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sábado, 12 de janeiro de 2013

Democracia no desporto: Informação, estudos, líderes, organizações, estruturas

Um anónimo chamado 'homem invisível' citava no blogue Colectividade Desportiva Sir Ken Robinson, um pedagogo e um comunicador nato, fala acerca do papel da escola e como ela está desajustada dos desafios sociais. 

É interessante como as sugestões que vão surgindo por si só podem valer o que valem e tomarem outro valor quando aplicadas.

As escolinhas de futebol são o tipo de formatadores que são alvo das palestras de Ken Robinson e pouco se fala da tendência de Portugal onde se replicam soluções miraculosas a que pedagogos reconhecidos internacionalmente diagnosticam lacunas.

O Relatório do FMI sobre o corte de 4000 milhões de euros de despesa pública ou o Relatório da PWC sobre o olimpismo português são instrumentos que se tornam controversos porque em Portugal não existe a governança de outros países europeus conseguindo evoluir suportando a decisão de política em informação primária e estruturada abundante.

Estive a ver o programa Menos Futebol de A Bola no canal MEO e considero que 'o caminho se faz caminhando' tendo qualquer um dos convidados apresentado ideias a reter:

Fernando Mota
  • Há regras de conduta não escritas que seria bom Marques da Silva ter feito para evitar exercer influência sobre os eleitores
  • O trabalho do grupo de trabalho das federações decorre há mais de um ano e teve impactos no COP e no Governo
  • Há uma descontinuidade entre os Jogos Olímpicos e a actividade há muitos jogos olímçicos
  • Não há reuniões actuais do COP com as federações nem com o governo
  • Há que resolver os problemas actuais o momento actual não é para fazer documentos
  • O desporto está com pouca informação
  • Adriano Moreira fala do Estado Exíguo
  • No sentido da falta de confiança das instituições
  • Houve uma quebra de financiamento público para o desporto desde 1996 em que eram cerca de 120 milhões de euros para os valores actuais 40 ou 50 milhões de euros
  • O Reino Unido para chegar a 3.º nas medalhas em 2012 teve de financiar significativamente o seu desporto desde Atlanta que foi 36º 
  • Necessidade de ter pessoas dentro dos problemas do desporto

Paulo Frischknecht 
  • Necessidade de um COP forte como farol das federações
  • O relatório de Missão ainda não foi entregue às federações
  • Uma actuação de coordenação do IPDJ para melhorar a excelência
  • A atenção do Governo a certos posicionamentos das federações nomeadamente na discussão do projecto de formação
  • A falta de clarificação quanto aos instrumentos de financiamento do Estado PIDDAC, QCA, QREN, Jogos Sociais
  • Uma grande dúvida se o Estádio Nacional é concebido segundo a capacidade internacional e financeira das maiores federações ou se existe um programa estruturado pelo Estado
Artur Lopes
  • Marques da Silva como secretário Geral deveria ter suspendido as suas funções na actual liderança de Vicente Moura, dando a imagem de se servir do cargo para tirar vantagem de eleições democráticas
  • Não há um plano para Rio 2016
  • Alteração constante dos instrumentos de fomento do alto rendimento por parte do Estado
  • Cada novo governo muda tudo
  • Necessidade de uma estrutura para gerir recursos escassos
  • A necessidade de fazer mais para evitar a morte na estrada

Repito que 'o caminho se faz caminhando' e que as intervenções havidas são positivas e apontam problemas, desafios e soluções significativas.

sábado, 29 de dezembro de 2012

A contextualização necessária

O trabalho de modernização do desporto português será maior do que o de Sísifo.

A crítica que se faz ao trabalho da PWC por parte das federações como se observa hoje de novo na Bola pode ser justa mas parece incerta.

Existem problemas no desporto português e há que apresentar estruturadamente as causas e as soluções não de uma forma fechada mas permitindo obter consensos de posições que poderão ser contraditórias.

No outro dia um dirigente de uma federação indicou-me uma hipótese de trabalho que me parece correcta há muito e já a tenho sugerido.

Porém, logo de seguida diz que tinha de ser feita por investigadores internacionais porque em Portugal não existem pessoas capazes.

Ora, a procura de soluções internacionais foi o que Alexandre Mestre fez e contudo isso não coíbe os entrevistados da Bola de o liquidarem.

Por outro lado, também, a Troika faz aquilo que os líderes portugueses não fazem e a sugestão aqui fica, porque não contratar líderes desportivos para as federações porque os que existem não vão lá?

Tenho muitas dúvidas que haja dinheiro em Portugal para contratar quer as empresas multinacionais ou os investigadores estrangeiros para fazer os estudos necessários ao desenvolvimento desportivo nacional e da minha pobre experiência quando estes especialistas chegam a primeira coisa que dizem é: então digam lá as coisas para eu saber o que hei-de dizer a quem me paga o trabalho.

Os anos passam e estas atitudes de impotência impedem a mínima produção e acumulação de soluções através do saber-fazer nacional.

Há um problema de atitude no desporto e nos líderes nacionais que se observa que noutros sectores vão conseguindo ultrapassar as próprias limitações. Os exemplos são as universidades, a cultura, os sapatos, a indústria e alguns mais.

Os líderes desportivos portugueses deviam olhar criticamente para si próprios e serem humildes perante a sociedade e a população portuguesa que lhes mete imenso dinheiro nas mãos e também o seu bem-estar e tantas vezes a vida dos seus filhos.

Os líderes federados são igualmente os primeiros a desculparem-se de mil e uma formas pelos resultados que não produzem e são incapazes de aceitar o trabalho e as propostas dos outros.

A crítica que agora se faz com o estudo da PWC podendo ser legítima, peca pela incapacidade de debater os resultados e colocar alternativas consensuais o que já o desporto português fez e faz com outros estudos e análises nacionais fechado em si mesmo.

O exemplo enfadonho do programa da Bola tem a virtude de demonstrar à opinião pública o que será o debate no seio do Conselho Nacional do Desporto e noutros fóruns de decisão da política desportiva nacional.

A Bola está de parabéns pelo programa por destapar a imagem que se suponha existir mas que os protagonistas calavam publicamente.

Parece óbvio por este exemplo que o debate sobre a política desportiva tem de se fazer com outros instrumentos e não estou a falar de outros protagonistas.

Quem está na corrida do programa da Bola são os corredores actuais assim como quem está no CND é quem lá está e a inovação a introduzir relaciona-se com as regras do jogo.

Ninguém gosta de assistir a uma competição com batota ou a um jogo de corredores sem nervo e que como aquele jogador há anos voltava-se para o colega e piscava o olho da falta que tinha tirado ao árbitro sobre o adversário e era desportivamente inexistente.

Tanto mais quanto este debate descontextualizado dos desafios reais do desporto português no todo europeu afecta sobremaneira a população portuguesa e os carenciados e os mais pobres.


Bom ano para todos.