acionistas‟; Permitiria definir a % do PIB que o Estado afeta ao Desporto; Permitiria congregar mais Parceiros e Parcerias; Permitiria captar melhor os Recursos financeiros e outros; Permitiria adequar melhor a relação oferta/procura.
Plano Estratégico de Desenvolvimento do Desporto para Portugal (PEDDP)
O Plano explicita o “objeto e o conteúdo” onde recaem os esforços de todos os intervenientes no Desenvolvimento do Desporto. Serve, ainda, para tornar consciente e transparente a “Conta do Estado” e o esforço dos contribuintes. O PEDDP permite definir os objetivos prioritários, os programas operacionais e os principais resultados a alcançar. O PEDDP é submetido aos „Acionistas‟ da Agência (ADD).
Plano Operacional e de Ação do PEDDP (POA)
(Não mais do que 12 Programas/ Projetos de Ação)
Responsabilidade do Estado e dos Governos no Desporto (RED)
A orientação “sufragada” pelos eleitores (Programas dos Governos). Tutelas e instituições comparticipadas pelo Estado e Administração Pública (IDJ, Inatel, Militar, Saúde, Inserção Social, Diálogo Intercultural, etc.). Autarquias e Municípios (âmbito local e regional). Desporto sob jurisdição do Sistema Educativo („escolar‟ e superior). Outras instituições financiadas pelo Estado.
Seria útil uma «Comissão Interministerial para o Desporto» como órgão de aconselhamento? Com a tarefa de coordenar e articular globalmente os contributos dos diferentes Ministérios, e a responsabilidade da acção governativa geral? E de definir a “Conta do Desporto” (em % do PIB, e nos Orçamentos de Estado)?
Administração Pública responsável pelo Desporto (APD)
Avaliar e Controlar” / Regular e Fiscalizar.
Sistema Desportivo (SD)
Sistema Desportivo enquanto relação quádrupla entre:
i) Movimento associativo das modalidades, e Federações, incluídas no programa regular dos J.O, (Ex. Jogos Olímpicos. Ênfase no alto-rendimento e nos resultados de nível internacional);
ii) Movimento associativo das modalidades, e ou Federações, não incluídas no programa regular do alto-rendimento e dos J.O. (Ex. Confederação do Desporto de Portugal, Movimento dos Jogos Mundiais. Desporto para Todos, Coletividades de Cultura e Recreio);
iii) Iniciativa Privada que pretende investir no Desporto;
iv) Zona de intersecção e de sobreposição, onde ocorre a dinâmica de mudança no movimento associativo, e as modalidades e realidades desportivas emergentes.