domingo, 20 de novembro de 2011

By the book

As intervenções do Futebol Talks foram feitas por parceiros e líderes que se regem pelo que dizem os livros.

Ver aqui a entrevista do líder da liga de clubes holandesa Frank Rutten.

sábado, 19 de novembro de 2011

O Museu do Desporto não morreu!


I
Sensacionalismo desportivo?
O COP através do seu Secretário-Geral Marques da Silva terá dito que o Museu do Desporto tinha morrido segundo notícias recentemente publicadas nos jornais.

Era bom que o COP ou Marques da Silva garantissem a veracidade da afirmação.

Ou se foi um lapso dos jornalistas em busca de sensacionalismo.

'Mão amiga' garantiu-me que o Museu do Desporto, dadas as circunstâncias peculiares que tem vivido ao longo das décadas, até está em melhor situação graças ao envolvimento do Secretário de Estado do Desporto e da Juventude Alexandre Mestre.


II
O museu do COP é uma história mal contada.

O desporto português é pequeno, os seus praticantes e os seus consumidores são pouco mais de metade dos consumidores doutros países europeus.

O COP é uma estrutura de topo que não conseguindo promover o alto rendimento produzido pelas federações e pelos clubes se fecha no betão da sua sede e agora da sede do Museu electrónico com as imagens vindas do Museu de Lausane. Sem custos para o Estado garantem e que a Câmara Municipal de Lisboa aprova.

Terá havido estudos de viabilidade económica independentes para um investimento deste tipo, por uma instituição que diz não ter dinheiro para levar os praticantes desportivos a Londres? Qual é a missão COP são as sedes ou os atletas e a produção de medalhas olímpicas? Que números económicos justificam o investimento da PT? Qual a racionalidade deste investimento pela PT? Poderá Zeinal Bava explicar aos seus investidores e aos seus consumidores, nós, devagarinho e pausadamente como faz o Sr. Ministro?

O Museu do COP poderá ser uma perda de dinheiro porque não se alicerça na cultura portuguesa em toda a sua dimensão, deixa de fora o espólio do desporto português, e porque não se compreende que seja um grande incentivo a que os portugueses que possuem uma literacia desportiva baixa se dirijam ao Museu COP para ver a cultura desportiva e olímpica dos outros. Por outro lado, é menos credível ainda que os turistas estrangeiros venham a fazer bicha e gastar euros aquilo que podem ver em casa.


III
O Museu do Desporto é necessário ao desporto português.

O Museu do Desporto beneficiaria da colocação de produtos do Mueseu Olímpico de Lausane e de outros museus do desporto do mundo.

As pessoas que trabalham com o Museu são as mais conhecedoras em Portugal.

Há que lhes garantir condições e estabelecer com clareza objectivos e condições de trabalho.

O pouco que se poderá fazer face às restrições nacionais deve ser garantido para que o pouco que se solidificar bem neste momento de crise despontará mais forte no futuro.


IV
O COP está a necessitar de eleições democráticas e competitivas

O Estado, o associativismo e os patrocinadores devem trabalhar em conjunto para alcançar novas perspectivas e outras condições para Rio de Janeiro 2016.

O COP está a atravessar uma dificuldade grande por não ter conseguido fazer eleições abertas a outros candidatos fora da lista única, em 2008 depois dos Jogos Olímpicos de Pequim.

Perdida essa oportunidade de transformação, incutindo sangue novo e protagonistas com uma vivência desportiva e olímpica inquestionável, o problema agrava-se agora juntando-se outras fragilidades que tornam a bola de neve ainda maior.

Foi pena Laurentino Dias não ter assumido com maior consequência a necessidade de transformação da governance associativa do desporto. Os fracassos históricos tornam-se mais claros com o passar do tempo.

Este é o problema do desporto português de não conseguir fazer bem o que tem de fazer bem em cada momento.

Agora estamos no Outono e sabemos que vamos entrar no Inverno

"E foi o Desporto, com o seu trabalho voluntário, gratuito e apaixonado, e com as suas gentes, dirigentes, atletas, e ainda com o apoio extraordinário da imprensa, que pressionaram Salazar a ir ao Terreiro do Paço, no dia 3 de Dezembro de 1933, declarar a toda a massa crítica do desporto que iria atender a todas as necessidades expostas no 1.º Congresso dos Clubes Desportivos, publicadas em "Os Sports", em 15.12.1933.

Como foi a mesma massa crítica do Desporto que obrigou o Estado a criar, passados 10 anos, mais precisamente, em 05.09.1942, a Direcção-Geral da Educação Física, Desportos e Saúde Escolar, e um ano depois, em 03.08.1943, a regulamentá-la."

I
Esta frase de João Boaventura num comentário no Colectividade Desportiva lança inúmeras hipóteses sobre a diferença do associativismo na Europa e em Portugal.

Enquanto em Portugal o regime andava a contragosto e divorciado do desporto e da população, na Europa o movimento associativo é reconhecido social e culturalmente e quando o Estado decide apoiar financeiramente o associativismo, este nega o apoio e exige a manutenção da independência, apesar de compreenderem que o que o Estado quereria era incrementar a prática de desporto. Isto acontecia ainda na década de oitenta como contava e escrevia o sociólogo dinamarquês Soren Riiskjaer em reuniões do Conselho da Europa.

Nestas reuniões quando os economistas falavam na possibilidade de a prazo surgirem em maior número organizações com finalidade lucrativa os sociólogos viam essa hipótese mais distante e incompreensível.

Na teoria económica hoje é cientificamente indiscutível que o associativismo desportivo está na base do sucesso desportivo europeu e da acumulação exemplar de massa crítica desportiva, social e cultural que levou à explosão na Europa dos consumidores de desporto dos anos noventa e início de dois mil. Hoje há autores como o britânico Stefan Szymanski que advogam o assumir do modelo americano na Europa como consequência lógica de um desenvolvimento consequente do mercado do desporto.

II
É possível avançar mais algumas ideias sobre a situação desportiva portuguesa:
  • o IDP foi à falência e por isso o PSD e o CDS decidiram o seu desaparecimento.
  • a falência do IDP está no seu processo de trabalho que leva à produção de medidas de política que são a causa da difícil situação em que se encontram muitas federações, ligas e clubes e outras organizações como o COP, a CDP e organizações profissionais como as mulheres, os professores, os gestores, entre outras.
Mais importante do que demonstrar os erros do passado é a demonstração de uma real capacidade de liderar o futuro.

A máquina nova será vazia de sentido se tiver os mesmos oficiais do passado e novos que percebem de desporto o que as palavras, as entrevistas e as imagens poderão demonstrar.

A criação do novo desporto e cultura para o bem-estar dos portugueses é uma exteriorização de empenhamento e querer direccionado para um tecido cultural, associativo e económico muito mais rico e contraditório do que o liderado pelo PS de Laurentino Dias.

O trabalho do PS na área do desporto respondeu eventualmente às necessidades da sua afirmação legislativa e nisso Laurentino Dias teve sucesso pleno porque liderou com firmeza durante todo o período.

Demonstrar que houve sucesso na destruição do IDP é criar a alternativa sob pena de repetir outras mortes do passado da agência técnica do desporto que não trouxeram sustentabilidade do desenvolvimento de longo prazo.

A crise nacional não pode ser desculpa para a ausência de desporto como fez o PS no Congresso exteriorizando uma mão-cheia de fragilidades que entreteve e paralizou o desporto para a legislatura.

Recorde-se que foi com a ascensão do PS que foram calados e despedidos um conjunto de elementos na comunicação social e no associativismo que eram incómodos.

Isto pode estar em vias de acontecer com as exigências da Troika em diminuir os quadros da administração pública.

Para manter um modelo equivalente ao do PS é necessário que os elementos que demonstraram capacidade crítica sejam afastados.

III
Este périplo pretende mostrar que a construção da democracia desportiva passa pelo conhecimento, pela cultura da população e que os instrumentos do poder são fortes e são eles que decidem o que destruir e construir quando em todos os tempos se ligam a atletas de excepção que o acaso da sorte fez crescerem em Portugal.

De política e de desporto agora estamos no Outono e sabemos que vamos entrar no Inverno.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Revista Intercontinental de Gestão Desportiva

A RIGD tem a direcção de Flávia da Cunha Bastos e José Pedro Sarmento.

Os temas das duas primeiras revistas estão disponíveis em PDF.

A revista é pertença da Aliança Intercontinental de Gestão Desportiva AIGD.

Às duas iniciativas só resta desejar um sucesso intercontinental!

Dois registos a propósito dos anónimos

1. TEXTO A PROPÓSITO DOS ANÓNIMOS




2. VÍDEO DOS ANÓNIMOS

AnonymousProject Free Speech: Global Protest in November





Football Talks Portugal 2012

A Liga de Clubes organizou a conferência sobre o futebol profissional o que constitui um feito inédito no desporto português.

Nos últimos anos as conferências sobre o desporto pretendendo ter uma dimensão nacional são menos que poucas, para não dizer inexistentes.

Apenas pude assistir à intervenção de Dan Jones da empresa Deloite e tomei nota de dois aspectos:
  • a referência à polarização do futebol protuguês em três clubes que é a mais forte economiacamente na Europa e do que a da Escócia.
  • a pergunta alternativa colocada à Liga de Clubes e que se poderia colocar a muitas outras instituições desportivas nacionais: A liderança é da Liga ou é a liderança dos parceiros principais. 
O reparo de Dan Jones justificar-se-á dado que no passado as políticas aplicadas ao desporto profissional terão tido em demasiada conta os desejos dos seus parceiros desportivos e comerciais.

A pergunta é pertinente porque a racionalização da decisão do presidente de uma Liga de clubes é distinta da racionalidade de cada um dos Presidentes dos clubes e parceiros seus constituintes.

O futuro dirá se a questão irá cair em saco roto.

A conferência teve sucesso porque pela comunicação social haverá uma mão cheia de questões que deveria ser analisada e considerada para bem do futebol profissional nacional.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

3. Análise crítica e semântica do Decreto-Lei n.º 98/2011, de 21 de Setembro.

A abordagem tem implicações com matéria que está contida no normativo indicado no título, e se prolonga nos artigo do Secretário de Estado do Desporto e Juventude, “Pelo futuro da juventude portuguesa” (in Público, 09.11.2011), e mais recentemente, “Jovens: citius, altius, fortius” (in Expresso, 12.11.2011), pautados pela banalidade, sem a força da comunicação que é a marca da liderança.


O primeiro artigo apoia-se na metodologia da Comissão Europeia, autora de muitos Livros Brancos, e que serve de pretexto para lhe seguir as pisadas e elaborar igualmente um “Livro Branco para a Juventude” que, no quadro social actual de incerteza, deterioração política, económica e comunitária, é o que a Juventude menos necessita.


O segundo artigo reincide na força do “Livro Branco da Juventude”, e porque carece de argumentação que dê consistência à sua formulação, socorreu-se do glossário olímpico que é a marca do desporto, o velho lema “citius, altius, fortius”, criado pelo Padre Henri Martin, que sugeriu a sua incrustação numa lápide, por cima da porta de entrada do Albert Le Grand School, adoptado por Coubertin para o COI, e tornado extensivo aos profissionais olímpicos por Samaranch.


Para lhe dar a força que não tem inculca o ideário no GOP: “Governo espoletou um Livro Branco da Juventude, num processo envolvendo o contributo de todos os agentes e destinatários das políticas de juventude em Portugal.”


No Decreto-lei n.º 98/2011, de 21 de Setembro, para justificar a coligação da juventude com o desporto, o preâmbulo cola-se aos instrumentos jurídicos da União Europeia, e às Cartas do Conselho da Europa, e da UNESCO, e finalmente do Comité Internacional Olímpico que, para o efeito, não têm nem apresentam qualquer relevância justificativa para enfatizar a união ou ligação de ambos signos, porque o relevo dado a tão parca questão apaga o essencial das realizações que se desejam para o Desporto e para a Juventude, separados, juntos, acoplados ou geminados, que importa isso ?


Mas vamos à génese dos Livros Brancos e Verdes em que a Comissão Europeia é pródiga, e averiguemos das suas utilidades.


No portal da União Europeia, enquanto a Europa se vai afundando com os problemas que levantou debaixo dos pés, e não os consegue resolver, poderemos assistir, paradoxalmente, à publicação de inúmeras bíblias, desde 1985 até hoje, designadas por Livros Brancos, que se debruçam sobre todos os problemas que atormentam a humanidade e se destinam a ocupar o tempo de ócio dos eurodeputados, para os redigir, divulgar e arquivar, para memória futura.


Não se pretende especificar os temas abordados, porque estão aí para quem os quiser consultar, mas reavivar a memória para os produzidos em 2007:

Desta trilogia destaca-se que na saúde e na nutrição se inscreveu o ontológico cuidado “estratégico”, mas no Desporto foi omitido porque já toda a gente reconhece, ou que o estratégico faz parte do corpus desportivo, ou porque chegaram à conclusão de que afinal o Desporto vem fazendo o seu caminho, mesmo com Livros em Branco, ou sem Livros Brancos. E não será difícil entender agora como nos curricula dos programas das Faculdades do Desporto, começou a entrar a disciplina “Saúde”, sob o pretexto de combater a “Obesidade”, tema que mereceu de John Evans, da Universidade Loughborough (UK), no artigo «Physical Education and health: a polemic or ‘let them eat cake’», o seguinte resumo:


“Este artigo analisa criticamente a "pesquisa obesidade", oferece uma maneira de lê-lo e sugere que muitas das suas afirmações, no melhor dos casos, são as mais exageradas, e na pior das hipóteses infundadas e, ironicamente, se traduzidas acriticamente, possa lesar, nas escolas, os interesses educativos, e de saúde, das crianças e dos jovens.”(in European Physical Education Review, vol. 9 (1):87-81 – Sage Publications, London. 2003)


Em 2001 a EU lembrou-se do tema juventude e deu à luz o Livro Branco, titulado Um novo impulso à juventude europeia. Noutro sítio é considerado como o Livro Branco da Juventude.

Para dar um pouco de luz à génese dos Livros Brancos o próprio Glossário da CE esclarece que:


“Os Livros Brancos publicados pela Comissão são documentos que contêm propostas de acção comunitária em domínios específicos. Surgem, por vezes, na sequência de Livros Verdes, cuja finalidade consiste em lançar um processo de consulta a nível europeu. Quando o Conselho dispensa acolhimento favorável a um Livro Branco, este pode dar origem a um programa de acção da União Europeia no domínio em causa.”


Repare-se como se decide na Comissão Europeia ao referir, na última linha, que “um Livro Branco… pode dar origem a um programa de acção da União Europeia”, donde se subentende que também pode dar origem a nada, mesmo depois de”acolhimento favorável”. São os destinos dos Livros Brancos.


E, relativamente aos Livros Verdes redigidos desde 1984, informa o mesmo Glossário:


“Um Livro Verde é um documento consultivo publicado pela Comissão, consagrado a um determinado tema e que se destina a recolher as opiniões dos meios interessados sobre um determinado número de questões. O Livro Verde visa permitir à Comissão determinar melhor as orientações futuras da sua política sobre o tema em questão.”


Em Julho de 2009, aparece um Livro Verde - entre os publicados desde 1984 - que opta pela Promoção da Mobilidade dos Jovens para fins de Mobilidade, e esgota-se a Juventude.

Esta obsessão pelos Livros Brancos, ou coloridos, é manifesto na lei orgânica da Secretaria de Estado do Desporto e Juventude, e serve de talismã para calar a sociedade civil que constantemente aponta o dedo aos Governos de nada fazerem, e estes vêem-se na obrigação de abrir um Livro Branco. E depois de publicado, a sociedade civil cala-se, fica na expectativa, para ver no terreno a sua realização, mas o tempo de espera esgota-se e a sociedade civil acaba por se esquecer, e o documenta arquiva-se para que o futuro indague se aquilo teve pernas para andar ou se ficou pela impressão e divulgação.


De resto, já temos o exemplo de uma espécie de Livro Branco encomendado pelo ex-Ministro da Juventude, Couto dos Santos, ao sociólogo José Machado Pais, com o títuloJuventude Portuguesa: Situações, Problemas, Aspirações, editado em 1989, pelo Instituto de Ciências Sociais, incluído numa colecção de sete volumes, dos quais se falará mais adiante, e que o actual governo possivelmente desconhecerá.


Desperdiçamos o nosso trabalho e o nosso tempo, apesar de considerarmos que a vida é curta e que o tempo é dinheiro. Com a agravante de ter que se falar do desperdício, em obediência ao dito de Camus: "As pessoas que não gostam de futebol obrigam-me a falar dele".


Programas do desporto de 4 partidos espanhóis

Consultar aqui, graças à indicação de mão amiga.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O desporto em vias de implodir

Retirado das GOP2012

5.11. Cultura
Nos próximos anos é preciso afirmar uma visão clara do que deve ser o futuro da Cultura em Portugal. A cultura é um factor de coesão e de identidade nacional, assumindo-se como uma atitude perante a vida e as realidades nacionais. Ela constitui, hoje, um universo gerador de riqueza, de emprego e de qualidade de vida e, em simultâneo, um instrumento para a afirmação de Portugal na comunidade internacional.
Os principais objectivos estratégicos da Secretaria de Estado da Cultura são:
5.11.1. Património
O Património Cultural constitui dos activos mais preciosos de qualquer país e representa a herança comum a todos os portugueses, a ser partilhada com a geração actual e futura. Assim, mais de que uma obrigação ou imposição legal, trata-se de uma questão cívica e de cidadania garantir o seu cuidado e desenvolvimento, assumindo-se a manutenção responsável e a valorização dos museus e monumentos nacionais, através de uma estratégia integrada com o sector do Turismo, Municípios, Escolas e Sociedade Civil.
5.11.2. Livro, Leitura e uma Política da Língua
Atravessamos uma reforma importante que se traduz na adopção do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Acreditamos que a sua crescente universalização constitui uma oportunidade para colocar a Língua Portuguesa no centro da agenda política, tanto interna como externamente. Igualmente importante é a reavaliação do Plano Nacional de Leitura, peça chave na articulação entre a linguagem falada e a linguagem escrita.
5.11.3. Libertar as Artes da Tutela do Estado
Implementar uma nova política de atribuição de apoios às artes performativas, procurando não só desburocratizar procedimentos, agilizar candidaturas e, sobretudo, avaliar resultados. Pretende-se uma transparência absoluta na atribuição de apoios do Estado às artes, ao teatro e ao cinema. Não podemos continuar a atribuir apoios sem identificar claramente as mais-valias que representam, seja no âmbito de serviço público, seja na receptividade e atractividade das iniciativas e dos espectáculos.
5.11.4. Crescimento das Indústrias Criativas em Ambiente Digital
O trabalho dos criadores nacionais é um factor fundamental para a definição da identidade contemporânea de Portugal. Contribuir para o desenvolvimento das indústrias criativas é fundamental para aumentar a auto-sustentabilidade do sector cultural, assegurar a difusão e defesa dos Direitos de Autor e gerar emprego qualificado, concorrendo ainda para a revitalização urbana. É necessário legislar e actuar, com urgência, na área da pirataria de música, de cinema e de livros, defendendo os criadores, os direitos dos autores, as empresas e a qualidade das plataformas em que circulam os seus trabalhos e produtos.
5.11.5. Uma Educação para a Cultura e para a Arte
A Cultura é património de cada um de nós e devemos ser formados, enquanto público não especialista, para a importância de compreendermos e apreciarmos as várias formas e conteúdos produzidos. Reforçar a ligação à escola, aprofundando e desenvolvendo as bases já existentes, garantindo uma educação artística generalizada através da frequência periódica de museus e monumentos, teatros e outras estruturas de criação, de modo a relacionar-se com os programas escolares. Só há uma forma de criar novos públicos para a cultura e para os mercados da cultura: criando hábitos culturais a partir da idade escolar.
5.11.6. Paisagem e Cultura
A paisagem que nos envolve condicionou a nossa evolução desde os tempos mais remotos, tornando-se também um pilar da identidade cultural de cada região. Promover alterações a essas paisagens tem de ser entendido como uma eventual interferência nessa raiz cultural, logo sujeitas a um parecer prévio desta tutela.
5.11.7. Medidas
Cientes dos objectivos traçados no Documento de Estratégia Orçamental e em consonância com o Memorando de Entendimento sobre as Condicionalidades de Política Económica, promover-se-á a um novo Modelo Organizacional, com vista à redução dos custos para o Estado e o Contribuinte, a modelos mais eficientes de funcionamento e à reavaliação do papel do Estado na vida cultural através de uma reorganização e simplificação das estruturas e das entidades tuteladas, a saber:
- Fusão/extinção de organismos: reduzir-se-á o número de estruturas de 16 para 11, diminuindo-se o número de cargos de dirigentes de 191 para 122, o que se traduz numa redução de despesas com pessoal na ordem dos 2,6 milhões de euros.
- Alteração do modelo de gestão do Sector Empresarial do Estado, com a criação de um Agrupamento Complementar de Empresas (ACE), que permitirá uma gestão mais eficaz, a centralização de processos, a diminuição de despesas mediante uma gestão mais racional dos recursos humanos; a diminuição dos encargos com as contratações e serviços externos, a redução da despesa relacionada com processos internos e redução da despesa ao nível dos Conselhos de Administração. A criação do ACE libertará as Empresas Públicas Empresariais para aquilo que é verdadeiramente serviço público na área da cultura: programação artística, criação, difusão e itinerância.
- Contribuição para a meta transversal de redução de efectivos na Administração Central em cerca de 2%, limitando-se as admissões de pessoal.
- Reorganização e racionalização das instalações da propriedade da Secretaria de Estado da Cultura, permitindo uma maior eficiência e eficácia nos recursos financeiros, humanos e logísticos e redução dos encargos de locação de imóveis, através da rescisão de contratos de arrendamento. Estima-se uma redução que poderá atingir os 0,8 milhões de euros em 2012 e 2 milhões de euros em 2013.
- Centralização das Compras, nomeadamente através das aquisições agregadas na Unidade Ministerial de Compras, o que permitirá aquisições a preços mais competitivos e reduzidos.
- Avaliação do custo/benefício e da viabilidade financeira das fundações que beneficiem de transferências do Estado, bem como dos apoios financeiros concedidos no âmbito das actividades culturais, exigindo-se uma maior disciplina na utilização dos mesmos.
- Revisão do regime de gratuitidade dos museus e património cultural, diminuindo o período da sua aplicação e alteração dos seus horários de funcionamento, promovendo o aumento das receitas.
- Reforço do acompanhamento e monitorização da execução económica e financeira, numa base mensal, através da implementação de um sistema de suporte de informação uniformizado em todos os Serviços e Organismos da Secretaria de Estado da Cultura.




3.8. Desporto e Juventude
O Governo pretende o estabelecimento de uma política de Juventude holística e transversal, assentem em especial: - No apoio a crianças e jovens; - Na educação, formal e não formal; - Na inovação; - No voluntariado; - Nos incentivos ao emprego, designadamente ao empreendedorismo jovem à competitividade; - Na promoção da leitura; - Na mobilidade; - Na inclusão e participação cívicas; - Na saúde e sexualidade; - Na prevenção de alcoolismo, sedentarismo, obesidade, tabagismo, criminalidade e delinquência; - Na fixação dos jovens no interior; e - Na agilização de procedimentos de financiamento do associativismo juvenil e estudantil.
Para o efeito é necessária uma planificação estratégica integrada, conforme às melhores práticas internacionais, numa perspectiva de médio e longo prazo. Para esse efeito o Governo espoletou um Livro Branco da Juventude, num processo envolvendo o contributo de todos os agentes e destinatários das políticas de juventude em Portugal.
O Governo pretende, também, o estabelecimento de uma política de desporto com todos e para todos, recordando, designadamente, que tudo começa na fase infanto-juvenil e que as mulheres e a população sénior não podem ser descuradas. Para o efeito há duas prioridades imediatas neste sector: a criação de um Museu/Casa do Património do Desporto e a implementação de um Plano Nacional para a Ética no desporto.
Pretende-se ainda assegurar a coordenação operacional das políticas do desporto e da juventude, através da fusão do Instituto do Desporto e do Instituto da Juventude num único organismo, com uma melhoria de redes integradas de informação e uma maior e melhor captação de meios financeiros para execução de programas e a promoção de uma actuação mais ágil, funcional e desconcentrada, bem como a obtenção de sinergias com vista à concretização das políticas públicas nestas áreas.

Nem às GOP me confesso

A estupefacção do Colectividade Desportiva ao ler as GOP2012 para o desporto tem um ponto interessante.

Existe uma mão-cheia de nada.

Existe uma mão vazia de desporto.

Compare-se com outros sectores no texto das GOP2012 o desporto já aparece depois da juventude e a dimensão do texto é menos de metade e tem o valor da água do oceano e nem português sabe.

Todas as peripécias do périplo recente por este mundo e por esse mundo, calçados com botas de ouro, às cavalitas dos jovens com molho de ética qb e filosofias de cordel expressas publicamente são o ovo da serpente que o museu anunciado do desporto demonstra tão claramente a obsolescência quando é olimpicamente brutalizado.

Não há nada para oferecer e só se oferece depois de Londres. Já se ganha se por mero acaso da sorte houver duas medalhas e a festa é de arromba se forem três as medalhas.

Com uma medalha a culpa é laurentina, depois já é possível ao Estado investir no museu da Ajuda e viverão todos felizes para sempre.

As ligações das dívidas globais

Um gráfico do New York Times aqui.

domingo, 13 de novembro de 2011

As GOP do desporto

Para ler o texto das GOP para o Desporto consultar o Colectividade Desportiva aqui.

Bater forte com o nariz na porta

O desporto necessita de discutir Desporto.

Quando a outra senhora tomou e geriu o poder não debateu o desporto e prometeu o Congresso.

Durante quase dois anos esperou-se o Congresso.

Queimou-se dois anos de tempo legislativo.

Tudo calado.

Houve pessoas que diziam: Que maravilha de estratégia de política desportiva!

O Congresso passou e tudo se aquietou por muitos anos.

Ouvir as pessoas, os agentes privados as suas preocupações para maximizarem os seus interesses, é uma parte da política em todos os sectores.

Ouvir as pessoas não é trabalhar os seus sectores nos factores determinantes do seu sucesso e dos seus desafios. Pode até acontecer que para fazer a boa política desportiva se tenha de convencer os agentes privados que não têm razão e deviam mudar de vida.

O acesso à informação privilegiada é um processo político que tem custos e está acessível áqueles que possuem capacidade de colocar e 'comprar e vender' informação nomeadamente aquela que mais interessa ao seu promotor ou ao seu parceiro.

A outra senhora blindou o CND onde calou os líderes desportivos nomeados enquanto o desporto soçobrava.

Tinha um conjunto de agentes pagos com dinheiros públicos que eram as claques que agiam como as do Bobby e o Tareco.

Essas claques Bobby e Tareco acusavam quem queria discutir o Desporto de não ser ético e investiam na violência verbal, na denúncia como se fazia antes de 74, e criavam o barulho e a trepidação com notável aumento de decibéis nos momentos eleitorais e de aflição política.

É também claro que o mau direito e certo envolvimento jurisdicional tem sido a base da destruição da Política Desportiva portuguesa retirando aos agentes privados a possibilidade de melhor conhecerem a sua situação.

Há uma confusão muito grande nos parceiros privados onde se fala muito das gafes olímpicas e confederadas mas que outras organizações como as corporações profissionais têm dificuldade em acompanhar a resposta qualificada aos desafios do desporto português.

O desporto irá compreender mais tarde ou mais cedo que há uma mão cheia de nada.

O medo que o leva a aquietar-se não lhe permitiu reagir ao Euro2004 desde a sua decisão em 1997 e depois as coisas deterioraram-se contraditória e lentamente e hoje não notam nada.

A iliteracia e os mecanismos de iliteracia como o discurso e o saber fazer jurisdicional são estruturas enraizadas que vão levar os parceiros do desporto que agem privadamente a 'baterem forte com o nariz na porta' e compreenderem o quão errado estiveram.

É provável que algumas federações e ginásios venham a falir.

Poderia ser diferente?

Não creio, conhecendo tudo o que se tem passado.

Por um lado, a história repete-se, por outro, apresenta inovações para o pior.

sábado, 12 de novembro de 2011

Artigo do Secretário de Estado do Desporto e da Juventude

Foi publicado um artigo no Expresso de hoje 12/11/2011, página 48.

Há um outro artigo do SEDJ publicado há alguns dias no Público, não sei a data nem outras referências, não foi há muitos dias.

Nadar com os tubarões deu-lhe cabo dos nervos

Afinal não foi falta de consideração com o desporto, nem falta dele.

Há coisas que nem o desporto consegue realizar, se não tomado com conta, peso e medida.

Ver aqui no Dinheiro Vivo a descrição do propeção de Horta Ozório.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Reino Unido e Portugal diferentes desporto e economia

Um óptimo poste do economista José Pinto Correia apresenta resultados do estudo britânico que está aqui.

O poste no blogue Colectividade Desportiva, aqui, levanta duas questões que procurarei responder:
  • Quais são os dados do crescimento da economia do desporto português no longo prazo equivalentes aos britânicos?
  • Terá o governo português trabalhado no passado sem os estudos económicos que os britânicos realizam com regularidade?

Respondendo à primeira questão:
  1. Duas notas cautelares
    1. A fim de evitar comparar vários conceitos económicos na comparação portuguesa usa-se apenas o  Produto Interno Bruto a preços de mercado, PIBpm
    2. Os valores não foram corrigidos da inflação porque os dados comparados são influenciados da mesma forma
  2. Dados de 1987
    1. O PIBpm do desporto português em 1987 foi de 281 milhões de euros, fazendo uma conversão simples de esculos em euros à taxa de 200,482 escudos por euro
    2. Sendo o PIBpm nacional de 26 mil milhões de euros
    3. A importância do produto desportivo no nacional foi de 1,08%
  3. Dados de 2007
    1. O PIBpm em 2007 é de 1,5 mil milhões de euros
    2. Sendo o PIBpm nacional de 169 mil milhões de euros
    3. A importância do produto desportivo no nacional baixou para 0,86%
  4. Enquanto o desporto cresceu no período de 1987 a 2007 520%, o produto nacional cresceu 650%
Em conclusão, ao contrário do Reino Unido que teve segundo José Pinto Correia um crescimento do produto desportivo superior ao nacional no caso de Portugal o crescimento do produto desportivo foi inferior ao nacional.


Respondendo à segunda questão:
  • É pouco provável que os governos nacionais tenham trabalhado sem fundamentos económicos.
  • O que se poderá sugerir desde já é que os fundamentos económicos das políticas desportivas portuguesas foram insuficientes para gerarem um produto superior como aconteceu no Reino Unido.
  • Apenas os governos podem indicar quais foram ou talvez um dia do Conselho Nacional do Desporto se venha a conhecer quem fez o quê.

London Sport at Heart 2012 - Londres com o Desporto no Coração em 2012


Este video tem algum tempo e a sua frescura cativa pelo entrelaçar de cultura, cinema, 'heritage' e desporto.

Isto é muito difícil de fazer porque exige uma dimensão civilizacional que raros conseguem alcançar.

Em 4,26 minutos, com o atletismo a ligar, está lá tudo: Londres, metro, parlamento, revolução industrial, amor próprio, Brittish Airways, serviços secretos, Jaguar, jardins aprazíveis, rio Tamisa, música pop, hoteis, bailado, cinema, teatro, circo, idosos activos, jovens, talentos, paralímpicos, futebol/Beckam, basquetebol, halterofilismo, marcha, fulgaridade, hipismo, remo,natação, sport for all, ballet, corrida, esgrima, hóquei, ginástica, salto com vara, estafeta, género, mistura de comunidades de todo o mundo, taxis, City, limpeza, segurança.

Os britânicos são muito bons neste tipo de projectos.


Por isso, os britânicos concebem a conquista das medalhas, discutem-nas e não receiam a avaliação do desempenho.

Pelos princípios da ética que rege os povos e o olimpismo compreendem que não podia ser de outro modo.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

São estas crianças que vão praticar desporto?

Que desporto vão praticar?

Notícia do Semanário Sol, aqui.

Crise: Cada vez mais crianças com fome nas escolas
6 de Novembro, 2011
Chegam sem a refeição da manhã, rondam sistematicamente o bar, mas nada compram. As escolas identificam assim cada vez mais alunos com carências alimentares, aos quais procuram dar resposta, apesar de os seus orçamentos também estarem em crise. De acordo com a Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), as receitas de buffets e papelarias das escolas estão a sofrer uma quebra de 30 por cento.
“Tanto no bar dos alunos, como na papelaria há efectivamente uma quebra. Ainda não quantifiquei, mas é uma redução substancial”, confirmou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), Manuel Pereira.
Os alunos têm cada vez menos dinheiro para gastar na escola e em muitas situações chegam mal alimentados.
O professor dirige uma escola em Cinfães, onde grande parte da mão de obra masculina estava associada à construção civil, agora estagnada.
Mesmo famílias que conseguem manter o emprego, vêem reduzido o rendimento e a escola é o primeiro lugar onde as evidências não podem ser negadas.
“Reflecte-se se na quantidade de suplementos alimentares que estamos a dar aos alunos identificados pelos directores de turma”, conta o docente.
Ao perceber que há alunos mal alimentados, a escola oferece um lanche ao início da manhã e outro a meio da tarde: um pão com queijo ou fiambre e um sumo ou leite.
“Temos vários sinais para poder tomar este tipo de decisões. Um deles tem a ver com a não utilização do cartão (electrónico) por falta de dinheiro”, relata o dirigente, que conta também com o director de turma para perceber se o aluno toma o pequeno-almoço ou se “anda sistematicamente à volta do bar dos alunos e não compra nada”. A situação é facilmente identificada pelos funcionários e analisada com uma assistente social.
A escola, classificada como Território Educativo de Intervenção Prioritária (TEIP), já presta este apoio há vários anos, mas nos últimos tempos teve necessidade de o reforçar.
“Estamos a falar neste momento de um universo de oito a 10 por cento dos alunos da escola”, indica o director do estabelecimento, com 650 estudantes.
Presentemente são 50 a 60 alunos que recebem o suplemento alimentar, mas estão constantemente a ser identificados “mais alunos” nestas circunstâncias.
Manuel Pereira conta receber verbas para estes apoios, mas quando não as tinha, utilizava todos os lucros do bar dos alunos e dos professores para prestar este auxílio.
Nos contactos que faz regularmente com directores de outras escolas, constata situações semelhantes.
Também o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) nota que os alunos já não levam “notas grandes” para a escola.
“As quebras são em tudo, como não hão-de chegar aí também”, questiona Adalmiro Botelho da Fonseca.
“Aquela época em que os alunos levavam muito dinheiro para a escola, que era uma coisa que me incomodava imenso! - de famílias às vezes com dificuldades -, o aluno que queria umas sapatilhas de marca e tinha não sei quantas, isso está a passar”, atesta.
Agora, diz, “é que toda a gente começa a aperceber-se que estamos em crise”.
Lusa / SOL

Os posters dos Jogos Olímpicos de Londres 2012

Cultura e Desporto no Expresso aqui.

O festival cultural dos JO2012 aqui.

Football Talks Portugal 2011

Decorre de 16 a 18 de Novembro em Cascais a iniciativa da Liga de Clubes.

Ver toda a informação aqui.

sábado, 5 de novembro de 2011

Messi aos 5 anos

Ver aqui no Diário Notícias.

Equidade para a cultura e o desporto

Artigo publicado no jornal Público de ontem 4 de Novembro de 2011.


O desporto vive da imagem das estrelas do futebol, numa dúplice imagética clubista suportada por media aguerridos.

A cultura é mediaticamente eficaz, porém, prende-se à criação, pujança cultural e autonomia criativa das suas estrelas e falta-lhes a base, a escola e o clube de bairro dos últimos cidadãos urbanos e rurais. O mesmo terá feito Augusto Mateus na sua avaliação da dimensão e viabilidade económica da cultura portuguesa. Não se concebe que a cultura se destina a 100% da população portuguesa e que as políticas de produção informal, recreativa e amadora são a origem e o bem público das realizações dos maiores criadores.

Os agentes da cultura falham a equidade, um fundamento equivalente ao desporto, que justificaria uma orgânica diferente das soluções definidas no presente governo. Criou-se a secretaria de Estado da cultura junto do Primeiro-Ministro e fundiu-se o desporto e a juventude. Certo calculismo político impediu o país de ir mais longe. No topo cultura e desporto parecem água e azeite na base servem a população por inteiro.

O desafio maior de Portugal é o da equidade através da criação de tecidos sociais de produção viva e competitiva por parte de cidadãos iguais capazes de querer e de dar os primeiros passos na produção cultural, desportiva, científica, e tudo o mais, e que a sociedade e o Estado lhes dêem as condições para degrau a degrau irem criando, consumindo e exigindo regras, comportamentos e resultados cada vez mais absolutos apenas capazes pelos Josés Saramagos, Antónios Damásios, Emanueis Nunes, Marias Joãos Pires, Josés Mourinhos e Cristianos Ronaldos deste país.

Para ficar rico e próspero, também através da cultura e do desporto, cada país do norte da Europa investiu na equidade de toda a sua população. Vejamos um último argumento: Ninguém, que não saiba o que é um fora de jogo, paga para ver um jogo de futebol num estádio ou na televisão. Para os portugueses irem à Ópera e consumirem o mais exigente dos autores culturais é necessário investir nas necessidades culturais da totalidade da população portuguesa. 95% será recreação, alguma será pimba, e 5% será sublime e viável economicamente se relativa a 100% da população que seja consumidora de bens culturais.

Os opinion makers da cultura estão tão presos ao seu sublime e respectivas catedrais como os do desporto ao seu Benfica, Sporting e Porto.

A equidade seria um objectivo de médio e longo prazo que Francisco José Viegas não referiu na entrevista ao Público, 30/10/2011, e encontraria mais do que um complemento no desporto através de políticas transversais à sociedade e economia.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Poderia uma prática desportiva activa ter ajudado Horta Ozório

Ver aqui um dos muitos artigos sobre a necessidade de sopas e descanso do banqueiro português.

Quando vemos a intensidade com que noutros países e em particular no Reino Unido o desporto é assumido e consumido e a por vezes sobranceria com que o desporto é tratado em Portugal, as dúvidas surgem sobre se na verdade a falta de cultura desportiva e de vida activa através do desporto faz mossa ou não aos grandes líderes nacionais sejam públicos sejam privados.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Fracassos estrondosos: as infra-estruturas

O arresto do Marítimo por dívidas a uma construtora, ver jornal Público, pág. 30 é evidência da catastrófica política desportiva nacional.

Nunca foi possível levar os autarcas e outros agentes a racionalizar o investimento em desporto.

A Madeira está a fazer um complexo para o Marítimo depois de fazer outro tanto para o Nacional.

Este é o exemplo da desnecessária política desportiva nacional, deixando agentes locais a realizarem investimentos perdulários dos escassos dinheiros para o desporto.

O cúmulo desta política foi o Euro2004 que se seguiu os centros de alto rendimento afastados de tudo eào desejo do freguês e dada a inexistência de políticas estruturantes.

O impacto do IVA no desporto de alto rendimento e profissional

Ver artigo no Público, aqui.

O aumento do IVA dos espectáculos desportivos é uma medida que vai atingir a produção de desporto.

Os clubes e federações não possuem a capacidade de os fazer repercutir no preço pago pelos espectadores porque se aumentarem o preço e sendo a procura-preço elástica isso afastará os adeptos e espectadores.

Apenas nos grandes clubes haverá uma parte dos adeptos com uma menor elasticidade procura-preço que manterá o consumo.

Outra solução para os clubes é o de destruir a qualidade do produto adquirindo factores de produção mais baratos, a fim de ajustarem o aumento do IVA e a diminuição do rendimento disponível dos consumidores dos seus produtos desportivos.

O desporto amador possuindo custos de produção mais baixos poderá manter algum consumo caso a elasticidade procura-preço seja mantida baixa por políticas de voluntariado e de doação benévola.

No computo geral dada a fragilidade estrutural do mercado do desporto nacional o impacto do IVA será negativo para o desproto nacional.

Fazer melhor política desportiva

As instituições públicas como o IPDJ são instrumentos estruturais para conseguir objectivos superiores de política desportiva e devem ser concebidos para decadas.

O debate que se faz sobre o IPDJ tem uma base que convém recordar.

A fusão está a dar-se porque havia um mal-estar sobre as funções dos organismos não servindo objectivos sociais.

Este procedimento é recorrente havendo individuos que já estiveram em vários processos de criação e de renomeação. Estes processos têm sido frágeis porque repetem erros e mudam as pessoas que os concebem à sua imagem sem se conseguirem elevar acima visando o bem-comum.

Os resultados são claros pela continua degradação da imagem da administração central e pela dificuldade em projectar o produto desportivo nacional na Europa.

A orgânica do IPDJ é isso que demonstra, para quem a tenha lido com atenção.

Existem inúmeras funções comuns ao desporto e à juventude, existem 5 funções atribuídas ao desporto e existem 10 funções atribuídas à juventude.

A bondade do legislador, que segundo foi assegurado eram da mais fina estirpe, levou-o a copiar funções do velho IDP e do IPJ.

Qual foi o resultado?

A mesma instituição o IPDJ diz em termos gerais que vai conceber e acompanhar a política de juventude e, essa instituição o IPDJ, não o faz para o desporto.

Isto é uma confusão e um fracasso claro da política desportiva.

Outras críticas têm sido propostas como a de José Manuel Constantino no Colectividade Desportiva, ver aqui.

O que é fundamental é que Portugal precisa de actuar diferentemente do que se fez no passado e no passado recente.

Mudar as chefias e mudar as pessoas que fazem os trabalhos pelos amigos ou pelas pessoas que melhor calam e trabalham as coisas do costume político, dá o resultada de uma orgânica que é um mau documento.

Hostilizar o debate qualificado fragiliza as propostas de política.

Seguiu-se a proposta do Orçamento 2012, não pelo facto de cortar 18,8% tanto quanto se vinha fazendo no passado, mas pela continuação de procedimentos de política.


Há por parte de todos os parceiros do desportoo interesse que o PSD tenha sucesso nas suas políticas, dado que esse resultado irá beneficiar todos os que estão no desporto.

Quando são as próprias pessoas nomeadas pelos partidos que se fecham e conversam parcelarmente e são incapazes de diálogo social aberto e competente como aconteceu no passado em sucessivas legislaturas o resultado é o que acontece em que estamos mal na Europa do desporto.

Há incompetência, desperdício de recursos, destruição de capital humano e capital social, incapacidade óbvia de passar uma mensagem social alavancadoras dos escassos recursos e vontades nacionais.

A saída é a bravata política na comunicação social a procura da destruição do 'inimigo' político como ele fez anteriormente atirando-lhe com as mesmas pedras.


Há uma questão simples que é a grandeza das lideranças.

As grandes lideranças trabalham com as oposições institucionais e os indivíduos reconhecendo a qualificação e a especialização por difíceis que sejam os processos de diálogo e a construção dos consensos de política desportiva.

A mentira e a aldrabice não podem ser moeda de liderança e tem de haver um debate democrático e aberto para que as melhores soluções sejam as encontradas para o desporto português.

Ver os partidos nacionais envolvidos em querelas sobre instrumentos de poder face a um tecido social destruído como se o que importasse fossem os seus interesses particulares e não a população e a sociedade é uma realidade de pessoas sem dimensão nacional por muito que procurem na pose da fotografia e do photoshop a projecção que o fluir do seu discurso e estar desmentem.