quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quando a inutilidade de um regulador coloca em causa o sistema democrático

A decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) coloca em causa o actual modelo institucional em que os partidos dividem os lugares institucionais em vez de nomear pessoas que curricularmente e no plano dos princípios tenham perfis adequados ao funcionamento superior dos órgãos democráticos.

Deixou de estar em causa, o objecto do comunicado em julgamento, e passou a haver a dúvida sobre a instituição democrática.

Isto passa-se 'diariamente' no desporto onde para além para as presenças partidárias outros elementos são relevantes para corporações que modernamente necessitariam de competir e assumir o rismo das suas missões fundamentais mas que nomeadas segundo o paradigma actual são meros agentes à procura de rendas que o erário pública até vai minguando cada vez mais para o desporto dada a ineficácia de produção desportiva patente.

É o paradigma de democracia que passa a estar em julgamento.

Como refere Bagão Félix no poste anterior sobre a 'Indigência moral' os desafios do futuro estão em nós próprios e não em entes externos como a Troika.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Indigência moral


Artigo de António Bagão Félix saído no Público de 17 de Junho de 2012, na página 55, que se agradece a disponibilidade  para a publicação no blogue.

A ética da convicção e a ética da responsabilidade não são contraditórias.
Completam-se uma à outra e constituem no seu conjunto a expressão do “homem autêntico”
(Raymond Aron)
“ A olhar a mentira dos salões esquecemos a verdade das celas”
(Miguel Torga)

Desde 2008, o mundo vive em crise económica e social. Mas sobretudo e endemicamente em indigência moral. Portugal, também. 


A regra de ouro no plano ético tem sido frequentemente violada: para alguns, os fins justificam sempre qualquer tipo de meio. Para tal, “inventou-se” um novo arquétipo moral entre os actos bons e os maus: os actos indiferentes, uma espécie de silenciosa amiba onde se acolhem as maiores perversidades.

A ética da primeira pessoa (a auto-exigência) deveria ser sempre a primeira condição para a ética da terceira pessoa (ser-se exigente com os outros). Infelizmente todos os dias se observam distorções deste contrato moral. E parece cada vez menos considerado o imperativo kantiano: Age unicamente segundo a máxima que te leve a querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei de tal modo que, se os papéis fossem invertidos, as partes em questão estariam sempre de acordo.

As pessoas simples não entendem e indignam-se legitimamente. As elites exemplares escasseiam, a procura do bem comum dilui-se, ao mesmo tempo que brotam como cogumelos as falsas elites feitas de arrivismo e calculismo. O respeito pelas regras legais ou comportamentais tem sido menosprezado por certos grupos e grupúsculos de interesses partidarizados, particularistas ou secretistas que, não raro, ousam capturar o interesse público.

Permita-se-me a imagem caricatural: parar no semáforo vermelho é quase um sinal de inadaptação social nos tempos que correm.

De há muito, assiste-se a formas iníquas de promiscuidade e de disfarce de interesses privados e públicos, ao sôfrego domínio de certas instituições fundamentais por pessoas impreparadas, sem currículo e que as usam despudoradamente em benefício próprio. Já lá vai o tempo em que para se ocupar um lugar de alta responsabilidade política, institucional ou empresarial eram sempre necessárias provas de vida, de experiência e de responsabilidade efectiva. A exigência que Roland Barthes exprimiu dizendo que “um responsável nota dez: dois pontos de esforço, três pontos de talento e cinco pontos de carácter” já não é o critério essencial.

Órgãos decisivos como o Tribunal Constitucional ou a Provedoria de Justiça têm vindo a ser sujeitos à mais descarada descaracterização pela via afuniladamente partidária.

A indigência moral alimenta-se da falta de memória corroída pela primazia do presentismo, da impunidade de que, no fim, nada acontece, do escrutínio para “inglês ver” onde os sem-poder são penalizados e se desculpa quem viola as mais elementares regras éticas. Uma pequena irregularidade pode ser fatal, uma grande fraude perde-se na neblina processual. Os indefesos, os últimos, os sem voz são vistos crescentemente como uma quantidade, ao mesmo tempo que há todo o tipo de salamaleques e toda a panóplia de consideração hipócrita para pessoas ou entidades não recomendáveis.

A aliança entre o fardo da burocracia e a exaltação da tecnocracia desumaniza as instituições, coisifica as pessoas e gera tentações corruptivas. Em muitas instâncias de diferentes naturezas, reforça-se o primado dos objectivos monetarizados, mas esfumam-se as referências, os princípios e os ideais. Mais do que nunca, parece valer-se não pelo que se é, mas pelo que se tem ou se insinua ter.

A verdadeira liderança vem do exemplo, não do poder formal e efémero. Há na governação, nas instituições, nas empresas, na sociedade, notáveis exemplos de rectidão, serviço público e hombridade. No entanto, a perspectiva axiológica do uso do poder como poder-dever é cada vez mais a excepção. No frenesim de micro, pequenas e médias éticas, a sociedade vem-se tornando mais amnésica e dilui-se a fronteira entre o útil, o inútil e o fútil.

O direito ao erro e a pedagogia da persistência perante a dificuldade são, muitas vezes, substituídos pela ilusão do facilitismo, da permissividade e da “troca” em circuito-fechado.

Não devemos confundir o erro, inerente à nossa condição humana, com a irresponsabilidade, a ganância, a cupidez. Erro não implica culpa, mas culpa tenta justificar-se pela (falsa) inocência de um erro inventado.

Não são os cargos que fazem as pessoas, são as pessoas que fazem os cargos. Mas está na moda separar a pessoa da função e a função da pessoa, como se o carácter fosse divisível.

O incentivo ao mérito e a ética da sabedoria integral e do esforço honesto são, não raro, abafados pela defesa da mediocridade e de igualitarismos bacocos que afastam os melhores, mas são esplendorosamente retributivos para toda a espécie de “boyismos”.

Há quem diga que a ética é tão-só o cumprimento escrupuloso da lei. Acontece que o conjunto das normas jurídicas e o conjunto das normas éticas jamais coincidem. Há muitas regras de conduta ética que não estão juridicamente plasmadas. A ética não se estrutura na dicotomia legal / ilegal, mas radica na consciência. O conjunto do que é moralmente aceitável (o legítimo) é mais restrito do que é juridicamente aceitável (o legal). Nem tudo o que a lei permite se nos deve impor, e há coisas que a lei não impõe mas que se nos devem impor. Nenhuma lei proíbe em absoluto a mentira, a desonestidade, a deslealdade, a malvadez, o ódio, o desprezo, a vilanagem… Como nenhuma lei só por si assegura a decência, a verdade, a generosidade, a temperança, a prudência, a exemplaridade, a integridade, a autenticidade, a honradez, a coerência ou a sensatez. Recente estudo europeu sobre práticas corruptivas refere que “ a corrupção se materializa, por vezes, em práticas legais mas anti-éticas que resultam de regras de lóbi opacas, tráfico de influências e portas giratórias entre o sector público e privado”.

A pessoa tem mais deveres éticos do que o cidadão. A consciência de uma pessoa honesta é mais exigente do que o produto de um legislador porque a lei é o limite inferior da ética.

Também a linguagem tem sido sujeita a uma anestesia ou mudez moral que favorece o relativismo ético. Hoje o mentiroso não mente. Diz inverdades. Certas fraudes já não o são.

Foram promovidas tecnocraticamente a imparidades. Um conflito de interesses até pode não o ser. Diz-se, então, que cria sinergias. A batota depende do batoteiro. A ética do esforço conta menos. Vale mais a esperteza arrivista. O valor da exactidão esvazia-se. O que conta é o calculismo da inexactidão. A flexibilidade é palavra de ordem para tudo, até mesmo para o carácter e conduta moral. A iconografia do sucesso, mesmo que aparente substitui a iconografia dos valores, mesmo que imprescindíveis.

A ética pura, dura e intensiva vem-se relativizando pela abordagem quantitativa e pelo contexto condicional ou adversativo. Por onde escapam e até têm sucesso os menos escrupulosos. O carácter e a decência passaram a andar de mãos dadas com um qualquer “se”, “mas”, “talvez”, “quase sempre”, “salvo se” ou “mais ou menos”. Em ética não há o meiotermo, lugar geométrico da indiferença onde tudo vale por nada valer.

Em suma, não há remédios técnicos para males éticos. Esta é a mais séria e profunda reforma estrutural e geracional que urge concretizar na sociedade portuguesa. Sem ela, não há troika que nos valha…

António Bagão Félix
Público, Junho de 2012

Howard Webb arbitra o República Checa Portugal

O considerado melhor árbitro inglês esteve em Portugal a convite de Vítor Pereira quando este lançou na Alfandega do Porto o modelo da arbitragem profissional da liga de Hermínio Loureiro.

Dizia ele na altura que por vezes se esquecia de que estava a arbitrar para ver o jovem Cristiano Ronaldo a jogar.

Teria sido melhor que Howard Webb tivesse sido nomeado para o jogo seguinte de Portugal com a Espanha ou a França.

Esperemos que não falhe como é seu hábito deixando nas mãos/pés dos nossos jogadores a vitória em campo.

O Euro 2012 de Ronaldo

Este poderá ser o Euro do Ronaldo.

Há dois factores a ter em conta:
  1. A equipa de Portugal continua a jogar bem e há a abertura de infinitésimos graus nas defesas adversárias, o mínimo necessário para Ronaldo fugir às marcações cerradas e marcar.
  2. A arbitragem internacional tendencialmente não enxerga as faltas dos defesas das equipas dos cinco grandes e é muito atenta e rigorosa sobre qualquer coisa dos jogadores das equipas dos países mais pequenos.
Se o primeiro factor é relevante no próximo jogo e a balança da arbitragem até pode estar na defesa da qualidade do jogo, o segundo factor já será mais relevante se Portugal ultrapassar a República Checa face a um jogo com a Espanha ou com a França, o país do presidente da UEFA.

terça-feira, 19 de junho de 2012

do chat da Cultura e Futuro

HelenaSC: correcção: "a Cultura não está preparado para o Futuro..."

A Cultura 'ataca' de novo

Carta 'Cultura e Futuro'.

E o Desporto?

Pois, pois, o Desporto!

A Espanha, a arbitragem e Platini

Dizem que a filha do Platini trabalha na área do Barcelona... será verdade?

Com dois penaltis que favoreceram a Espanha e o árbitro não enxergou, o que dirão os Croatas?

Se tudo correr bem vamos a ver o que acontece quando outro pequeno país, Portugal, jogar com a Espanha.

Alguém se lembra de um outro francês, árbitro, chamado Bata? (não tenho a certeza de ser este o nome)

Notícia do Correio da Manhã sobre a educação física

A notícia diz que as normas são transitórias ...

A posição de Gustavo Pires* sobre a situação da Educação Física


A Mente Sã do Ministro da Educação

Como referia o jornal Público o Ministro da Educação e Ciência enterrou a velha máxima do poeta romano Juvenal “mens sana in corpore sano” que há mais de um século anima os prosélitos da Educação Física (EF) que não se conseguiram libertar do modelo de ginástica de Ling instituído no século XIX.

Mais vale tarde do que nunca porque a questão que o Ministro resolveu tem as suas raízes no 1º Congresso Olímpico realizado na cidade de Le Havre em França decorria o ano de 1897. Ao tempo, travou-se uma disputa de morte entre o pedagogo desportista de seu nome Pierre de Coubertin e o médico sanitário suecofílico de seu nome Philippe Tissié. Ora, a referida luta adentrou-se pelo século XX e, de tal maneira que, ainda hoje, provoca enormes prejuízos em muitos sistemas educativos e desportivos por esse mundo fora, incluindo Portugal.

O Ministro esteve bem. Tomou uma decisão de bom senso porque é possível apresentar inúmeros casos de jovens portugueses que caram privados de entrar no curso superior que desejavam por terem tido uma nota menos boa na disciplina de EF. Por exemplo, uma aluna que sendo atleta de natação com participação nos campeonatos nacionais da modalidade, não entrou em medicina por uma décima porque teve uma nota fraca à disciplina de EF.

É também uma questão de conceção da superestrutura ideológica da disciplina de EF. Na realidade, o modelo atual não permite a viabilização de um sistema de avaliação com alguma utilidade social. Hoje, o nome, os fundamentos e a substância da disciplina respondem muito mais a interesses corporativos do que aos interesses dos alunos, dos pais e do País.


Coubertin sabia que, com os sanitaristas suecofílicos, o Movimento Desportivo estava condenado. E, em 1911, escrevia-o: “le mens sana in corpore sano est excellemment hygiénique et nullement athlétique”. E, a m de os combater, propôs uma nova divisa com uma compleição eminentemente desportiva: “mens fervida in corpore lacertoso”, quer dizer, “um espírito ardente num corpo treinado”.

Contudo, Coubertin não conseguiu fazer passar a nova divisa. Os sanitaristas, representados pelos médicos, pelos militares e pelos professores de ginástica, estavam bem firmes na defesa dos seus interesses.

Depois, Coubertin só vira a conseguir que o Comité Olímpico Internacional adotasse o célebre “citius, altius, fortius” em 1923.


Para já, Nuno Crato revelou ter mente sã. O problema é que “uma andorinha não faz a primavera”. A primavera de uma verdadeira educação desportiva.


*Professor na FMH/UTL

publicado no Primeiro de Janeiro de 19/06/2012

domingo, 17 de junho de 2012

A Ciência e o Desporto

De como a ciência física ajuda a impulsionar a triviela.


Tirado do blog De Rerum Natura, com a devida vénia.


A educação física andava a pedi-las

Para não ir mais longe e dar o exemplo do direito do desporto há duas associações de direito do desporto que fazem sessões anuais no mesmo dia em locais distintos.

No blogue Colectividade Desportiva é comum ver as posições inamovíveis das duas.

Na educação física existem outras duas organizaçoes:
  • A primeira é a Sociedade dos Professores de Educação Física - SPEF
  • A segunda é o Conselho Nacional das Associações de Professores de Educação Física - CNAPEF que congrega rodas as Associações de Professores de Educação Física do País.

A SPEF e a CNAPEF agora queixam-se de Nuno Crato cortar as pernas à disciplina mas estas associações profissionais nunca responderam às críticas dos pais e dos alunos que foram prejudicados pelos seus profissionais em nome da sua deontologia, profissionalismo e ética.

Ambas fazem reuniões anuais distintas no mesmo dia.

A educação física movimenta uma percentagem pequena de jovens em idade escolar e não parece que estas organizações tenham algum sobressalto de consciência ou de movimentação da sociedade para corrigir a situação.

Esta fragmentação do querer desportivo é fatal o que as pessoas colocadas nas direcções destas instituições corporativas não quiseram resolver ao longo de décadas.

O seu trabalho é inútil porque o direito desportivo, a educação física e o desporto escolar nada conseguem de positivo.

A ausência dos resultados desportivo está aí.

Até quando?

O Fórum da Associação de Patinagem de Lisboa

Luís Nascimento foi a alma do fórum que contou com intervenções de Paulo Rodrigues, vice-presidente da federação, Fernando Tenreiro, Jorge Lopes, director técnico da patinagem, Luís Paulo Relógio e Diogo Guia.

A patinagem degladia-se com os mesmos problemas de todas as federações nacionais e tem a coragem de procurar uma resposta tanto técnica, financeira e económica como jurídica.

Há dificuldades nacionais grandes as quais foram indicadas articulando-se as características da modalidade com a experiência dos diferentes oradores.

Foi inesperado o convite que se deve à actividade dos alunos da licenciatura de gestão da Universidade Autónoma de Lisboa.

Em 2008 pensei que se podia levar o desporto português a um debate profundo sobre a sua situação.

foram cometidos alguns erros as alcatruzes da nora levaram uma volta e cabe a outros não desperdiçar mais tempo.

Mas o tempo é demasiado pesado nas suas imposições e dificultador de transformações e que nos projectem para o futuro.

Temo que este belo acto de Luís Nascimento e da Patinagem seja sufocado pelas nossas imperfeições tradicionais.

Portugal ganha se marcar golos com ou sem Ronaldo

Os resultados das outras equipas têm sido pouco volumosos

Portugal marcou 3 e sofreu 1 da alemanha e 2 da dinamarca a quem ganhou

As contas que os jornais fazem da possibilidade da não classificação apesar da vitória acontece com vitórias magras

Portugal tem de marcar golos

No jogo com a dinamarca a equipa marcou golos de três jogadores diferentes e Ronaldo ficou com a baliza escancarada

Se a equipa marcar Ronaldo solta-se e é soltado pelos adversários

A força da equipa portuguesa tem de ser a equipa

Os piques de Ronaldo vão aparecer

Com a dinamarca ronaldo foi o jogador que mais correu a seguir a moutinho e mais do que pepe

O jogo está nas mãos de Paulo Bento, o treinador

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Os líderes desportivos são pobres diabos? O paternalismo do Estado

A bolha do direito do desporto leva os dirigentes públicos a voltarem-se para a inépcia e a corrupção dos dirigentes desportivos que havendo, como a realidade vai demonstrando, não justifica a causa do afastamento do desporto português da média europeia.

Os fundamentos da falha do mercado do desporto deve-se às más leis e regulamentos e à ausência de qualidade da actuação pública.

Estas são as causas do desperdício de potencial e do aproveitamento singular dos afloramentos de génio sem o devido investimento na massa  de valor humano e social nacional.

Junto com a bolha do direito são servidos maus actos de decisão de produção desportiva tanto do lado privado como do lado público.

O que vejo em Espanha é um mercado do desporto competitivo servido por parceiros científicos que possuem mercados onde competem os produtores de conhecimento desportivo individuais e colectivos, escolas e empresas, federações, ligas e clubes, organismos públicos como o Conselho Superior de Desporto e o monopólio das apostas.

Numa das realizações foram convidados especialistas europeus e americanos.

Estamos a falar de um processo de trabalho que tem décadas e que se verificou em inúmeros sectores do conhecimento.

Também os congressos do direito do desporto de Espanha são conhecidos dos juristas nacionais e reza a história que a actuação dos portugueses tem usado esses congressos para desancar na realidade nacional.

Portugal tem menos persistência, ética e método. Financia abaixo do custo rata as condições de produção segundo critérios de qualidade e eficácia e é vingativo. Acontece recentemente em que se se nomeia abaixo do óptimo nacional segundo 'decisões superiores' que é coisa como antes se determinava quem servia a 'bem da nação'.

O que se passa connosco é de muito mau gosto e faz-nos mal em todos os sentidos deixando-nos na cauda da Europa e sem o proveito monetário que outros conseguem.

As federações não aceitam o namoro entre Estado e COP e reúnem-se fora da alçada do COP e da CDP procurando alternativas de política desportiva.

Não existe um quadro institucional eficiente que ajuste o querer da direcção associativa com o querer dos seus parceiros constituintes.

As federações trabalham tal como os profissionais do direito fechadas sobre si mesmas há décadas actuando o Estado na procura de soluções de visibilidade que a medalha a Jorge Mendes demonstra.

O Estado não tem ilusões sobre a qualidade do trabalho actual das federações nem a sua procura de resultados vai mais longe que a espuma espúria da onda que  passa.

Não seremos todos pobres diabos tolhidos pelas nossas limitações comuns e incapacidade de dar a volta ao que fazemos há décadas da mesma forma e com resultados menores europeiamente sem lhe conseguirmos dar uma volta?

quinta-feira, 14 de junho de 2012

FUTEBOL E LETRAS

   Biblioteca Nacional de Portugal
       MOSTRA | 8 - 30 Junho |
  Sala de Referência | Entrada livre


A BNP organizou em 2004, por ocasião do campeonato europeu de futebol que teve lugar nesse ano em Portugal, uma  exposição bibliográfica intitulada "Desportos e Letras".

Oito anos depois, apresentamos uma pequena mostra, Futebol e Letras, na qual podem ser vistas algumas das espécies contidas no catálogo  então elaborado, bem como outras publicadas nestes últimos anos - uma espécie de actualização da bibliografia no que apenas diz respeito ao pedibola.


Continuo à espera da contribuição dos digníssimos juristas do desporto

As diatribes entre juristas do desporto são tão comuns e o mercado do direito do desporto está tão habituado ao seu modo de operação que nada lhes estranha mesmo quando se atiram uns aos outros.

A questão principal é que o direito é parte da crise do desporto e pouco lhe importa a parte da solução.

O direito vigente atira-se aos desafios do desporto de olhos fechados e com isso destrói produto desportivo nacional.

O direito do desporto português sofre de uma bolha de imensos e grandes homens do direito desportivo sem aspas que naturalmente são capazes de justificar o improvável e a sua contrária.

Quando se lhes pede que expliquem o que estão a discutir não se dão à despesa.

Obviamente há muito que tenho tentado explicar-lhes que me parece que esta posição que têm é errada mas sou dado como perigoso extremista que acusa o direito do desporto português de ser ineficiente e ineficaz e, por isso, politicamente incapaz.

Da sua economia não vive o desporto português mas vive de um direito que está só e feliz nessa condição.

Obviamente que os profissionais do direito do desporto são bons e como genericamente são bons e estão habituados a discutir técnica e cientificamente a arte do direito do desporto são capazes dos feitos mais elevados sem compreender que a sua discussão é tão útil como a dos economistas que regulam os sistemas bancários nacionais e mundiais, com os resultados que se conhecem.

Chegados aqui é útil compreender que a razão da incapacidade material do direito que destrói produto desportivo está nas instituições que são incapazes de distinguir o mau direito e equacionar um direito escorreito e potenciador do produto desportivo português.

A democracia do debate cruzado entre ciências seria uma alternativa caso Suas Excelências conseguissem baixar do seu pedestal e debater com o comum dos mortais segundo regras simples e eficazes a razão das suas opções tendo o objectivo de materialmente conseguir um melhor output desportivo.

É dramático que o oficial, que disse muito bem que eu não tinha lido os documentos, não se dê ao trabalho de cruzar os seus argumentos não apenas com José Manuel Meirim mas de uma forma aberta como eu propus esta manhã.

A situação existe há décadas: se forem as diatribes entre iguais tudo está bem, mesmo apoucando-se mutuamente e conhecendo-se por inteiro. Rodam nas secretarias, nos institutos e nas organizações desportivas e seguem as cartilhas dos 'manipanços' da profissão.

É pena que os oficiais do direito se comportem com esta soberba(?).

Há mais blogues e outros poderiam ser criados para conversar sobre o que nos tolhe e impossibilita de crescermos como fizeram outros países, outros sectores e outras profissões.

As regras como funciona a comunicação social é muito fechada preferindo algum conservadorismo e cuidando de rendas directas e indirectas numa tradição velha para o desporto.

Espero que alguém avance com novos dados sobre o TAD.

Tanto mais que o debate público poderia avançar com argumentos que beneficiariam este importante instrumento de descentralização da boa burocracia de funcionamento do desporto nacional.


Devo acrescentar as seguintes notas:

  1. o jurista anónimo tem razão quando diz que eu não li
  2. naturalmente ele não fala dos meus dois argumentos de base
  3. não fala da correcção da colocação do TAD no COP
  4. não fala de uma instituição constituída por pessoas desportiva e socialmente reconhecidas como profundamente conhecedoras da produção desportiva e da eficiência da sua produção
  5. e nesse sentido da hipótese de não ter uma maioria de jurisconsultos da mais alta estirpe
De facto eu não li mas posso suportar cientificamente os pontos que refiro como fundamentais para a eficiência que todos desejamos para o TAD nacional.

Foram estes pontos considerados por algum dos grupos criados?

Murdoch quer ir à boleia da UEFA comendo os lucros do desenvolvimento desportivo


Real Madrid já recusou
Rupert Murdoch quer criar uma nova competição europeia
DN por João Ruela

O magnata da comunicação quer juntar Real Madrid, Barcelona, Chelsea, Manchester United, Bayern Munique e companhia numa só competição, mas sem ligação à UEFA.

Rupert Murdoch, dono da News Corporation e um dos homens mais influentes nos media norte americanos, quer criar uma competição que conte apenas com os maiores clubes do futebol europeu e que não tenha qualquer ligação à UEFA.

O magnata australiano já esteve reunidos com representantes de alguns dos principais clubes europeus, mas já teve pelo menos uma resposta negativa, nomeadamente do Real Madrid, segundo adianta o jornal espanhol "El Confidencial".

O clube treinado por José Mourinho, diz a publicação, não se quer envolver com Murdoch devido aos vários escândalos que envolvem a News Corporation e o empresário, que está sob investigação e é alvo de vários processos, devido a alegados subornos e corrupção, bem como a escutas ilegais a celebridades.

Na reunião, que decorreu na cidade italiana de Milão, Barcelona (representado pelo presidente Sandro Rosell), Bayern Munique (Franz Beckenbauer), Inter Milão (Massimo Moratti), Chelsea, Juventus, Milan, Manchester United e Arsenal estiveram presentes. Não há espaço para clubes portugueses, sem capacidade para competirem com o poderio financeiro dos "colossos europeus", embora com palmarés bem superior a alguns.

Murdoch promete maiores receitas financeiras aos clubes do que aquelas que auferem na UEFA, bem como uma maior percentagem dos direitos televisivos e maiores proveitos provenientes dos sítios na internet.

O debate sobre a bolha do direito do desporto português

O mercado da economia do desporto está falido há alguns anos agravando progressivamente as condições de produção de desporto em Portugal.

Esta realidade alertou-me para procurar respostas simples para as causas profundas do que acontece.

A economia é uma ciência com instrumentos bastantes para responder às questões e às perplexidades desde que eu consiga fazer boas perguntas e procure com diligência as respostas da ciência.

Não me queixo de todo desta minha decisão e creio compreender melhor porque se tem atrasado e porque se destrói tanto produto desportivo em Portugal.


O anónimo aqui acusa-me de não ter lido os documentos do TAD e eu confesso que ele tem toda a razão.

Há uma bolha do direito desportivo português que os seus profissionais tratam com desvelo e que confesso não tenho tempo para acompanhar os meandros e rodriguinhos.

Aqui se observa como os profissionais do direito se degladiam não deixando espaço para a entrada no debate de terceiros. Ver o poste e também os comentários.

Convido um anónimo qualquer, ou um profissional do direito a apresentar aqui no desporto e economia ou noutro sítio que dê conhecimento um documento simples com a explicação, para não especialistas do direito desportivo, do que se passa com o TAD.

Só os aspectos fulcrais e se possível as vantagens e inconvenientes de cada um.

A publicitação deste documento em mais do que um blogue por exemplo abriria um espaço de debate que seria útil para o nosso desporto.

Caso chegue ao blogue este documento publicarei imediatamente como poste.

O desafio está lançado.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Fórum da Patinagem, sábado 16 de Junho


Os tribunais arbitrais são do desporto privado

A hipótese sugerida por José Manuel Meirim, há 15 dias no colectividade desportiva, de um erro na atribuição pelo actual governo do TAD ao COP e federações está insuficientemente fundamentado.

Segundo inúmeras fontes há vantagens na atribuição da responsabilidade de julgar litígios pelos agentes privados envolvidos, porque estes têm o melhor conhecimento sobre a realidade da ocorrência e ajuda o Estado a não gastar dinheiro público numa matéria que é do seu desconhecimento.

Demonstra-se que a produção de desporto é privada e desta matéria o Estado não sabe e é do interesse privado e público mantê-lo fora da equação.

Trata-se de uma questão de eficácia, relacionada com o melhor conhecimento e capacidade de decidir melhor, e de uma questão de eficiência conseguindo resultados com custos mais baixos, não onerando a conhecida burocracia e jurisdicionalização da realidade nacional.

Neste caso o governo anterior estava a legislar mal ao atribuir o TAD ao Ministério da Justiça, e o actual estará a actuar com correcção, caso coloque num COP com a dimensão COP+CDP, o julgamento do que ao desporto é de direito e de conhecimento possuir.

A questão principal é que cabe ao Estado assegurar a boa formalidade, eficácia e eficiência dos actos, o que aqui José Manuel Meirim teria toda a razão em chamar à responsabilidade do Governo, mas não chega lá.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Ronaldo é um puto porreiro

O Ronaldo ser malcriado é um dado do problema que não deve ser imputado pessoal e definitivamente.

Teve de crescer muito depressa para se tornar no melhor do mundo e as pessoas que o acompanham são mais imputáveis do que o próprio Ronaldo.

Esta questão é possível observar-se em José Mourinho muito mais velho e que possui um comportamento de risco que choca muitos dos seus colegas de profissão. Contudo, trata-se de estilos de afirmação pessoal.

Mais importante seria a preocupação de formar bem os jovens desde os seus primeiros passos no desporto para que actos como os do Ronaldo, cuspir, agressões, etc, fossem combatidos desde pequeninos mas que ao crescer haver a certeza de chamar a atenção com medidas de grau superior.

A matéria é, sem dúvida, importante e parece que nos falta alguma coisa a melhorar ainda.

Alguém está a pensar numa ética...

Os aquaparques não aprendem

Há dois aspectos diferentes nos aquaparques:
  1. há perda de vidas humanas com a negligência
  2. todo o negócio se recente da negligência com que os gestores mantêm o negócio aleatoriamente ou não
Quem já foi a aquaparques sabe o que é escorregar e ficar com uma nódoa negra ou uma ferida, com a roupa rasgada e os casos de mortes e de acidentes graves sabe-se que acontecem.

A ineficiência dos gestores apenas pode ser compreendida pela ineficiência das instituições que aceitam a negligência e são incapazes de estabelecer normativos e procedimentos rigorosos de acompanhamento e de aplicação de medidas de segurança prévios à ocorrência dos acidentes.

Estão neste caso os tribunais e o aparato jurisdicional que acompanha as actividades desportivas sem conseguirem aproximar-se do âmago da produção desportiva eficiente.

Obviamente haverá sempre imponderáveis mas a situação principal é se tudo está feito para evitar o acidente e se ocorrendo a sua correcção ou punição é clara e se corrige o mal causado tempestivamente.

Estas são as questões que importa tomar em mãos sob pena do próprio negócio dos aquaparques e dos 'desportos com adrenalina' serem prejudicados deitando a perder o investimento feito e afectando a criação de postos de trabalho ou a sua segurança.

É raro observar nos artigos da imprensa ou nos blogues peças que discutam o carácter instrumental do mercado no que à eficiência da produção desportiva diz respeito.

Fórum da Patinagem, a 16 e 17 de Junho

O Fórum chama-se: A necessidade de reestruturação territorial, administrativa, financeira e desportiva das associações regionais.

Os temas do fórum são:
  • Que impactos económicos e financeiros da reestruturação? por Fernando Tenreiro
  • Sob a perspectiva legal, como pode ser feita a reestruturação? por Luís Paulo Relógio
  • Qual o modelo de organização desportiva a adoptar? Vantagens e desvantagens por Jorge Lopes
  • Encerra a sessão Diogo Guia
É uma iniciativa que demonstra a preocupação dos agentes da Patinagem para as dificuldades que encontram na racionalização da sua produção e a vontade de discutirem e encontrarem soluções para se encontrarem em melhor posição no final da situação em que o país, o desporto e a Patinagem se defrontam.

III Congresso Iberoamericano de Economia do Desporto em Valência

Decorreu a 7 e 8 de Junho com a presença de cerca de 40 papers e 80 participantes.

Existirão dois factos relevantes:
  1. O desporto espanhol produz resultados de sucesso e isso é acompanhado pelas ciências do desporto e pelas instituições.
  2. Os projectos começaram há uma década e os resultados actuais só podem ser vistos na perspectiva longa de um trabalho rigoroso e continuado.
Economicamente estes resultados de Espanha sugerem que a economia do desporto é saudável quanto à produção de desporto, quanto à produção de conhecimento económico sendo um e outro sector remunerados pelos agentes privados e públicos de forma eficiente porque os resultados positivos e benéficos aparecem.

Há um mês houve uma conferência também de economia do desporto em Gijon com os melhores especialistas da área e de novo assisti à eficácia da organização e à alta qualidade do produto oferecido.

Voltarei a esta matéria mais tarde.

Rui Santos ao Sol

'Há até uma certa vulgaridade na selecção'
12 de Junho, 2012
Em entrevista ao SOL, Rui Santos fala sobre o seu percurso no jornalismo, sobre o futebol português e sobre a selecção nacional. Ainda antes de o Euro ter arrancado e da derrota com a Alemanha, o comentador dizia que «as coisas teriam de correr todas muito bem» para conseguirmos um lugar no pódio.
Portugal tem hipóteses de ir longe no Euro 2012?
Há equipas mais fortes do que Portugal. Desejo muito que Portugal faça um grande campeonato, mas as coisas teriam de correr todas muito bem para conseguirmos um lugar no pódio. Temos 11/ 13 bons jogadores. A partir do momento em que formos para o 14.º, 15.º, 16.º, há uma afectação da qualidade. Acho que há até uma certa vulgaridade. Falta-nos um criativo como o Rui Costa, temos jogadores muito iguais para o meio-campo. E tenho muita pena que o Bosingwa não esteja na selecção. Acho que faltou algum jogo de política.
Faltou diplomacia?
O Ricardo Carvalho também nos faz falta. Não fez uma boa época, mas é um jogador cheio de experiência. Não temos país nem dimensão para desprezar jogadores como o Bosingwa e o Ricardo Carvalho.
Acha que estamos bem servidos com o Paulo Bento a seleccionador?
O Paulo Bento é fruto das circunstâncias e dos poderes de futebol. Não fez o suficiente para justificar a selecção nacional. Acho que a selecção deve ser o ponto de chegada e não o ponto de partida.
Havia alternativas melhores?
Há sempre alternativas. Tudo o que se passou relativamente ao ex-seleccionador nacional foi muito feio. A Federação tratou o assunto muito mal, e a certa altura teve de resolver o problema da maneira mais fácil, que foi ir buscar o treinador que estava disponível. Gostava que a federação tivesse feito todos os possíveis para levar o José Mourinho ao Euro 2012. Talvez fosse possível conseguir um acordo com o Real Madrid para o libertar para a altura do Euro.
Esse trabalho podia ser feito em part time?
Sobretudo depois dos problemas com o Bosingwa e do Ricardo Carvalho houve ali um momento em que talvez se tivesse conseguido qualquer coisa desse tipo. Mas entendo que nem sempre os timings são coincidentes. Em todo o caso discordo da prorrogação do contrato de Paulo Bento até 2014 sem se saber o que vai acontecer em 2012.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

DIVERTIMENTOS DE 1700



João Bautista de Castro (1700-1775), natural de Faro, e considerado um dos “eruditos da Corte de Lisboa”, foi o autor do “Mapa de Portugal”, ed. pela Off. de Miguel Manescal da Costa, entre 1745 a 1749, constando de 5 tomos, conservados na Biblioteca de Évora, e do qual Mapa se respinga e insere aqui alguns divertimentos correntes vividos na época de 700.


RETRATOS POLÍTICOS


Andava D. João II de Portugal espairecendo pelas ribeiras do Tejo, e disse a alguns Ministros de Justiça que o acompanhavam a cavalo, que corressem. 

Respondeu um, em nome de todos: 

"Nós não sabemos correr, senão atrás de ladrões". 

Tornou o El-Rei gracejando:"- Pois correi uns atrás dos outros". 

(In "O Velho Liberal do Douro", n.º 42, 1834, pág. 399).

COMBATE AO DESEMPREGO

Troika aconselha medidas de combate ao desemprego imediatas e corte com interesses

Autor: Álvaro Cerqueira
Segunda-feira, 04 Junho 2012 15:37
A troika aconselha medidas imediatas de combate desemprego em Portugal, elogia o Governo pela aplicação do programa, prevê um crescimento em 2012 maior do que o esperado e considera que as metas para o défice público continuam a ser possíveis. Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu partem tranquilos, mas deixam um reparo: Há que combater “interesses políticos e interesses instalados”.
In PTjornal

Esta transcrição é intencional porque chama a atenção para o combate solicitado na última linha e que se compagina com o combate aconselhado em 1932 - já decorreram 8 decénios - por Salazar, focado aqui no post de 1 do corrente, e se repete, para se constatar que o pensamento não se alterou, porque as acções e os actos também não: "Há que mudar a máquina do Estado com tal precisão, que os ministros estejam impossibilitados, pela própria natureza das leis, de fazer favores aos seus conhecidos e amigos."

Basta dar uma vista de olhos pelos comportamentos políticos ultimamente focados abundantemente na Imprensa, que continua a ser o 4.º Poder, quer o Governo queira, quer não, para se ver que afinal a Troika também sabe ver o que anda escondido nos corredores económicos, políticos e financeiros.

 

sábado, 2 de junho de 2012

Os impossíveis de Moniz Pereira no congresso de História do Desporto da Nova

Moniz Pereira fez uma intervenção mostrando como havia pessoas que diziam ser impossível ganhar medalhas olímpicas e também medalhas de ouro e, contudo, ele demonstrou que era possível que atletas portugueses as ganhassem e só não ganharam mais porque atletas como o finlandês Lasse Viren estavam drogados.

Noutra sala Francisco Fernandes mostrou como a Madeira conseguiu níveis de participação olímpica superiores aos nacionais, podendo concluir-se que se o grau de realização olímpica nacional fosse superior as hipóteses da Madeira ter conseguido uma medalha seriam maiores.

Juntamente com Abel Santos e João Boaventura fizemos uma intervenção que respondeu ao tema do Congresso da discussão do conceito de olimpismo.

A pergunta que fizemos e procurámos responder foi: Porque é que Portugal tem 24 medalhas olímpicas e o país da nossa dimensão mais próximo tem 90 medalhas, no caso a Suíça.

Concluímos que Portugal perdeu as medalhas e o ideal olímpico não foi hoje ou ontem mas perde-as há cem anos.

A partir desta questão e desta resposta analisámos o passado dos jogos atléticos gregos para concluir que eram tão competitivos e tinham princípios equivalentes aos actuais, caracterizámos sucintamente o desporto de há cem anos e constatando a actual estrutura de produção do desporto sugerimos um novo conceito de olimpismo.

Há várias ciências do desporto que necessitam de mostrar a sua essência sob pena de negarem a sua existência.

A história que encontramos em Moniz Pereira e no trajecto e factos da Madeira dá força àqueles que afirmam que Portugal pode ganhar mais medalhas olímpicas e competir em igualdade com a Europa.

O congresso parece ter tido poucas pessoas mas a análise histórica do desporto português é importante, assim como é relevante fazer as perguntas certas para obter respostas mobilizadoras e convocar o desporto para resultados europeus e mundiais.

Hoje a revista do Expresso faz um trabalho sobre o Euro2012 e a participação de Portugal.

É um bom projecto jornalístico que trabalha a espuma das vitórias e desventuras das selecções do futebol.

O desporto necessita de congresso mobilizadores e de chamar sobre si a atenção da comunicação social e da opinião pública.

Sem receio de fazer perguntas centrais é possível compreender os erros que temos cometido com razoável regularidade desde há cem a nos a esta parte.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

AVISOS DO PASSADO

No Público de hoje lê-se "A taxa de desemprego estrutural passou de 5,5% na década de 1990 para 11,5%, revelou hoje o ministro das Finanças."

O pior é que o Ministro sabe porquê e como. Como esclareceu Mia Couto, em português corrente e escorrido "a maior tragédia de um país é, em vez de produzir riqueza, produz ricos".

Quem também o sabia era um homem do Estado Novo que, em vez de enriquecer, fez de troika, e endireitou as finanças, coisa que parece difícil nos dias de hoje, apesar dos múltiplos passeios de ministros especialistas europeus até Bruxelas.

Por isso se relembra os Avisos do passado, para  ver se este choque fotográfico espevita os neurónios económico-financeiros.