domingo, 20 de novembro de 2011
By the book
Ver aqui a entrevista do líder da liga de clubes holandesa Frank Rutten.
sábado, 19 de novembro de 2011
O Museu do Desporto não morreu!
Agora estamos no Outono e sabemos que vamos entrar no Inverno
Como foi a mesma massa crítica do Desporto que obrigou o Estado a criar, passados 10 anos, mais precisamente, em 05.09.1942, a Direcção-Geral da Educação Física, Desportos e Saúde Escolar, e um ano depois, em 03.08.1943, a regulamentá-la."
I
Esta frase de João Boaventura num comentário no Colectividade Desportiva lança inúmeras hipóteses sobre a diferença do associativismo na Europa e em Portugal.
Enquanto em Portugal o regime andava a contragosto e divorciado do desporto e da população, na Europa o movimento associativo é reconhecido social e culturalmente e quando o Estado decide apoiar financeiramente o associativismo, este nega o apoio e exige a manutenção da independência, apesar de compreenderem que o que o Estado quereria era incrementar a prática de desporto. Isto acontecia ainda na década de oitenta como contava e escrevia o sociólogo dinamarquês Soren Riiskjaer em reuniões do Conselho da Europa.
Nestas reuniões quando os economistas falavam na possibilidade de a prazo surgirem em maior número organizações com finalidade lucrativa os sociólogos viam essa hipótese mais distante e incompreensível.
Na teoria económica hoje é cientificamente indiscutível que o associativismo desportivo está na base do sucesso desportivo europeu e da acumulação exemplar de massa crítica desportiva, social e cultural que levou à explosão na Europa dos consumidores de desporto dos anos noventa e início de dois mil. Hoje há autores como o britânico Stefan Szymanski que advogam o assumir do modelo americano na Europa como consequência lógica de um desenvolvimento consequente do mercado do desporto.
II
É possível avançar mais algumas ideias sobre a situação desportiva portuguesa:
- o IDP foi à falência e por isso o PSD e o CDS decidiram o seu desaparecimento.
- a falência do IDP está no seu processo de trabalho que leva à produção de medidas de política que são a causa da difícil situação em que se encontram muitas federações, ligas e clubes e outras organizações como o COP, a CDP e organizações profissionais como as mulheres, os professores, os gestores, entre outras.
A máquina nova será vazia de sentido se tiver os mesmos oficiais do passado e novos que percebem de desporto o que as palavras, as entrevistas e as imagens poderão demonstrar.
A criação do novo desporto e cultura para o bem-estar dos portugueses é uma exteriorização de empenhamento e querer direccionado para um tecido cultural, associativo e económico muito mais rico e contraditório do que o liderado pelo PS de Laurentino Dias.
O trabalho do PS na área do desporto respondeu eventualmente às necessidades da sua afirmação legislativa e nisso Laurentino Dias teve sucesso pleno porque liderou com firmeza durante todo o período.
Demonstrar que houve sucesso na destruição do IDP é criar a alternativa sob pena de repetir outras mortes do passado da agência técnica do desporto que não trouxeram sustentabilidade do desenvolvimento de longo prazo.
A crise nacional não pode ser desculpa para a ausência de desporto como fez o PS no Congresso exteriorizando uma mão-cheia de fragilidades que entreteve e paralizou o desporto para a legislatura.
Recorde-se que foi com a ascensão do PS que foram calados e despedidos um conjunto de elementos na comunicação social e no associativismo que eram incómodos.
Isto pode estar em vias de acontecer com as exigências da Troika em diminuir os quadros da administração pública.
Para manter um modelo equivalente ao do PS é necessário que os elementos que demonstraram capacidade crítica sejam afastados.
III
Este périplo pretende mostrar que a construção da democracia desportiva passa pelo conhecimento, pela cultura da população e que os instrumentos do poder são fortes e são eles que decidem o que destruir e construir quando em todos os tempos se ligam a atletas de excepção que o acaso da sorte fez crescerem em Portugal.
De política e de desporto agora estamos no Outono e sabemos que vamos entrar no Inverno.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Revista Intercontinental de Gestão Desportiva
Dois registos a propósito dos anónimos
AnonymousProject Free Speech: Global Protest in November
Football Talks Portugal 2012
Nos últimos anos as conferências sobre o desporto pretendendo ter uma dimensão nacional são menos que poucas, para não dizer inexistentes.
Apenas pude assistir à intervenção de Dan Jones da empresa Deloite e tomei nota de dois aspectos:
- a referência à polarização do futebol protuguês em três clubes que é a mais forte economiacamente na Europa e do que a da Escócia.
- a pergunta alternativa colocada à Liga de Clubes e que se poderia colocar a muitas outras instituições desportivas nacionais: A liderança é da Liga ou é a liderança dos parceiros principais.
A pergunta é pertinente porque a racionalização da decisão do presidente de uma Liga de clubes é distinta da racionalidade de cada um dos Presidentes dos clubes e parceiros seus constituintes.
O futuro dirá se a questão irá cair em saco roto.
A conferência teve sucesso porque pela comunicação social haverá uma mão cheia de questões que deveria ser analisada e considerada para bem do futebol profissional nacional.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Novos autores do blogue
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
3. Análise crítica e semântica do Decreto-Lei n.º 98/2011, de 21 de Setembro.
A abordagem tem implicações com matéria que está contida no normativo indicado no título, e se prolonga nos artigo do Secretário de Estado do Desporto e Juventude, “Pelo futuro da juventude portuguesa” (in Público, 09.11.2011), e mais recentemente, “Jovens: citius, altius, fortius” (in Expresso, 12.11.2011), pautados pela banalidade, sem a força da comunicação que é a marca da liderança.
O primeiro artigo apoia-se na metodologia da Comissão Europeia, autora de muitos Livros Brancos, e que serve de pretexto para lhe seguir as pisadas e elaborar igualmente um “Livro Branco para a Juventude” que, no quadro social actual de incerteza, deterioração política, económica e comunitária, é o que a Juventude menos necessita.
O segundo artigo reincide na força do “Livro Branco da Juventude”, e porque carece de argumentação que dê consistência à sua formulação, socorreu-se do glossário olímpico que é a marca do desporto, o velho lema “citius, altius, fortius”, criado pelo Padre Henri Martin, que sugeriu a sua incrustação numa lápide, por cima da porta de entrada do Albert Le Grand School, adoptado por Coubertin para o COI, e tornado extensivo aos profissionais olímpicos por Samaranch.
Para lhe dar a força que não tem inculca o ideário no GOP: “Governo espoletou um Livro Branco da Juventude, num processo envolvendo o contributo de todos os agentes e destinatários das políticas de juventude em Portugal.”
No Decreto-lei n.º 98/2011, de 21 de Setembro, para justificar a coligação da juventude com o desporto, o preâmbulo cola-se aos instrumentos jurídicos da União Europeia, e às Cartas do Conselho da Europa, e da UNESCO, e finalmente do Comité Internacional Olímpico que, para o efeito, não têm nem apresentam qualquer relevância justificativa para enfatizar a união ou ligação de ambos signos, porque o relevo dado a tão parca questão apaga o essencial das realizações que se desejam para o Desporto e para a Juventude, separados, juntos, acoplados ou geminados, que importa isso ?
Mas vamos à génese dos Livros Brancos e Verdes em que a Comissão Europeia é pródiga, e averiguemos das suas utilidades.
No portal da União Europeia, enquanto a Europa se vai afundando com os problemas que levantou debaixo dos pés, e não os consegue resolver, poderemos assistir, paradoxalmente, à publicação de inúmeras bíblias, desde 1985 até hoje, designadas por Livros Brancos, que se debruçam sobre todos os problemas que atormentam a humanidade e se destinam a ocupar o tempo de ócio dos eurodeputados, para os redigir, divulgar e arquivar, para memória futura.
Não se pretende especificar os temas abordados, porque estão aí para quem os quiser consultar, mas reavivar a memória para os produzidos em 2007:
Desta trilogia destaca-se que na saúde e na nutrição se inscreveu o ontológico cuidado “estratégico”, mas no Desporto foi omitido porque já toda a gente reconhece, ou que o estratégico faz parte do corpus desportivo, ou porque chegaram à conclusão de que afinal o Desporto vem fazendo o seu caminho, mesmo com Livros em Branco, ou sem Livros Brancos. E não será difícil entender agora como nos curricula dos programas das Faculdades do Desporto, começou a entrar a disciplina “Saúde”, sob o pretexto de combater a “Obesidade”, tema que mereceu de John Evans, da Universidade Loughborough (UK), no artigo «Physical Education and health: a polemic or ‘let them eat cake’», o seguinte resumo:
“Este artigo analisa criticamente a "pesquisa obesidade", oferece uma maneira de lê-lo e sugere que muitas das suas afirmações, no melhor dos casos, são as mais exageradas, e na pior das hipóteses infundadas e, ironicamente, se traduzidas acriticamente, possa lesar, nas escolas, os interesses educativos, e de saúde, das crianças e dos jovens.”(in European Physical Education Review, vol. 9 (1):87-81 – Sage Publications, London. 2003)
Em 2001 a EU lembrou-se do tema juventude e deu à luz o Livro Branco, titulado Um novo impulso à juventude europeia. Noutro sítio é considerado como o Livro Branco da Juventude.
Para dar um pouco de luz à génese dos Livros Brancos o próprio Glossário da CE esclarece que:
“Os Livros Brancos publicados pela Comissão são documentos que contêm propostas de acção comunitária em domínios específicos. Surgem, por vezes, na sequência de Livros Verdes, cuja finalidade consiste em lançar um processo de consulta a nível europeu. Quando o Conselho dispensa acolhimento favorável a um Livro Branco, este pode dar origem a um programa de acção da União Europeia no domínio em causa.”
Repare-se como se decide na Comissão Europeia ao referir, na última linha, que “um Livro Branco… pode dar origem a um programa de acção da União Europeia”, donde se subentende que também pode dar origem a nada, mesmo depois de”acolhimento favorável”. São os destinos dos Livros Brancos.
E, relativamente aos Livros Verdes redigidos desde 1984, informa o mesmo Glossário:
“Um Livro Verde é um documento consultivo publicado pela Comissão, consagrado a um determinado tema e que se destina a recolher as opiniões dos meios interessados sobre um determinado número de questões. O Livro Verde visa permitir à Comissão determinar melhor as orientações futuras da sua política sobre o tema em questão.”
Em Julho de 2009, aparece um Livro Verde - entre os publicados desde 1984 - que opta pela Promoção da Mobilidade dos Jovens para fins de Mobilidade, e esgota-se a Juventude.
Esta obsessão pelos Livros Brancos, ou coloridos, é manifesto na lei orgânica da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude, e serve de talismã para calar a sociedade civil que constantemente aponta o dedo aos Governos de nada fazerem, e estes vêem-se na obrigação de abrir um Livro Branco. E depois de publicado, a sociedade civil cala-se, fica na expectativa, para ver no terreno a sua realização, mas o tempo de espera esgota-se e a sociedade civil acaba por se esquecer, e o documenta arquiva-se para que o futuro indague se aquilo teve pernas para andar ou se ficou pela impressão e divulgação.
Desperdiçamos o nosso trabalho e o nosso tempo, apesar de considerarmos que a vida é curta e que o tempo é dinheiro. Com a agravante de ter que se falar do desperdício, em obediência ao dito de Camus: "As pessoas que não gostam de futebol obrigam-me a falar dele".
terça-feira, 15 de novembro de 2011
O desporto em vias de implodir
Nem às GOP me confesso
Existe uma mão-cheia de nada.
Existe uma mão vazia de desporto.
Compare-se com outros sectores no texto das GOP2012 o desporto já aparece depois da juventude e a dimensão do texto é menos de metade e tem o valor da água do oceano e nem português sabe.
Todas as peripécias do périplo recente por este mundo e por esse mundo, calçados com botas de ouro, às cavalitas dos jovens com molho de ética qb e filosofias de cordel expressas publicamente são o ovo da serpente que o museu anunciado do desporto demonstra tão claramente a obsolescência quando é olimpicamente brutalizado.
Não há nada para oferecer e só se oferece depois de Londres. Já se ganha se por mero acaso da sorte houver duas medalhas e a festa é de arromba se forem três as medalhas.
Com uma medalha a culpa é laurentina, depois já é possível ao Estado investir no museu da Ajuda e viverão todos felizes para sempre.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
As GOP do desporto
Bater forte com o nariz na porta
Quando a outra senhora tomou e geriu o poder não debateu o desporto e prometeu o Congresso.
Durante quase dois anos esperou-se o Congresso.
Queimou-se dois anos de tempo legislativo.
Tudo calado.
Houve pessoas que diziam: Que maravilha de estratégia de política desportiva!
O Congresso passou e tudo se aquietou por muitos anos.
Ouvir as pessoas, os agentes privados as suas preocupações para maximizarem os seus interesses, é uma parte da política em todos os sectores.
Ouvir as pessoas não é trabalhar os seus sectores nos factores determinantes do seu sucesso e dos seus desafios. Pode até acontecer que para fazer a boa política desportiva se tenha de convencer os agentes privados que não têm razão e deviam mudar de vida.
O acesso à informação privilegiada é um processo político que tem custos e está acessível áqueles que possuem capacidade de colocar e 'comprar e vender' informação nomeadamente aquela que mais interessa ao seu promotor ou ao seu parceiro.
A outra senhora blindou o CND onde calou os líderes desportivos nomeados enquanto o desporto soçobrava.
Tinha um conjunto de agentes pagos com dinheiros públicos que eram as claques que agiam como as do Bobby e o Tareco.
Essas claques Bobby e Tareco acusavam quem queria discutir o Desporto de não ser ético e investiam na violência verbal, na denúncia como se fazia antes de 74, e criavam o barulho e a trepidação com notável aumento de decibéis nos momentos eleitorais e de aflição política.
É também claro que o mau direito e certo envolvimento jurisdicional tem sido a base da destruição da Política Desportiva portuguesa retirando aos agentes privados a possibilidade de melhor conhecerem a sua situação.
Há uma confusão muito grande nos parceiros privados onde se fala muito das gafes olímpicas e confederadas mas que outras organizações como as corporações profissionais têm dificuldade em acompanhar a resposta qualificada aos desafios do desporto português.
O desporto irá compreender mais tarde ou mais cedo que há uma mão cheia de nada.
O medo que o leva a aquietar-se não lhe permitiu reagir ao Euro2004 desde a sua decisão em 1997 e depois as coisas deterioraram-se contraditória e lentamente e hoje não notam nada.
A iliteracia e os mecanismos de iliteracia como o discurso e o saber fazer jurisdicional são estruturas enraizadas que vão levar os parceiros do desporto que agem privadamente a 'baterem forte com o nariz na porta' e compreenderem o quão errado estiveram.
É provável que algumas federações e ginásios venham a falir.
Poderia ser diferente?
Não creio, conhecendo tudo o que se tem passado.
Por um lado, a história repete-se, por outro, apresenta inovações para o pior.
sábado, 12 de novembro de 2011
Artigo do Secretário de Estado do Desporto e da Juventude
Há um outro artigo do SEDJ publicado há alguns dias no Público, não sei a data nem outras referências, não foi há muitos dias.
Nadar com os tubarões deu-lhe cabo dos nervos
Há coisas que nem o desporto consegue realizar, se não tomado com conta, peso e medida.
Ver aqui no Dinheiro Vivo a descrição do propeção de Horta Ozório.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Reino Unido e Portugal diferentes desporto e economia
O poste no blogue Colectividade Desportiva, aqui, levanta duas questões que procurarei responder:
- Quais são os dados do crescimento da economia do desporto português no longo prazo equivalentes aos britânicos?
- Terá o governo português trabalhado no passado sem os estudos económicos que os britânicos realizam com regularidade?
Respondendo à primeira questão:
- Duas notas cautelares
- A fim de evitar comparar vários conceitos económicos na comparação portuguesa usa-se apenas o Produto Interno Bruto a preços de mercado, PIBpm
- Os valores não foram corrigidos da inflação porque os dados comparados são influenciados da mesma forma
- Dados de 1987
- O PIBpm do desporto português em 1987 foi de 281 milhões de euros, fazendo uma conversão simples de esculos em euros à taxa de 200,482 escudos por euro
- Sendo o PIBpm nacional de 26 mil milhões de euros
- A importância do produto desportivo no nacional foi de 1,08%
- Dados de 2007
- O PIBpm em 2007 é de 1,5 mil milhões de euros
- Sendo o PIBpm nacional de 169 mil milhões de euros
- A importância do produto desportivo no nacional baixou para 0,86%
- Enquanto o desporto cresceu no período de 1987 a 2007 520%, o produto nacional cresceu 650%
Respondendo à segunda questão:
- É pouco provável que os governos nacionais tenham trabalhado sem fundamentos económicos.
- O que se poderá sugerir desde já é que os fundamentos económicos das políticas desportivas portuguesas foram insuficientes para gerarem um produto superior como aconteceu no Reino Unido.
- Apenas os governos podem indicar quais foram ou talvez um dia do Conselho Nacional do Desporto se venha a conhecer quem fez o quê.
London Sport at Heart 2012 - Londres com o Desporto no Coração em 2012
Este video tem algum tempo e a sua frescura cativa pelo entrelaçar de cultura, cinema, 'heritage' e desporto.
Isto é muito difícil de fazer porque exige uma dimensão civilizacional que raros conseguem alcançar.
Em 4,26 minutos, com o atletismo a ligar, está lá tudo: Londres, metro, parlamento, revolução industrial, amor próprio, Brittish Airways, serviços secretos, Jaguar, jardins aprazíveis, rio Tamisa, música pop, hoteis, bailado, cinema, teatro, circo, idosos activos, jovens, talentos, paralímpicos, futebol/Beckam, basquetebol, halterofilismo, marcha, fulgaridade, hipismo, remo,natação, sport for all, ballet, corrida, esgrima, hóquei, ginástica, salto com vara, estafeta, género, mistura de comunidades de todo o mundo, taxis, City, limpeza, segurança.
Os britânicos são muito bons neste tipo de projectos.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
São estas crianças que vão praticar desporto?
Notícia do Semanário Sol, aqui.
“Tanto no bar dos alunos, como na papelaria há efectivamente uma quebra. Ainda não quantifiquei, mas é uma redução substancial”, confirmou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.
Os alunos têm cada vez menos dinheiro para gastar na escola e em muitas situações chegam mal alimentados.
O professor dirige uma escola em Cinfães, onde grande parte da mão de obra masculina estava associada à construção civil, agora estagnada.
Mesmo famílias que conseguem manter o emprego, vêem reduzido o rendimento e a escola é o primeiro lugar onde as evidências não podem ser negadas.
“Reflecte-se se na quantidade de suplementos alimentares que estamos a dar aos alunos identificados pelos directores de turma”, conta o docente.
Ao perceber que há alunos mal alimentados, a escola oferece um lanche ao início da manhã e outro a meio da tarde: um pão com queijo ou fiambre e um sumo ou leite.
“Temos vários sinais para poder tomar este tipo de decisões. Um deles tem a ver com a não utilização do cartão (electrónico) por falta de dinheiro”, relata o dirigente, que conta também com o director de turma para perceber se o aluno toma o pequeno-almoço ou se “anda sistematicamente à volta do bar dos alunos e não compra nada”. A situação é facilmente identificada pelos funcionários e analisada com uma assistente social.
A escola, classificada como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), já presta este apoio há vários anos, mas nos últimos tempos teve necessidade de o reforçar.
“Estamos a falar neste momento de um universo de oito a 10 por cento dos alunos da escola”, indica o director do estabelecimento, com 650 estudantes.
Presentemente são 50 a 60 alunos que recebem o suplemento alimentar, mas estão constantemente a ser identificados “mais alunos” nestas circunstâncias.
Manuel Pereira conta receber verbas para estes apoios, mas quando não as tinha, utilizava todos os lucros do bar dos alunos e dos professores para prestar este auxílio.
Nos contactos que faz regularmente com directores de outras escolas, constata situações semelhantes.
Também o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) nota que os alunos já não levam “notas grandes” para a escola.
“As quebras são em tudo, como não hão-de chegar aí também”, questiona Adalmiro Botelho da Fonseca.
“Aquela época em que os alunos levavam muito dinheiro para a escola, que era uma coisa que me incomodava imenso! - de famílias às vezes com dificuldades -, o aluno que queria umas sapatilhas de marca e tinha não sei quantas, isso está a passar”, atesta.
Agora, diz, “é que toda a gente começa a aperceber-se que estamos em crise”.
Lusa / SOL
Football Talks Portugal 2011
Ver toda a informação aqui.
sábado, 5 de novembro de 2011
Equidade para a cultura e o desporto
O desporto vive da imagem das estrelas do futebol, numa dúplice imagética clubista suportada por media aguerridos.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Poderia uma prática desportiva activa ter ajudado Horta Ozório
Quando vemos a intensidade com que noutros países e em particular no Reino Unido o desporto é assumido e consumido e a por vezes sobranceria com que o desporto é tratado em Portugal, as dúvidas surgem sobre se na verdade a falta de cultura desportiva e de vida activa através do desporto faz mossa ou não aos grandes líderes nacionais sejam públicos sejam privados.
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Fracassos estrondosos: as infra-estruturas
Nunca foi possível levar os autarcas e outros agentes a racionalizar o investimento em desporto.
A Madeira está a fazer um complexo para o Marítimo depois de fazer outro tanto para o Nacional.
Este é o exemplo da desnecessária política desportiva nacional, deixando agentes locais a realizarem investimentos perdulários dos escassos dinheiros para o desporto.
O cúmulo desta política foi o Euro2004 que se seguiu os centros de alto rendimento afastados de tudo eào desejo do freguês e dada a inexistência de políticas estruturantes.
O impacto do IVA no desporto de alto rendimento e profissional
O aumento do IVA dos espectáculos desportivos é uma medida que vai atingir a produção de desporto.
Os clubes e federações não possuem a capacidade de os fazer repercutir no preço pago pelos espectadores porque se aumentarem o preço e sendo a procura-preço elástica isso afastará os adeptos e espectadores.
Apenas nos grandes clubes haverá uma parte dos adeptos com uma menor elasticidade procura-preço que manterá o consumo.
Outra solução para os clubes é o de destruir a qualidade do produto adquirindo factores de produção mais baratos, a fim de ajustarem o aumento do IVA e a diminuição do rendimento disponível dos consumidores dos seus produtos desportivos.
O desporto amador possuindo custos de produção mais baixos poderá manter algum consumo caso a elasticidade procura-preço seja mantida baixa por políticas de voluntariado e de doação benévola.
No computo geral dada a fragilidade estrutural do mercado do desporto nacional o impacto do IVA será negativo para o desproto nacional.
Fazer melhor política desportiva
O debate que se faz sobre o IPDJ tem uma base que convém recordar.
A fusão está a dar-se porque havia um mal-estar sobre as funções dos organismos não servindo objectivos sociais.
Este procedimento é recorrente havendo individuos que já estiveram em vários processos de criação e de renomeação. Estes processos têm sido frágeis porque repetem erros e mudam as pessoas que os concebem à sua imagem sem se conseguirem elevar acima visando o bem-comum.
Os resultados são claros pela continua degradação da imagem da administração central e pela dificuldade em projectar o produto desportivo nacional na Europa.
A orgânica do IPDJ é isso que demonstra, para quem a tenha lido com atenção.
Existem inúmeras funções comuns ao desporto e à juventude, existem 5 funções atribuídas ao desporto e existem 10 funções atribuídas à juventude.
A bondade do legislador, que segundo foi assegurado eram da mais fina estirpe, levou-o a copiar funções do velho IDP e do IPJ.
Qual foi o resultado?
A mesma instituição o IPDJ diz em termos gerais que vai conceber e acompanhar a política de juventude e, essa instituição o IPDJ, não o faz para o desporto.
Isto é uma confusão e um fracasso claro da política desportiva.
Outras críticas têm sido propostas como a de José Manuel Constantino no Colectividade Desportiva, ver aqui.
O que é fundamental é que Portugal precisa de actuar diferentemente do que se fez no passado e no passado recente.
Mudar as chefias e mudar as pessoas que fazem os trabalhos pelos amigos ou pelas pessoas que melhor calam e trabalham as coisas do costume político, dá o resultada de uma orgânica que é um mau documento.
Hostilizar o debate qualificado fragiliza as propostas de política.
Seguiu-se a proposta do Orçamento 2012, não pelo facto de cortar 18,8% tanto quanto se vinha fazendo no passado, mas pela continuação de procedimentos de política.
Há por parte de todos os parceiros do desportoo interesse que o PSD tenha sucesso nas suas políticas, dado que esse resultado irá beneficiar todos os que estão no desporto.
Quando são as próprias pessoas nomeadas pelos partidos que se fecham e conversam parcelarmente e são incapazes de diálogo social aberto e competente como aconteceu no passado em sucessivas legislaturas o resultado é o que acontece em que estamos mal na Europa do desporto.
Há incompetência, desperdício de recursos, destruição de capital humano e capital social, incapacidade óbvia de passar uma mensagem social alavancadoras dos escassos recursos e vontades nacionais.
A saída é a bravata política na comunicação social a procura da destruição do 'inimigo' político como ele fez anteriormente atirando-lhe com as mesmas pedras.
Há uma questão simples que é a grandeza das lideranças.
As grandes lideranças trabalham com as oposições institucionais e os indivíduos reconhecendo a qualificação e a especialização por difíceis que sejam os processos de diálogo e a construção dos consensos de política desportiva.
A mentira e a aldrabice não podem ser moeda de liderança e tem de haver um debate democrático e aberto para que as melhores soluções sejam as encontradas para o desporto português.
Ver os partidos nacionais envolvidos em querelas sobre instrumentos de poder face a um tecido social destruído como se o que importasse fossem os seus interesses particulares e não a população e a sociedade é uma realidade de pessoas sem dimensão nacional por muito que procurem na pose da fotografia e do photoshop a projecção que o fluir do seu discurso e estar desmentem.