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sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sobre a violência no futebol em Braga

Na Bola de hoje, 16fev2013.

Mário Figueiredo: "Temo que haja uma desgraça num campo de futebol".

APAF: lamentou, em comunicado, a falta de policiamento nos jogos e criticou a FPF, demonstrando "estranheza perante as punições residuais atribuídas pelo Conselho de Disciplina da FPF"

São duas posições éticas bem distintas: 
  • A primeira deita as mãos à cabeça.
  • A segunda deita as mãos à obra.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A fome não é um dever constitucional

Artigo de Adriano Moreira no Jornal de Negócios, ver aqui.



Vamos introduzir uma pequena nuance desportiva:

Mesmo que ninguém fale dela, a fome desportiva também não é um dever constitucional.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Quando o líder sai, deve ponderar muito bem, antes de falar à comunicação social

Fernando Mota saiu do atletismo e ninguém o ouviu falar sobre os desafios da modalidade.

Esta atitude de Fernando Mota é a todos os títulos meritória por respeitar o seu sucessor e dar-lhe o espaço e o tempo para se inteirar dos desafios e equacionar com a sua nova equipa as melhores soluções.

Jorge Vieira tem sorte em ter tido Fernando Mota.

Haverá outros líderes que estarão a actuar com a ética e a governança de que Fernando Mota dá mostras.

Haverá ainda outros novos líderes federativos incluindo que o serão a curto prazo e que não têm tanta sorte.

Há líderes antigos que saem zangados com o mundo, e consigo próprios, e que enchem a comunicação social dos seus pensamentos, o que não lhes sendo proibido e sendo um direito democrático, não é um bom critério de governança e do ponto de vista ético é complicado. Não sei se é boa ou má ética, mas é complicado.

Estas palavras, algumas bem amargas, ditas neste momento de transição devem ser vistas com relativa benevolência.

São uma espécie de herança de coisas que existem e que não terão sido resolvidas no passado.

Não faz sentido resolvê-las a correr, porque não foram resolvidas antes e agora há que decidir bem para evitar e corrigir esse erro e evitar outros surgidos com precipitação.

Essas palavras desses ex-líderes devem ser lidas, classificadas e algumas guardadas e outras colocadas por grau crescente de complexidade e capacidade de resolução.

Responder de imediato aos pensamentos atirados por almas um pouco perdidas, poderá atabalhoar falsas soluções que continuarão a prejudicar a vida dos atletas e dos clubes, se é que não se poderão tornar também piores a emendas que os sonetos.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

O conceito de modelo e a sua destruição

Em várias intervenções em 2012 afirmei que o Modelo de Desporto Português estava falido.

Se o desporto nacional tivesse um modelo de desporto com características positivas os seus resultados seriam outros.

Há quem tenha pressa de mostrar trabalho, pesca daqui, pesca dali e oferece gato por lebre a quem não está preparado para distinguir o preto do branco e possui problemas graves para produzir o seu desporto.

A partir do momento que se paga, para ouvir falar quem não tem qualidade para falar das coisas que o vendedor acena, há um contrato desigual que prejudica quem compra e beneficia apenas quem vende.

O valor real do que é comprado é inferior ao valor real daquilo que é vendido.

Até pode acontecer que quem vai lá falar seja um grande desportista e apresente com veemência a sua argumentação e que em determinado âmbito ela seja correctíssima.

Se porém o que está a ser vendido é um modelo e a matéria é distinta do conhecimento e da realidade do Modelo, nesse caso a troca ou o contrato são desequilibrados.

Neste momento quem comprou estará ou começará a estar a dar o dinheiro que gastou por mal empregue e já jurou que não torna a discutir a matéria porque percebeu bem mensagem que lhe venderam e vai fazer o que ouviu.

Do conceito de Modelo de Desporto Português pouco se terá ouvido falar ou talvez tenham sido ditas maravilhas do que actualmente existe considerando que quem anda a dizer que existe um Modelo e que está falido, não tem razão.

O conceito de Modelo passa a ser, para as pessoas que compraram o produto, um não conceito.

Esta forma de actuação levou recentemente a sociedade portuguesa a apelidar uma pessoa que se dizia do PS e das Nações Unidas de aldrabão.

Acontece que no desporto a situação já não é nova.

Podia tornar esta barra mais pesada para realçar a gravidade da situação com alguns exemplos.

Não indicarei exemplos mas direi que a característica dos parceiros desportivos serem enganados está presente no Modelo de Desporto Português.

Porque os parceiros desportivos desportivos são enganados é que eles acabam por tomar más decisões que os prejudicam e prejudicam todo o mercado do desporto.

A característica, entre muitas outras de diferente cariz, é que é relativamente fácil os parceiros desportivos nomeadamente os associativos não conseguirem resolver e debelar os seus problemas e deixarem-se enganar muitas vezes.

Um exemplo destes aproveitamentos para conseguir dizer coisas importantes para os quais não há cabedal é o de líderes que andam anos a cavalgar a onda da crítica e depois quando chega ao fim do mandato ou a momentos de aflição é vê-los a esbracejar sem no entanto materializarem um discurso coerente e digno.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Os maiores de Portugal

Marcelo Rebelo de Sousa costuma indicar os portugueses que conseguem feitos extraordinários como os jovens nas olimpíadas da matemática e da física e outros prémios de destaque empresariais ou de outra natureza.

Creio que MRS ainda não compreendeu a especificidade do desporto como sector que por definição deve criar casos extraordinários. 

Neste momento Vicente Moura fala das medalhas olímpicas da Hungria mas socialmente não se compreende o seu alcance, não havendo a actuação consequente.

Adiante.

Infelizmente a crise é tremenda e surgem casos que seriam hilariantes não significassem situações de desespero da população e outras de arrogância dos mais e muito ricos.

No primeiro caso MRS não fala do que é o primeiro prémio em pornografia de uma mulher portuguesa, nem as centenas de homens e mulheres que estão em prisões de dezenas de países do mundo por trafico de droga. São primeiros lugares mundiais de terror e que se acumulam nos meses recentes.

Quanto a afirmações dos banqueiros sobre o alcance e o seu envolvimento na crise nacional são uma tradição nos muito ricos e não só em Portugal. A crise humana e social passa-lhes ao lado e muitas outras coisas. 

É interessante como existe uma defesa de grupo e a reafirmação, por toda a comunicação social, de enormidades em camadas sobrepostas naquilo que será para as outras pessoas um ultraje.



No que respeita ao desporto português haverá de construir o conceito e a imagem popular e dá-los aos MRS's da praça para os usarem e abusarem.

O desporto é também o exemplo da criação da transformação de pessoas muito pobres em estrelas mundiais cintilantes que os mais ricos só conhecem a fase final e não o processo que a austeridade destrói massivamente entre quem não é rico e alguns se esqueceram de onde vieram e pensam que os novos tempos têm de ser iguais aos do passado, de há mais de 40 anos.

Esse é o trabalho novo a esperar de líderes desportivos novos.

O trabalho e a responsabilidade de a ombrear são imensos, como a onda da Nazaré para fazer com alcance mundial não vai ser para qualquer pessoa.

Bom fim de semana a todos.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A remuneração do presidente do COP

Gustavo Pires hoje levanta um tema para os candidatos à liderança do COP.

Que tipo de remuneração deve ter o líder e a equipa de direcção do COP?

Quando o desporto prefere remunerar a finalidade lucrativa das actividades desportivas isso torna-se fulcral para o desenvolvimento.

Economicamente os países mais desenvolvidos possuem uma estrutura benévola que se tem perdido em ritmo galopante.

José Manuel Constantino fez publicar na Confederação do Desporto quando lá foi presidente uma publicação sobre o voluntariado no desporto.

Maria Emília Azinhais presidente do Panathlon também apresentou ao Congresso do Desporto um texto sobre a Ética no desporto.

Estes exemplos perdem-se no tempo e copiar projectos ao mesmo tempo que não se assume o voluntariado e a ética na acepção europeia nos actos de política desportiva manifestamente um erro que o desporto português necessita de corrigir.

Como discutir estas questões no desporto português é uma urgência que o artigo de Gustavo Pires no Primeiro de Janeiro de 6 de Novembro chama a atenção.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

O poder da razão

Ontem Adriano Moreira na sua última lição e agraciado pelo Primeiro-Ministro falava de ter chegado o tempo de uzar o poder da razão mesmo que contra a razão do poder. Por estas ou por outras palavras.

Passos Coelho parecia que falava noutro país.

Ao contrário de Adriano Moreira, Maria Teresa Horta recusou receber o prémio das mãos do PM.

Terá feito mal na sua recusa por ter a oportunidade de usar a palavra que afinal é, segundo o prémio que lhe é dado, exímia em utilizar.

Perdeu a oportunidade de usar o poder da sua razão, que usou na sua escusa, e que AM incentiva o uso no actual momento.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Portugal nas meias com a presença de 'tutti quanti' 'in situ'

O desporto segue dentro de momentos.

A forma de seguir é a questão.

O país político está colocado estrategicamente nas bancadas dos estádios e na colocação das felicitações.

É uma alegria muito grande ver a equipa de futebol ter sucesso internacional.

A qualidade dos actos políticos poderiam ser melhores é um ponto que nunca será demais realçar.

Alguma coerência ética exigiria a estreita correlação entre os festejos e o 'venha a mim' com decisões de politica desportiva adequadas aos desafios do desporto moderno.

A palavra e a coerência a quem vai festejar de tão alto tudo o que se passar com a selecção de CR7.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Quando a inutilidade de um regulador coloca em causa o sistema democrático

A decisão da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) coloca em causa o actual modelo institucional em que os partidos dividem os lugares institucionais em vez de nomear pessoas que curricularmente e no plano dos princípios tenham perfis adequados ao funcionamento superior dos órgãos democráticos.

Deixou de estar em causa, o objecto do comunicado em julgamento, e passou a haver a dúvida sobre a instituição democrática.

Isto passa-se 'diariamente' no desporto onde para além para as presenças partidárias outros elementos são relevantes para corporações que modernamente necessitariam de competir e assumir o rismo das suas missões fundamentais mas que nomeadas segundo o paradigma actual são meros agentes à procura de rendas que o erário pública até vai minguando cada vez mais para o desporto dada a ineficácia de produção desportiva patente.

É o paradigma de democracia que passa a estar em julgamento.

Como refere Bagão Félix no poste anterior sobre a 'Indigência moral' os desafios do futuro estão em nós próprios e não em entes externos como a Troika.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Indigência moral


Artigo de António Bagão Félix saído no Público de 17 de Junho de 2012, na página 55, que se agradece a disponibilidade  para a publicação no blogue.

A ética da convicção e a ética da responsabilidade não são contraditórias.
Completam-se uma à outra e constituem no seu conjunto a expressão do “homem autêntico”
(Raymond Aron)
“ A olhar a mentira dos salões esquecemos a verdade das celas”
(Miguel Torga)

Desde 2008, o mundo vive em crise económica e social. Mas sobretudo e endemicamente em indigência moral. Portugal, também. 


A regra de ouro no plano ético tem sido frequentemente violada: para alguns, os fins justificam sempre qualquer tipo de meio. Para tal, “inventou-se” um novo arquétipo moral entre os actos bons e os maus: os actos indiferentes, uma espécie de silenciosa amiba onde se acolhem as maiores perversidades.

A ética da primeira pessoa (a auto-exigência) deveria ser sempre a primeira condição para a ética da terceira pessoa (ser-se exigente com os outros). Infelizmente todos os dias se observam distorções deste contrato moral. E parece cada vez menos considerado o imperativo kantiano: Age unicamente segundo a máxima que te leve a querer ao mesmo tempo que ela se torne uma lei de tal modo que, se os papéis fossem invertidos, as partes em questão estariam sempre de acordo.

As pessoas simples não entendem e indignam-se legitimamente. As elites exemplares escasseiam, a procura do bem comum dilui-se, ao mesmo tempo que brotam como cogumelos as falsas elites feitas de arrivismo e calculismo. O respeito pelas regras legais ou comportamentais tem sido menosprezado por certos grupos e grupúsculos de interesses partidarizados, particularistas ou secretistas que, não raro, ousam capturar o interesse público.

Permita-se-me a imagem caricatural: parar no semáforo vermelho é quase um sinal de inadaptação social nos tempos que correm.

De há muito, assiste-se a formas iníquas de promiscuidade e de disfarce de interesses privados e públicos, ao sôfrego domínio de certas instituições fundamentais por pessoas impreparadas, sem currículo e que as usam despudoradamente em benefício próprio. Já lá vai o tempo em que para se ocupar um lugar de alta responsabilidade política, institucional ou empresarial eram sempre necessárias provas de vida, de experiência e de responsabilidade efectiva. A exigência que Roland Barthes exprimiu dizendo que “um responsável nota dez: dois pontos de esforço, três pontos de talento e cinco pontos de carácter” já não é o critério essencial.

Órgãos decisivos como o Tribunal Constitucional ou a Provedoria de Justiça têm vindo a ser sujeitos à mais descarada descaracterização pela via afuniladamente partidária.

A indigência moral alimenta-se da falta de memória corroída pela primazia do presentismo, da impunidade de que, no fim, nada acontece, do escrutínio para “inglês ver” onde os sem-poder são penalizados e se desculpa quem viola as mais elementares regras éticas. Uma pequena irregularidade pode ser fatal, uma grande fraude perde-se na neblina processual. Os indefesos, os últimos, os sem voz são vistos crescentemente como uma quantidade, ao mesmo tempo que há todo o tipo de salamaleques e toda a panóplia de consideração hipócrita para pessoas ou entidades não recomendáveis.

A aliança entre o fardo da burocracia e a exaltação da tecnocracia desumaniza as instituições, coisifica as pessoas e gera tentações corruptivas. Em muitas instâncias de diferentes naturezas, reforça-se o primado dos objectivos monetarizados, mas esfumam-se as referências, os princípios e os ideais. Mais do que nunca, parece valer-se não pelo que se é, mas pelo que se tem ou se insinua ter.

A verdadeira liderança vem do exemplo, não do poder formal e efémero. Há na governação, nas instituições, nas empresas, na sociedade, notáveis exemplos de rectidão, serviço público e hombridade. No entanto, a perspectiva axiológica do uso do poder como poder-dever é cada vez mais a excepção. No frenesim de micro, pequenas e médias éticas, a sociedade vem-se tornando mais amnésica e dilui-se a fronteira entre o útil, o inútil e o fútil.

O direito ao erro e a pedagogia da persistência perante a dificuldade são, muitas vezes, substituídos pela ilusão do facilitismo, da permissividade e da “troca” em circuito-fechado.

Não devemos confundir o erro, inerente à nossa condição humana, com a irresponsabilidade, a ganância, a cupidez. Erro não implica culpa, mas culpa tenta justificar-se pela (falsa) inocência de um erro inventado.

Não são os cargos que fazem as pessoas, são as pessoas que fazem os cargos. Mas está na moda separar a pessoa da função e a função da pessoa, como se o carácter fosse divisível.

O incentivo ao mérito e a ética da sabedoria integral e do esforço honesto são, não raro, abafados pela defesa da mediocridade e de igualitarismos bacocos que afastam os melhores, mas são esplendorosamente retributivos para toda a espécie de “boyismos”.

Há quem diga que a ética é tão-só o cumprimento escrupuloso da lei. Acontece que o conjunto das normas jurídicas e o conjunto das normas éticas jamais coincidem. Há muitas regras de conduta ética que não estão juridicamente plasmadas. A ética não se estrutura na dicotomia legal / ilegal, mas radica na consciência. O conjunto do que é moralmente aceitável (o legítimo) é mais restrito do que é juridicamente aceitável (o legal). Nem tudo o que a lei permite se nos deve impor, e há coisas que a lei não impõe mas que se nos devem impor. Nenhuma lei proíbe em absoluto a mentira, a desonestidade, a deslealdade, a malvadez, o ódio, o desprezo, a vilanagem… Como nenhuma lei só por si assegura a decência, a verdade, a generosidade, a temperança, a prudência, a exemplaridade, a integridade, a autenticidade, a honradez, a coerência ou a sensatez. Recente estudo europeu sobre práticas corruptivas refere que “ a corrupção se materializa, por vezes, em práticas legais mas anti-éticas que resultam de regras de lóbi opacas, tráfico de influências e portas giratórias entre o sector público e privado”.

A pessoa tem mais deveres éticos do que o cidadão. A consciência de uma pessoa honesta é mais exigente do que o produto de um legislador porque a lei é o limite inferior da ética.

Também a linguagem tem sido sujeita a uma anestesia ou mudez moral que favorece o relativismo ético. Hoje o mentiroso não mente. Diz inverdades. Certas fraudes já não o são.

Foram promovidas tecnocraticamente a imparidades. Um conflito de interesses até pode não o ser. Diz-se, então, que cria sinergias. A batota depende do batoteiro. A ética do esforço conta menos. Vale mais a esperteza arrivista. O valor da exactidão esvazia-se. O que conta é o calculismo da inexactidão. A flexibilidade é palavra de ordem para tudo, até mesmo para o carácter e conduta moral. A iconografia do sucesso, mesmo que aparente substitui a iconografia dos valores, mesmo que imprescindíveis.

A ética pura, dura e intensiva vem-se relativizando pela abordagem quantitativa e pelo contexto condicional ou adversativo. Por onde escapam e até têm sucesso os menos escrupulosos. O carácter e a decência passaram a andar de mãos dadas com um qualquer “se”, “mas”, “talvez”, “quase sempre”, “salvo se” ou “mais ou menos”. Em ética não há o meiotermo, lugar geométrico da indiferença onde tudo vale por nada valer.

Em suma, não há remédios técnicos para males éticos. Esta é a mais séria e profunda reforma estrutural e geracional que urge concretizar na sociedade portuguesa. Sem ela, não há troika que nos valha…

António Bagão Félix
Público, Junho de 2012

sábado, 26 de maio de 2012

Como se captura (copiando) e se destrói um projecto

A ética é um projecto desportivo com décadas de afirmação e os mais altos níveis de princípios em todo o mundo desenvolvido.

Em Portugal é uma dificuldade tradicional por parte dos governos conseguirem esboçar um projecto correcto do ponto de vista da concepção e dos princípios e na eficácia e acompanhamento firme na sua aplicação.

O actual projecto da ética nomeou embaixadores e teve cerimónias públicas até rebentar o novo conflito entre o Porto e o Benfica.

Os ditos embaixadores meteram todos a viola no saco, não era para aquilo que lhes pagavam e porque os donos da bola falam sempre mais alto e quando isso acontece não há embaixadores destes que valham.

Em vez de trabalhar com quem fez propostas sérias e concebeu instrumentos eficazes sobre ética, os partidos políticos nacionais preferem ter as pessoas do seu partido que escrevem uma coisa qualquer e o seu contrário e mais alguma e depois põe ministros, primeiros-ministros ou presidentes da república a assinar, os quais não procuram acautelar o seu bom nome e disponibilizam-se a assinar de cruz qualquer cowboiada desportiva que lhe coloquem à frente.

Quando se tem presidentes da república que não se dão ao desporto e não apresentem uma coluna vertebral de um discurso coerente para um sector como o desporto, Portugal está entregue aos bichos e deixado a estes projectos que são indecentes.

O comportamento dos governantes e dos presidentes da república prejudica o desporto o mesmo é dizer prejudica a população que os elegeu.


Porque é que esta desdita acontece ao desporto, coitadinho?

Acontece porque o benefício marginal (ou melhor dizendo o prejuízo marginal) de patrocinar maus projectos e projectos negativos não é socialmente perceptível nem pelos presidentes da república, nem pelo parlamento ou sequer pela comunicação social.

Uma excepção está no Expresso que através de Nicolau Santos noticia a trapalhada da final da Taça.


O actual projecto da ética deveria ter morrido com os comportamentos dos treinadores e jogadores e da polícia e das afirmações dos presidentes do Benfica e do Porto.

Noutro país o projecto seria revisto e levaria uma barrela mas é provável que em Portugal e no seu desporto uma coisa que não serve para nada, como para penalizar afirmações incendiárias de presidentes dos maiores clubes e o fracasso da Liga e da Federação em regularem os princípios de comportamento, continue nos sites do governo e nenhum embaixador afirme o seu propósito de se afastar da inutilidade.

sábado, 12 de maio de 2012

É prejudicial à saúde fazer as perguntas correctas

A TVCN1 passou esta tarde o filme Fair Game com Naomi Watts e Sean Penn. O filme está explicado aqui.

A história verídica conta o trajecto da agente da CIA Valerie Plame e do seu marido ex-diplomata e que este último ao denunciar como fraudes, os relatórios em que se baseava George Bush para declarar guerra ao Iraque.

Esta é uma situação recorrente em muitas partes do mundo, mesmo o desenvolvido, em que as pessoas que denunciam os erros políticos muitas vezes vêem-se atacadas e vilipendiadas tendo prejuízos nas suas vidas.

O filme tem o exemplo dos Estados Unidos e da capacidade deste país conseguir com relativa rapidez reagir aos fracassos políticos e erros e com vitalidade manter princípios e comportamentos éticos e de governance social que Portugal por exemplo tem muita dificuldade em responder com igual rapidez e acerto.

No domínio do desporto, então, Portugal é o oposto.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

É o Desporto que está em causa

Externalizar do Conselho Nacional do Desporto para grupos de trabalho de especialistas, que o não são na sua totalidade, e publicar os resultados alcançados é uma transformação face ao passado quando tudo estava e continua fechado a sete chaves.

O conteúdo que se procura nos resultados é o de desporto na sua plenitude.

É óptimo trabalhar com quem tem dinheiro, quem manda nas grandes organizações desportivas e no desporto.

O desporto na sua integridade é feito de diferenças abissais entre partes que se complementam e se digladiam segundo as regras do jogo.

A possibilidade da vitória dos tomba-gigantes é o sal do desporto que a legislação, a governance e a ética da política desportiva nacional evita como paradigma.

Neste afã pessoas, projectos, instituições são hostilizados e a sociedade do desporto é mais pequena do que o potencial que alcança o desporto de outros países que são mais desenvolvidos do que Portugal.

Contratar professores doutores disto e daquilo, fiscais, administrativos, etc, etc é relevante se houver a capacidade de equacionar um paradigma desportivo e se se mantiver a vela acesa em diferentes oportunidades acrescentando-lhe substância a cada ocasião.

Oportunidades têm surgido pela actuação de terceiros e promovidas pelos próprios e a substância desportiva mantém-se como o elemento raro.

É este o desafio: falar, conversar, dialogar, assumir Desporto a partir dos ossos daquilo que em cada passo se pensa, diz, propõe, assume e faz.

Encher a opinião pública de Desporto nacional na sua totalidade é uma aspiração adiada.

O resto, o resto parece uma imensa confusão de intensões e carência de ética e de responsabilidade social.

A humildade de reconhecer um passo que seja em falso e dar a mão é elemento que se desconhece o valor. Prejudica-se, e prejudica-se socialmente fundamentalmente os carenciados e o todo desportivo nacional soçobra incluindo mesmo os poderosos a quem se dá a mão em nome do todo.

Aconteceu, há anos a esta parte, a captura do poder e é este estado que clientelas, fundamentais ao poder pelo poder, são prejudicadas pelo modelo vigente que se lhes apega contraditoriamente no precipício de um abraço mortal sem Desporto e interminável.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O que um Ministro do Desporto deveria fazer ao chegar ao poder


Deveria fazer cinco coisas:
  1. um inquérito aos seus colegas sobre as características da sua prática desportiva, modalidade e intensidade de usufruto de desporto
  2. um inquérito equivalente na Assembleia da República
  3. comprometê-los aos membros do governo e da AR em eventos anuais das modalidades praticadas
  4. comprometê-los com políticas de estilos de vida activa dentro dos organismos públicos e das empresas públicas que deles dependem
  5. trabalhar as autarquias e os seus presidentes noutro desporto daquele que lhes é transmitido pelas políticas de elite correntes
Diz o SOL acerca dos ataques cardíacos dos políticos: Check-up devia ser obrigatório para políticos.

A lista de acidentes do SOL sendo significativa é a que chega à luz da ribalta, enquanto certamente milhares de cidadãos com historiais equivalentes têm sorte idêntica sem um 'ai' da comunicação social.

Quem sabe se os lapsos dos políticos em declarações políticas, não serão falta de exercício físico que uma boa partida desportiva a só ou bem acompanhado não resolveria?


O que o Ministro do Desporto esperaria alcançar com as 5 coisas que faria ao assumir o poder?

Usar o desporto como uma janela de promoção do desporto e de um estilo de vida para todos os portugueses.

Ninguém pediria ou sugeriria andar com seguranças e a trabalhar com a comunicação social atrás como fez um outro primeiro-ministro.

O objectivo era ter um país, uma população mais desportivos e principalmente menos acidentes cardio-vasculares e maiores benefícios na saúde e nas relações sociais dos portugueses.

É capaz de ser pedir muito ou ser compreendido como estando a prejudicar um governo qualquer ...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Sociologia, Economia, Direito no Desporto

A Associação dos Adeptos Sportinguistas vai organizar uma conferência sobre "Violência associada ao fenómeno desportivo".

Não se percebe porque há-de o desporto ser 'um fenómeno' mas a conferência deve ser vista pelo conteúdo e pela estrutura em que inclui a sociologia, a economia e o direito como três partes distintas o que corresponderá a uma organização nem sempre observada em Portugal.

Esperemos que seja uma estrutura que venha para ficar e não apareça como um fenómeno passageiro.

Está em curso uma outra organização direito e de economia mas a seu tempo se dará conta.

Pela parte que me toca estou convencido que o debate entre oficiais destas profissões só pode ser proveitoso para o desporto português.

Quanto à iniciativa do Sporting quererá ela dizer que o clube se encontra na frente de alguma coisa?



quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

As sombras chinesas das transformações estruturais no desporto luso

As transformações estruturais vão acontecendo no desporto português e quais serão elas?

  1. público
    1. a eleição de uma estrutura política para a secretaria de Estado nada e criada nas fileiras de certo liberalismo europeu que sendo comedido nesse nível, actua com maior liberalidade num meio pobre institucionalmente e erradamente juriscionalizado como o do desporto nacional.
    2. esta transformação é tão relevante quanto a estrutura política anterior tinha uma feição nacionalista e fechada nas fronteiras de um modelo com líderes privados encanecidos e respeitador de liberdades inaceitáveis para a gestão de objectivos nacionais e eficiência do uso e investimento de meios públicos.
    3. o liberalismo público associado à austeridade promovido publicamente suscita interrogações, as mais severas, sobre o caldo que se prepara numa realidade associativa em forte crise estrutural.
  2. privado
    1. a perda da liderança da universidade sobre a Apogesd, a mais celebrada e intelectualizada das corporações, estruturada à imagem universitária, e a tomada de liderança por parceiros locais.
    2. as transformações que acontecem na ginástica e que mais ou menos poderão existir noutras federações com líderes carismáticos
    3. certa procura nos bastidores de sucessor para o COP, independentemente dos apelos lancinantes do actual presidente à sua própria continuação.
    4. a CDP engana-se com a medalha governamental e que deveria acautelar um futuro que nunca terá sido o seu.

Estas ocorrências são contraditórias com certa desorientação e evitar dizer que jogo se tem na mão.

Porém, a fraqueza do discurso e dos protagonistas é evidente, deixando mais clara a situação de abandono ao futuro que os parceiros privados se encontram e sugerindo para 2012 um território de actuação duro.

O grande risco actual é a de novas lideranças serem queimadas pelas políticas incapazes de cuidar do risco dessa iniciativa que procurando sarar os erros do passado prejudica-se com as suas novas acções.

Entre estes riscos está a inexistência de subida de líderes actuais aproveitamento a experiência acumulada, por exemplo, pela inexistência de vacatura (não sei se este termo existe) nas lideranças impedindo a subida de lideranças que se mantiveram em segundo grau e da entrada de sangue novo bem suportado por alguma boa governance anterior. Em concreto substituindo as estruturas do COP e da CDP, caminhando para uma transformação estrutural, e dando entrada aos líderes associativos que já demonstraram trabalhar com variáveis bem mais complexas do que actualmente se faz nestas instituições e que seria o exemplo para todo o associativismo e parceiros privados e sociedade e economia.

domingo, 4 de dezembro de 2011

O tempo escasseia para o desporto

I
O tempo escasseia principalmente quando as ideias mobilizadoras são silenciadas pelas condições de ineficiência do debate da política desportiva.

Há estruturas esvaziadas de substância política desportiva que se deram conta estar sentadas na tão almejada cadeira do poder e não sabem o que fazer com ele porque estão a fazer o seu melhor e este falha. Sabem que estão a falhar e sabem que os outros quando lhes dizem que as coisas estão mal, eles sabem do que falam, e a cadeira treme.

Sentem o chão a fugir-lhes dos pés, ameaçam, mandam isolar aqueles que dizem o que está mal e pressentem que a solução não está exclusivamente nas valências dos novos dançarinos. Aquilo que sabem fazer melhor é uma parte do problema e existem outros instrumentos em que são manifestamente canhestros ou outros praticaram mais e são esses outros que sabem melhor o que fazer, quando fazer e que dose de cada condimento integrar.

Nomearam para as lideranças currículos contestáveis e maus currículos também. Faltando-lhes arte mais difícil ainda é contestar a contestação com argumentos sólidos.

II
Quando na oposição serviram de testa de ferro a projectos manifestamente impossíveis para Portugal e desejados por agentes privados que se namoravam mutuamente. Quem disse que eram asneiras tremendas contra o desporto português foram ostracizados.

Agora, quem privadamente apoiou e contribuiu para a eleição deste poder demonstra a vacuidade das ideias, princípios e propósitos e a barca balança fortemente. A tempestade perfeita começa na Primavera e só se vêem as folhas amarelas e castanhas do Outono.

Andar à pesca de uma ideia forte em discursos, entrevistas e artigos é uma perda de tempo porque apenas existe areia no deserto.

III
Trabalhar em conjunto, respeitar as valências, valorizar o espírito inteiro do outro sem o matar e sem o ofender para projectar o todo comum, fazer conferências históricas na perspectiva do desenvolvimento do bom desporto nacional é coisa que feneceu há tantos anos.

E contudo o tempo vai fiando e o tempo que é a matéria-prima das boas ideias e da acumulação de capital, este passar de tempo que se perde pela incompetência das lideranças e das complexidades da governance moderna que não se conseguem alcançar, este tempo vai faltar para criar um desporto novo e bom.

IV
Houve mudança eleitoral porque os anteriores líderes fizeram o seu melhor e mesmo assim decidiu-se que era melhor mudar.

Este mudar não é um acto divino e para sempre, este dar o poder é para a demonstração da capacidade que outrem demonstrou não conseguir lá chegar.

O que está em causa é a capacidade de fazer melhor o bem que o desporto merece.

O que está em causa é, sem rancor e com frontalidade, trabalhar com os melhores do desporto para alcançar níveis cada vez mais elevados de produto desportivo nacional.

V
Aos problemas da liderança do desporto juntam há vários anos as limitações de um modelo de liderança desportiva que dura há décadas.

Obviamente foi bom ter acabado com o IDP mas isso é o óbvio.

O que se exige é a criação de uma nova instituição moderna e para isso é necessário trabalhar com toda a economia e toda a sociedade de que o desporto moderno é feito.

VI
O tempo e os factos vão demonstrar que o tempo que está a passar é vital e que não há unhas para este fado.

Tal como no privado agora no público pode perguntar-se: afinal a quem interessa esta sucessão de silêncios clamorosos, de mal entendidos e de incapacidades?

Facto sobre facto os problemas não são de hoje.

Nenhum problema é de hoje. Nenhum.

Ter duas ou três medalhas em Londres é a salvação de uma legislatura política, e não será a do desporto porque as soluções estão todas por ver como outros fizeram bem feito, escrever assertivamente, conversar com frontalidade, discutir profundamente, decidir bem e fazer com eficácia e eficiência.

A falta de tempo vai bater à porta.


Conclusão
Há duas incapacidades: de, por um lado, romper com a essência dos erros do passado e, por outro, de dar as mãos aos elementos com futuro do desporto português.

Ambas serão demonstradas pelo tempo.

Estas incapacidades, face ao escoar dos recursos vitais entretanto realizados, mais esforços exigirão no futuro para alcançar qualquer média europeia.

Estas são as consequências de política do que actualmente se faz.

Trabalhar sem rancor, com democracia e transparência mobilizando todo o desporto e assumindo debates frontais em profundidade é um imperativo ético que não está à mão de qualquer um independentemente da cadeira em que se senta.