quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

[2] SOCIOLOGIA DO DIREITO DESPORTIVO NA MONARQUIA CONSTITUCIONAL

Publicado no blog De Rerum Novarum em 08.01.2013


Absence d’identité ou ambiguїté de l’objet ?


Un constat doit être fait à titre liminaire ; la sociologie du droit n’est jamais vraiment parvenue à surmonter sa quête d’identité. Chaque auteur propose sa définition et contribue à la poursuite du débat concernant l’objet puisqu’il ajoute sa propre perspective, ses propres paramètres à la construction. Il conviendrait peut-être de s’interroger sur les raisons du caractère récurrent de cette  discussion, sur les causes de son caractère indépassable, voire sur les motifs pour lesquels tant de sociologues du droit que leurs détracteurs ne se mettent d’accord que sur le constat d’incertitude.



                                                           Jacques COMMAILLE,  Jean-François PERRIN (1985 : 118)




  1. O campo do corpo
Porque há aqui dois mundos, dois fenómenos sociais - o direito e as actividades físicas[7] – examine-se o andamento do primeiro, e os reflexos no compasso ou descompasso do segundo. Para o efeito, os apoios aos instrumentos do Direito, da Medicina, da Sociologia, e da História, suportarão a tessitura deste trabalho, embora Vincenzo Ferrari considere: “quoique l’intégration entre histoire et sociologie – en général et dans le champ juridique en particulier – soit nécessaire, elle pose, quand même, toujours des problèmes délicats d’équilibre entre l’approche «idéographique» et l’approche «nomothétique», pour se référer à des notions traditionnelles”.[8] Neste contexto o direito constitui instrumento para determinar as mutações da regulação do legislador, e a sociologia, instrumento para determinar a regulação social, e dos comportamentos recíprocos, ou seja, ante a produção normativa, ou ante a produção do social.
Para Bourdieu (1994:108), este problema torna-se mais complexo, porque a um historiador é exigido o conhecimento do triângulo  “teoria do governo, prática do governo, e pessoal do governo”  para melhor entender a praxis condutora do comportamento político, ou, por outras palavras, do campo político, e respectivas decisões. Se bem que lhe assista a razão, é de crer que o retrato da governabilidade política está expresso no direito constitucional, embora indelevelmente, dadas as condicionantes já referidas no anterior post.

Se não está, a legislação emanada mais claramente regista, estampa e reflecte o pensamento (recto ou enviesado), e a vontade política (positiva ou negativa) do governo, quer integralmente cumprida em actos pelo executivo, quer até quando não cumprida ou não aplicada, o que obriga a ouvir a outra parte (o destinatário das leis), isto é, a analisar ou a estuda. Ou, aos efeitos causados pela aproximação, ou ao choque, repulsa, ou até oposição, entre o campo político, com os seus subcampos legislativo, executivo e económico, e o campo do corpo, onde os seus cinco subcampos, castrense, médico, educativo, associativo, e lúdrico[9] (vide Quadro A, mais adiante), formam uma família, ou um campo comum, porque todos eles observadores e cuidadores do corpo.

Bourdieu (1984:113) define o campo como um lugar de interacção, gozando de alguma autonomia no espaço social, e onde os vários agentes vivem um mundo estruturado, sui generis, com a mesma linguagem, as mesmas regras, o mesmo comportamento, a mesma lógica inteligível, a mesma racionalidade organizativa, os mesmos objectivos, os mesmos hábitos incorporados, as mesmas propriedades específicas adquiridas, histórica e consuetudinariamente. O mesmo autor (1979: 103), é mais explícito ao considerar que se pode aplicar ao campo o que Bachelard ponderava relativamente à física, ou seja: cada campo é um “campo de forças possíveis”, representando uma “situação dinâmica”. O que lhe permitiu acrescentar que é “un microcosme doté de ses lois propres” (Bourdieu: 1997, 14).

Cabe neste contexto o exemplo apontado por Wittgenstein, que, ao comparar diversos tipos de jogos “descobriu uma complicada rede de semelhanças”, concluindo que “as diversas semelhanças entre os membros de uma família - constituição, feições, cor dos olhos, porte, temperamento, etc., etc. - sobrepõem-se e entrecruzam-se da mesma maneira”[10] (apud Ullmann, 1964: 246). É o que ocorre entre os médicos, os militares, os professores de educação física, os dirigentes desportivos e os artistas de circo, e das artes cénicas em geral (teatro, balê, ópera), porque ao incidirem os seus interesses e as suas preocupações sobre a visão, o trabalho e a actuação do corpo, acabam por ser membros da mesma família, embora cada membro viva em casa própria, e estipule orientações particularizadas, porque o alvo é sempre o corpo.
 
Bourdieu (1984: 115) sublinhará ainda que “tous les gents qui sont engagés dans un champ ont en commun un certain nombre d’intérêts fondamentaux, à savoir tout ce qui est lieu à l’existence même du champ: de là une complicité objective qui est sous-jacente à tous les antagonismes”. O que permite avançar com a ideia de que cada campo tem a sua linha limite envolvente que legitima o conteúdo, e lhe fornece os contornos de uma constituição autolegitimada, com todas as virtudes e todos os defeitos que o impregnam, quer haja ou não divergências internas, mudanças ideológicas, teóricas ou técnicas, mas perseguindo os mesmos fins, embora em estruturas diferenciadas. Apesar das aparentes divergências que os cinco subcampos possam suscitar, relativamente à lupa com que cada um observa e trata o corpo – o estuda, analisa e utiliza - importa aqui adregar o esclarecimento atempado, e a propósito, de Montesquieu (1979 : I, I, 124), “chaque diversité est uniformité, chaque changement est constance.” Leitura que autoriza, ainda que sinteticamente, ponderar a hipótese de que num campo há uniformidade na diversidade, e diversidade na uniformidade.
Finalmente, o campo do corpo pode ainda considerar-se como um sistema “formé de composantes distincts reliés entre eux par un certain nombre de relations. Les composants sont considérés comme dès sous-systèmes”[11], ou seja, como subcampos.
Parece óbvio que se trata aqui, lateral ou cumulativamente, de uma sociologia do corpo, na medida em que os agentes dos subcampos, pretendem, através de técnicas específicas, produzir um corpo são (médico, professor, militar, treinador), ou um corpo ultrapassando os limites mínimos (militar, treinador, artistas circenses e cénicos). O corpo torna-se assim “l’objet d’une construction sociale et culturelle”.[12]
A conflitualidade entre diferentes campos – v.g.: político versus corpo - afere-se pela passividade ou ausência do campo político (inacção) face à incessante e perene actividade do campo do corpo (acção). No fundo, um desentendimento entre o inerte pragmatismo estatal e a ideologia viva do corpo, entre o estático e o dinâmico, entre o negativo e o positivo, entre a estagnação e a progressão, que não permitem nem consente desvios de parte a parte.
Apesar dos reflexos e influências que os dois campos, ou sistemas, recíproca e inevitavelmente se projectam, pelas funções sociais que desempenham, independentemente, ou por força, da passividade do político, e da actividade do corpo, é de considerar que o volume excepcional de saber acumulado e prática exponencialmente crescente do campo do corpo, num prazo de tempo braudeliano[13] de longa duração, agora e aqui no limite de dois séculos, não permitiu sensibilizar, nem no limiar mínimo, o campo político, onde as ressonâncias, ou não chegam, ou aparecem amortecidas, como vozes longínquas e imperceptíveis. E, se chegam audíveis, são de imediato repelidas, porque os dois campos têm percursos paralelos, isto é, estão condenados a não se encontrarem, a não se entenderem, pela recusa do campo político.

 Mas, se o percurso do campo político obliqua para uma aproximação ao campo do corpo, é porque há proventos políticos e ideológicos a extrair e a aproveitar, como se o governo, em vez de cumprir um dever, tivesse por função aguardar oportunidades para distribuir favores [14]. Por outras palavras, procura-se aqui dar testemunho de que uma das causas do atraso do campo do corpo lusitano, resultará da permanente colisão entre os dois campos, que, bem se entende, irreconciliáveis, por lutarem, cada um, pela sua legitimidade, pelo seu código, pelo seu direito.

Se se considerar que a família do campo do corpo é composto de cinco subcampos ou subsistemas, que lhe estão associados (subcampo médico, subcampo educativo, subcampo castrense, subcampo associativo, e subcampo lúdrico), relativamente ao apelo e à necessidade das actividades físicas, já que cada uma daquelas partes comunga a mesma linguagem, os mesmos interesses, e, fundamentalmente, perseguem o mesmo objectivo (que uso fazer do corpo, quando, onde, como, porquê e para quê), justifica-se a razão da fusão num só campo (campo do corpo), onde predominam as técnicas corporais objectivadas por cada subcampo, isto é, ou de saúde, ou de excelência, ou de ambas, campo este que conflituará com o não menos fundido campo político (ou campo da classe governante [15]), sede e centro da decisão política, com os seus três subcampos (legislativo, executivo e económico), representados no Quadro A, onde simbolicamente o campo do corpo é comparado a um carro de Fórmula 1, e o campo político, a um automóvel 16] calhambeque, utilitário sim mas de andamento, lento, isto é, tardio.

E isto, porque normalmente as técnicas corporais e as relações entre elas e a sociedade tomam a dianteira, sem que o Estado se aperceba dos problemas que essas relações levantam, considerando que cada um percorre o seu caminho, a diferentes velocidades. Vejam-se estes modelos dos subcampos, não como modelos teóricos mas como modelos didácticos, para, como explica Elias (1980: 100), ajudar a ultrapassar as dificuldades da exploração e do desenvolvimento dos campos.

Assim, para se entender melhor o âmbito do campo do corpo, explanar-se-ão quais os contributos e quais as acções desenvolvidas pelas artes médicas, educativas, marciais, associativas e lúdricas, todas elas debruçadas sobre o trabalho do corpo. Cada um dos actores destas artes, construindo, por ensaio e erro, empírica ou cientificamente, a sós, e/ou, por permuta entre eles, com ou sem acertos tácitos ou expressos, ou até discordantes, renovaram as concepções, as ideias e as acções, os conhecimentos, as teorias e as práticas do campo do corpo.


Importa dizer que, com o auxílio do desenho foi possível construír a engenharia e a arquitectura do corpo, que permitiu a visualização, a três dimensões, dos músculos, das articulações, dos ossos, da circulação e dos órgãos; dos movimentos corporais, através de uma notação criptografada, como foi o caso da labanotação [17]; da fotografia [18], do cinema, e, actualmente, do computador. Todos estes instrumentos revelar-se-iam excelentes auxiliares para a observação e análise minuciosa do movimento corporal, e correspondentes correcções do gesto técnico para evitar deformações, para ergonomizar os gestos, as atitudes e os movimentos, e alcançar a excelência, nas diferentes áreas: desportiva, lúdica, cénica, e lúdrica.

Mas o Estado ignora.
  
Notas

[7]  Nota-se haver um certo parentesco entre o direito, o Estado e a Educação Física, v.g., quanto ao conceito ou definição  de cada um deles. Louis Sala-Molins num artigo publicado no Diário de Lisboa, de 14.8.1982, referia que em 1904, Sternberg opinava que “os que falam de direito passam o tempo a perguntar-se do que falam, incapazes de definirem o seu objecto”; em 1943, Kojéve sentenciava que fazia falta uma definição satisfatória, quer do direito, quer do Estado; e, em 1981, André-Jean Arnaud concluía que havia “mil definições de direito, todas elas óptimas”. Com a educação física ocorre o mesmo - há igualmente mil definições e todas elas óptimas. E o Estado não foge à regra. Thomaz Ribeiro, a propósito da definição de poder judicial, por exemplo, refere que “As cortes ponderaram os perigos nas definições das leis, pela imperfeição inerente a tais definições e pelas interpretações diversas a que se prestam. (1891: 241) 
[8]   In Arnaut (1998: Prefácio, 13). O prefaciador refere-se à ultrapassada questão da diferença entre as ciências da natureza, ou nomotéticas (de nomos=lei+thetes=fazedor) que procuram estabelecer a regularidade de certos factos e daí estabelecer leis gerais, donde constituírem-se como generalistas, e as ciências do espírito, ou ideográficas, como a história, que apenas procuram os factos particulares, donde constituírem-se como individualistas. 
[9]     Relativo a espectáculos públicos. Lúdrico ou lúdicro deriva do latim ludricus que, por sua vez, deriva de ludus=jogo, ou seja o jogo espectáculo.   
[10] Wittgenstein protagoniza desta forma quão difícil é encontrar uma definição ou ter um conceito do jogo. Ver mais desenvolvidamente, a este respeito, M. Chastaing (1960: 297-303), “Wittgenstein et les problèmes de la connaissance d’autrui”, in Revue Philosophique de la France et de l’étranger, tomo CL, PUF, Paris. Sobre o conceito de jogo ver ainda, do mesmo M. Chastaing (1959: 303-326) « Jouer n’est pas jouer » in Journal de Psychologie Normale et Pathologique, n.º 3, juillet-septembre, Paris. A talhe de foice, ver ainda o artigo de Philippe Liotard, «L’Éducation Physique n’est pas jouer », in Corps et Culture, n.º 2, Montpellier, 1997. Depois dos clássicos Huizinga e Caillois, passando por Piaget, Kant, Schiller, Gadamer, Sartre, Deleuze, Derrida, Spencer, Groos, e até Einstein que também se debruçou sobre o jogo, a mais desenvolvida referência ao jogo pode encontrar-se na obra de Mihai I. Spariosu, Dionysus reborn. Play and the aesthetic dimension in modern philosophical and scientific discourse, Cornell University Press, Ithaca and London, 1989.                                    
[11] Apud Jean Ladrière, Théorie des systèmes, in Encyclopædia Universalis (website http://www.universalis.fr/).(20.10.2002)
[12]  Vide, de David Le Breton, La sociologie du corps, PUF, Paris, 1992, p. 81.                         
[13] Para F. Braudel a longa duração seria multisecular, a curta duração, abarcaria alguns decénios, e o ocasional (evenementiel), um ano ou um mês. Esta periodização foi questionada no Colóquio Penser la périodisation, realizado na Universidade de Genebra, em 18.6.2002, a qual, apesar de vários contactos não foi possível obter cópia das comunicações. Sobre a sociologia do longo tempo ver, de Norbert Elias, What is sociology, University Presses of Califórnia, Columbia and Princeton, 1984. Há tradução francesa, Qu’est-ce la sociologie, Éditions de l’Aube, La Tour d’Aigues, 1991; portuguesa, Introdução à Sociologia, Edições 70, Lisboa, colofon 1980; e espanhola, Sociologia fundamental, ed. Gedisa, S.A., Barcelona, 1992. 
[14] Quando os atletas cubanos, depois de medalhados nos Jogos Olímpicos, se acharam no direito de exigir do Governo melhores condições e melhores instalações para os treinos, Fidel de Castro respondeu-lhes que as medalhas ganhas eram os melhores testemunhos das condições dos treinos e da qualidade das infra-estruturas. Face ao que, era a ele que competia exigir mais medalhas. 
[15] A propósito deste conceito Raymond Aron observa: “...todos admiten la legitimidad del concepto y la existencia de grupos que merecen el nombre de clase. Incluso, sólo una fracción de sociólogos pone en duda la legitimidad de conceptos tales como «clase política», «clase gobernante» o «élite». Existe la clase gobernante, o es un mito?” (Clase social, clase politica y clase gobernante, in Clase, status y poder, tomo II, por Reinhard Bendix e Seymour M. Lipset, ed. Suramérica, Madrid, 1972).
[16] Comparar o campo político a um automóvel não é depreciativo. Roland Barthes (1972: 195) escreveu: “o automóvel é hoje o equivalente bastante exacto das grandes catedrais góticas” (Mitologias, ed. 70, Lisboa).  
[17] Deriva do nome do seu autor Rudolph Von Laban, baseado na ideia de que, havendo partitura para os sons, também a dança, e os movimentos, em geral, poderia ser transcrita graficamente. Mas antes de Von Laban já outros autores tinham tentado a notação da dança: Raoul-Augier Feuillet, em 1700, com a Chorégraphie; Arthur Saint-Léon, em 1852, com a Sténochorégraphie; Margaret Morris, em 1928, com Notation of Movement, seguindo-se a de Von Laban, com cinétographie. Ann Hutchinson criou, em 1940, em Nova York, o Dance Notation Bureau, com o fim de estudar todos os sistemas de notação, optando pelo de Von Laban que designou de Labanotation, em 1952, sistema que passou igualmente a ser utilizado, além da dança para que fora criada, pela indústria, etnologia, e psicoterapia. Os ingleses optaram pelo sistema de Rudolf e Joan Benesh, e dele se utiliza a Escola Real de Dança de Londres. Mais desenvolvidamente ver Encyclopédie Universalis (http://www.universalis.fr/)(15.8.2002).                            [18]  Ver, a este propósito, do Dr. Henrique Vilhena, “Notas sobre a fotografia na anatomia “, in Separata da Academia das Ciências, Lisboa, 1940.
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 Referências


(1891) Ribeiro,Thomaz. Historia da legislação liberal portuguesa, Tomos I. Lisboa: Imprensa Nacional.
(1940) Vilhena, Henrique. “Notas sobre a fotografia na anatomia”, in Separata da Academia das Ciências. Lisboa: Academia das Ciências.
(1958) Braudel, Fernand, “Lalongue Durée”, in Annales, n.º 4, oct.-déc. Paris: Armand Colin.
(1964) Ulmann, Srephen. Semântica. Uma introdução à ciência do significado. 4.ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.
(1972) Aron, Raymond, “Clase social, clase política y clase gobernante”, in Clase, status y poder, vol. II. Madrid, Euramerica, S.A.
(1972) Barthes, Roland, Mitologias. Lisboa: Edições 70.
(1979) Bourdieu, Pierre. La Distinction. Paris: Les Éditions de Minuit.
(1979) Montesquieu. De l’esprit des lois. 2 vols. Paris: GF Flammarion.
(1980, colofon) Elias, Norbert, Introdução à sociologia. Lisboa: Edições 70.
(1984) Bourdieu, Pierre. Questions de sociologie. Paris: Les Éditions de Minuit.
(1985) Commaille, Jacques, et Perrin, Jean-François. «Le modèle de Janus de la sociologie du droit», in Droit et Société, n.º 1. Paris : L.G.D.J.
(1992) Le Breton, David, La sociologie du corps p. 81, Paris: PUF.
(1994) Bourdieu, Pierre. Raisons pratiques. Sur la théorie de l’action. Paris: Éditions du Seuil
(1997) Bpourdieu, Pierre. Les usages sociaux de la science. Pour une sociologie clinique du champ Scientifique. Paris: INRA Éditions.
(1998) Arnaud, A.-J., Le Droit trahi par la Sociologie. Paris: L.G.D.J.
(2002) Ladrière, Jean, Théorie des systèmes, in Encyclopædia Universalis (website http://www.universalis.fr/).(20.10.2002)
(2002) Laban, Rudolph von, vide in Encyclopédie Universalis (http://www.universalis.fr/) (15.8.2002)



                                                                                                                                            


















O que disse o COP aos parlamentares (sínteses)

Vicente Moura:

  • Em 2005 o COP foi obrigado pelo Governo a escrever 4 medalhas no contrato-programa
  • Em 2009 foi o COP que decidiu não incluir medalhas no contrato-programa e incluir orientações gerais
  • Foi o COP que propôs o contrato a 4 anos a Hermínio Loureiro
  • O Estado não consegue pagar a tempo e horas
  • O COP com o dinheiro que recebe do Estado, supõe-se que pago a más horas de acordo com a frase anterior, paga a tempo e horas e nunca houve nenhuma queixa por parte das federações ou dos atletas
  • Há federações que não têm resultados olímpicos e recebem dinheiro do Estado
  • Há federações que têm resultados olímpicos e não recebem aquilo que necessitam para aumentar os seus resultados olímpicos
  • Não vai retirar-se do desporto, quer continuar a contribuir para a solução dos projectos olímpicos
  • Os resultados olímpicos são suficientes a sofríveis
  • O estudo da PWC encomendado pelo Governo não teve em consideração a experiência do COP
  • Não explicou qual é a experiência do COP a que se referia
  • (Não referiu nenhum estudo que alguma vez tenha encomendado e mandado fazer sobre o olimpismo e os desafios do olimpismo português, nomeadamente para ganhar medalhas ou outra matéria de interesse. Nenhuma federação desportiva portuguesa o faz!)
  • É bom haver uma preparação a 2 ou 3 ciclos olímpicos
  • O COP é confundido com os resultados da base que não lhe competem
  • O COP é crucificado por não ganhar medalhas olímpicas
  • 2001 dizia o mesmo de agora em relação à situação do desporto e espera que o governo mude de política desportiva
  • O COP teve no ciclo 1997-2000 de Sydney 9 milhões de euros e em Atenas2004, Pequim2008 e Londres2012 11 milhões de euros em cada um dos ciclos olímpicos.

Mário Santos:
  • Os Jogos Olímpicos são finais
  • A Europa é o continente mais forte
  • Para os países europeus é mais difícil chegar aos Jogos Olímpicos do que outros países de outros continentes
  • Há o factor da imprevisibilidade mesmo que se invista muito em competições, atletas, infraestruturas, etc
  • A Hungria ganhou em Londres 18 medalhas, 6 na canoagem, tem competições de vários dias com 50.000 pagantes, possuindo uma boa articulação entre subsistemas
  • Não temos resultados em modalidades colectivas, sugerindo a maior dificuldade da detecção de talentos nestas do que nas individuais
  • A participação olímpica é o último segmento do alto rendimento
Nota
São frases que retirei do que fui ouvindo sem uma preocupação de ter as palavras exactas.

Retirei estas frases ou porque concordo com a frase e a ideia, ou porque se recolhe informação, ou porque são contraditórias.

Recomendo que as pessoas que tenham interesse ouçam as palavras de cada um dos responsáveis.

A minha conclusão é que:
  • quer Vicente Moura, quer Mário Santos deveriam ter sido mais densos e estruturados.
  • as frases e ideias que apresentaram são pensadas e visam propósitos que parecem razoáveis
  • o desafio é saber se a razoabilidade é suficiente
  • há a necessidade de fazer avançar os líderes desportivos para a complexidade que é o olimpismo moderno
  • essa complexidade aparece de forma esparsa nas palavras expressas daí a necessidade de estruturar e serem agressivos na defesa do desporto e do olimpismo nestas audições parlamentares
  • dou um exemplo: parece-me razoabilíssimo que a canoagem deveria receber mais dinheiro público. Dá a ideia que é isso que tanto Vicente Moura como Mário Santos sugeriram e é aí que se encontra a limitação do encontro no Parlamento. No Parlamento usando a Canoagem é preciso alavancar todo o desporto ...
  • por estes motivos,
  • a complexidade do desporto português tem de ser profundamente trabalhada.

Muito tenho criticado Vicente Moura e estou à vontade para afirmar que esta me pareceu a melhor intervenção das que acompanhei.

Coisas para o desporto pensar ou talvez não se não estiver para aí voltado

Segundo o Jornal de Negócios de hoje "FMI apresenta medidas ao Governo para cortar 4 mil milhões ".
Ver aqui o relatório no Jornal Público.

Sobre a Canoagem

Agora toda a gente elogia a Canoagem e a medalha conquistada em Londres em 2012.

Olhando para a história do desporto português isso já aconteceu com outras modalidades e os meses seguintes à conquista das medalhas são uma maravilha.

O que acontece é que depois tudo volta ao mesmo e o esmagamento das condições ideiais de trabalho escorrem como areia pelo intervalo dos dedos até chegar ao dia em que nada se obtem.

A própria Canoagem levou 20 anos a recuperar da performance de Barcelona.

20 anos são muitas vidas em que o desporto português não conseguiu gerar resultados para a modalidade recuperar.

Agora a Canoagem está na mó de cima.

Não me cabe fazer o que outros fazem muito melhor do que eu que é o de elogiar ficando bem na fotografia e com quem cumpre o seu dever naquele momento.

É muito bonito quando este é esmagado pela realidade desportiva nacional e vilipendiado e se cavalga o sucesso seguinte.

A Canoagem teve um trabalho extraordinário em Londres mas o que me cabe fazer é ir mais longe e compreender outros aspectos que não sendo compreendidos impossibilitarão a sobrevivência de atletas, clubes e federações.

Espero duas coisas:
  • Que Mário Santos mais que duplique as medalhas e outros resultados da modalidade no futuro.
  • Que o próximo presidente do COP crie outro elã ao longo dos seus mandatos para chegar a eleições futuras com propostas estruturas e profundas para além de um ou outro recorte de jornal que seja relevante usar.

A audiência na AR pareceu uma vacuidade parlamentar

Os deputados entravam e saiam marcando o ponto, com a intervenção de 3 minutos,  e não debatendo a política desportiva o que foi reconhecido pelo presidente da audiência José Ribeiro e Castro quando refere que o Grupo de Trabalho do Desporto deveria aprofundar e continuar o debate, presume-se sem o COP, e tratando de questões como o desporto escolar, o financiamento e a apresentação de contas pelas federações e a relevância do Rio de Janeiro como os primeiros Jogos Olímpicos da Lusofonia.

Vicente Moura apresenta ideias interessantes nas muitas coisas que disse mas principalmente o que fica é a sua crítica ao estudo da PWC encomendado ao Governo, quando ele nunca fez em dezenas de anos de presidência no COP um estudo que possa agora apresentar e em segundo lugar por deixar no ar um pedido de trabalho eventualmente a alguém presente na sala porque ia sair do COP mas ia ficar por aqui por ter ainda muito para dar, o que não concretizou.

O seu pedido para ser ouvido com outro estatuto pela PWC esbarra no facto do COP não ter estudos ou investigações para a matéria que distribuiu dinheiros durante décadas e que quando foi ouvido nada apresentou de estudos e investigações a corroborar as suas posições.

Nesta audiência referiu muito a informação que tinha e ao concretizar parece que são os recortes de jornal que iam saindo ao longo de todo o tempo o que face aos resultados materiais actuais é decisivamente insuficiente.

Os deputados estavam apressados queriam estar fora dali, apresentavam questões bonitas mas não tinham tempo para ouvir ou discutir as respostas. Deveria ser mais clara a sua responsabilidade como deputados da Nação e seria interessante que do ponto de vista do desporto essa prerrogativa fosse respeitada e claramente evidenciada.

O que fica do debate é uma apresentação que pode ser considerada interessante por parte de Vicente Moura e Mário Santos e a ausência de conceitos ou de uma Visão do desporto e do olimpismo por parte dos parlamentares.

Os conceitos estão ultrapassados pela parte dos líderes desportivos se bem que estejam a evoluir rapidamente mas a que falta profundidade e estruturação face aos desafios que se acumulam.

O Parlamento também não vai deixar de cavalgar a medalha olímpica da Canoagem em Londres, segundo promessa feita, e assim vão as iniciativas para desenvolver o desporto português.

Audição ao presidente do COP no Parlamento

O link está aqui.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O COP e os Governos

Este tema é fulcral goste-se ou não do que um e os outros fizeram no passado.

Vamos colocar numa frase pequena a ideia de que muito da política desportiva passa por este diálogo.

O COP tem de se preocupar com a totalidade da política desportiva sob pena de prejudicar os resultados olímpicos face a soluções menores nos segmentos de que depende o alto rendimento.

Diminuindo os resultados olímpicos há uma dificuldade maior em justificar que as federações em vez de 14 milhões de euros, querem mais porque esse é que será o valor que corresponde ao seu trabalho.

Se um sector com impacto no alto rendimento deveria produzir 100 e produz 50 então o COP que esperava 100 tem de se contentar com a gestão do outro que só produziu 50.

Como equacionar as relações entre parceiros interdependentes e do Estado na gestão das relações estabelecidas e contratualizadas?

Os membros do colégio eleitoral do COP devem perguntar aos candidatos o que farão nestes casos.

As federações devem também perguntar aos candidatos que objectivos é que apresentam e qual o envolvimento de diferentes parceiros onde as federações se poderão dirigir para se financiarem.

Estas perguntas fazem sentido para o futuro?

Não tenho a certeza que no passado estas questões tivessem sido equacionadas.

Devem sê-lo?

Dependerá do posicionamento da federação que vota, sem dúvida, mas que cuidados ter para defender melhor os seus interesses particulares?

As relações entre o COP e os Governos dependerão da posição das federações que são os agentes que delegam o poder.

Henrique Monteiro do Expresso defende a dama dele, a televisão

Quem defende a dama do desporto do que lhe estão a fazer?

Quem será o candidato à presidência do COP capaz de colocar os pontos nos is, naquela mesma sede, no Expresso?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Acerca de Fernando Mota

Luís Santos será um dos apoiantes entusiastas de Marques da Silva e ninguém fala disso.

Fala-se do Fernando Mota e diz-se que ele afasta as pessoas, neste caso os votantes do colégio eleitoral das eleições do COP e da sua própria federação.

Ontem um comentador resolveu comentar nestes termos os candidatos FM e JMC para apoiar anónima e olimpicamente Marques da Silva.

Há evidentes anticorpos que se criam e adoecem as pessoas face aos outros mas isso passa.

Ninguém tem o poder todo sozinho, mesmo o muito que FM terá tido, depende de condições que o potenciam e Fernando Mota é um dinossauro, no sentido de quem teve o saber para ter poder durante muito tempo, como Luís Santos é e Marques da Silva e de que ninguém fala ou de outros que José Manuel Constantino também terá na sua equipa e apoiantes e também ninguém fala deles já que o argumento contra JMC é a inexistência de experiência olímpica.

Este argumentário é como o bendito cheiro ao balneário.

Já agora, o candidato Marques da Silva cheira a balneário ou é por isso que lá está algum ex-candidato para dar genuinidade?

Este tipo de argumentação é nefasto ao desporto e evita o debate sobre os desafios colocados ao desporto.

Estes termos são errados e devem ser contrariados porque esvaziam o conteúdo ético e desportivo do debate e que deviam ser uma preocupação maior.

O desporto está mal não só por causa do Fernando Mota, também do Marques da Silva, do Vicente Moura, do José Manuel Constantino, do Luís Santos, daqueles de que não se fala e estão por aí, e de todos porque ninguém conseguiu dar-lhe a volta e encontrar uma via para o desenvolvimento europeu em Portugal.

O tempo está a chegar ao fim e atrasa-se o conhecer das ideias dos candidatos que é o objecto principal em que se devem apoiar os votantes do colégio eleitoral e deveriam ser dados a conhecer à população portuguesa e a outros agentes e parceiros desportivos.

Parece que todos ganham porque nenhum dos candidatos dá o passo em frente a falar das questões mais profundas e difíceis do desporto português.

Outra hipótese, no sentido dos negócios do costume, é que quem falar passa a ser mal visto e depois não consegue apanhar o comboio mais rápido quando ele passar.

Nestas coisas e infelizmente o desporto português não é dado a surpresas ou a comportamentos destemidos!?

DO FUTURO DO COP




Afigura-se que está tudo claro, porque há o Olimpismo e o Estatismo, e o Fernando Tenreiro colocou as peças do xadrez no seu lugar.
 

Quem trabalha sob o chapéu do Olimpismo tem os termos definidos no seu âmbito, ou seja, o COP terá o seu discurso orientado para o CIO, e não para o Estado que o acolhe com o seu beneplácito, porque é o correio do CIO para permitir a entrada dos atletas nos Jogos Olímpicos.



Donde, quem trabalha no COP, fá-lo em respeito ao CIO, e falará em termos olímpicos, e não em termos de desenvolvimento desportivo porque não lhe cabe tal tarefa por muito boa vontade que tenha, e porque ofenderia os órgãos encarregados dessa tarefa. Não passa de uma boa intenção que o Estado olha de soslaio.



Isto para dizer que o COP terá de orientar as suas acções directamente para o CIO, já que dele depende, no sentido de dialogar para sugerir alterações que possam melhorar ou ter reflexos no desporto nacional, que o mesmo é dizer, do desporto mundial que a uma só voz fala - a do desporto.



Posto isto não se viu até hoje, a nenhum dos candidatos, falar a linguagem olímpica. Que relações entre COP e CIO ? Que orientações necessitam de ser esclarecidas, quais as omissas, quais as contribuições serão necessárias para corrigir e melhorar o Olimpismo ? Quais as sugestões ou propostas a propor ao CIO para alargar as funções COP, e por reflexo, dos Comités Olímpicos Nacionais ?


Falam daquilo que sabem, e daquilo que viveram, em termos federativos, associativos, confederativos ou INDicos. Todos eles vivem ainda nessas áreas porque não conhecem o olimpismo, seus trâmites, suas orientações, seus problemas, suas configurações. Falam do país e seus problemas desportivos como se concorressem a uma Federação, a uma Associação, à Confederação, ao IND, pelo que a linguagem surge distorcida e desfasada do contexto Olímpico. Se é um discurso que foge às dificuldades em falar em termos Olímpicos, tem a inopinada vantagem de ter bom e ilusório acolhimento nas Federações porque, se também é o discurso que entendem, ele configura-se errático.

O COP pode viver e conhecer o desporto nacional, mas não pode ter a ilusão de que vai melhorá-lo.  Cabe-lhe contribuir para melhorar o CIO, e que tenha feedback no próprio COP e no desporto nacional. 

Não basta pedir o auxílio do Estado. Chegou o momento de o exigir também ao CIO.






domingo, 6 de janeiro de 2013

O que é o COP? Para que serve o COP?

Não vou aprofundar esta questão com a ciência do olimpismo e a história.

Candidatos à liderança do COP ao constituírem-se em corporação de eleição, ou igreja dos puros, para a defesa de um ideal imaterial colocam ao colégio eleitoral uma realidade que tem sido perniciosa ao desporto português. 

Não dizem o que é o COP e aquilo para que querem ser eleitos e oferecem-se como vestais e intocáveis.

O COP possui o direito de propriedade de Portugal se candidatar com atletas às competições que são propriedade do Comité Olímpico Internacional.

O direito de propriedade de Portugal, consubstanciado no COP, dá a este o direito de se representar nos órgãos de liderança do COI e simultaneamente gerir a imagem do produto desportivo mais importante desportiva, económica e socialmente a nível mundial.

O COP é uma instituição privada sem finalidade lucrativa que é complexa beneficiando do output de todas as organizações desportivas nacionais e simultaneamente potenciando e estando ao serviço dessas mesmas organizações para projectar ao nível mundial esse labor construído desde uma base, humilde, laboriosa e vital do ser português.

Por esta posição o COP é um interlocutor perante a sociedade e o Estado e a economia do potencial do desporto e das suas necessidades tendo a legitimidade e a missão de gerir princípios e instrumentos contraditórios e de elevado grau de responsabilidade social tanto em Portugal como perante a Europa e o mundo.

O COP pouco tem sido deste ideal de governança (olímpica???).

Olhando para outros países ou os comités olímpicos assumem uma posição relevante ou o Estado assume a função de liderança do respectivo complexo desportivo nacional.

A questão relevante é a existência de estruturas capazes de maximizar o produto desportivo nacional.

Não existe um olimpismo pendurado numa árvore ou ao pescoço de 'O Iluminado' para ser reverenciado e agradecido abundantemente com prebendas douradas.

O Estado português tem lacunas imensas no desporto e o COP tem sido companheiro de viagem e de diabruras e infantilidades para não avançar na negligência e malfeitorias.

O que é o COP? O que é que devia ser o COP?

Uma instituição de vanguarda desportiva e nacional, de excepção e de valores éticos indesmentíveis perante a prática desportiva e o uso do talento desportivo nacional e de cada euro e cada cêntimo que a sociedade portuguesa lhe coloca nas mãos.

Ora, o COP pouco tem sido destas coisas!

É este o problema de se falar na unidade dos puros que defendem o olimpismo.

A realidade é que o COP ou trabalha para dar uma volta de 180 graus ou vai continuar a enganar-se a si próprio e ao desporto português. Para não ir mais longe os atletas são exauridos dos seus benefícios e direito de vida, a juventude do seu potencial através do desporto, as mulheres da sua parte do céuatravés da actividade física, os idosos de um envelhecimento activo e mais prolongado e sustentado, os deficientes limitados por responsabilidades insuportáveis, os carenciados pelos gulags criados por uma sociedade de acolhimento exígua.

Estou convicto pelos elementos que a sociedade portuguesa apresenta com frequência que nem a sociedade nem a economia acreditam actualmente no desporto português, nas suas estruturas de governança e nos seus líderes.

Desta forma a eleição de líderes que mantenham aquilo que a economia e a sociedade não apreciam e tantas vezes sugerem evitar é um erro que queima e destrói o que de bom vai havendo e surgindo no desporto.

O olimpismo dos puros está muito distante do olimpismo europeu que é plural envolvente, fraterno, aberto às diferenças ao diálogo, à palavra e ao pensamento do outro, decidido a investir e a proteger.

Isto são coisas que o COP rejeitou com actos nos últimos 20 anos fechando-se combatendo ideias, congeminando estratégias com o parceiro de hoje e o inimigo de ontem e de amanhã, sem princípios e sem servir aquilo que é a sua missão de servir as organizações desportivas que produzem desporto na base e em toda a estrutura de produção da pirâmide desportiva.

O olimpismo trabalhou para se engalanar e não trabalhou para exigir a quem de direito na estrutura de governança a responsabilidade de potenciar o desporto português e as suas características próprias e únicas.

Este comportamento acompanhado da incapacidade de investigação profunda do ser desportivo português cortou as hipóteses de crescimento e desenvolvimento sustentado.

O COP é uma organização privada portuguesa que deve ser responsabilizada pela produção dos mais altos feitos desportivos nacionais em toda a estrutura piramidal.

O COP é o primeiro dialogador do saber e do sentir e das expectativas do último dos atletas e praticantes desportivos nacionais tenha ou não a possibilidade de voar no topo do mundo.

Estas são algumas das responsabilidades olímpicas do líder desportivo que for eleito em Março.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Candidatura de Marques da Silva a presidente do COP

A Bola de hoje refere que Carlos Cardoso e Manuel Brito aderiram à candidatura de Marques da Silva a qual se auto-denomina da unidade e do olimpismo.

Estes dois aspectos são importantes e devem ser tratados cuidadosamente.

O olimpismo é um conceito que guiou a Europa ao topo do mundo desportivo, teve um conjunto de outras características sem as quais esse mesmo olimpismo, de que o COP actual é o mentor actual, afastou Portugal da Europa.

Será útil que a candidatura de Marques da Silva explique com  muito mais material qual é o olimpismo com que esta candidatura pensa guiar o desporto português.

O bater no peito jurando um ideal não será a melhor das maneira de convencer a sociedade portuguesa daquilo que se pretende fazer no futuro.

A característica da unidade é outro elemento que conviria esclarecer porque a unidade de que fala a candidatura parece relacionar-se com os elementos que foram unidos até se desentenderem e agora afinal estão todos juntos.

Esta unidade que características tem?

Seria bom compreender bem estas questões numa linguagem que todos os agentes do desporto português se identificassem com o futuro presidente do COP.

Há questões que as pessoas podem não se aperceber e que são 'veneno puro':

  1. Falar do que sabem fazer apenas os presidentes das federações é um erro nacional comum quando a União Europeia afirma o diálogo social e a governança no seio das instituições federativas
  2. Exaltar o olimpismo da candidatura é um todo vazio se não se conseguir explicar o que é o olimpismo tem a ver com a sociedade portuguesa e tudo o que não é olímpico no desporto português. Escolhe-se o olimpismo como paradigma porquê? A explicação até pode ser simples e é necessário apresentá-la
  3. Eleger a magnífica unidade de algumas pessoas, que se sente não existir será empurrar os problemas com a barriga

As eleições para presidente do COP estão na sua fase final, podendo ainda haver desistências.

A Bola tornou-se o jornal que apresenta mais notícias sobre as eleições mas como se observa ou o jornal não consegue ir mais fundo ou os candidatos fecham o jogo à opinião pública.

Estou em crer que os jornais poderiam fazer mais mas não tenho a certeza que haja jornalistas ou condições no jornalismo desportivo português capazes de ir atrás destas notícias específicas e da apresentação de informação sobre o que, por um lado, verdadeiramente se passa quanto às movimentações dos candidatos e do colégio eleitoral e, por outro lado, do debate sobre as questões para o futuro do desporto português.

Pode também ser uma questão de calendário e estas questões serão abordadas mais para a frente.

A OLIGARQUIA DOS INCAPAZES



Leitura para um fim de semana

L'oligarchie des incapables

Sophie Coignard, Romain Gubert

Albin Michel (Editions)

Ils monopolisent les postes les plus importants, cumulent les privilèges et font de l'argent leur principale passion. Ils se servent de l'Etat pour aider leurs amis, fabriquent des lois sur mesure pour leur bon plaisir et laissent le pays aux mains de bandes rivales. Patrons, hauts fonctionnaires, élus ou experts, ces oligarques nous gouvernent avec un mélange d'incompétence et de lâcheté. Après L'Omerta française, Sophie Coignard dont les enquêtes font trembler le monde politique et Romain Gubert, journalistes au Point, nous révèlent vingt ans de compromissions et d'affaires cachées, qui ont permis à une caste de maintenir son règne malgré ses échecs répétés. En toute impunité.

Nos 40 anos do Expresso: futebol, Barcelona e automobilismo

Ao comemorar os seus 40 anos o Expresso fala da esperança de um treinador de futebol novo no campeonato inglês, do glorioso Benfica, do sempiterno Eusébio Ferreira da Silva, do Barcelona e do Dakar.

A imagem para comemorar os 40 anos do Expresso são o Futebol, o futuro com o Barcelona e Messi e o desporto motorizado.

Um comentador da comunicação social desportiva assegurava no Expresso depois do Euro 2012, qualquer coisa do género, 'não mexam no futebol'.

Eis a percepção que a sociedade tem do desporto português de quarenta anos enquanto sector que afinal soçobra e onde não existem líderes com arcaboiço social para o retirar de tal local profundo.

As candidaturas à presidência do COP de Fernando Mota e de José Manuel Constantino são credíveis, na minha percepção, e aquelas que poderão fazer frente à tragédia do lugar em que o desporto se coloca cada vez mais.

Chamei à atenção na comunicação social, no Expresso, Público, Jornal de Negócios, Diário de Notícias e em blogues meus e do Colectividade Desportiva que a situação do desporto era má e piorava.

Cavou-se entre o que escrevo e os líderes desportivos em exercício, uma aversão e um fosso porque identificaram os meus escritos com as suas limitações em garantirem o seu sustento.

Há uma coerência nesse posicionamento dos líderes desportivos que é o de considerarem que estão a fazer o melhor e as minhas afirmações são laterais e tendenciosas.

Eu diria mais do que dirão ou pensarão os líderes desportivos, as minhas posições são marginais e a sociedade e os jornais deixaram de querer perceber o que se passa no desporto e não têm tempo ou dinheiro para colocar no desporto português, tal como ele está.

Os jornais fizeram-no não por causa das minhas afirmações mas porque o desporto deixou de ser notícia que motive e predisponha o mercado do desporto, a economia e a sociedade portuguesa.

Os líderes desportivos portugueses têm um problema de décadas dado que não estudam, não investem no conhecimento, negam as estatísticas e o conhecimento baseado no benchmarking com os outros países europeus, cultivam, mesmo sem saberem o porquê, a subsídio-dependência e face à sua ignorância, no sentido do desconhecimento, são enganados na política porque desconhecem a realidade tanto nacional quanto europeia de que se coartam e distanciam e destroem valores nacionais extraordinários.

A realidade e a decisão do combate nobre entre Fernando Mota e José Manuel Constantino está nas mãos daqueles que antes de todos se fecharam, as federações olímpicas, e se tornaram mais pequeninos por decisão própria e não compreendem a natureza do comportamento social nacional e do Expresso como paradigma.

Quando hoje o Expresso fala dos sectores económicos com futuro, aí o desporto português não marca presença.

Os jornais não são masoquistas, têm a missão de informar mas não lhes cabe como órgãos privados fazer a caridade.

O produto desporto ou vende valor, mesmo que intangível, ou senão passa não vale a pena sugeri-lo ao leitor que consume o jornal.

Ao Comité Olímpico de Portugal caberia elevar as actuais eleições junto da sociedade e mobilizar os órgãos de comunicação social para esse debate, quer dos próprios candidatos, quer de terceiros sobre aspectos relevantes da realidade desportiva nacional.

Como o COP há muito liquidou qualquer elo vital com a sociedade e a comunicação social hoje a candidatura às eleições passam na Bola, não passarão no seu Canal MEO(???), e pontualmente em pequenas notícias no Record, do Diário de Notícias e do Público.

O futuro do desporto vende dificilmente, mesmo nos órgãos desportivos da comunicação social. A sua comunicação social!

O futuro de Portugal através do desporto não vende em nenhum órgão da comunicação social portuguesa, nem na economia, nem na sociedade.

Esta peça não é o fim da linha, porque o trabalho a realizar é imenso e não é missão para um iluminado ou D. Sebastião.

O imenso trabalho para maximizar o potencial desportivo europeu em Portugal tem de ser social, cultural e político.

Vender hoje o desporto português faz-se em qualquer 'feira da ladra'.

Colocar o desporto português nos areópagos europeus é definitivamente distinto da 'feira da ladra'.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A candidatura de José Manuel Constantino à presidência do COP avança

Eis excertos de afirmações feitas à Lusa e que estão nos sites do Público e do Diário de Notícias:
  • “Elevar o nível desportivo do país”  
  • Ajudar a “potenciar a capacidade organizativa das federações”
  • Tem uma equipa, … “pessoas identificadas com o fenómeno desportivo, disponíveis para trabalhar, construindo um conjunto de ideias a partir dos tópicos que apresentei e que procure melhorar a vida desportiva nacional, particularmente na sua dimensão de participação olímpica”
  • Ajudar a elevar o nível desportivo do país
  • Quanto aos cortes previstos no apoio ao desporto, o futuro candidato considera ser necessário “encontrar medidas que minimizem o seu efeito recessivo no funcionamento de todo o desporto nacional”. “Ninguém é indiferente à crise e momento que o país atravessa. Nenhum sector está sem ser afectado. Preocupa-me no que pode causar ao movimento associativo e desporto português”, reconhece
  • O desporto nacional melhorou significativamente quando comparado com há 20 ou 30 anos”
  • “O cenário evolutivo não depende apenas da participação olímpica, mas de todo um contexto da vida desportiva nacional em quadros competitivos internacionais”
  • “Globalmente - ainda que com momentos mais altos ou menos conseguidos - a avaliação é positiva, pese embora a circunstância de termos ainda um conjunto de indicadores de natureza desportiva muito aquém das médias europeias e internacionais, que penalizam a nossa capacidade competitiva”
  • Quanto à tutela e ao Instituto Português do Desporto e Juventude – um "relacionamento institucional normal entre parceiros que devem convergir nas ações e iniciativas de modo a que o potencial do país possa ser elevado, melhorado". "Não pode haver outro [relacionamento] diferente de correto, saudável, sem prejuízo da autonomia de cada um. O país só tem a ganhar com sinergia e convergência de posições oficiais do governo e movimento associativo desportivo"

Ainda as transformações na comunicação social

A relação criada entre o MEO e a Bola constitui também uma abertura competitiva da comunicação social neste caso da desportiva.

Os termos de troca relacionam-se com a capacidade do produto oferecido mediaticamente pagar o lucro do produtor de comunicação social.

A presença semanal de líderes desportivos federados no novo programa Menos Futebol é uma inovação proposta ao desporto que o desporto deve apanhar e não deixar fugir.

A fórmula abre expectativas que não se esgotam no modelo proposto até agora podendo intensificar a apetência da opinião pública pela inovação no espectro televisivo.

Exemplos de vinte anos sugerem que os líderes desportivos se fecham por tradição. Exemplos de décadas mostram parceiros de quem não se conhece a mínima inovação conceptual ou de governance a não ser a constância no poder, o que de qualquer forma sugere criatividade e capacidade.

A MEO é o exemplo de uma empresa de comunicação que inova possuindo uma das campanhas de publicidade mais agressivas, no bom sentido da competitividade, aliando-se ao jornal diário desportivo de maiores créditos. Daí a necessidade de atenção por parte do desporto aos termos de troca.

É um desafio aliciante ao desporto que está em aberto, se se quiser corrigir o passado parecendo haver quem mantenha as suas preferências e tenha o poder para tal.

Os novos sites dos órgãos de comunicação social

Nas últimas semanas os sites dos principais jornais portugueses transformaram-se para melhor.

O Jornal de Negócios, Público e Expresso são as mudanças recentes de um movimento anterior que vinha com o Jornal i e o Dinheiro Vivo.

Este é um sinal de como as coisas vão mudando em sectores sujeitos a maior concorrência e se assiste a mudanças competitivas para acompanhar a modernidade.

Oxalá estes exemplos tivessem a possibilidade de ser copiados pelo desporto e pelas suas instituições.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

UMA TARTARUGA EM CIMA DE UM POST




 



Enquanto suturava um ferimento na mão do velho, cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo, o médico e o paciente começaram
a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Passos Coelho. O velho  disse:

"Bom, o senhor dr.  sabe... O Passos é como uma tartaruga em cima do poste...".

Sem saber o que o velho quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste ao que o velho respondeu:

"É como quando o senhor vai por uma estrada, vê um poste e lá em cima está uma tartaruga a tentar equilibrar-se. Isso é uma tartaruga num poste.”

Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:

- Você não percebe como ela lá chegou.
- Você não acredita que ela esteja lá.
- Você sabe que ela não subiu por si só.
- Você sabe que ela não deveria, nem poderia, estar lá.
- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto lá estiver.
- Você não percebe porque é que a colocaram lá.
- "Então… tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer e providenciar para que nunca mais suba, pois lá definitivamente não é o lugar dela".



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O DINHEIRO DO ESTADO



Referência de recente data que escalpeliza a desgovernação do Estado francês e se aplica ipsis verbis à desgovernação portuguesa

L'argent de l'Etat - Un député mène l'enquête

René Dosière

·         Seuil

·         Broché

  • Paru le : 02/02/2012
Du budget de l'Elysée en constante augmentation au coût d'un ministre, en passant par les frais divers du Sénat ou de l'Assemblée nationale, René Dosière a élargi son enquête aux comptes du pouvoir. Cinq ans après le premier livre, l'argent de l'Elysée n'est plus un sujet tabou. Le parlement publie désormais chaque année un long rapport sur la question. Mais René Dosière a poursuivi ses investigations et nous expose la croissance des dépenses élyséennes, conséquences de l'activité intense du Président mais aussi de comportements dispendieux.
Le député apporte un éclairage inédit en calculant le coût réel d'un ministre, une première dans l'histoire de la République. Alors qu'une politique de réduction des fonctionnaires et des crédits s'impose aux divers ministères, les têtes de l'exécutif - en l'occurrence les cabinets ministériels - échappent à cette rigueur : effectifs et rémunérations augmentent à vive allure ! Le fonctionnement de l'Etat est curieusement l'un des trop nombreux angles morts de la démocratie, et l'on découvre avec un peu de stupeur qu'il échappe tant au contrôle qu'à l'information.
Le voile est levé, avec précision et clarté, sans polémique gratuite, dans un style dont le sérieux ne bannit pas la vivacité. Le citoyen trouvera dans ce livre le relai nécessaire à toute véritable transparence.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PACEM IN TERRIS

A todos os leitores se dedica esta receita brasileira

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanhe ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)



Não precisa

fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.



Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

ANO NOVO

Ano Novo
De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro... 
Fernando Pessoa