quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coisas para o desporto pensar ou talvez não se não estiver para aí voltado

Segundo o Jornal de Negócios de hoje "FMI apresenta medidas ao Governo para cortar 4 mil milhões ".
Ver aqui o relatório no Jornal Público.

Sobre a Canoagem

Agora toda a gente elogia a Canoagem e a medalha conquistada em Londres em 2012.

Olhando para a história do desporto português isso já aconteceu com outras modalidades e os meses seguintes à conquista das medalhas são uma maravilha.

O que acontece é que depois tudo volta ao mesmo e o esmagamento das condições ideiais de trabalho escorrem como areia pelo intervalo dos dedos até chegar ao dia em que nada se obtem.

A própria Canoagem levou 20 anos a recuperar da performance de Barcelona.

20 anos são muitas vidas em que o desporto português não conseguiu gerar resultados para a modalidade recuperar.

Agora a Canoagem está na mó de cima.

Não me cabe fazer o que outros fazem muito melhor do que eu que é o de elogiar ficando bem na fotografia e com quem cumpre o seu dever naquele momento.

É muito bonito quando este é esmagado pela realidade desportiva nacional e vilipendiado e se cavalga o sucesso seguinte.

A Canoagem teve um trabalho extraordinário em Londres mas o que me cabe fazer é ir mais longe e compreender outros aspectos que não sendo compreendidos impossibilitarão a sobrevivência de atletas, clubes e federações.

Espero duas coisas:
  • Que Mário Santos mais que duplique as medalhas e outros resultados da modalidade no futuro.
  • Que o próximo presidente do COP crie outro elã ao longo dos seus mandatos para chegar a eleições futuras com propostas estruturas e profundas para além de um ou outro recorte de jornal que seja relevante usar.

A audiência na AR pareceu uma vacuidade parlamentar

Os deputados entravam e saiam marcando o ponto, com a intervenção de 3 minutos,  e não debatendo a política desportiva o que foi reconhecido pelo presidente da audiência José Ribeiro e Castro quando refere que o Grupo de Trabalho do Desporto deveria aprofundar e continuar o debate, presume-se sem o COP, e tratando de questões como o desporto escolar, o financiamento e a apresentação de contas pelas federações e a relevância do Rio de Janeiro como os primeiros Jogos Olímpicos da Lusofonia.

Vicente Moura apresenta ideias interessantes nas muitas coisas que disse mas principalmente o que fica é a sua crítica ao estudo da PWC encomendado ao Governo, quando ele nunca fez em dezenas de anos de presidência no COP um estudo que possa agora apresentar e em segundo lugar por deixar no ar um pedido de trabalho eventualmente a alguém presente na sala porque ia sair do COP mas ia ficar por aqui por ter ainda muito para dar, o que não concretizou.

O seu pedido para ser ouvido com outro estatuto pela PWC esbarra no facto do COP não ter estudos ou investigações para a matéria que distribuiu dinheiros durante décadas e que quando foi ouvido nada apresentou de estudos e investigações a corroborar as suas posições.

Nesta audiência referiu muito a informação que tinha e ao concretizar parece que são os recortes de jornal que iam saindo ao longo de todo o tempo o que face aos resultados materiais actuais é decisivamente insuficiente.

Os deputados estavam apressados queriam estar fora dali, apresentavam questões bonitas mas não tinham tempo para ouvir ou discutir as respostas. Deveria ser mais clara a sua responsabilidade como deputados da Nação e seria interessante que do ponto de vista do desporto essa prerrogativa fosse respeitada e claramente evidenciada.

O que fica do debate é uma apresentação que pode ser considerada interessante por parte de Vicente Moura e Mário Santos e a ausência de conceitos ou de uma Visão do desporto e do olimpismo por parte dos parlamentares.

Os conceitos estão ultrapassados pela parte dos líderes desportivos se bem que estejam a evoluir rapidamente mas a que falta profundidade e estruturação face aos desafios que se acumulam.

O Parlamento também não vai deixar de cavalgar a medalha olímpica da Canoagem em Londres, segundo promessa feita, e assim vão as iniciativas para desenvolver o desporto português.

Audição ao presidente do COP no Parlamento

O link está aqui.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

O COP e os Governos

Este tema é fulcral goste-se ou não do que um e os outros fizeram no passado.

Vamos colocar numa frase pequena a ideia de que muito da política desportiva passa por este diálogo.

O COP tem de se preocupar com a totalidade da política desportiva sob pena de prejudicar os resultados olímpicos face a soluções menores nos segmentos de que depende o alto rendimento.

Diminuindo os resultados olímpicos há uma dificuldade maior em justificar que as federações em vez de 14 milhões de euros, querem mais porque esse é que será o valor que corresponde ao seu trabalho.

Se um sector com impacto no alto rendimento deveria produzir 100 e produz 50 então o COP que esperava 100 tem de se contentar com a gestão do outro que só produziu 50.

Como equacionar as relações entre parceiros interdependentes e do Estado na gestão das relações estabelecidas e contratualizadas?

Os membros do colégio eleitoral do COP devem perguntar aos candidatos o que farão nestes casos.

As federações devem também perguntar aos candidatos que objectivos é que apresentam e qual o envolvimento de diferentes parceiros onde as federações se poderão dirigir para se financiarem.

Estas perguntas fazem sentido para o futuro?

Não tenho a certeza que no passado estas questões tivessem sido equacionadas.

Devem sê-lo?

Dependerá do posicionamento da federação que vota, sem dúvida, mas que cuidados ter para defender melhor os seus interesses particulares?

As relações entre o COP e os Governos dependerão da posição das federações que são os agentes que delegam o poder.

Henrique Monteiro do Expresso defende a dama dele, a televisão

Quem defende a dama do desporto do que lhe estão a fazer?

Quem será o candidato à presidência do COP capaz de colocar os pontos nos is, naquela mesma sede, no Expresso?

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Acerca de Fernando Mota

Luís Santos será um dos apoiantes entusiastas de Marques da Silva e ninguém fala disso.

Fala-se do Fernando Mota e diz-se que ele afasta as pessoas, neste caso os votantes do colégio eleitoral das eleições do COP e da sua própria federação.

Ontem um comentador resolveu comentar nestes termos os candidatos FM e JMC para apoiar anónima e olimpicamente Marques da Silva.

Há evidentes anticorpos que se criam e adoecem as pessoas face aos outros mas isso passa.

Ninguém tem o poder todo sozinho, mesmo o muito que FM terá tido, depende de condições que o potenciam e Fernando Mota é um dinossauro, no sentido de quem teve o saber para ter poder durante muito tempo, como Luís Santos é e Marques da Silva e de que ninguém fala ou de outros que José Manuel Constantino também terá na sua equipa e apoiantes e também ninguém fala deles já que o argumento contra JMC é a inexistência de experiência olímpica.

Este argumentário é como o bendito cheiro ao balneário.

Já agora, o candidato Marques da Silva cheira a balneário ou é por isso que lá está algum ex-candidato para dar genuinidade?

Este tipo de argumentação é nefasto ao desporto e evita o debate sobre os desafios colocados ao desporto.

Estes termos são errados e devem ser contrariados porque esvaziam o conteúdo ético e desportivo do debate e que deviam ser uma preocupação maior.

O desporto está mal não só por causa do Fernando Mota, também do Marques da Silva, do Vicente Moura, do José Manuel Constantino, do Luís Santos, daqueles de que não se fala e estão por aí, e de todos porque ninguém conseguiu dar-lhe a volta e encontrar uma via para o desenvolvimento europeu em Portugal.

O tempo está a chegar ao fim e atrasa-se o conhecer das ideias dos candidatos que é o objecto principal em que se devem apoiar os votantes do colégio eleitoral e deveriam ser dados a conhecer à população portuguesa e a outros agentes e parceiros desportivos.

Parece que todos ganham porque nenhum dos candidatos dá o passo em frente a falar das questões mais profundas e difíceis do desporto português.

Outra hipótese, no sentido dos negócios do costume, é que quem falar passa a ser mal visto e depois não consegue apanhar o comboio mais rápido quando ele passar.

Nestas coisas e infelizmente o desporto português não é dado a surpresas ou a comportamentos destemidos!?

DO FUTURO DO COP




Afigura-se que está tudo claro, porque há o Olimpismo e o Estatismo, e o Fernando Tenreiro colocou as peças do xadrez no seu lugar.
 

Quem trabalha sob o chapéu do Olimpismo tem os termos definidos no seu âmbito, ou seja, o COP terá o seu discurso orientado para o CIO, e não para o Estado que o acolhe com o seu beneplácito, porque é o correio do CIO para permitir a entrada dos atletas nos Jogos Olímpicos.



Donde, quem trabalha no COP, fá-lo em respeito ao CIO, e falará em termos olímpicos, e não em termos de desenvolvimento desportivo porque não lhe cabe tal tarefa por muito boa vontade que tenha, e porque ofenderia os órgãos encarregados dessa tarefa. Não passa de uma boa intenção que o Estado olha de soslaio.



Isto para dizer que o COP terá de orientar as suas acções directamente para o CIO, já que dele depende, no sentido de dialogar para sugerir alterações que possam melhorar ou ter reflexos no desporto nacional, que o mesmo é dizer, do desporto mundial que a uma só voz fala - a do desporto.



Posto isto não se viu até hoje, a nenhum dos candidatos, falar a linguagem olímpica. Que relações entre COP e CIO ? Que orientações necessitam de ser esclarecidas, quais as omissas, quais as contribuições serão necessárias para corrigir e melhorar o Olimpismo ? Quais as sugestões ou propostas a propor ao CIO para alargar as funções COP, e por reflexo, dos Comités Olímpicos Nacionais ?


Falam daquilo que sabem, e daquilo que viveram, em termos federativos, associativos, confederativos ou INDicos. Todos eles vivem ainda nessas áreas porque não conhecem o olimpismo, seus trâmites, suas orientações, seus problemas, suas configurações. Falam do país e seus problemas desportivos como se concorressem a uma Federação, a uma Associação, à Confederação, ao IND, pelo que a linguagem surge distorcida e desfasada do contexto Olímpico. Se é um discurso que foge às dificuldades em falar em termos Olímpicos, tem a inopinada vantagem de ter bom e ilusório acolhimento nas Federações porque, se também é o discurso que entendem, ele configura-se errático.

O COP pode viver e conhecer o desporto nacional, mas não pode ter a ilusão de que vai melhorá-lo.  Cabe-lhe contribuir para melhorar o CIO, e que tenha feedback no próprio COP e no desporto nacional. 

Não basta pedir o auxílio do Estado. Chegou o momento de o exigir também ao CIO.






domingo, 6 de janeiro de 2013

O que é o COP? Para que serve o COP?

Não vou aprofundar esta questão com a ciência do olimpismo e a história.

Candidatos à liderança do COP ao constituírem-se em corporação de eleição, ou igreja dos puros, para a defesa de um ideal imaterial colocam ao colégio eleitoral uma realidade que tem sido perniciosa ao desporto português. 

Não dizem o que é o COP e aquilo para que querem ser eleitos e oferecem-se como vestais e intocáveis.

O COP possui o direito de propriedade de Portugal se candidatar com atletas às competições que são propriedade do Comité Olímpico Internacional.

O direito de propriedade de Portugal, consubstanciado no COP, dá a este o direito de se representar nos órgãos de liderança do COI e simultaneamente gerir a imagem do produto desportivo mais importante desportiva, económica e socialmente a nível mundial.

O COP é uma instituição privada sem finalidade lucrativa que é complexa beneficiando do output de todas as organizações desportivas nacionais e simultaneamente potenciando e estando ao serviço dessas mesmas organizações para projectar ao nível mundial esse labor construído desde uma base, humilde, laboriosa e vital do ser português.

Por esta posição o COP é um interlocutor perante a sociedade e o Estado e a economia do potencial do desporto e das suas necessidades tendo a legitimidade e a missão de gerir princípios e instrumentos contraditórios e de elevado grau de responsabilidade social tanto em Portugal como perante a Europa e o mundo.

O COP pouco tem sido deste ideal de governança (olímpica???).

Olhando para outros países ou os comités olímpicos assumem uma posição relevante ou o Estado assume a função de liderança do respectivo complexo desportivo nacional.

A questão relevante é a existência de estruturas capazes de maximizar o produto desportivo nacional.

Não existe um olimpismo pendurado numa árvore ou ao pescoço de 'O Iluminado' para ser reverenciado e agradecido abundantemente com prebendas douradas.

O Estado português tem lacunas imensas no desporto e o COP tem sido companheiro de viagem e de diabruras e infantilidades para não avançar na negligência e malfeitorias.

O que é o COP? O que é que devia ser o COP?

Uma instituição de vanguarda desportiva e nacional, de excepção e de valores éticos indesmentíveis perante a prática desportiva e o uso do talento desportivo nacional e de cada euro e cada cêntimo que a sociedade portuguesa lhe coloca nas mãos.

Ora, o COP pouco tem sido destas coisas!

É este o problema de se falar na unidade dos puros que defendem o olimpismo.

A realidade é que o COP ou trabalha para dar uma volta de 180 graus ou vai continuar a enganar-se a si próprio e ao desporto português. Para não ir mais longe os atletas são exauridos dos seus benefícios e direito de vida, a juventude do seu potencial através do desporto, as mulheres da sua parte do céuatravés da actividade física, os idosos de um envelhecimento activo e mais prolongado e sustentado, os deficientes limitados por responsabilidades insuportáveis, os carenciados pelos gulags criados por uma sociedade de acolhimento exígua.

Estou convicto pelos elementos que a sociedade portuguesa apresenta com frequência que nem a sociedade nem a economia acreditam actualmente no desporto português, nas suas estruturas de governança e nos seus líderes.

Desta forma a eleição de líderes que mantenham aquilo que a economia e a sociedade não apreciam e tantas vezes sugerem evitar é um erro que queima e destrói o que de bom vai havendo e surgindo no desporto.

O olimpismo dos puros está muito distante do olimpismo europeu que é plural envolvente, fraterno, aberto às diferenças ao diálogo, à palavra e ao pensamento do outro, decidido a investir e a proteger.

Isto são coisas que o COP rejeitou com actos nos últimos 20 anos fechando-se combatendo ideias, congeminando estratégias com o parceiro de hoje e o inimigo de ontem e de amanhã, sem princípios e sem servir aquilo que é a sua missão de servir as organizações desportivas que produzem desporto na base e em toda a estrutura de produção da pirâmide desportiva.

O olimpismo trabalhou para se engalanar e não trabalhou para exigir a quem de direito na estrutura de governança a responsabilidade de potenciar o desporto português e as suas características próprias e únicas.

Este comportamento acompanhado da incapacidade de investigação profunda do ser desportivo português cortou as hipóteses de crescimento e desenvolvimento sustentado.

O COP é uma organização privada portuguesa que deve ser responsabilizada pela produção dos mais altos feitos desportivos nacionais em toda a estrutura piramidal.

O COP é o primeiro dialogador do saber e do sentir e das expectativas do último dos atletas e praticantes desportivos nacionais tenha ou não a possibilidade de voar no topo do mundo.

Estas são algumas das responsabilidades olímpicas do líder desportivo que for eleito em Março.

sábado, 5 de janeiro de 2013

Candidatura de Marques da Silva a presidente do COP

A Bola de hoje refere que Carlos Cardoso e Manuel Brito aderiram à candidatura de Marques da Silva a qual se auto-denomina da unidade e do olimpismo.

Estes dois aspectos são importantes e devem ser tratados cuidadosamente.

O olimpismo é um conceito que guiou a Europa ao topo do mundo desportivo, teve um conjunto de outras características sem as quais esse mesmo olimpismo, de que o COP actual é o mentor actual, afastou Portugal da Europa.

Será útil que a candidatura de Marques da Silva explique com  muito mais material qual é o olimpismo com que esta candidatura pensa guiar o desporto português.

O bater no peito jurando um ideal não será a melhor das maneira de convencer a sociedade portuguesa daquilo que se pretende fazer no futuro.

A característica da unidade é outro elemento que conviria esclarecer porque a unidade de que fala a candidatura parece relacionar-se com os elementos que foram unidos até se desentenderem e agora afinal estão todos juntos.

Esta unidade que características tem?

Seria bom compreender bem estas questões numa linguagem que todos os agentes do desporto português se identificassem com o futuro presidente do COP.

Há questões que as pessoas podem não se aperceber e que são 'veneno puro':

  1. Falar do que sabem fazer apenas os presidentes das federações é um erro nacional comum quando a União Europeia afirma o diálogo social e a governança no seio das instituições federativas
  2. Exaltar o olimpismo da candidatura é um todo vazio se não se conseguir explicar o que é o olimpismo tem a ver com a sociedade portuguesa e tudo o que não é olímpico no desporto português. Escolhe-se o olimpismo como paradigma porquê? A explicação até pode ser simples e é necessário apresentá-la
  3. Eleger a magnífica unidade de algumas pessoas, que se sente não existir será empurrar os problemas com a barriga

As eleições para presidente do COP estão na sua fase final, podendo ainda haver desistências.

A Bola tornou-se o jornal que apresenta mais notícias sobre as eleições mas como se observa ou o jornal não consegue ir mais fundo ou os candidatos fecham o jogo à opinião pública.

Estou em crer que os jornais poderiam fazer mais mas não tenho a certeza que haja jornalistas ou condições no jornalismo desportivo português capazes de ir atrás destas notícias específicas e da apresentação de informação sobre o que, por um lado, verdadeiramente se passa quanto às movimentações dos candidatos e do colégio eleitoral e, por outro lado, do debate sobre as questões para o futuro do desporto português.

Pode também ser uma questão de calendário e estas questões serão abordadas mais para a frente.

A OLIGARQUIA DOS INCAPAZES



Leitura para um fim de semana

L'oligarchie des incapables

Sophie Coignard, Romain Gubert

Albin Michel (Editions)

Ils monopolisent les postes les plus importants, cumulent les privilèges et font de l'argent leur principale passion. Ils se servent de l'Etat pour aider leurs amis, fabriquent des lois sur mesure pour leur bon plaisir et laissent le pays aux mains de bandes rivales. Patrons, hauts fonctionnaires, élus ou experts, ces oligarques nous gouvernent avec un mélange d'incompétence et de lâcheté. Après L'Omerta française, Sophie Coignard dont les enquêtes font trembler le monde politique et Romain Gubert, journalistes au Point, nous révèlent vingt ans de compromissions et d'affaires cachées, qui ont permis à une caste de maintenir son règne malgré ses échecs répétés. En toute impunité.

Nos 40 anos do Expresso: futebol, Barcelona e automobilismo

Ao comemorar os seus 40 anos o Expresso fala da esperança de um treinador de futebol novo no campeonato inglês, do glorioso Benfica, do sempiterno Eusébio Ferreira da Silva, do Barcelona e do Dakar.

A imagem para comemorar os 40 anos do Expresso são o Futebol, o futuro com o Barcelona e Messi e o desporto motorizado.

Um comentador da comunicação social desportiva assegurava no Expresso depois do Euro 2012, qualquer coisa do género, 'não mexam no futebol'.

Eis a percepção que a sociedade tem do desporto português de quarenta anos enquanto sector que afinal soçobra e onde não existem líderes com arcaboiço social para o retirar de tal local profundo.

As candidaturas à presidência do COP de Fernando Mota e de José Manuel Constantino são credíveis, na minha percepção, e aquelas que poderão fazer frente à tragédia do lugar em que o desporto se coloca cada vez mais.

Chamei à atenção na comunicação social, no Expresso, Público, Jornal de Negócios, Diário de Notícias e em blogues meus e do Colectividade Desportiva que a situação do desporto era má e piorava.

Cavou-se entre o que escrevo e os líderes desportivos em exercício, uma aversão e um fosso porque identificaram os meus escritos com as suas limitações em garantirem o seu sustento.

Há uma coerência nesse posicionamento dos líderes desportivos que é o de considerarem que estão a fazer o melhor e as minhas afirmações são laterais e tendenciosas.

Eu diria mais do que dirão ou pensarão os líderes desportivos, as minhas posições são marginais e a sociedade e os jornais deixaram de querer perceber o que se passa no desporto e não têm tempo ou dinheiro para colocar no desporto português, tal como ele está.

Os jornais fizeram-no não por causa das minhas afirmações mas porque o desporto deixou de ser notícia que motive e predisponha o mercado do desporto, a economia e a sociedade portuguesa.

Os líderes desportivos portugueses têm um problema de décadas dado que não estudam, não investem no conhecimento, negam as estatísticas e o conhecimento baseado no benchmarking com os outros países europeus, cultivam, mesmo sem saberem o porquê, a subsídio-dependência e face à sua ignorância, no sentido do desconhecimento, são enganados na política porque desconhecem a realidade tanto nacional quanto europeia de que se coartam e distanciam e destroem valores nacionais extraordinários.

A realidade e a decisão do combate nobre entre Fernando Mota e José Manuel Constantino está nas mãos daqueles que antes de todos se fecharam, as federações olímpicas, e se tornaram mais pequeninos por decisão própria e não compreendem a natureza do comportamento social nacional e do Expresso como paradigma.

Quando hoje o Expresso fala dos sectores económicos com futuro, aí o desporto português não marca presença.

Os jornais não são masoquistas, têm a missão de informar mas não lhes cabe como órgãos privados fazer a caridade.

O produto desporto ou vende valor, mesmo que intangível, ou senão passa não vale a pena sugeri-lo ao leitor que consume o jornal.

Ao Comité Olímpico de Portugal caberia elevar as actuais eleições junto da sociedade e mobilizar os órgãos de comunicação social para esse debate, quer dos próprios candidatos, quer de terceiros sobre aspectos relevantes da realidade desportiva nacional.

Como o COP há muito liquidou qualquer elo vital com a sociedade e a comunicação social hoje a candidatura às eleições passam na Bola, não passarão no seu Canal MEO(???), e pontualmente em pequenas notícias no Record, do Diário de Notícias e do Público.

O futuro do desporto vende dificilmente, mesmo nos órgãos desportivos da comunicação social. A sua comunicação social!

O futuro de Portugal através do desporto não vende em nenhum órgão da comunicação social portuguesa, nem na economia, nem na sociedade.

Esta peça não é o fim da linha, porque o trabalho a realizar é imenso e não é missão para um iluminado ou D. Sebastião.

O imenso trabalho para maximizar o potencial desportivo europeu em Portugal tem de ser social, cultural e político.

Vender hoje o desporto português faz-se em qualquer 'feira da ladra'.

Colocar o desporto português nos areópagos europeus é definitivamente distinto da 'feira da ladra'.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A candidatura de José Manuel Constantino à presidência do COP avança

Eis excertos de afirmações feitas à Lusa e que estão nos sites do Público e do Diário de Notícias:
  • “Elevar o nível desportivo do país”  
  • Ajudar a “potenciar a capacidade organizativa das federações”
  • Tem uma equipa, … “pessoas identificadas com o fenómeno desportivo, disponíveis para trabalhar, construindo um conjunto de ideias a partir dos tópicos que apresentei e que procure melhorar a vida desportiva nacional, particularmente na sua dimensão de participação olímpica”
  • Ajudar a elevar o nível desportivo do país
  • Quanto aos cortes previstos no apoio ao desporto, o futuro candidato considera ser necessário “encontrar medidas que minimizem o seu efeito recessivo no funcionamento de todo o desporto nacional”. “Ninguém é indiferente à crise e momento que o país atravessa. Nenhum sector está sem ser afectado. Preocupa-me no que pode causar ao movimento associativo e desporto português”, reconhece
  • O desporto nacional melhorou significativamente quando comparado com há 20 ou 30 anos”
  • “O cenário evolutivo não depende apenas da participação olímpica, mas de todo um contexto da vida desportiva nacional em quadros competitivos internacionais”
  • “Globalmente - ainda que com momentos mais altos ou menos conseguidos - a avaliação é positiva, pese embora a circunstância de termos ainda um conjunto de indicadores de natureza desportiva muito aquém das médias europeias e internacionais, que penalizam a nossa capacidade competitiva”
  • Quanto à tutela e ao Instituto Português do Desporto e Juventude – um "relacionamento institucional normal entre parceiros que devem convergir nas ações e iniciativas de modo a que o potencial do país possa ser elevado, melhorado". "Não pode haver outro [relacionamento] diferente de correto, saudável, sem prejuízo da autonomia de cada um. O país só tem a ganhar com sinergia e convergência de posições oficiais do governo e movimento associativo desportivo"

Ainda as transformações na comunicação social

A relação criada entre o MEO e a Bola constitui também uma abertura competitiva da comunicação social neste caso da desportiva.

Os termos de troca relacionam-se com a capacidade do produto oferecido mediaticamente pagar o lucro do produtor de comunicação social.

A presença semanal de líderes desportivos federados no novo programa Menos Futebol é uma inovação proposta ao desporto que o desporto deve apanhar e não deixar fugir.

A fórmula abre expectativas que não se esgotam no modelo proposto até agora podendo intensificar a apetência da opinião pública pela inovação no espectro televisivo.

Exemplos de vinte anos sugerem que os líderes desportivos se fecham por tradição. Exemplos de décadas mostram parceiros de quem não se conhece a mínima inovação conceptual ou de governance a não ser a constância no poder, o que de qualquer forma sugere criatividade e capacidade.

A MEO é o exemplo de uma empresa de comunicação que inova possuindo uma das campanhas de publicidade mais agressivas, no bom sentido da competitividade, aliando-se ao jornal diário desportivo de maiores créditos. Daí a necessidade de atenção por parte do desporto aos termos de troca.

É um desafio aliciante ao desporto que está em aberto, se se quiser corrigir o passado parecendo haver quem mantenha as suas preferências e tenha o poder para tal.

Os novos sites dos órgãos de comunicação social

Nas últimas semanas os sites dos principais jornais portugueses transformaram-se para melhor.

O Jornal de Negócios, Público e Expresso são as mudanças recentes de um movimento anterior que vinha com o Jornal i e o Dinheiro Vivo.

Este é um sinal de como as coisas vão mudando em sectores sujeitos a maior concorrência e se assiste a mudanças competitivas para acompanhar a modernidade.

Oxalá estes exemplos tivessem a possibilidade de ser copiados pelo desporto e pelas suas instituições.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

UMA TARTARUGA EM CIMA DE UM POST




 



Enquanto suturava um ferimento na mão do velho, cortada por um caco de vidro indevidamente jogado no lixo, o médico e o paciente começaram
a conversar sobre o país, o governo e, fatalmente, sobre o Passos Coelho. O velho  disse:

"Bom, o senhor dr.  sabe... O Passos é como uma tartaruga em cima do poste...".

Sem saber o que o velho quis dizer, o médico perguntou o que significava uma tartaruga num poste ao que o velho respondeu:

"É como quando o senhor vai por uma estrada, vê um poste e lá em cima está uma tartaruga a tentar equilibrar-se. Isso é uma tartaruga num poste.”

Diante da cara de interrogação do médico, o velho acrescentou:

- Você não percebe como ela lá chegou.
- Você não acredita que ela esteja lá.
- Você sabe que ela não subiu por si só.
- Você sabe que ela não deveria, nem poderia, estar lá.
- Você sabe que ela não vai fazer absolutamente nada enquanto lá estiver.
- Você não percebe porque é que a colocaram lá.
- "Então… tudo o que temos a fazer é ajudá-la a descer e providenciar para que nunca mais suba, pois lá definitivamente não é o lugar dela".



quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O DINHEIRO DO ESTADO



Referência de recente data que escalpeliza a desgovernação do Estado francês e se aplica ipsis verbis à desgovernação portuguesa

L'argent de l'Etat - Un député mène l'enquête

René Dosière

·         Seuil

·         Broché

  • Paru le : 02/02/2012
Du budget de l'Elysée en constante augmentation au coût d'un ministre, en passant par les frais divers du Sénat ou de l'Assemblée nationale, René Dosière a élargi son enquête aux comptes du pouvoir. Cinq ans après le premier livre, l'argent de l'Elysée n'est plus un sujet tabou. Le parlement publie désormais chaque année un long rapport sur la question. Mais René Dosière a poursuivi ses investigations et nous expose la croissance des dépenses élyséennes, conséquences de l'activité intense du Président mais aussi de comportements dispendieux.
Le député apporte un éclairage inédit en calculant le coût réel d'un ministre, une première dans l'histoire de la République. Alors qu'une politique de réduction des fonctionnaires et des crédits s'impose aux divers ministères, les têtes de l'exécutif - en l'occurrence les cabinets ministériels - échappent à cette rigueur : effectifs et rémunérations augmentent à vive allure ! Le fonctionnement de l'Etat est curieusement l'un des trop nombreux angles morts de la démocratie, et l'on découvre avec un peu de stupeur qu'il échappe tant au contrôle qu'à l'information.
Le voile est levé, avec précision et clarté, sans polémique gratuite, dans un style dont le sérieux ne bannit pas la vivacité. Le citoyen trouvera dans ce livre le relai nécessaire à toute véritable transparence.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PACEM IN TERRIS

A todos os leitores se dedica esta receita brasileira

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido

(mal vivido talvez ou sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanhe ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?)



Não precisa

fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto de esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.



Para ganhar um Ano Novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

ANO NOVO

Ano Novo
De tudo, ficaram três coisas:
A certeza de que estamos sempre começando...
A certeza de que precisamos continuar...
A certeza de que seremos interrompidos antes de terminar...
Portanto devemos:
Fazer da interrupção um caminho novo...
Da queda um passo de dança...
Do medo, uma escada...
Do sonho, uma ponte...
Da procura, um encontro... 
Fernando Pessoa

domingo, 30 de dezembro de 2012

TORMENTA




 

Tormenta

Que jaz no abismo sob o mar que se ergue?
Nós, Portugal, o poder ser.
Que inquietação do fundo nos soergue?
O desejar poder querer.

Isto, e o mistério de que a noite é o fausto...
Mas súbito, onde o vento ruge,
O relâmpago, farol de Deus, um hausto
Brilha e o mar 'scuro 'struge.

Fernando Pessoa


sábado, 29 de dezembro de 2012

A contextualização necessária

O trabalho de modernização do desporto português será maior do que o de Sísifo.

A crítica que se faz ao trabalho da PWC por parte das federações como se observa hoje de novo na Bola pode ser justa mas parece incerta.

Existem problemas no desporto português e há que apresentar estruturadamente as causas e as soluções não de uma forma fechada mas permitindo obter consensos de posições que poderão ser contraditórias.

No outro dia um dirigente de uma federação indicou-me uma hipótese de trabalho que me parece correcta há muito e já a tenho sugerido.

Porém, logo de seguida diz que tinha de ser feita por investigadores internacionais porque em Portugal não existem pessoas capazes.

Ora, a procura de soluções internacionais foi o que Alexandre Mestre fez e contudo isso não coíbe os entrevistados da Bola de o liquidarem.

Por outro lado, também, a Troika faz aquilo que os líderes portugueses não fazem e a sugestão aqui fica, porque não contratar líderes desportivos para as federações porque os que existem não vão lá?

Tenho muitas dúvidas que haja dinheiro em Portugal para contratar quer as empresas multinacionais ou os investigadores estrangeiros para fazer os estudos necessários ao desenvolvimento desportivo nacional e da minha pobre experiência quando estes especialistas chegam a primeira coisa que dizem é: então digam lá as coisas para eu saber o que hei-de dizer a quem me paga o trabalho.

Os anos passam e estas atitudes de impotência impedem a mínima produção e acumulação de soluções através do saber-fazer nacional.

Há um problema de atitude no desporto e nos líderes nacionais que se observa que noutros sectores vão conseguindo ultrapassar as próprias limitações. Os exemplos são as universidades, a cultura, os sapatos, a indústria e alguns mais.

Os líderes desportivos portugueses deviam olhar criticamente para si próprios e serem humildes perante a sociedade e a população portuguesa que lhes mete imenso dinheiro nas mãos e também o seu bem-estar e tantas vezes a vida dos seus filhos.

Os líderes federados são igualmente os primeiros a desculparem-se de mil e uma formas pelos resultados que não produzem e são incapazes de aceitar o trabalho e as propostas dos outros.

A crítica que agora se faz com o estudo da PWC podendo ser legítima, peca pela incapacidade de debater os resultados e colocar alternativas consensuais o que já o desporto português fez e faz com outros estudos e análises nacionais fechado em si mesmo.

O exemplo enfadonho do programa da Bola tem a virtude de demonstrar à opinião pública o que será o debate no seio do Conselho Nacional do Desporto e noutros fóruns de decisão da política desportiva nacional.

A Bola está de parabéns pelo programa por destapar a imagem que se suponha existir mas que os protagonistas calavam publicamente.

Parece óbvio por este exemplo que o debate sobre a política desportiva tem de se fazer com outros instrumentos e não estou a falar de outros protagonistas.

Quem está na corrida do programa da Bola são os corredores actuais assim como quem está no CND é quem lá está e a inovação a introduzir relaciona-se com as regras do jogo.

Ninguém gosta de assistir a uma competição com batota ou a um jogo de corredores sem nervo e que como aquele jogador há anos voltava-se para o colega e piscava o olho da falta que tinha tirado ao árbitro sobre o adversário e era desportivamente inexistente.

Tanto mais quanto este debate descontextualizado dos desafios reais do desporto português no todo europeu afecta sobremaneira a população portuguesa e os carenciados e os mais pobres.


Bom ano para todos.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Pois, Vicente Moura por ele próprio

Na Bola de hoje diz que o estudo da PWC encomendado pelo Governo tem problemas.

O que é que no desporto português de hoje não os tem?

Seria útil que o COP apresentasse os estudos feitos pelo menos para mostrar que fez alguma coisa porque de resultados olímpicos ninguém os vê.

Para quem está há tanto tempo no poder continuar a dizer que o desporto português está obsoleto é não compreender que talvez haja uma relação de causalidade entre utilidade da sua permanência e os resultados produzidos.

Oxalá haja quem aprenda alguma coisa das afirmações deste género e que as lições permitam distinguir o preto do branco.

O debate que não se faz no processo eleitoral do COP

O desporto devia estar a discutir as condições do futuro por parte dos investigadores e opinion makers mas infelizmente há um silêncio.

Eu devia estar a discutir questões características do desporto trocando ideias e posições com outros elementos na busca de um esclarecimento sobre múltiplas questões criando condições para uma melhor liderança.

Falta estratégia ao desporto.

Não é que o desporto não actue com inteligência por sistema.

Há sinais positivos quando estrategicamente o governo decide atribuir subsídios quadrienais às federações olímpicas ou quando decide contratar uma empresa para analisar os 3 últimos ciclos olímpicos e a partir daí estabelecer um plano de outros 3 ciclos olímpicos. A junção da juventude e do desporto envolvendo a obtenção de economias de curto prazo tem consequências que se devem compreender estrategicamente sob pena de não se apreenderem situações limite que surgem a prazo.

O associativismo desportivo também actua estrategicamente mesmo não o reconhecendo quando decide eleger o candidato A em vez do candidato B. As federações defrontam-se com situações no longo prazo que tinham como adquirido e depois afinal diminuem muito. Foi isso que aconteceu à Canoagem quando ganhou muitas medalhas mundiais no início do ciclo de 2009 a 2012 e depois as vitórias foram diminuindo até chegar a uma. Todo o desporto pensava qualquer coisa de Londres mas a Canoagem é o elemento de referência o que demonstra que houve falhas estratégicas que eram conhecidas como podendo acontecer. Por sistema Portugal ganha medalhas europeias e mundiais e acumula-as no início dos ciclos olímpicos e depois esse pecúlio dá para sustentar o ciclo. O Râguebi estará avisado do que o espera e terá de manter a fasquia tão elevada quanto a dos seus adversários para não lhe acontecer como habitualmente acontece no desporto português.

Estes comportamentos com perspectivas e resultados estratégicos mostram como a matéria é mais do que sensível é vital para o desporto português.

Uma última nota, a estratégia e a sua concepção ou planeamento tem virtualidades e limites.

Estes últimos estando presentes não retiram a validade do instrumento.

Quando o Governo decidiu atribuir um subsídio a quatro anos às federações olímpicas essa era uma velha aspiração do desporto e das federações.

Hoje sabe-se que os resultados que se esperavam falharam em 2008 e depois ainda mais em 2012.

Uma hipótese é a de passar de novo aos subsídios anuais.

Outra hipótese é o de seguir o planeamento estratégico a 3 ciclos olímpicos.

Naturalmente que a experiência recente do subsídio de 1 ciclo olímpico sugere uma melhoria em alguns momentos e situações o que não destruirá o conceito de estratégia envolvendo um período longo de actuação das federações nacionais.

Para a política de uma federação, conhecer as linhas de política desportiva com que se vai orientar no longo prazo é tão importante como conhecer e lidar com leis e regulamentos que lhe permitem emendar possíveis erros, limitações ou imprevistos.

Há erros graves noutras áreas do conhecimento e nalguns protagonistas mas isso são dados da realidade que o domínio de uma visão estratégia tanto quanto possível clara permite singrar melhor por entre esses escolhos e imprevistos.


Tratei aqui de dois temas: a necessidade de um debate científico e técnico, antes de ser político ou de políticas, e do conceito de estratégia. Economicamente sem tolher a necessidade de outros instrumentos a estratégia é dos elementos estimulantes que a política desportiva pode beneficiar.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

O ano que agora termina e o novo ano

2012
Na liderança do desporto português a crise do desporto dá sinais frequentes da sua presença como principal acontecimento de 2012.

O COP é o centro do arrastar da crise do desporto por um processo eleitoral anquilosado e pela dificuldade da Direcção actual dar sinais de vitalidade contribuindo para a renovação desse processo eleitoral.

Corporativamente há uma ideologia liberal assumida à direita enquanto a esquerda mantém o silêncio de actos contraditórios com avanços e recuos, afirma-se um novo desejo de poder mais técnico deixando de assumir a liderança dos bastidores e outro mais corporativo da velha guarda dos presidentes das federações.

À luz destas contradições as federações fazem eleições, sem um norte ou sem um poder forte, e os sinais que chegam mantêm-se confusos e receosos do debate democrático.

É nas federações que surge uma nova esperança com inúmeros candidatos novos a darem a volta às eleições que se supunham ganhas por candidatos tradicionais. 

Os novos candidatos são uma vertigem de novas experiências e do legítimo poder no desejo de também eles experimentarem e terem o benefício da dúvida se errarem e poderem emendar os seus erros.

As lideranças da velha guarda não convencem os colégios eleitorais federados defendidos pela iniquidade e ineficácia da lei do desporto, um perfeito sistema de imperfeições acumuladas durante mais de 30 anos e geridos por protagonistas que querem o máximo para si e os seus, actuando sem o exercício de grandes princípios nacionais ou europeus e com muito medo dos poderes instituídos e da própria sombra frustrando as expectativas sociais.

Este é o caldo de cultura da governança do desporto português para 2013.

Do ponto de vista da produção desportiva o Rugby é a modalidade que não surpreende e deve ser apontada como a modalidade de 2012 pela afirmação da selecção nacional de Sevens entre as melhores da Europa e do mundo. São passos que estão a ser dados há décadas que o Rugby começou a crescer primeiro nos 15 e agora aproveitou a brecha de uma nova disciplina técnica na modalidade e faz a sua afirmação entre os melhores destacando o país numa disciplina colectiva, área colectiva onde o país geralmente soçobra. São pois os vários factores que apontam o Rugby como modalidade de 2012 mesmo não tendo ido aos Jogos Olímpicos de Londres. O Rugby português tem estado a tombar gigantes e é esse o exemplo superlativo a reter.

A Canoagem seria a modalidade de 2012 se tivesse ganho mais do que uma medalha olímpica de preferência 3 medalhas ou mais mostrando que a sua afirmação era sustentada e afirmativa. Uma medalha é pouco para a Canoagem que não se distingue suficientemente do país desportivo. Uma medalha é demasiado próximo de zero medalhas como aconteceu com tantas modalidades olímpicas.

2013
A eleição do COP é o acontecimento do ano para 2013.

O colégio eleitoral do COP, mesmo não compreendendo o como e o porquê desta responsabilidade, tem a responsabilidade de eleger o líder desportivo que vai marcar o desporto português para as próximas décadas, mesmo que o processo eleitoral e os candidatos não assumirem ou aprofundarem as dimensões dessa realidade que a todos nos transcende.

2013 vai continuar a ser um ano muito difícil para o desporto português, principalmente pelo deserto de ideias e de coragem para assumir um rumo inovador.


Um bom ano de 2013 para todos.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Os clubes e o presidente do COP

Hoje um amigo comentava que não há uma relação entre o trabalho nos clubes e o presidente do COP e que a eleição deste era indiferente para quem trabalha nos clubes.

Concordei com ele e sugeri-lhe que essa é uma das lacunas portuguesas.

De facto, nas décadas que passaram o presidente do COP nada terá dito ou mostrado em benefício dos clubes.

Esse um desafio para o futuro? Vejamos,

Deve o novo presidente do COP actuar apenas voltado para o alto rendimento e a prestação olímpica de 26 modalidades e a acção dos seus presidentes ou deve actuar de outra forma?

Eis um tema que merece ser observado.

Caso o novo presidente se preocupe com o trabalho dos clubes a solução encaminha-se para a compreensão de novas funções que não tendo sido cumpridas no passado agora urge abordar nessa sede.

Caso o novo presidente não se tenha de preocupar com o trabalho dos clubes então há que discutir quem o fará alternativamente com igual ou maior autoridade.

Isto para o caso da realidade dos clubes ser relevante.

Face à real ineficiência do mercado dos clubes desportivos portugueses haverá que encontrar uma solução para os seus desafios e ou potenciar um cargo de líder ou alternativamente colocar a resolução dos desafios dos clubes noutras mãos.

A outra hipótese é deixar os clubes na Graça do Menino Jesus como até hoje.

Fazer diferente do Menino Jesus fica para outra ocasião.

No Expresso a entrevista de Vanessa Fernandes

A comunicação social não dá sinal de conseguir tratar o Caso Vanessa Fernandes.

Perante o atirar às feras da atleta pelo novo presidente da modalidades o Expresso obediente e acéfalo entrevista a jovem.

Porque o há-de fazer se mais ninguém trata do Caso de forma superior?

É uma entrevista de uma jovem muito magoada com o que desconhece e que é um universo e confusa e imensamente só em relação a si própria.

Algum candidato ao COP trata ou equaciona o Caso Vanessa Fernandes.

Vale a pena trabalhar o Caso Vanessa Fernandes?

O Caso Vanessa Fernandes é todo um Tratado.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O horror do vazio no jornal A Bola de hoje, ou como andar aos papéis e estragar o desporto ainda mais

A reafirmação de candidatura na Bola de hoje é a precipitação face a um vazio que apenas existe por uma lacuna de percepção da realidade desportiva e nacional.

Sem desconsiderar o candidato e face às condições restritas de eleição do COP o elevar do número de candidatos fragmenta de certa forma o processo eleitoral.

Naturalmente as federações com melhor informação tenderão a concentrar-se nos candidatos com currículo desportiva e socialmente mais relevantes e com melhores propostas de trabalho e de futuro.

A hipótese de algum candidato avançar porque há um partido que não se identifica com candidatos com o melhor currículo desportivo e social é uma realidade possível dentro das características do Modelo Português de Desporto em que os líderes e responsáveis das organizações não são muitas vezes eleitos e nomeados pelas capacidades e currículos apresentados. O Modelo tem outra característica pior que é o líder ou o dirigente não apresenta resultados da sua gestão e mantém-se por imenso tempo sem uma renovação inteligente por parte dos seus parceiros ou dos responsáveis pela sua nomeação.

A saída de um dos candidatos anteriores indicava uma cautela institucional que agora a nova propositura questiona.

Foi introduzido ruído onde devia ter-se caminhado para a consensualização de um par de candidatos que focariam em si a atenção do desporto e da sociedade para soluções vitais para o desporto português.

Focar na sua candidatura que se conhece A e B internacionalmente é um estilo e um programa de liderança a milhas da realidade desportiva nacional. Essas imensas personalidades internacionais gostam de líderes nacionais 'bons alunos' que lhes enchem o ego e os bolsos com eventos e megaeventos escusados face ao nível e `s necessidades competitivas do desporto português. Precisamente a questão dos eventos e megaeventos é um dos temas fulcrais da realidade que passa. Mas o que se coloca em cima da mesa é o conhecimento de personalidades...

Pergunta-se: 
  • Quem apoia o novo candidato fá-lo pela sua qualidade ou pelo que representa institucionalmente e não se confessa com transparência?
  • É esta a liberdade que se quer para as federações nacionais?
  • Face à tremenda crise do desporto e fora dele há quem esteja a brincar como de costume com o desporto, não há?
  • Há quem deliberadamente jogue no ruído que vai debilitar o desporto português, não parece?
  • Quem é que anda para a frente e para trás e não consegue apresentar uma linha de rumo objectiva e clara para o desporto português e parece que anda aos papéis há já algum tempo?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

EDITAIS PEDAGÓGICO-ECONÓMICOS

 Um edital ínsito na Gazeta de Lisboa n.º 308, 25.12.1810, nestes termos 

 historicamente um acontecimento de longa duração, e, por longa duração, induz que os padeiros aprenderam com os políticos nas virtudes económicas praticadas, porque os exemplos chovem de cima,  em obediência ao aforismo pecunia obediunt omnia.










O que diz Fernando Mota na Bola de hoje?

Sucintamente estas notas são a minha interpretação:

  • A responsabilização das federações sobre aquilo que querem 
  • A dinamização e potenciar desse querer
  • Partilhar as responsabilidades
  • Contrapor alternativas à legislação pela legislação desportiva
  • Atender ao desenvolvimento desportivo
  • Usar o COP para galvanizar o país
  • Fomentar a prática desportiva
  • Promover a unidade das federações
Podendo não ser tudo são afirmações do combate dos chefes

(note-se que estas notas são a síntese da síntese da Bola e que aqui ficam para continuar o diálogo necessário até Fevereiro)

As páginas 38 e 39 de A Bola de hoje

Tem a entrevista de Paulo Frischknecht e de Fernando Mota e a notícia da candidatura de José Manuel Constantino e da tomada de posse de Luís Santos à frente da Fundação do Desporto que lhe foi dada por Miguel Relvas e Alexandre Mestre.

São duas páginas de mão-cheia da realidade do desporto nacional e das possibilidades de futuro.

Um futuro complexo que tem de ser feito de complementaridades e menos de fracturas.

Há boas e más notícias.

Estas são uma abertura da comunicação social que importa reter demonstrando a sua atenção para aquilo que o desporto cria e oferece, particularmente aqui observamos a atenção da Bola.

Tal significa que os assuntos do desporto podem passar em maior quantidade na comunicação social.

O facto do desporto ter definhado continuadamente ao longo dos anos retirou margem ao negócio da comunicação social desportiva.

O desporto não acerta em tudo o que faz e tem coisas boas, sendo certo que as más foram superiores às boas e a atenção da opinião pública e da comunicação social centrou-se nas últimas já que muitas das não notícias que são más notícias não são um produto consumível pela opinião pública.

A produção de notícias é uma arte que o desporto português domina mal porque não especializou e aprofundou aquilo que quer e faz de fulcral.

Nas páginas da Bola observa-se o bom e o menos bom e não caberia ali fazer mais.

O desporto merece agora novas peças sobre o projecto de cada um dos candidatos e o debate cruzado entre eles para compreender o detalhe das propostas e mais importante ainda ter um jornalismo incisivo e conhecedor capaz de ir buscar informação que se não for puxada não vai aparecer com prejuízo para o desporto.

Este é o papel que o COP deveria assumir e ajudar o esclarecimento da opinião pública e das suas federações e que se demitiu de o fazer de certa forma em coerência com o trambolhão que dá desde 2008, pelo menos.

À partida as eleições do COP são matéria desportiva palpitante e isso poderá depender dos candidatos, da comunicação social e de outros parceiros.

Um novo passo seria transportá-la para os órgãos de comunicação generalistas e programas de televisão em sinal aberto.